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Multipropriedade consolidada no Brasil atrai players internacionais

Esse modelo de negócio é hoje a grande alavanca de novos hotéis no Brasil, possui um bom arcabouço jurídico, mas exige vigilância e cuidados

Se existe um segmento na hotelaria que continua crescendo de forma vertiginosa é o da multipropriedade. A Caio Calfat Real State Consulting apresentou em maio de 2023 um estudo sobre o cenário de multipropriedade no Brasil. Ele apontou que esse modelo de negócios já está presente em 81 cidades de 19 estados com 189 empreendimentos com um VGV – Valor Geral de Vendas de quase R$ 60 bilhões.

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O próximo estudo começa nesse mês de março, mas o Consultor Caio Calfat assegura que a multipropriedade está estável e crescendo de forma orgânica. “Novos empreendimentos que sairá esse ano, eram empreendimentos que já estavam para serem lançados antes, mas por causa da pandemia eles foram adiados.  O que percebemos é que já existe um início de consolidação desse produto no mercado. As novas redes hoteleiras entrantes ou são grandes redes hoteleiras ou redes hoteleiras formadas por profissionais gabaritados, com experiência no mercado que resolveram criar uma rede hoteleira específica para multipropriedade. O caso da Atlantica, por exemplo, que criou uma divisão específica dentro da Atlantica para administrar a multipropriedade. A mesma coisa aconteceu com a Atrio através da Livá e a Trul Hotéis que vem ganhando espaço cada vez mais no mercado. Outra boa notícia, que mostra essa consolidação são as grandes incorporadoras entrando neste processo para fazer multipropriedade em grandes cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro”, revela Calfat. Ele informa a multipropriedade têm atingido todas as classes sociais, todas as faixas de renda, todas as faixas de idade e também o estado civil. “Até solteiro está comprando, assim como casados sem filhos, viúvos, casal de idosos e isso é muito bom”. Com essa demanda crescente, ele arrisca um palpite de um crescimento de 12 a 15% no próximo estudo, tanto no VGV, quanto ao número de novos empreendimentos. Em número de estados, provavelmente haverá um crescimento também.

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O estoque apontado no estudo de 2023 estava em 41%, ou seja, as cotas das frações imobiliárias que estavam à venda e não foram vendidas. Mas Calfat lembra que muitas vezes o incorporador reserva para si uma quantidade de cotas que ele não vai colocar venda. “Ela existe, mas não está à venda e quando a gente pede para esses incorporadores segmentarem – quando fazemos a nossa coleta de dados – o que é realmente estoque e o que é tirada de venda não é aberto para nós. Então o que nós estamos considerando o estoque total, inclui também aquelas frações que não vão ser colocadas no mercado para venda. Se o estoque ficar na casa de uns 30%, 32%, 35% é um estoque razoável, saudável.  Porque tem que ter um pouco de estoque, senão o preço dispara. O estoque de 20% a à 30% segura o preço e a alta um pouco. O perigo é desse estoque subir e chegar em 50%, pois começa aparecer que existe mais oferta do que demanda no mercado, sendo um ponto de bastante atenção”, adverte Calfat. Segundo ele, o próximo relatório vai ter a parceria da Mapie Consultoria que vai desenvolver entrevistas com compradores de multipropriedade. “E com isso a gente consegue tirar a prova dos nove, ou seja, muita gente critica multipropriedade na sociedade, por isso eu acho que essas entrevistas vão mostrar com mais clareza, como é que o mercado está enxergando a multipropriedade, especialmente os compradores. Então esse vai ser um capítulo à parte de dentro do nosso relatório e nós pretendemos entregar esse capítulo junto do nosso relatório convencional.

Caio Calfat: “Eu arrisco um palpite que o próximo estudo vai apontar um crescimento de 12 a 15% da multipropriedade, tanto no VGV, quanto ao número de novos empreendimentos” (Foto - Divulgação)
Caio Calfat: “Eu arrisco um palpite que o próximo estudo vai apontar um crescimento de 12 a 15% da multipropriedade, tanto no VGV, quanto ao número de novos empreendimentos” (Foto – Divulgação)
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Vigilância para coibir abusos

