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Retomada do turismo

Paulo Michel: Os desafios a serem vencidos na gestão da ABIH/RJ

O gaúcho Paulo Michel mora há 28 anos na cidade do Rio de Janeiro e se diz um apaixonado pela hotelaria, onde iniciou carreira aos 17 anos de idade. Já passou por vários cargos de liderança e gerência de renomados hotéis e atualmente é o CEO da Louvre Hotéis Brasil, que possui em seu portfólio entre outras bandeiras, a Golden Tulip. Recentemente Michel assumiu o comando a ABIH/RJ – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro. Além do desafio de substituir Alfredo Lopes que fez um brilhante trabalho frente a entidade por vários anos, Michel tem muitos planos para a entidade em sua gestão.

Entre as metas que pretende perseguir estão a de unir os hotéis em cada região para desenvolver ações conjuntas com foco na promoção do destino e dos empreendimentos, e promover a formação e qualificação de mão de obra. Mas sua gestão será de grandes desafios.

No momento que a hotelaria carioca de recuperava da super oferta hoteleira para atender a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, sofreu um grande impacto com a pandemia da COVID-19. Atualmente 20 mil empregos diretos estão suspensos, aguardando a retomada da hotelaria e a ocupação hoteleira na capital está em torno de 25%. Confira os planos e desafios de Paulo Michel para reverter esse quadro desfavorável.

Revista Hotéis – Você foi eleito recentemente, por unanimidade, como Presidente da ABIH-RJ para o biênio 2020/2022. O que o motivou a aceitar esse desafio e substituir o Alfredo Lopes que se manteve nesse cargo vários anos?

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Paulo Michel – Sou um apaixonado pelo Rio de Janeiro, cidade onde moro há 28 anos, e pela hotelaria, área em que atuo desde os 17 anos, razões pelas quais me motivou a assumir esse importante compromisso e, com isso, contribuir para o fortalecimento do setor. Com relação ao desafio de substituir a Alfredo Lopes, ele é o Presidente dos Presidentes. Diria que é impossível substituí-lo, mas prometo que farei o máximo para manter o prestígio e o reconhecimento do trabalho que é executado pela ABIH-RJ – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro.

R.H – Qual sua bagagem acadêmica e profissional frente ao cargo?

P.M – Sou formado em Administração e pós-graduado em Gestão de Hospitalidade. Atuei em diversos hotéis, em posições de liderança e Gerência. Atualmente, sou CEO da Louvre Hotéis Brasil. Há mais de dez anos participo da ABIH-RJ, e como membro da Diretoria, desde 2008. 

R.H – Sua chapa na eleição da ABIH/RJ teve como lema Juntos Somos Mais Fortes. No que esse lema vai traçar suas ações e quais os objetivos que almeja alcançar em sua gestão?

P.M – O estado do Rio de Janeiro tem as regiões serrana, industrial e costeira. Os maiores desafios da ABIH-RJ são identificar as principais necessidades de cada região e se dedicar em desenvolver ações que realmente façam a diferença na taxa de ocupação e na diária média dos hotéis. Entre as metas que pretendo perseguir estão a de unir os hotéis em cada região para desenvolver ações conjuntas com foco na promoção do destino e dos empreendimentos, e promover a formação e qualificação de mão de obra. 

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R.H – Você está assumindo o comando do setor hoteleiro carioca num momento muito conturbado, pois se recuperava da superoferta de leitos construídos para a Copa do Mundo e Olimpíadas e agora sofre os impactos da pandemia da COVID-19. Que análise você faz do setor?

P.M – A grande maioria dos empreendimentos no interior não é de redes hoteleiras. Nesse sentido, os hotéis independentes têm um desafio grande, pois terão que se adaptar ao novo normal, com mudanças profundas na prestação de serviços e venda de seu produto. Além das dificuldades, isso também irá gerar novos custos. O fluxo de caixa durante a pandemia é um dos principais obstáculos dos hotéis que irão continuar suas atividades. Já na retomada, acredito que os destinos regionais serão os primeiros a terem hotéis com maior ocupação, pois o turismo de lazer a curta distância tenderá a crescer, além das viagens de negócios que possam ser feitas de carro, que serão as primeiras a voltar. A cidade do Rio de Janeiro tem o parque hoteleiro mais moderno do Brasil e está se reinventando para receber seus visitantes com toda segurança e excelência em qualidade.

