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Retomada da hotelaria no Brasil em 2021 será lenta e gradual

O segmento sofreu um grande impacto provocado pela pandemia da COVID-19 em 2020, mas já começou a reagir, principalmente o setor de lazer

Retomada da hotelaria no Brasil em 2021 será lenta e gradual

Houve uma queda drástica na taxa de ocupação nos hotéis associados ao FOHB em 2020 na comparação com 2019 (Foto: Divulgação/FOHB)

A pandemia da COVID-19 que teve início no final de 2019 na China e se espalhou rapidamente pelo mundo, teve um grande impacto na economia mundial. E a hotelaria foi um dos setores que mais sentiram esse impacto, pois é o principal elo da economia do turismo. E no Brasil o impacto nos hotéis voltados ao business travel foi devastador. Isso é o que afirma Orlando de Souza, Presidente executivo do FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil. “Mais de 90% dos hotéis filiados ao FOHB têm 90% de seu fluxo financeiro em cima do business travel e são dependentes de malha aérea, dos eventos, feiras, congressos e reuniões. Como tudo isso parou, nossas receitas foram, num primeiro momento para quase zero. Atualmente apenas 6% dos hotéis que interromperam as operações, em razão da COVID-19, se encontram fechados, mas devem retomar às atividades nesse mês de fevereiro. Mas com o recrudescimento na pandemia, é possível que muitos hotéis que reabriram podem voltar a fechar neste semestre de 2021 se a movimentação do business travel não melhorar. Nós achamos que não vai melhorar, ou pode piorar se esta segunda onda vier com mais força ainda. Nessa situação as empresas não vão deixar seus quadros executivos viajarem e participarem de eventos enquanto não houver uma imunização consistente através de um processo alargado de vacinação.

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Orlando defende ações das autoridades em relação a projeção para que as empresas possam sobreviver a esse período de escassez absoluta e para que possam estar minimamente saudáveis quando da retomada e lista algumas medidas. “A prorrogação do estado de calamidade, pois ainda ele persiste na prática, com a reedição das medidas trabalhistas de alívio na folha e dos encargos. A prorrogação de moratória no recolhimento de impostos, na reedição do benefício emergencial na suspensão de contratos de trabalho, evitando demissões. Prorrogação da lei que permite que não tenhamos que reembolsar reservas antecipadas, mas que sejam remarcados ou gerados créditos para uso futuro (a exemplo do que fizeram para as aéreas). A demanda não volta porque as pessoas não querem viajar, não volta porque não podem e não devem viajar sem a vacina”, enfatiza Orlando.

Curva de aprendizado

Ele considera muito importante que: “A partir de que agora, passado este ano de impacto inicial da pandemia, onde todos tiveram que viver a curva de aprendizado, as autoridades comecem a ver separadamente os setores da economia e tomem medidas mais setoriais. Afinal de contas, os setores não estão todos com os mesmos problemas e muito menos ainda com as mesmas condições e momentos de retomada. O agronegócio vai bem como nunca, grande parte da indústria está acelerando rapidamente, o setor do varejo, incluindo alimentação, está vendendo como nunca, a construção civil vai bem, mas…… o setor de turismo está mal. E com chances de, se não for amparado, ficar inda pior com uma onda de demissões, fechamento de empresas, deterioração de produtos. O turismo precisa de ajuda”, solicita Orlando.

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Orlando de Souza: “A demanda não volta porque as pessoas não querem viajar, não volta porque não podem e não devem viajar sem a vacina” (Foto: Divulgação)

E ele conclui fazendo uma análise do comportamento da hotelaria corporativa nesse ano de 2021. “O cenário previsto para este primeiro semestre é muito negativo. Tudo depende da velocidade do processo de vacinação e como é um processo complexo, seja em quantidade de vacinas, seja na logística num País continental e seja na efetividade das vacinas. Se algo positivo acontecer, será somente a partir do segundo semestre deste ano. A retomada será muito lenta e bem gradual e é melhor pensarmos em sobreviver este ano e mirar a retomada em 2022”, concluiu Orlando.

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Perdas de R$ 261 bilhões no setor

Segundo a CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o setor acumula um déficit de R$ 261,30 bilhões desde março, sendo o equivalente a quatro meses de faturamento do segmento. Hoje em dia, a operação hoteleira está com 42% da capacidade mensal de geração de receitas. Isso desencadeou a perda de 437,9 mil postos formais de trabalho.  Mas mesmo com esse cenário preocupante, Alexandre Sampaio, Presidente da FBHA – Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação enxerga expectativas de que dias melhores virão. “Entre altos e baixos, estamos sobrevivendo. O ano de 2020 foi peculiar para nós. O segmento que, em 2018, respondeu por 8,1% do PIB – Produto Interno Bruto do País, sendo o equivalente a US$ 152,5 bilhões, sofreu um tsunami inesperado com a pandemia Tivemos demissões em grande escala e que impactaram significativamente o nosso segmento. Entretanto, não podemos ignorar o fato de que a situação poderia ter sido pior. Devemos ser gratos ao que conseguimos manter, pois a luta não foi – e continua não sendo – fácil”, salienta Sampaio.

