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Retomada do turismo

Travel Tech encerrou programação com reflexão sobre a transformação dos hotéis após a pandemia

O último painel da Travel Tech Online trouxe o tema “Após a COVID, devemos pensar em uma nova infraestrutura hoteleira?”, com reflexões dos convidados: Douglas Custodio, da Safira Energy;  Leonardo Michelena, da Leankeep; Camilo Torquato, da T&D Sustentável; e Roberto Vidal, da RGV Hotelaria. A mediação foi de Vinicius Geraldo, CEO da HS Latam e idealizador do evento.

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Douglas Custodio, da Safira Energy, foi o primeiro a se pronunciar e enumerou os benefícios para o hotel na instalação da energia fotovoltaica. “Primeiro, os benefícios e o sentido do investimento começa com energia limpa, que traz diferencial para o negócio. Quando você opta por esse tipo de energia, você recebe selos de certificação que possuem peso na decisão do hóspede. A segunda coisa é o impacto econômico e financeiro, reduzindo custos para a operação. Hoje, a Safira faz uma conta que dependendo da região do hotel, fica em torno de R$ 600, R$ 700 por unidade. Isso sem falar na margem de crescimento e liberdade do monopólio. O sistema dura no mínimo, de 20 a 25 anos, com retorno financeiro em seis anos, aproximadamente”, explicou Custodio.

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Vinicius Geraldo reafirmou os benefícios da energia sustentável e o valor agregado que um empreendimento ‘verde’ possui atualmente, já que tais práticas hoje, pesam muito na decisão do hóspede e do novo viajante.

Vidal trouxe uma dúvida a discussão e quis saber de Douglas se existem linhas de financiamento para a instalação dessa tecnologia nos negócios. “Antes só os grandes players tinham acesso. Hoje o principal investidor é o próprio governo por meio do BNDES. Quando você adota uma modalidade dessas, o investimento praticamente não existe, pois o seu capital já será o mesmo capital investido em energia. Você vai pagar uma parcela que no máximo, vai chegar a R$ 70 mil. Hoje, pousadas e outros meios de hospedagem já usam a tecnologia e a instalação é muito fácil”, respondeu Douglas.

Roberto Vidal, da RGV Hotelaria

Camilo Torquato comentou que, há dez anos, falar sobre energia sustentável era uma utopia. “Hoje o gestor tem que entender que isso agrega valor ao próprio hotel, além do valor em marketing”, observou.

Torquato falou no momento seguinte sobre a atuação da empresa na gestão de consumo de água na hotelaria. “Nossa empresa consegue hoje entregar não só a economia de água, como economia de energia também. Quando um hotel possui uma cota mínima de água, isso não significa propriamente redução de custos. Criamos um modelo específico para cada hotel que inclui monitoramento de toda estrutura hidráulica de um empreendimento, além de mais de 18 serviços gratuitos para o hotel”. O contrato com a T&D não tem multa por destrato e a empresa também capacita a força laboral do empreendimento.

Camilo Torquato, da T&D Sustentável

Avanço da tecnologia e internet das coisas

Leonardo Michelena na sua vez, falou sobre o impacto do avanço da tecnologia e internet das coisas contribuem no cuidado das infraestruturas na hotelaria no pós pandemia. “A primeira reflexão, que parte de operação e manutenção, do facility management, está passando por transformações, saindo da esfera técnica para a esfera da pessoa. Nasceu uma ISO 40001 que é a de facility management; um segmento que existe desde sempre mas que ultimamente colocou a pessoa, o indivíduo no centro das atenções e na hotelaria isso é mais sensível. Estamos expostos ao ambiente de forma mais intensa. No pós COVID, as pessoas de todas as áreas estão receosas e a hotelaria foi uma das mais afetadas. Hoje não basta fazer a manutenção, você tem que mostrar que ela está sendo feita. Temos empresas como a do Douglas, que está trabalhando nessa dimensão em termos de custo. No entanto, o segredo é como fazer com que as pessoas se sintam confortáveis para voltar aos hotéis, essa é a questão, como isso será trabalhado. A internet das coisas é uma facilitadora, podemos ter, por meio dessa tecnologia, uma manutenção preditiva, que é quando prevemos quando pode acontecer um problema”, detalhou.