“Os hotéis independentes têm um desafio grande, pois terão que se adaptar ao novo normal, com mudanças profundas na prestação de serviços e venda de seu produto” 

R.H – Quais ações a ABIH/RJ está adotando para minimizar os impactos da COVID-19 no setor?

P.M – A associação está à frente de várias iniciativas para minimizar os impactos causados pela crise da COVID-19. Entre as ações, o selo de qualidade e excelência nas boas práticas no combate à COVID-19 para empreendimentos hoteleiros na capital e demais cidades do Estado, criado pela Secretaria de Estado de Turismo e a Vigilância Sanitária do Município do Rio de Janeiro, em parceria com a ABIH-RJ e Hotéis Rio; campanha junto à imprensa e redes sociais para a revisão das cobranças das altas taxas do ECAD, em especial, para pedir a isenção da cobrança no quarto do hóspede; criação da campanha “+ RIO POR MENOS”, focada nos principais destinos emissores vizinhos, como São Paulo e Minas Gerais, com início previsto para outubro, que contará com preços e serviços especiais em toda a cadeia receptiva, como restaurantes, hotéis, shopping centers e equipamentos turísticos. Em parceria com a consultora de recursos humanos Valéria Leal, acabamos de lançar o projeto “Hóspede Oculto”. Essa é uma ação de certificação criado sob medida para atender os meios de hospedagem que buscam a excelência de seus serviços e a segurança para hóspedes e colaboradores. 

R.H – Como se encontra a hotelaria carioca no momento? Tem muitos hotéis ainda fechados? Houve muitas demissões de colaboradores?

P.M – De acordo com o Hotéis Rio, atualmente, 69 meios de hospedagem da capital estão com suas operações temporariamente suspensas. Os últimos quatro meses acumularam um prejuízo estimado em R$ 850 milhões para a hotelaria carioca por conta da pandemia da COVID19 e cerca de 20 mil empregos diretos estão suspensos, aguardando a retomada da hotelaria. Atualmente, a ocupação hoteleira na capital está em torno de 25%. 

R.H – O cancelamento de grandes eventos como natal e réveillon e provavelmente o carnaval impactam de forma negativa na breve recuperação? Que análise você faz?

P.M – Sobre o Réveillon, em especial, o importante é esclarecer que o modelo conhecido em Copacabana não poderá acontecer esse ano, reunindo 2,5 milhões de pessoas. Mas, a população do Rio e os turistas terão outras opções para comemorar a chegada de 2021, espalhadas pela cidade. De qualquer maneira, não temos como estimar o impacto, porque tem tantas pessoas querendo sair de suas casas, que é provável que o setor tenha até uma perda menor, embora, haja o problema do distanciamento nas áreas comuns dos meios de hospedagem. Mas, acreditamos que a perda ficará em torno de 30%. Já com relação ao Carnaval, a indefinição é o pior cenário, mas sabemos que a realização da festa em fevereiro é inviável.

R.H – Como está a reabertura dos meios de hospedagem e os protocolos de segurança sanitária? Atrair a confiança dos hóspedes será o principal desafio?

P.M – É de fundamental importância resgatarmos a confiança de nosso hóspede, que prezará ainda mais pela sua segurança. Para isso, os meios de hospedagem estão preparados para recebê-los, seguindo todos os protocolos de segurança estabelecidos pelos órgãos públicos. Entre as ações para essa retomada do setor estão o selo de qualidade e excelência nas boas práticas no combate à COVID-19 para empreendimentos hoteleiros na capital e demais cidades do Estado, criado pela Secretaria de Estado de Turismo e a Vigilância Sanitária do Município do Rio de Janeiro, em parceria com a ABIH-RJ e Hotéis Rio; e o projeto “Hóspede Oculto”, uma ação de certificação criado sob medida para atender os meios de hospedagem que buscam a excelência de seus serviços e a segurança para hóspedes e colaboradores, criado em parceria com a consultora de recursos humanos Valéria Leal. 

R.H – A ABIH/RJ estava sensibilizando algumas OTAs a serem mais flexíveis em relação a cobrança da taxa de distribuição das diárias hoteleiras que chegavam até 30%. Como se encontra essa relação? Existe alternativa para os hotéis não ficarem reféns das OTAs?