Ele cita uma notícia animadora para o setor que ocorreu no mês de janeiro. “Foi disponibilizado um investimento de R$ 8,3 milhões para 16 estados e o Distrito Federal. A iniciativa partiu do Ministério do Turismo que, com a medida, busca apoiar a reconstrução de campanhas promocionais, tanto de rotas turísticas quanto de produtos regionais, com foco no turismo interno e de curta distância – que tende a ser uma das tendências mundiais para os próximos anos. O apoio financeiro não isenta a necessidade de manter as regras de biossegurança para garantir a proteção dos turistas e, claro, dos trabalhadores do segmento. Na verdade, apenas reforça a importância de manter os protocolos em dia para que continuemos as nossas atividades de forma segura e responsável”, alerta Sampaio.

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Alexandre Sampaio: “Devemos ser gratos ao que conseguimos manter, pois a luta não foi – e continua não sendo – fácil” (Foto: Divulgação)

E ele conclui ressaltando que a retomada de grande parte dos negócios turísticos ainda depende de alguns pontos específicos que devem ser discutidos pelo governo o quanto antes. “Para esse primeiro trimestre, por exemplo, é fundamental que haja a postergação do Programa de Refinanciamento de Dívidas (REFIS), que voltaram a ser cobrados. Além disso, ainda aguardamos a prorrogação da Lei nº 14.046, responsável por assegurar aos consumidores a remarcação das reservas de serviços de turismo e de eventos devido à pandemia da COVID-19”, concluiu Sampaio.

Em fevereiro do ano passado a receita de hospedagem estava crescendo acima de 10%, mas fechou o ano com menos 56,8% (Foto: Divulgação/FOHB)

Impacto também na hotelaria independente

E se a taxa de ocupação dos hotéis de redes foi baixa em 2020 e a pandemia da COVID-19 teve um grande impacto no resultado das operações, nos hotéis independentes associados da ABIH Nacional – Associação Brasileira de Hotéis, o quadro não foi diferente. Isso é o que afirma Manoel Cardoso Linhares, Presidente da entidade. “Nossa ocupação foi muito baixa no ano passado. Estivemos durante seis meses com 90% dos hotéis do País fechados ou funcionando parcialmente, com a ocupação chegando no máximo a 5%. A retomada tem sido bastante lenta. O setor teve boa demanda no reveillon e tem sentido um pequeno aumento na procura durante os finais de semana, principalmente em destinos próximos aos grandes centros, mas com as restrições ao número de hóspedes em alguns municípios. Esse movimento ainda é residual, não tem reflexos nos grandes centros, e apenas com venda de hospedagem nos finais de semana ou podendo comercializar apenas parte de seus quartos”, afirma Linhares.

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Segundo ele, o quadro só não foi pior em razão de algumas medidas do governo federal que beneficiou o setor, como: a aprovação e a extensão da MP 936 que possibilitou a renegociação de contratos de trabalho, com redução de jornada e salários, permitindo a manutenção de milhares de empregos pelo País. A aprovação da MP 944, que garantiu linhas de crédito para pagar os salários dos colaboradores do setor. E a MP 948 que desobrigou o reembolso imediato, por parte dos fornecedores, o setor mesmo diante de uma crise sem precedentes conseguiu resistir. “Porém, muitos meios de hospedagens precisarão de apoio do governo para conseguirem reabrir, através de linhas de crédito ou renegociações de dívidas de impostos que já estão sendo discutidas”, alerta Linhares.

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Manoel Cardoso Linhares: “A vacinação contra a COVID-19 será determinante para a volta completa das atividades dos meios de hospedagem” (Foto: Divulgação)

Para ele, a principal reivindicação do setor de hotelaria são: a suspensão da amortização das suas dívidas também em 2021- como foi feito a partir de abril até dezembro de 2020 – e a reprogramação dos pagamentos a partir de 2022. “O setor precisa dessas medidas para enfrentar um cenário que, após uma queda brusca no faturamento, vem mostrando uma recuperação ainda lenta, principalmente nos grandes centros. O resultado de serem obrigados a arcar com mais essa despesa no momento, pode ser o fechamento de vários meios de hospedagem pelo País. Os números mostram a necessidade de se adiar essa cobrança. Mesmo com a queda no faturamento, muitos empreendimentos tiveram que realizar investimentos em medidas de prevenção e sanitização dos ambientes. Ainda assim, a recuperação não alcança números que possam fazer os hotéis e pousadas pelo País arcarem com todas as suas despesas, após um longo período fechados, sem nenhuma receita. Uma das suas principais fontes de renda, os eventos presenciais estão suspensos até junho deste ano, o que agrava ainda mais a situação.