Como essa indústria envolve cifras de negócios bilionários muitos incorporadores estavam entrando e lançando produtos sem registro de incorporação imobiliária e prometendo rentabilidade em cima das cotas fracionadas adquiridas. Calfat é categórico em afirmar que isso é crime o lançamento de empreendimento sem registro de incorporação, assim como também é crime mentir para o comprador prometendo rentabilidade. “A vigilância para coibir esses abusos é necessária e esses são dois dos mais importantes problemas que nós temos no setor. É necessário que todos que atuam nessa indústria ajudam a resguardar e proteger o nosso setor da multipropriedade, que nós criamos com tanto carinho e que alguns criminosos podem colocar tudo a perder. Por causa de um ou dois empreendimentos nós temos uma dificuldade imensa de mostrar para a sociedade que esses são casos absolutamente isolados, que o grande mercado é aquele lá dos 180 empreendimentos em 81 cidades do país. Este é o grande mercado e não aquela meia dúzia de produtos empreendidos ou vendidos ou operados por maus-caracteres, por empresas com má fé, isso não significa o mercado. Isso são marginais neste mercado, marginais nos dois sentidos, eles estão à margem do mercado e eles próprios são marginais criminosos”, concluiu Calfat lembrando que a ADIT Brasil passou a fazer parte do Conselho Nacional de Turismo e essa será uma grande oportunidade para se discutir temas do setor imobiliário-turístico.

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Ajustes e mudanças no negócio

José Ernesto Marino Neto, Fundador e Presidente da BSH International, uma das mais tradicionais consultorias hoteleiras no Brasil enxerga o mercado da multipropriedade numa outra ótica. Ele acredita que todos entenderam que esse negócio precisa mudar e conta uma fábula para ilustrar melhor sua opinião: “No início um pescador entrou num lago com uma canoa rasa. Tinha tantos peixes na lagoa que o pescador não se importava que os peixes se debatiam e metade voltava para a lagoa. Ocorre que a fama do pescador rodou a região e vários pescadores apareceram com o mesmo tipo de canoa. Se para um dava certo, para outros daria também (a velha história da Maria vai com as outras…). Só que a competição aumentou pelos mesmos peixes que passaram a ser alertados por aqueles que se debatiam e retornavam à lagoa. Hoje a fama da multipropriedade é ruim, a percepção sobre o produto é ruim, mas os corretores continuam a buscar o caminho mais curto para fazer dinheiro com venda sob pressão e venda emocional. Isso está matando o negócio. Se os operadores comerciais de multipropriedade insistirem no modelo, terão final infeliz.

José Ernesto Marino Neto: “O negócio da multipropriedade necessita mudar para garantia da própria sobrevivência” (Foto - Divulgação)
José Ernesto Marino Neto: “O negócio da multipropriedade necessita mudar para garantia da própria sobrevivência” (Foto – Divulgação)

Não é porque funciona assim no mercado norte-americano que no Brasil também vai funcionar. Lá a economia cresce todos os anos somando meio trilhão de dólares ao PIB anualmente e, com isso, geram novos consumidores para todos os tipos de produtos. Lá gastam 50% com marketing e vendas porque a percepção do negócio também não é boa e isso transformou o negócio em uma grande arbitragem de juros, vendendo a prazo com juros de 1% a.m. e se financiando com juros de 3% a.a. O grande negócio dos developers de fractional nos Estados Unidos é empacotar recebíveis e arbitrar juros. Aqui o juro alto quase matou a Gramado Parks, quase matou também a WAM, e ainda quase matou muita gente. A lógica da multipropriedade precisa mudar. O cliente precisa ver valor e querer comprar o produto pelo que ele é e não pela técnica de Wilson Laerning… Caso contrário, todos vão morrer”, prevê Marino Neto.

Arcabouço jurídico consolidado

O Advogado Rodrigo Bicalho, Sócio do escritório Bicalho Navarro Advogados revela que há várias peculiaridades que diferenciam um produto de multipropriedade em relação a uma incorporação usual. “A multipropriedade é muito mais complexa, inclusive na estruturação jurídica. Um aspecto importante é que o memorial de incorporação, a convenção de condomínio e o regulamento interno contenham com clareza as normas pertinentes ao período de utilização de cada semana, eventuais formas de alternância (período flutuante), troca de períodos, adesão a clube de férias, formas de custeio da reposição de mobiliário e equipamentos, reparos no caso de danos etc. É preciso que as regras sejam bem feitas para que possam ser bem aplicadas e evitar discussões jurídicas. Além disso, muitos registros de imóveis não têm experiência nesse tipo de produto e o empreendedor deve estar atento para verificar se as matrículas de cada fração de tempo foram abertas corretamente”, alerta Rodrigo.

