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Retomada do turismo

Qualidade do ar condicionado será determinante na retomada hoteleira

Estudos comprovam que a transmissão do novo coronavírus também pode circular por caminhos mais longos através das correntes de ar dos sistemas de ventilação

A pandemia da COVID-19 mostrou ao mundo que nenhum país é uma ilha isolada e que todos fazem parte de uma aldeia global em que o problema de um pode repercutir nos demais. E gestos e atitudes que foram esquecidas no passado voltaram a ser lembradas numa preocupação constante, como lavar as mãos várias vezes ao dia. Com isso, a preocupação com a limpeza frequente de qualquer ambiente também se tornou uma obsessão e a purificação do ar que respiramos em ambientes internos uma preocupação.

Segundo uma pesquisa do Centro de Controle de Doenças de Guangzhou e pela Universidade de Hong Kong, na China, a transmissão do novo coronavírus também pode circular por caminhos mais longos através das correntes de ar dos sistemas de ventilação. Por conta disso, a qualidade do ar deve ser tratada com cuidados nessa retomada das operações hoteleiras.

A renovação do ar é regulamentada pela Norma Brasileira NBR 16401-3, exigindo a ventilação e circulação do ar, além da diluição do ar no interior do ambiente, evitando a concentração de poluentes nocivos à saúde, o que pode gerar dores de cabeça e fraqueza. Leandro Solarenco, engenheiro, especialista em projetos e master coach, CEO da Vetor Frio & Clima, empresa especializada em negócios que precisam de temperatura sob controle, esclarece as medidas da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre a renovação do ar. “Esta resolução indica que o empreendimento tem de controlar, entre outras, a concentração de CO2 e as micro aspersões no ar, que é o nível de gás carbônico e o de micropartículas. E existem limites para ambos. Para conseguir atingir os níveis que a resolução determina, o empreendimento precisa fazer a renovação do ar, que consiste em captar ar externo, filtrá-lo e distribuir no ambiente climatizado, e os sistemas de filtragens. Portanto, é preciso fazer uma manutenção periódica dos equipamentos, conforme determina o PMOC – Plano de Manutenção Operação e Controle, determinado pela lei 13589 de 2018”, diz.

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Ele destaca que a boa qualidade do ar e as soluções de renovação também podem trazer ganhos financeiros. “Isso acontece porque quando um sistema de ventilação funciona sem o processo de automação para renovação de ar, o equipamento absorve mais ar quente externo do que o necessário e, por consequência, trabalha mais para manter a temperatura do ambiente adequada. Isso pode levar a um aumento de 20% na quantidade de trabalho das máquinas, elevando o custo com energia, aumento de manutenção e redução da vida útil do equipamento”, avalia Solarenco.

Qualidade do ar condicionado será determinante na retomada hoteleira

A nossa atmosfera filtra a maior parte da radiação que o sol emite, permitindo a vida na Terra (Foto: fietzfotos / Pixabay)

Como os hotéis devem agir?

É claro que todos os hotéis buscam oferecer a melhor qualidade do ar para satisfazer seus clientes. Mas com tudo que estamos vivendo, isso vai além. Além de agradar, os empreendimentos precisam oferecer uma segurança para os clientes no pós Coronavírus. “Primeiro, garantir para seu cliente que você se preocupa com ele e que está atento às boas práticas para que ele tenha segurança.  Segundo, que o hotel reduz o risco de contaminação, principalmente em áreas comuns, como as do café da manhã ou o lobby, por exemplo, que sempre têm uma quantidade maior de pessoas juntas. Portanto, o hotel tem de ter todo o cuidado possível na renovação do ar, deve fazer um trabalho preventivo também, antes da reabertura do empreendimento como um todo. Importante ressaltar aqui é que o ar condicionado não é remédio nem vacina, ou seja, o ar condicionado não pode ser usado como garantia de não contaminação, apesar de ser um agente de contaminação se não utilizado adequadamente e que pode potencializar a contaminação. Portanto, se as boas práticas de controle de qualidade de ar não forem consideradas adequadamente, podem aumentar o risco de contaminação, uma vez que já foi provado que a COVID-19 se dissemina pelo ar por meio de micro gotículas. Portanto, o hotel precisa ter um sistema de filtragem, renovação de ar, manutenção periódica e controle de concentração de CO2 adequados para cada ambiente, para não potencializar o problema, elevando o risco de contaminação dos clientes e dos colaboradores”, comenta Solarenco.