Diante desse quadro, o setor de hotelaria alerta as autoridades do governo federal sobre a necessidade de se rever a cobrança dessas dívidas a partir de janeiro deste ano, estabelecendo um prazo maior para seu pagamento. É importante lembrar que um dos vetores da recuperação econômica do País pode ser o turismo e que uma das atividades fundamentais para que ele aconteça é a hotelaria instalada no País, pois sem meios de hospedagem não há turismo”, lembra Linhares.

Em relação a expectativa para 2021, Linhares acredita que: “Seja bem melhor do que foi esse ano para a hotelaria, mas dificilmente alcançaremos os números de 2019. A vacinação contra a COVID-19 será determinante para a volta completa das atividades dos meios de hospedagem e, de acordo estudo elaborado pelo Bank of America, o processo de imunização deve se estender até o segundo trimestre de 2021. Até o momento, o que temos percebido é um crescimento na ocupação dos hotéis em pequenos destinos e cidades próximas aos grandes centros, uma tendência que deve se manter até que o processo de vacinação avance, quando o setor de eventos e outros segmentos do turismo e, consequentemente, a hotelaria devem retomar com mais intensidade”, concluiu Linhares.

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Impacto no lazer

Sérgio de Souza, Presidente da Resorts Brasil destaca que mesmo no setor de lazer, que é o foco dos resorts, o impacto da pandemia foi muito grande. “Todos os resorts associados tiveram que interromper as operações e isso perdurou por vários meses. Estimamos que as perdas chegaram a R$ 3 bilhões em nosso setor, mas a credito que a hotelaria de lazer irá se recuperar em menos tempo do que a hotelaria corporativa. Com certeza o segmento de lazer continua a gerar demanda em percentuais melhores do que a hotelaria corporativa, mas muito abaixo do que seria uma situação de normalidade. É importante ressaltar que os resorts perderam uma parte de seus negócios importante que são os eventos corporativos, congressos e viagens de incentivo. Além disso, o pico de demanda após a reabertura dos empreendimentos já sofreu uma retração e nos aponta uma preocupação constante com nossa ocupação no meio da semana. Dessa forma, teremos uma recuperação em médio e longo prazos”, avalia Souza.

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Sérgio de Souza: “Estimamos que as perdas provocadas pela COVID-19 chegaram a R$ 3 bilhões em nosso setor” (Foto: Divulgação)

Segundo ele, o cenário ainda é preocupante e os empreendimentos deverão passar por três fases: redução de prejuízos, equalização de custos x receitas, recuperação de rentabilidade. “Tendo em mente estas três situações cumpre-nos propor ações junto ao poder público que facilitem a recuperação desta rentabilidade. Isto contempla o âmbito trabalhista, financeiro, tributário, logística, desenvolvimento e infraestrutura. Importante ressaltar que a interlocução da Resorts Brasil nas três esferas de poder se dá em conjunto com o G20+ que congrega várias associações da cadeia do turismo, o que nos dá uma representatividade ampla do nosso segmento”, concluiu Souza.

Riscos ao investimento hoteleiro

O Consultor hoteleiro José Ernesto Marino Neto, CEO da BSH International revela que a pandemia da COVID-19 foi uma péssima novidade para o setor. “Academicamente enriqueceu o rol de riscos ao investimento hoteleiro. No dia-a-dia dos hotéis representou obrigação de rever custos. Como sempre houve processos demissionais e, infelizmente, redução de remuneração. Prestadores de serviços dos hotéis foram impactados. Muitos perderam seus contratos e outros foram obrigados a renegociar. O maior perdedor, de longe, foi o investidor, o dono do hotel.

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José Ernesto Marino Neto: “Se nesse ano de 2021 os hotéis corporativos conseguirem pagar suas contas, já será uma benção” (Foto: Divulgação)

As companhias hoteleiras de grande porte foram obrigadas a rever suas estratégias e a tentar se posicionar onde há receita, ou seja, na franquia. Com isso tentaram trazer terceiros para operação. Mas como sobreviver sem receita? Sempre há sonhadores. Quando o mercado voltar ao normal as grandes companhias devem voltar a assumir os contratos passados para terceiros”, assegura Marino Neto.

Ele lembra que a hotelaria está enfrentando vários desafios há mais de década: a perda de relevância das marcas econômicas, o ganho de distribuição pelas OTA’s, a tentativa de competitividade com o ganho de escala e nesse sentido fusões e alianças estratégicas podem ser boas soluções para enfrentar o atual momento. “É natural que grandes grupos econômicos como Accor, Hyatt e IHG tentem se fundir com outros para ganhar na escala e redução de custos. É natural que novas plataformas surjam para gerar alianças. Seja em formato de soft brands, como a Ameris, seja em formato de APP com mão-de-obra terceirizada. A redução de custos com tecnologia é um processo permanente”, assegura Marino Neto.