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Um outro cuidado relevante diz respeito à clareza quanto à forma de uso e exploração do empreendimento, inclusive mediante locação ou diária a terceiros. “A multipropriedade turística é predominantemente um produto de uso para turismo e lazer e não um produto de investimento. Pode haver, entretanto, a oferta do imóvel a terceiros quando não utilizado pela família titular daquela fração de tempo. Isso pode reverter em resultado para o titular e para a administradora, mas se isso se torna o produto principal, ou seja, passa a ser um produto de investimento, passa a ser necessário prévio registro de oferta perante a CVM – Comissão de Valores Mobiliários, conforme já decidido por essa autarquia no processo 19957.009524/2017-41. Assim, se o empreendedor faz publicidade ofertando determinada rentabilidade, pode estar violando a legislação de mercado de capitais (que exige prévio registro de ofertas de produtos de investimento na CVM) e eventualmente o Código do Consumidor quanto a publicidade enganosa, se a oferta feita não se basear em estudos sólidos de mercado”, alertou Rodrigo.

Rodrigo Bicalho: “A multipropriedade turística é predominantemente um produto de uso para turismo e lazer e não um produto de investimento” (Foto - Divulgação)
Rodrigo Bicalho: “A multipropriedade turística é predominantemente um produto de uso para turismo e lazer e não um produto de investimento” (Foto – Divulgação)

Como a comercialização de cotas de multipropriedade na maioria das vezes é venda de impacto, muitos clientes se arrependem antes dos sete dias e enfrentam dificuldades para cancelar. Mas qual é o amparo legal que esse cliente possui? O Advogado Rodrigo explica que a multipropriedade é produto de uso como lazer e não a aquisição da casa própria. Por isso o comprador pode desistir no prazo de até sete dias da assinatura do contrato ou posteriormente, aplicando-se as regras da chamada “lei do distrato”, que prevê a retenção de até 50% dos valores pagos, além da comissão. Esse é mais um ponto de atenção para o empreendedor, saber que uma parte considerável das vendas voltará para o estoque, com necessidade de devolução de valores e estar preparado para que isso não impacte severamente na realização do projeto. O Judiciário, quando acionado, tem determinado a devolução integral quando a desistência ocorre dentro dos primeiros sete dias e a devolução parcial, no caso de distrato posterior. Entretanto, algumas decisões ainda determinam a devolução de percentuais elevados, como 80% ou 90% dos valores pagos, quando a lei atual permite a retenção de até 50%, conforme o caso. Felizmente, o Judiciário, aos poucos, vem compreendendo que a retenção de valores ocorre também para proteger os demais adquirentes e o próprio empreendimento, pois é necessário preservar recursos no patrimônio afetado, para conclusão das obras e equipamentos necessários, em benefícios dos demais participantes que se mantém no projeto”, explicou Rodrigo.

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Para ele, hoje o arcabouço jurídico da multipropriedade é muito bom, com um regramento específico no Código Civil, à partir de 2018. A lei passou a tratar detalhadamente da estrutura do empreendimento, dos direitos e obrigações das partes, da forma de registro no Registro de Imóveis. O adquirente passou a ter um direito real, passível de ser registrado na matrícula de sua fração de tempo no Registro de Imóveis, o que foi um grande avanço. Isso dá maior segurança para todas as partes e a formalização legal do setor e contribuiu muito para o enorme desenvolvimento da multipropriedade. Com o crescimento de escala e de porte dos empreendimentos, foram surgindo outras questões que podem também ser ajustadas na lei. Algumas delas estão sendo tratadas no Projeto de Lei 4.001/2021, que abrange o tratamento a ser dado nos casos de condomínio mistos, contendo setores em multipropriedade e outros em condomínio tradicional, para que as deliberações relativas a multipropriedade possam ser feitas pelos respectivos condôminos, sem ingerência das demais unidades do empreendimento. Essa situação já vem endereçada nos instrumentos jurídicos dos empreendimentos mais bem estruturados, com boa assessoria, mas em diversos casos não foi tratada e gera confusão. Além disso, muitos oficiais de Registro de Imóveis não compreendem adequadamente – ou não admitem – a existência de setores condominiais ou subcondomínios com regras próprias, de forma que é bem vinda a inclusão na lei, caso ocorra. E finalizando, Rodrigo, lembra dos impactos sociais que a multipropriedade pode ocasionar as cidades. “A vinda de mão-de-obra de longe para realização das obras, faz como que parte dela se fixe posteriormente no local, o que pode trazer problemas sociais, urbanísticos, ambientais. É preciso haver um planejamento, junto com a cidade, para a absorção dessa nova população, empregos, escola, postos de saúde. Se isso não for feito, haverá uma degradação do destino turístico e desvalorização dos ativos. Exemplos negativos não faltam”, concluiu Rodrigo.