P.M – A ABIH-RJ e o Hotéis Rio têm realizado frequentemente reuniões com as OTAs para explicar às agências que os custos de distribuição são altos e que precisamos unir forças para suportar a baixa demanda provocada pela crise. Temos negociado a redução de comissões e taxas cobradas pelas OTAs, evidenciando que certas tecnologias não são tão caras como antigamente e os custos de aquisição do cliente não são tão altos também. Nosso argumento é pautado justamente nisso: se no passado, com maiores custos de tecnologia e aquisição, as OTAs sobreviviam com taxas bem menores, de 10%, 12%, acreditamos que, ao menos, em um período conturbado como o que estamos passando, eles possam nos ajudar a reduzir essas taxas aos níveis de anos anteriores. Quanto mais econômico seja viajar para o cliente, mais favorável será para todos, e isso permitirá a geração de empregos para ambos os lados. Todos temos que reduzir nossos custos. Nós já fizemos a nossa parte e estamos aguardando que as OTAs sigam o mesmo caminho. Precisamos nos apoiar e reinventar para favorecermos nossos clientes e colaboradores. 

“Quanto mais econômico seja viajar para o cliente, mais favorável será para todos, e isso permitirá a geração de empregos para ambos os lados” 

R.H – Existe um grande impasse da hotelaria em relação a cobrança do ECAD das músicas ouvidas nos apartamentos e inclusive essa cobrança se manteve mesmo com vários hotéis fechados pela COVID-19. Como a ABIH/RJ acompanha e se posiciona?

P.M – Há décadas a hotelaria pleiteia a revisão da legislação que obriga os empreendimentos de hospedagem a contribuírem com o ECAD pela mera disponibilidade de aparelhos sonoros. Tal pleito nada mais é do que se estabelecer justiça à atividade hoteleira, já que os quartos de hotel, por definição legal, “Lei Geral do Turismo”, são considerados locais de frequência exclusiva dos hóspedes, jamais sendo local de frequência coletiva. Seguimos honrado nosso compromisso e favoráveis ao pagamento de direitos autorais nos locais de frequência coletiva dos hotéis, tais como restaurantes, piscina, salão de eventos e ainda quando os hotéis promovem festas de casamentos, aniversários, réveillons e carnavais, quando, por óbvio, a música é fator fundamental à atração de clientes. No dia 13 de agosto, foi aprovado em votação na Câmara dos Deputados, em Brasília, com 350 votos a favor, o pedido de urgência para que seja discutido e votado o Projeto de Lei que retira a cobrança do ECAD nos apartamentos de hotéis e cabines de navios. O presidente da casa, Rodrigo Maia, irá despachar para a relatoria e iniciar os debates para nova votação. 

R.H – O turismo de eventos e negócios representava grande fatia do faturamento da hotelaria carioca, mas os escândalos da lava jato impactou muitas empresas que geravam esse negócio como a Petrobrás. O turismo de lazer é a grande aposta para retomar as taxas de ocupações anteriores ou o turismo de negócios e eventos estão retomando? Que análise você faz?

P.M – Sim. A ABIH-RJ aposta em uma retomada com resposta mais rápida do turismo doméstico, prevalecendo as viagens rodoviárias em famílias, que podem viajar em seu próprio carro e acompanhado de seu núcleo familiar. Uma das iniciativas adotadas pela associação para a retomada do setor será uma campanha focada nos principais destinos emissores vizinhos, como São Paulo e Minas Gerais, com início previsto para outubro. A campanha se chamará “+ RIO POR MENOS”, com apoio de Roberto Medina e envolverá toda a cadeia receptiva, como restaurantes, hotéis, shopping centers e equipamentos turísticos, com preços e serviços especiais. Além dos destinos vizinhos, como São paulo e Minas Gerais, o turismo dentro do próprio estado ganhará força. 

R.H – O que é necessário para a hotelaria carioca voltar a alcançar as expressivas taxas de ocupação e diária média que era registrada anteriormente no Brasil?

P.M – Acreditamos que a retomada do setor leve de três a quatro anos para se recuperar completamente, e para voltarmos a alcançar às expressivas ocupações registradas anteriormente, naturalmente, a situação da pandemia terá que estar controlada, o que demorará um tempo. Ao isolarmos a questão da pandemia, serão necessárias promoções nacionais e internacionais e um calendário de eventos robusto, tanto corporativo quanto de lazer, para sustentarmos nossa ocupação e atrairmos outros perfis de hóspedes.

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