Em relação a retomada do setor hoteleiro, ele acredita que o ano de 2021 fará reluzir mais ainda o segmento de lazer. Para a hotelaria urbana, se os hotéis conseguirem pagar suas contas, já será uma benção. O primeiro semestre de 2021 tende a ser igual ao segundo de 2020. Em relação aos investimentos na hotelaria, acredito que eles devem seguir adiante no segmento de multipropriedade, ou seja, de lazer. Esse setor tende a crescer na crise. Por isso, nós do Grupo BSH estamos apostando no setor de multipropriedade. Constituímos uma sociedade com a MaxCap e criamos a StoneCliff Real Estate Investment Managers. Nossa meta é terminar 2021 com R$ 2 bilhões de VGV”, concluiu Marino Neto.

Ano de aprendizado

Pedro Cypriano, Managing Partner da Hotelinvest classifica 2020 como um ano de grande aprendizado e de diferentes resultados pelo País. “Sob a ótica do lazer, a força do mercado doméstico ganhou ainda mais evidência, com resultados acima do orçamento pré-crise no último trimestre do ano. Muitos brasileiros que viajavam ao exterior redirecionaram as suas viagens pelo País e esse movimento deve se estender ao menos até 2022. Isso abre uma excelente janela de oportunidade, nos segmentos econômicos à hotelaria de luxo. Finalmente, o brasileiro poderá conhecer melhor os incríveis destinos domésticos de turismo no Brasil. Também ganhamos em eficiência operacional, investimentos em tecnologia, aumento de reservas diretas e gerenciamento de receitas. Passamos por um ano difícil, mas há motivos para celebrar também. Nossa maior preocupação continua sendo o mercado corporativo, ao menos em curto prazo”, avalia Cypriano.

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Pedro Cypriano: “Em razão das restrições de viagens internacionais e da alta do dólar, o turismo de lazer doméstico terá uma acelerada em 2021” (Foto: Divulgação)

Em um ano completamente atípico e com tantos problemas nunca antes visto na história da hotelaria moderna, destaca que o segmento de lazer surpreendeu. “Empreendimentos regionais e nacionais chegaram a performar com o máximo da ocupação permitida (até acima de 70%) em destinos nacionais e regionais, especialmente a partir de setembro e outubro. A pressão de demanda permitiu correções tarifárias que chegaram próximas a 10% no ano. E este resultado já tinha sido antecipado no estudo de Recuperação dos Resorts no Brasil, elaborado pela HotelInvest, em parceria com a Omnibees e a STR. Quanto à hotelaria urbana, os resultados foram mais contrastantes. Em estudo similar realizado por nós no começo da pandemia, este com a participação também do FOHB, esperávamos ocupações anuais próximas 35%, o que aconteceu em várias cidades secundárias e terciárias. Já os principais centros urbanos se recuperam em ritmo mais lento, entre 25% e 30%, no limite inferior das expectativas”, revela Cypriano.

Em relação a retomada da hotelaria em 2021, ele acredita em uma recuperação acelerada do turismo doméstico de lazer no Brasil. “Enquanto as viagens internacionais estiverem restritas e o dólar cotado acima de R$ 5,00, não há dúvidas que o mercado turístico nacional será beneficiado. Mas também precisamos fazer a nossa “lição de casa”, como País e hoteleiros. Primeiro, a pandemia precisa ser contida. Em paralelo, investimentos em promoção, capacitação de colaboradores e manutenção dos protocolos de segurança são fundamentais. Controlada a COVID, a tendência de pressão de demanda é clara, e devemos aproveitá-la para encantar os turistas e levá-los a continuar viajando pelo Brasil também durante o pós-pandemia. Já no turismo corporativo a recuperação mais lenta é inevitável. Esperamos um primeiro semestre ainda difícil. Enquanto a população não for vacinada em massa, o volume de viagens seguirá restrito, especialmente para as grandes cidades e para os empreendimentos com maior participação de eventos e de demanda internacional”, prevê o Consultor.

 

Uma boa maneira que ele enxerga das administradoras hoteleiras ou dos hotéis independentes ganharem fôlego financeiro e se posicionarem de forma ainda mais competitiva nesse momento de transição da pandemia, são as fusões ou aquisições. “Essa é uma tendência global em hotelaria e por uma razão simples: as empresas precisam de escala para aumentar a sua eficiência operacional e a capacidade de investimento. E em momentos de crise, esse movimento ganha ainda mais força e é válido também para o Brasil. No entanto, por termos um setor bastante pulverizado, o equacionamento das alianças é mais complexo, logo deve ser restrito. Outro aspecto que vejo como positivo na retomada do setor hoteleiro são os projetos que continuam em desenvolvimento, apesar dos ajustes inevitáveis dos cronogramas de obra. O investimento em hotelaria é uma aposta no potencial econômico do negócio durante ao menos 30 anos. E há muito a se fazer no Brasil ainda. Com o País voltando a crescer e a se desenvolver, não há dúvidas sobre o potencial de expansão da hotelaria em território nacional”, concluiu Cypriano.