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Douglas quis saber como a Leankeep estebelece a comunicação com o cliente final. “Temos que lembrar que o relacionamento com o cliente final é um cenário relativamente novo. O próprio hotel tem de cumprir com todos os planos de manutenção e em dia com os órgãos públicos e o que eles determinam. Podemos usar um QR Code para mostrar que aqueles espaços obedecem as normas de prevenção. Essa é só uma das tecnologias. Entender como criar evidências para o cliente final é um desafio. Existem certificações que estão sendo feitas e essas evidências são um conjunto. No nosso laboratório trabalhamos em soluções para essa questão. Queremos trazer a inteligência para a manutenção da gestão”, respondeu Leonardo.

Douglas Custodio, da Safira Energy

Roberto Vidal, na sua vez, detalhou o que os hoteleiros podem esperar em exigências de hóspedes no novo cenário de pandemia. “Quando falamos de higiene, vemos que sempre foi um ativo fundamental, para colaboradores e clientes. Itens individuais higienizados, álcool em gel e outros, são essenciais para a hotelaria, que já tinha cuidados com o hóspede e o dobrou com a pandemia. No entanto, vão continuar existindo os dois hóspedes, aqueles que colocam a placa não perturbe e aqueles que vão exigir cada vez mais uma arrumação completa. Nesse caso, o colaborador entrará totalmente equipado com EPI’s e outros itens. Existem hotéis que já não trabalham com arrumação e outros que, ao receberem hóspedes de longa estada, o mudam de apartamento de tempos em tempos, claro que, previamente acordado com o hóspede. Os hóspedes estarão atentos a tudo. Se um hotel tem nota 8, 8.5, ou 9, para manter esse índice, vai ter que estar disposto a uma briga feia. A hotelaria é um dos setores que mais sofreu com a pandemia. A retomada tá sendo complicada, vai demorar, não será da noite para o dia. Minha pousada está reabrindo hoje, temos reservas, mas estamos com a parte de higienização, dentro da possibilidade, dentro do exigido. Acho que vai ser um processo difícil, mas a hotelaria sempre dá a volta por cima”, pontuou o executivo.

Treinamento e protocolos de limpeza e manutenção

Vinicius acredita que o segredo para a retomada é treinamento de equipe. “O foco principal antes de qualquer hotel abrir, é treinar a sua equipe, passando a visão real da situação, os impactos, as normas de qualidade e até o novo comportamento que devemos adotar. O time é o principal, pois hotelaria é serviço, brindamos a hospitalidade. O impacto das notas ruins é grande e não se reergue com rapidez. Aumentar é difícil, mas baixar a nota é fácil”, ressaltou o mediador.

Michelena complementou: “Estamos falando de tecnologia, engenharia, mas tudo isso não é nada sem o componente humano, essencial para a hotelaria. Acho que os hotéis deverão ter equipes mais completas e mais qualificadas. Essa inteligência de conseguir pessoas com qualificação certa é um dos pontos importantes de reflexão para os empreendimentos no atual cenário. A COVID trouxe oportunidades boas para a hotelaria, como o room office”.

Leonardo Michelena, da Leankeep

Leonardo Michelena acredita que a melhor forma de cumprir a manutenção dos protocolos de limpeza e manutenção é por meio da ferramentas de tecnologia (aplicativos, QR Codes, entre outros). “Quanto mais manutenção preventiva você fizer, menor serão as corretivas. Essa antecipação vem por meio do plano de planejamento, feito pelo gestor. Acredito que fazer isso na mão está fora de contexto. Atualmente a tecnologia é tão incrível que temos inteligência de georeferência, de comunicação com equipamentos, e muitas outras facilidades”, destacou.

Douglas Custodio complementou: “Uma coisa interessante é que por mais que se ofereça impacto na operação, impacto na água, ainda existe alguém que precisa apertar os botões. São ferramentas que vêm para ajudar mas é preciso continuar investindo em treinamento de equipe, e sensibilização da equipe local. Senão, por mais que as soluções sejam eficientes, não alcançarão o nosso objetivo”, concluiu.

Leia também: Travel Tech analisou o comportamento do hóspede pós-COVID

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