Qualidade do ar condicionado será determinante na retomada hoteleira

Leandro Solarenco: “A boa qualidade do ar e as soluções de renovação também podem trazer ganhos financeiros”

Para que todos os hotéis sigam as regras e normas da ANVISA, Solarenco apresenta algumas dicas nas ações das empresas. “Tecnicamente, o hotel deverá fazer uma avaliação de como está o status atual do sistema de climatização e ventilação, se ele está de acordo com as normas. Ou seja, comparar com o que tem atualmente com o ideal, como determina a norma, e gerar um plano de adequação para a reabertura. Nesta questão, entra o engenheiro responsável pelo processo, que vai indicar que o ar está apropriado.  Neste item, o hotel estando adequado pode usar em suas propagandas. Outro argumento é o monitoramento online da qualidade do ar, por meio do uso de tecnologias que garantem que o ar está adequado, portanto o hotel mostra para o mercado e para as pessoas que tem um sistema de controle adequado e é seguro se hospedar”, alerta.

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Ações podem refletir em beneficio de custos

Com equipes e ocupações reduzidas e também uma maior demanda de segurança e amenities, equilibrar os custos é fundamental. Para isso, o especialista enumera algumas ações em que o hotel pode ter um ganho financeiro. “Vale ressaltar aqui que, atualmente, a automação está bastante avançada e trabalha com muitos sistemas sem fio, então a instalação da infraestrutura de automação hoje não é mais complexa e trabalhosa. Temos como instalar um sistema de controle com baixo custo e muito versátil. Por exemplo, é possível fazer um sistema em um hotel de médio porte em uma semana. O segundo ponto a ser ressaltado é quando se trabalha da renovação do ar sem automação pode incidir em um risco importante, que é o hotel renovar o ar quando não gastando energia além do necessário e aumentando a temperatura do local climatizado A renovação deve acontecer quando houver elevação dos níveis de dióxido de carbono provados pela respiração. O hotel tem de usar a renovação do ar para que o ar condicionado trabalhe com inteligência, elevando a eficiência do sistema. E caso o hotel não faça o processo de automação, terá um gasto excessivo, quase 20% a mais no consumo do ar puro desperdiçado. Além disso, é possível realizar automações e monitoramento online de cada ambiente, possibilitando limitar o uso de ar condicionado apenas quando assim for necessário”, explica.

Tecnologia e purificação do ar

Como grande parte dos hotéis possuem ar condicionado central e o mesmo ar circula em vários ambientes, assegurar que todos eles estejam seguros de vírus como a COVID-19 é de fundamental importância. Por isso é necessário recorrer a tecnologias para desinfectar todos os ambientes e garantir segurança para os colaboradores e hóspedes. É o que explica Diana Plazas, Diretora de vendas de Caribe e América Latina do Marriott Internacional. “A Marriott vai lançar tecnologias melhoradas nos próximos meses, incluindo pulverizadores eletrostáticos com desinfectante de grau hospitalar para desinfectar superfícies em todo o hotel. A tecnologia de pulverização eletrostática utiliza a mais elevada classificação de desinfectantes recomendada pelo CDC e pela OMS.  Os pulverizadores limpam e desinfectam rapidamente áreas inteiras e podem ser utilizados para limpar e desinfectar salas, lobbies, ginásios e outras áreas públicas”, explica. Em relação a purificação de ar, Diana comenta que os empreendimentos do Marriot já utilizam o sistema. “Os hotéis do portfólio da empresa utilizam sistemas de purificação de ar, que são eficazes contra vírus, alergênicos, esporos de bolor e outros contaminantes do ar e da superfície”, completa.

Tecnologia ultravioleta

Presente há mais de um século para higienizar hospitais, aviões, escritórios, fábricas e reservatórios de água – onde seu uso começou, a utilização da radiação ultravioleta ressurgiu como uma opção para ajudar a combater a COVID-19. Na água potável, por exemplo, ela é fundamental pois alguns parasitas são resistentes a desinfetantes químicos. Ainda não há nenhuma comprovação cientifica de que a radiação artificial UVC combata efetivamente o novo coronavírus, mas estudos apontam que obteve sucesso em destruir o SARS-CoV – identificado em 2002 como a causa de um SARS -surto de síndrome respiratória aguda grave.

Comments

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Leonardo Cozac

Boa abordagem da reportagem, a qualidade do ar interno é muito importante para hoteis e demais ambientes para a vida das pessoas. Apenas senti falta da posição oficial da ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração e Ar Condicionado sobre o assunto.

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