Cenário promissor de projetos arquitetônicos

Os escritórios que desenvolvem projetos arquitetônicos para os hotéis também sentiram os fortes impactos da COVID-19, como o EMDA Studio, comandado por Eduardo Manzano. “O impacto da pandemia foi irreversível para a arquitetura hoteleira, principalmente considerando os profissionais que estavam trabalhando projetos de reforma, conversão ou de retrofit. Nosso pipeline caiu de 22 projetos para apenas dois que, em reta final, precisariam ser entregues até abril de 2020 e isso não foi diferente para a nossa concorrência. Da mesma forma, projetos de restaurantes e áreas de eventos, foram sacrificados em função das incertezas do mercado e, o que é pior, os próprios clientes não sabiam se permaneceriam abertos após o tsunami que se abateu sobre o setor. Hotéis mais arrojados que conseguiram salvar algum dinheiro após as rescisões de colaboradores, investiram naquelas reformas que só são possíveis com o hotel fechado e que não era mais possível esperar.  Isto foi uma atitude muito inteligente. É o famoso lado meio cheio do copo. Os hoteleiros enxergaram uma oportunidade de melhorias no ativo sem precisar sacar as unidades do inventário para reforma ou aquele conserto da piscina que não dava mais para esperar. Mas o ano de 2020 teve um nível de aprendizado gigantesco e muitas ações que eram paliativas ou que podiam ser postergadas, tiveram que ser postas em prática se se quisesse continuar no mercado”, destacou Manzano.

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Eduardo Manzano: “O segmento de resorts atrelados ou não a fracionados está muito aquecido e nunca elaboramos tantas propostas comerciais como agora” (Foto: Divulgação)

Mas o Arquiteto enxerga muitas oportunidades na retomada hoteleira nesse ano de 2021 e explica as razões. “Os resorts atrelados ou não a fracionados vieram muito fortes após o meio do ano passado. Nunca elaboramos tantas propostas comerciais neste sentido como tivemos no período. O curioso é que desta vez, há um viés um pouco mais upscale nestes projetos. A valorização da Guest Experience se tornou o motor do projeto. Houve uma reversão nas tipologias de projetos. Se antes tínhamos o foco no retrofit ou nas conversões de edifícios de escritórios para hotéis, agora o greenfield domina. Se antes olhávamos apenas para hotéis urbanos de negócios, hoje os clientes e investidores buscam resorts de praia. Se atrelados à hotelaria compartilhada, que já era um “hit” dos últimos anos, o cenário muda mais ainda pois junto aos empreendimentos mais populares, surgem componentes hoteleiros em um padrão mais elevado”, revela Manzano.

Novos produtos no mercado

Outra curiosidade que ele aponta é uma atenção maior para projetos residenciais com serviços de hotelaria que começaram a surgir. Houve um reforço no conceito de hotelaria “híbrida”, que já se tornava uma tendência pré-pandemia. “Quanto a questão de “timing”, depende muito do comportamento da nossa economia. Acredito que se o Banco Central segurar as taxas Selic num patamar como o atual, teremos um cenário mais auspicioso. Se ele voltar a subir os juros, por conta do aumento da inflação, o dinheiro volta a sumir do mercado, impactando diretamente no investimento nos projetos. Vamos lembrar que grande parte dos investidores hoje não são grupos de investimento tradicional em hospitalidade, muitos deles advindos de experiências imobiliárias, com maior liquidez”, lembra Manzano.

Sem contar os projetos de co-living que seu escritório desenvolve, além de muitos estudos de viabilidade, Manzano informa que possui projetos no Paraná, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Alguns com mais de duas unidades em cada estado totalizando mais de 5.600 chaves, aproximadamente. “Além de hotéis convencionais e fracionados estamos com projetos de Centros de Entretenimento Urbano, Parques Aquáticos e Master Plans. Novas bandeiras, inclusive internacionais, estão chegando, mas, por uma questão de sigilo, não podemos divulgar”.

 

E ele finaliza dizendo que está com uma boa expectativa que 2021 seja um ano de muitas oportunidades. “Com a questão dos juros baixos e com a migração dos investimentos bancários para o binômio terra + tijolo, o negócio hoteleiro passa a ser interessante. Aliás isso aconteceu nos Estados Unidos e Europa, pois além da questão patrimonial, temos um ativo construído que gera renda. Muito se comenta sobre uma bolha especulativa, mas vamos lembrar que as pessoas cada vez mais viajarão e irão desejar estar em lugares que estejam adaptados para os novos tempos”.

Confira como os desenvolvedores de hotéis de grandes redes enfrentaram os desafios em 2020 e perspectivas para 2021.

