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Hotelaria brasileira está retomando às atividades, mas ainda sente o impacto devastador da COVID-19

Estudos mercadológicos no início desse ano apontavam que a hotelaria brasileira estava se recuperando de impactos sofridos da recessão econômica em anos anteriores e com boas perspectivas de crescimento na taxa de ocupação e recuperação da diária média. Mas a pandemia da COVID-19 paralisou a economia mundial e no Brasil não foi diferente. A taxa de ocupação hoteleira que estava em torno de 60% caiu praticamente para zero em apenas uma semana. Já foi computado perdas de mais de R$ 14 bilhões de prejuízos no setor de turismo desde o início da crise, 295 mil demissões, impactando 571 atividades econômicas dependentes do segmento de viagens. O fôlego financeiro dos hotéis associados ao FOHB já está no limite e fechamento definitivo de algumas unidades pode acontecer se o Governo Federal não ajudar a amenizar a crise com medidas econômicas. Mas uma luz no fim do túnel existe, pois nesse mês de junho vários meios de hospedagem retomaram as operações e a expectativa é que até o final do mês de julho, mais da metade que suspenderam as atividades em razão do COVID-19 estejam abertos. Confira nessa entrevista exclusiva com Orlando de Souza, Presidente executivo do FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil.

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Revista Hotéis – Estudos mercadológicos no início desse ano apontavam que a hotelaria brasileira estava se recuperando de impactos sofridos da recessão econômica em anos anteriores e com boas perspectivas de crescimento na taxa de ocupação e recuperação da diária média. Mas a pandemia da COVID-19 paralisou a economia mundial. Como os associados do FOHB receberam essa notícia inesperada?

Orlando de Souza – Podemos utilizar uma metáfora para explicar: fomos abatidos por um tsunami e a hotelaria estava na praia, ou seja, ela estava em primeiro lugar, foi levada pela onda e será a última a voltar em uma situação normal. Praticamente, em uma semana saímos de uma recuperação e entramos na crise do coronavírus, com receita zero.

R.H – Quais foram os impactos que a COVID-19 ocasionou nas redes hoteleiras associadas ao FOHB? Dá para estimar as perdas do setor e o número de demissões?

O.S – O impacto foi devastador. Traduzindo em números, acabamos de liberar o inFOHB de abril, que espelha melhor os resultados da pandemia, o que nós vimos é que a taxa de ocupação esse ano, comparada ao ano passado, ficou em 9%. Um dígito, quando no ano anterior chegamos a quase 60%. Outro número que mostra isso é o de Disponibilidade Hoteleira, um acompanhamento semanal feito pelo FOHB, quando chegamos em quase 70% de quartos fechados entre abril e maio. No Brasil, já computamos mais de R$ 14 bilhões de prejuízos no setor de Turismo desde o início da crise, 295 mil demissões, impactando 571 atividades econômicas dependentes do segmento de viagens. “A COVID-19 já ocasionou perdas de mais de R$ 14 bilhões no setor de turismo do Brasil”

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R.H – Pesquisa mais recente do FOHB em parceria com a Resorts Brasil indica que mais da metade dos hotéis que suspenderam as atividades em razão da COVID-19, voltam a operar até o próximo mês de julho. Essa projeção se mantém?

O.S – Nossa projeção estava para junho e julho. Conforme foi passando o tempo e as pesquisas atingindo outros meses, nos deparamos com uma diluição da previsão em outros meses, contudo, o mês de junho e julho sempre com a maioria das porcentagens. Chegamos em junho e já reparamos com diversas reaberturas, conforme afrouxamento da quarentena nas cidades e a aplicação de protocolos de segurança nos hotéis.

R.H – Existe risco de algumas unidades hoteleiras encerrarem em definitivo as operações em razão do COVID-19? Que analise você faz a respeito?

O.S – Existe. Se as medidas não forem atualizadas pelo governo e não existir mais a possibilidade de garantirmos a operação mínima dos hotéis, a única saída é encerrar as atividades. Contudo, as associações estão lutando para conseguir acordos com o governo para que isso não aconteça.

R.H – Como os associados estão convivendo com a falta de entrada de fluxo de caixa, mas com custos de manutenção, folha salarial, entre outros? O fôlego financeiro ainda existe?

O.S – Os hotéis estão sem fôlego. Em média, hotéis contam com dois a três meses de fluxo de caixa para garantir operação mínima. O que significa, que estamos fechando no final dessa resguarda.

R.H – O governo federal sancionou algumas medidas provisórias para o setor hoteleiro. Elas foram suficientes para atender as necessidades ou ainda é necessário mais apoio do Governo para enfrentar essa pandemia do COVID-19?

O.S – Não foram suficientes e as que foram criadas, muitas delas, ainda não chegaram no destino. Ou seja, existem muitas empresas do turismo que ainda não conseguiram as linhas de crédito oferecidas pelo governo. As linhas de crédito que existiam não estavam preparadas para atender todos os segmentos da economia nacional. Então, hoje os próprios organismos que tem essas linhas de crédito devem se adaptar para atender todos os setores.

R.H – Na sua opinião o que muda nos padrões e procedimentos operacionais dos hotéis no pós COVID-19 para atender a um hóspede que será ainda mais exigente?

O.S – Em um primeiro momento, os hotéis vão aderir aos itens de biossegurança e isso gera um gasto para a empresa. Contudo, acredito que após uma vacina, iremos separar as soluções que vieram para ficar e serão parte do nosso dia a dia daquelas que eram para evitar o COVID-19. Nós criamos o Protocolo FOHB em parceria com a marQ e nele separamos os cuidados essenciais, como distância social, uso de máscara e álcool em gel; como, também, métodos específicos para hoteleira que passam desde o atendimento do cliente até o check-out. “Manter a calma e avaliar os fatos é essencial para evitar a guerra tarifária”

R.H – Você acredita que possa acontecer novamente uma guerra tarifária como em anos anteriores? O que fazer para se evitar?

O.S – Acredito que possa acontecer se não tivermos cuidado. Guerra tarifária é um direito de todos no mundo capitalista. Mas só é possível seguir e ser bem sucedido em uma, em uma situação normal com a economia saudável e todos os “exércitos” preparados para ela. É preciso ter em mente que não é por causa de preços que os hóspedes não viajam. A razão principal é uma situação mundial sem precedentes. As fronteiras estão fechadas, autoridades estão proibindo aglomerações e as pessoas estão com medo. Então, manter a calma e avaliar os fatos é essencial para evitar a guerra.

R.H – Em relação aos investimentos que estavam projetados para a hotelaria nos próximos anos. Eles vão se manter ou terão que aguardar um pouco mais?

O.S – Em nossos estudos com a HotelInvest não existiam muitas previsões de investimentos. Tínhamos aberturas de hotéis, que já estavam previstas para esse ano, principalmente no segmento econômico. No momento, qualquer investimento será para recuperar o que foi levado com a crise. Não é a hora de investir, mas de se recuperar.

R.H – Que projeção você faz para a hotelaria brasileira no pós COVID-19?

O.S – Acho que a hotelaria vai ter que fazer adaptações para estabelecer confiança com os seus clientes, com os processos de biossegurança. Após a criação da vacina e em seguida a aplicação dela no mundo todo, iremos nos adaptando para retomar ao normal com as melhorias que realizamos.

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O Setor Hoteleiro sob o enfrentamento à crise do Coronavírus. – ALPHA INTERNATIONAL JR.

[…] citado na Revista Hotéis, estudos mercadológicos no início desse ano apontavam um período promissor para o setor, que já […]

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