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Retomada do turismo

Hotelaria considera abusivas comissões cobradas por algumas OTA´s na COVID-19

Algumas OTA’s – Agências de Viagens Online querem cobrar 30% de comissão e pagamento para 90 dias o que é considerado abusivo pela hotelaria

A hotelaria nacional é dos setores que mais sofrem com os impactos causados pelo novo coronavírus. A taxa média de ocupação que estava em torno de 60% nos primeiros meses desse ano, despencaram e hoje não chega a 10%. E para tentar reativar a economia, muitas cidades do País flexibilizaram as regras de restrições, mas adotou novos protocolos de higienização e distanciamento social, e a hotelaria foi autorizada a operar novamente seguindo estas mesmas normas. Neste cenário, a corrida atrás dos altos prejuízos financeiros começou.

A prioridade máxima no momento dos hotéis é fazer fluxo de caixa para se manterem competitivos no negócio. Mas,  a maneira de dinamizar distribuição e venda das diárias é uma equação que necessita ser resolvida.

Segundo o Presidente da FBHA – Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação, Alexandre Sampaio, os prejuízos do setor hoteleiro somam mais de 95% se comparado com o faturamento do mesmo período do ano passado. Ele se baseia nos dados da CNC – Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo que destaca a queda de receita nestes três meses de pandemia montam mais de R$ 65 bilhões. “E nesse contexto imagino que a hotelaria responda por 1/5 desta importância”.

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E diante desse cenário nebuloso, algumas OTA’s – Agências de Viagens Online, que deveriam estar junto com os meios de hospedagem para ajuda-los a distribuir suas diárias, resolveram também rever suas perdas. Algumas estão cobrando comissão de até 30% na venda da diária e com pagamento em 90 dias. Se o meio de hospedagem necessita vender pelo melhor preço sua diária e fazer fluxo de caixa com urgência, essas condições impostas por algumas OTA’s criou uma animosidade entre os representantes das entidades hoteleiras.

Hotelaria considera abusivas comissões cobradas por algumas OTA´s na COVID-19

Alfredo Lopes: “Algumas OTA’s preferem tratar diretamente com os hotéis, se recusando a dar andamento a uma relação ampla de diálogo com a entidade”

Em maio, o SindHotéis RJ – Sindicato dos Meios de Hospedagem do Município do Rio de Janeiro, cidade com o maior parque hoteleiro do País, “realizou várias tentativas de reuniões com as principais OTAs que vendem o destino Rio. Mas segundo a entidade, eles encontraram resistência em iniciar o diálogo.

O Presidente da ABIH-RJ – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro e do SindHotéis RJ, Alfredo Lopes, afirmou sem citar nomes que: “Algumas OTAs preferem tratar diretamente com os hotéis, se recusando a dar andamento a uma relação ampla de diálogo com a entidade representativa dos meios de hospedagem. Impedem, assim, uma ação integrada que envolva os hotéis, tanto os grandes quanto os pequenos, o que seria fundamental para o bom funcionamento do setor, especialmente, em um momento que milhares de empregos formais e informais estão em risco”, destacou Lopes.

Para Sampaio, “as OTAs estão procurando pelos hoteleiros e se colocando à disposição para, juntos, criarem estratégias de vendas futuras e fornecendo dados de outros países que já passaram pelo pico da pandemia e já iniciaram o processo de retomada”. No entanto, pondera que “algumas OTAs não são flexíveis e não estão abertas a um diálogo é no que diz respeito a redução do percentual de comissionamento. A Booking.com não aceitou dialogar com o SindHotéis RJ, as demais aceitaram e ainda não se posicionaram com respeito ao pleito de uma redução de 30%”.

Em relação ao tipo de diálogo buscado pelas agências de viagens online com o mercado, Sampaio concorda com Lopes. “As OTAs não abrem diálogo com as representações hoteleiras; com muita dificuldade falam com cadeias, mas preferem interagir com meios de hospedagem individualmente. Com certeza é uma estratégia para não abordar temas difíceis para as empresas, como taxas de intermediação, venda de hospedagem familiar ou mesmo empresas sem CNPJ ou informais”, conta o Presidente da FBHA.

E ele justifica: “O mínimo de comunicação se dá por conhecimento pessoal de um ou outro empresário hoteleiro Brasil afora que fala com o head office de algumas OTAs ou funcionários das regionais das agências de viagens online. Em suma, não há interesse deles nestas conversas”, emenda ele.

Sampaio diz que não há um estudo sobre a porcentagem de reservas feitas via OTAs junto aos associados na FBHA. “Não temos esta informação. Talvez seja uma boa hora para fazê-lo, dada a baixa demanda. Por sensibilidade ou troca de ideias com outros responsáveis das entidades, hotéis urbanos em média tem de 15% a 25% de reservas por OTAs”, arrisca-se a responder.

Hotelaria considera abusivas comissões cobradas por algumas OTA´s na COVID-19

Orlando de Souza: “Ainda não tivemos por parte das OTAs uma ação de apoio às dificuldades que a hotelaria enfrenta”

Outra importante entidade do setor, o FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil, que reúne redes nacionais e estrangeiras no quadro associativo, está em linha com o SindHotéis e a FBHA. O comportamento das OTAs durante a pandemia é analisado pelo Presidente-Executivo do Fórum, Orlando de Souza.

De acordo com Souza, “ainda não tivemos por parte das OTAs uma ação de apoio às dificuldades que a hotelaria enfrenta. Entendemos que deveria haver uma iniciativa partindo delas de redução nas taxas e comissões em virtude da enorme dificuldade de sobrevivência dos hotéis. Afinal é importante para elas a sustentabilidade daquilo que é o principal produto de venda delas”. Ele continua: “Estamos de nossa parte tentando abrir um diálogo com as OTAs, porém ainda não obtivemos sucesso”.

No segmento de Pousadas e Pequenos Meios de Hospedagem, a questão do comissionamento é bastante sensível. Donos de pousadas nos Estados de São Paulo e Minas Gerais presentes na plataforma da Booking.com reclamam do percentual cobrado pela empresa. “Se você me contatar diretamente, consigo dar um bom desconto; mas se você nos acessar via Booking não tenho como te fazer um preço melhor”, diz uma das fontes, que pediu para não se identificar.

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