Oportunidades mercadológicas

Apesar de todo o contexto da pandemia, dificuldades no mercado, ambiente de negócios desfavorável, a Accor manteve seu ritmo de desenvolvimento em todos os segmentos, de Norte a Sul do País em 2020, garante Abel Castro, Vice-presidente de Desenvolvimento de Novos Negócios Accor América do Sul. “Adicionamos em nosso portfólio 13 novos contratos em 2020, com mais 1.500 quartos. Como exemplo podemos citar a assinatura de um Novotel na cidade de Lençóis Paulistas e o primeiro ibis budget em Salvador, uma conversão da marca Connect Smart para ibis budget. Mesmo com todas as dificuldades impostas pela pandemia, com lockdowns anunciados, ordem de suspensão de obras de hotéis em construção, a Accor abriu 10 novos hotéis na América do Sul em 2020. Outras inaugurações foram postergadas para 2021, por conta do contexto que o mundo enfrenta hoje. Sabemos que vivemos uma grave crise mundial, porém é importante frisar que a tomada de decisão de investir em um hotel nunca é tomada em função de um cenário momentâneo, hotel é um investimento de longo prazo para 50, 70 ou 100 anos. Por isso, mesmo sentindo os impactos, continuamos crescendo e assinando contratos”, garante Castro.

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Abel Castro: “Adicionamos em nosso portfólio 13 novos contratos em 2020, com mais 1.500 quartos” (Foto: Divulgação)

Segundo ele, a grande oportunidade de desenvolvimento do mercado está nas conversões. “Dentre todos os ensinamentos que este período de pandemia tem trazido, foi possível notar o quanto as marcas são relevantes neste segmento. Com a reabertura, temos visto que a decisão de viajar não está se dando pelo preço, mas pela segurança. Por isso, os clientes têm que ter a confiança de que o hotel vai ser seguro para ele e sua família. É neste cenário que ter uma marca forte e reconhecida no hotel faz a diferença. Elas trazem um endosso de que seguem padrões de serviços, instalações, higiene e segurança, deixando o cliente mais tranquilo ao fazer sua escolha. Estes fatores devem ajudar, principalmente, nas conversões de hotéis no mundo todo. Vale ressaltar que, só na América do Sul, 80% dos hotéis hoje ainda são independentes. Por isso, existe um mercado enorme, com potencial muito grande para conversões, que nada mais é do que colocar uma marca em um hotel independente. A Accor tem hoje um portfólio de 393 hotéis e 62 mil quartos na América do Sul e mais 97 hotéis e 12 mil quartos no pipeline da região”, lembra Castro.

 

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A conversão da marca Connect Smart para ibis budget em Salvador foi um dos contratos assinados pela Accor em 2020 (Foto: Divulgação)

Para ele, o grande gargalo para se construir novos hotéis no brasil continua sendo o financiamento. “Temos hoje no mercado opções restritas e inadequadas por serem financiamentos de curto prazo. Apesar da queda na taxa de juros, os financiamentos de longo prazo dos bancos privados têm taxas ainda proibitivas. “Mesmo com essas adversidades, a Accor continua acreditando no desenvolvimento de hotéis nos segmentos de luxo e lifestyle no Brasil. Anunciamos recentemente uma parceria com a Ennismore para a formação de uma operadora líder mundial de lifestyle no setor de hospitalidade, com foco em um dos segmentos de crescimento mais rápido da indústria. Com isso temos apenas nesse início dessa joint venture um portfólio mundial de 12 marcas, com 73 hotéis em operação; um pipeline comprometido de mais de 110 hotéis; outros 70 hotéis em negociação ativa e mais de 150 restaurantes e bares”, concluiu Castro.

Desenvolvendo parcerias

Ricardo Bluvol, Vice-presidente de Desenvolvimento da AHI – Atlantica Hotel Internacional revela que o grande foco da administradora multimarcas em 2020 foi desenvolver parcerias e criar novas oportunidades de receitas para os hotéis. “A empresa deu continuidade ao seu plano de expansão, como por exemplo, com a nova parceria com a Bristol Hotels de Belo Horizonte, anunciada em dezembro, e inclusive, com a sua entrada num novo modelo de negócios, o Atlantica Residences. A primeira parceira desse projeto é a construtora Mitre Realty. Clientes que adquiriram estúdios e apartamentos de um dormitório em condomínios da Mitre em São Paulo, poderão contratar o serviço da Atlantica Residences, segmento da AHI que se responsabilizará por toda a comercialização, manutenção, decoração e administração da unidade.  Ou seja, a AHI será responsável por todo o processo de gestão – locação propriamente dita, gestão mensal junto ao locatário, decoração, vistoria pós locação, manutenção, etc. Mensalmente, o proprietário do imóvel receberá um extrato de prestação de contas, com todo o serviço executado pela companhia em sua unidade”, explica Bluvol.

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Ricardo Bluvol: “Temos um pipeline de contratos de novos hotéis que frutificará ao longo desse ano” (Foto: Divulgação)

E ele já adianta que no primeiro semestre de 2021 a AHI já deve ter os primeiros contratos resultantes desse produto, e deve ampliar essa oferta com outros players para outras localidades do País. “Além disso, temos um pipeline de contratos de novos hotéis que frutificará ao longo do ano. Parte desses hotéis eram projetos previstos para 2020, mas, que tiveram sua abertura postergada para esse ano. Continuaremos apostando na conversão de hotéis independentes – que hoje ainda representam 60% do setor. Temos 22 bandeiras. Então conseguimos equilibrar o perfil de cada empreendimento a uma de nossas marcas. Atualmente, a Atlantica Hotels tem 135 hotéis – e, apesar da pandemia, mantemos o objetivo de chegar a um total entre 240 e 250 empreendimentos em cinco anos. Com 54 novos empreendimentos com contratos já assinados, queremos acelerar as conversões para conseguir cumprir a meta. Temos realizado entre 9 e 10 conversões por ano. Temos foco na cobertura nacional, com projetos tanto nas capitais dos estados como também nas principais cidades do interior, por meio de nosso projeto de franquias”, concluiu Bluvol. 

 

Aposta em franquias

Mesmo 2020 sendo um ano desafiador, Maria Carolina Pinheiro, Vice-presidente de Desenvolvimento da Wyndham Hotels & Resorts na América Latina revela que conseguiu assinar 29 contratos na região e alguns deles no Brasil. “Apesar dos resultados positivos, a equipe precisou aprender e se reinventar para fazer novos negócios, sabemos que não foi fácil, mas ao mesmo tempo foi muito gratificante, pois mesmo com toda dificuldade que todos enfrentamos, a equipe se manteve persistente, confiante e focada nos resultados positivos, aprendemos muito e hoje sabemos que é possível crescer mesmo em situações tão adversas. Como responsável pela área de novos negócios da Wyndham, pude perceber que o interesse de investidores pelas franquias aumentou, isso muito provavelmente se deve a credibilidade que as marcas possuem em seus mercados. Falando de hotelaria, hoje os hóspedes procuram uma marca a qual eles possam confiar mais do que nunca, onde lhe garanta cumprimento de rígidos protocolos de segurança e higiene”, lembra Maria Carolina.

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Maria Carolina Pinheiro: “Estamos confiantes nas oportunidades do mercado para continuar crescendo nesse ano” (Foto: Divulgação)

Ela enxerga a retomada da hotelaria brasileira de forma gradual, tanto em hotéis de lazer quanto hotéis de negócios, esse segundo um pouco mais lento. “Acredito que essa retomada mais acelerada nos hotéis de lazer em comparado com os hotéis de negócios se deve ao longo período de confinamento doméstico em que as famílias. Elas precisaram e ainda precisam cumprir, muitos sentiram a necessidade de aliviar o estresse do confinamento, oferecendo um momento de descanso a família. Já os hotéis com perfil business tem sua retomada mais lenta, mas mesmo assim já vemos níveis de ocupação bastante significativos. No Wyndham São Paulo Berrini, por exemplo, no mês de novembro passou a marca de 40% de ocupação.

Mesmo vindo de um ano com muitas dificuldades e que certamente algumas delas ainda irão nos acompanhar em 2021 acredito que também surgirão oportunidades, e certamente estaremos abertos e de olho em todas elas”, destaca Maria Carolina. Ela lembra que a Wyndham é pioneira e a maior empresa do mundo em franquias de hotéis, sendo 90% do portfólio é sob esse modelo de negócio e esse continuará sendo nosso principal modelo de negócio. “Mesmo assim, nunca deixamos de lado as oportunidades que surgem, ou seja, os projetos novos, hotéis em construção e em alguns casos também o gerenciamento da propriedade pela própria Wyndham são fundamentais para ajudar este crescimento. E para isso, temos um extenso portfólio de 20 marcas, (destas 15 estão no Brasil) que contempla desde a categoria econômica até a categoria upper upscale que nos permite crescer mais rapidamente. Mas nosso foco principal é concentrar na presença destas marcas já existentes, com o objetivo de consolidá-las em seus mercados. Mas devemos olhar o futuro e pensar nas oportunidades em desenvolver novas marcas na região”, conclui Maria Carolina.

Prudência em relação a expansão

Essa foi a escolha da Bourbon Hotéis & Resorts, conforme destaca seu Diretor de Operações e Desenvolvimento, Igor Camaratta.  Ao longo de 2020, a Rede deu mais ênfase aos negócios já existentes, fortalecendo o relacionamento com investidores e atuando muito na parceria e na retomada dos empreendimentos. “Entendemos que com isso fizemos a escolha de valorizar os contratos e as parcerias já existentes até o momento. A Bourbon é a administradora hoteleira a mais tempo no mercado e nunca perdeu um contrato de administração. Em relação às prospecções e por conta da nossa estratégia, trabalhamos com a assinatura de algumas cartas de intenção e que estão se traduzindo em contratos assinados agora no início. Fomos muito transparentes com os novos parceiros, no sentido de atendê-los apenas a partir do final de 2020 e início de 2021”, disse Camaratta.

Retomada da hotelaria no Brasil em 2021 será lenta e gradual

Igor Camaratta: “A Bourbon é a administradora hoteleira a mais tempo no mercado e nunca perdeu um contrato de administração” (Foto: Divulgação)

De acordo com ele, ainda existe muito espaço no Brasil para desenvolvimento de novos produtos. “Obviamente algumas regiões permitem isso de forma mais agressiva e outras menos, pois já estão saturadas, como Belo Horizonte e Porto Alegre por exemplo. Ao mesmo tempo, praças como essa, possibilitam conversões, o que também sempre é uma janela de oportunidades. O mercado de conversões tende a aumentar cada vez mais, inclusive em função ao alto número de hotéis independentes que temos no Brasil. Outro ponto de destaque é em relação a taxa de juros Selic que está em patamares mais baixos do que nunca, fazendo com o que o negócio imobiliário volte a ser atrativo, sendo esse também um bom indicador de possíveis novos negócios hoteleiros surgindo”, avalia.

A rede Bourbon possui hotéis próprios, administrados e franquias e segundo Camaratta, os esforços nesse ano de 2021 estarão mais focados no modelo de administração, seja através de new building ou conversões e também com o modelo de uso de marca com a bandeira Rio hotel by Bourbon. “Nosso pipe line conta com seis novos empreendimentos, sendo quatro new building e dois conversões, fora diversas negociações em andamento que devem se concretizar nos próximos meses e em breve serão anunciadas”, adianta Camaratta.

Em relação as perspectivas do setor nos próximos meses, Camaratta lembra que a hotelaria está passando por um momento de transformação, quebrando paradigmas e rompendo muitas barreiras que antes seriam inimagináveis. “A verdade é que toda hotelaria está se reinventando e se ajustando dentro de suas possibilidades. Acreditamos que o turismo interno voltado para o lazer sairá muito fortalecido após a pandemia e que haverá um retorno do segmento de MICE que ficou represado durante todo ano de 2020 e 2021. Eventos sociais, convenções e feiras que foram adiadas precisarão acontecer e entendo que poderá haver uma corrida positiva para o setor. Para Bourbon, o posicionamento continuará sendo em pautado na qualidade dos serviços e produtos e na sua essência hoteleira que nos trouxe até aqui”, concluiu. 

Trabalhando a todo vapor

Mesmo com os percalços ocasionados na economia pela pandemia da COVID-19, o departamento de desenvolvimento da Slaviero Hotéis esteve trabalhando a todo vapor. “Fechamos cinco novos contratos neste período, sendo que três que já estão em operação e dois em fase de implantação. Apesar da pandemia ter mudado a rotina em nosso setor, a área de desenvolvimento e implantação da Slaviero está em fase de transição, com novos produtos surgindo e precisamos nos adequar a esta demanda, ofertando novas possibilidades aos nossos parceiros investidores. Este processo deverá ser lento, uma vez que ainda estamos em momentos de instabilidade”, revela Eraldo Santanna, Diretor de Operações da Slaviero Hotéis. Ele conclui dizendo que a consolidação de novos modelos de negócios no setor, além de projetos mais focados em tecnologia será a grande tendência.

Retomada da hotelaria no Brasil em 2021 será lenta e gradual

Eraldo Santanna: “O nosso departamento de desenvolvimento esteve trabalhando a pleno vapor em 2020 e fechamos cinco novos contratos” (Foto: Divulgação)

Crescimento em tempos de pandemia

Mesmo com o ano desafiador que provocou a queda da receita consolidada em 2020 em 58% menor que a registrada em 2019, a Nobile conseguiu assinar cinco novos contratos, sendo quatro no Brasil e um no Uruguai. “A Nobile está completando 13 anos de existência e seguiu crescendo o seu portfólio, mesmo em tempos de crise. Nosso lema é sobreviver, crescer e perpetuar. Atualmente, contamos com mais de 40 operações, temos 16 hotéis em pipeline, sendo 12 no Brasil e quatro na América Latina. Estão surgindo mais oportunidades para conversão do que novos projetos e lançamos a modalidade licenciamento de uso de marca aos hotéis independentes. Com isso a Nobile entrega sua marca, know-how, PMS, channel manager, força de vendas e canais de distribuição, incluindo o GDS Global da rede”, menciona Roberto Bertino, Fundador & Presidente do Grupo Nobile.

Retomada da hotelaria no Brasil em 2021 será lenta e gradual

Roberto Bertino: “Temos 16 hotéis em pipeline, sendo 12 no Brasil e quatro na América Latina” (Foto: Divulgação)

Ele enfatiza que a Nobile está enfrentando essa crise com muita resiliência e determinação. “Fortalecemos ainda mais o relacionamento com os nossos investidores, colaboradores e fornecedores. As experiências vivenciadas e o aprendizado nos fortaleceram enquanto equipe e instituição. Na Nobile colocamos as pessoas no centro da estratégia da companhia e com elas seguiremos a nossa marcha das 20 milhas ao dia. Acredito que com a vacina o ambiente econômico melhorará substancialmente, movimentando toda a cadeia produtiva do turismo, incluindo a hotelaria. A Nobile seguirá focada em rentabilizar as operações hoteleiras de seu portfólio, fazendo mais com menos e seguindo com seu plano de expansão no Brasil e América Latina com contratos de gestão ou licenciamento de uso de marca”, concluiu Bertino.


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