Modelo consolidado

Fabiana Leite, Diretora de desenvolvimento de novos negócios da RCI na América do Sul lembra que a multipropriedade, como indústria estabelecida e reconhecida sob a luz da lei, é um segmento relativamente novo na indústria da propriedade compartilhada, considerando que sua regulamentação ocorreu no final de 2018 no Brasil, ainda que já tivesse presença operacional. “Mesmo jovem, não há dúvidas de que o modelo está consolidado jurídica e operacionalmente e que há o reconhecimento de sua força estratégica por parte dos hoteleiros, assim como de seus benefícios por parte do viajante. De outro e a exemplo de todo segmento econômico, ele demanda ajustes, correção de rotas e novas propostas de atuação, inclusive porque estes ajustes são decorrência da demanda do viajante. Ou seja, se o perfil do viajante muda, se suas demandas mudam, o setor acompanhará estas mudanças. Do ponto de vista operacional, estes ajustes pelos quais o mercado passa podem ser traduzidos, entre outros, por empreendimentos temáticos e/ou nichados que ampliam a experiência do hóspede. É o caso, por exemplo, de empreendimentos que apostam em parques aquáticos e temáticos como âncoras. Ou seja, cada empreendimento precisa encontrar seu diferencial para se manter sempre atrativo para o cliente recorrente, além do novo”, mencionou Fabiana complementando que: “O viajante que adquire uma cota de multipropriedade tem a possibilidade de acesso a diferentes meios de hospedagens em diferentes destinos nacionais e internacionais. Eu não tenho dúvidas de que este modelo, esta oportunidade atrai o novo consumidor do turismo, que está ávido por novas e diferenciadas experiências”.

Fabiana Leite: “Mesmo jovem, não há dúvidas de que o modelo da a multipropriedade está consolidado jurídica e operacionalmente” (Foto - Divulgação)
Fabiana Leite: “Mesmo jovem, não há dúvidas de que o modelo da a multipropriedade está consolidado jurídica e operacionalmente” (Foto – Divulgação)

Fabiana, destaca a liderança mundial da RCI neste setor, o que traz uma grande responsabilidade ao completar 50 anos de atividades nesse ano de 2024. “Essa consolidação internacional reverbera e tem espaço no Brasil, onde também somos líderes – o Brasil é o terceiro maior mercado da nossa companhia, atrás, somente dos Estados Unidos e México/Caribe. E nós sabemos que o lastro e a segurança de nossas operações, assim como nossa capacidade de intercâmbio ao redor do mundo são fatores muito importantes para atrair mais investidores, afiliados e sócios. Neste sentido, não é exagero dizer que toda experiência internacional alimenta nossa operação no Brasil, quer seja com novas práticas, com identificação das novas demandas, com a percepção de mudança do perfil do consumidor”.

Em relação a performance da RCI em 2023 no Brasil, Fabiana diz que: “Chegamos ao final de 2023 com 20 novas afiliações. Sempre que fazemos este balanço, nós gostamos de refletir sobre os que estes números revelam para nós. Em 2023, podemos fazer o seguinte resumo: Parte destas afiliações são chamadas de flip, que são afiliações de empreendimentos que já operavam com outras intercambiadoras e optaram por firmar parceria com a RCI. A chegada em dois novos destinos, que são Itaparica (BA) e Luziania (GO). A ampliação de nossa presença em destinos como Olímpia (SP), Búzios e Rio de Janeiro (RJ), Penha (SC), Porto Seguro (BA), Jericoacoara (CE), Gramado e Canela (RS)”, mencionou Fabiana.

Ela enxerga a multipropriedade com muito espaço para crescimento e maior consolidação nos próximos anos. “Do ponto de vista do negócio e de forma prática, sabemos que há um crescimento objetivo a ser observado nos próximos anos, que é resultado direto de empreendimentos cuja construção foi anunciada ao longo dos últimos dois o ou três anos, com previsão de entrega a partir de 2024 e até 2028.

Do ponto de vista do conceito e de forma subjetiva, temos observado uma mudança de conceito nos empreendimentos: os grandes empreendimentos, resorts focados em família vão continuar existindo, mas há novas propostas, projetos com experiências diferenciadas e temáticas focadas em esportes, em lifestyle e gastronomia, por exemplo”, conclui Fabiana.

Serra gaúcha atrai mais de R$ 4 bilhões

A multipropriedade que nasceu em Caldas Novas (GO), rapidamente chegou a Olímpia (SP), tem na Serra Gaúcha o alvo dos maiores investimentos que somam mais de R$ 4 bilhões. Eles estão projetos, concentrados na região das Hortênsias, nas cidades turísticas de Gramado, Canela e São Francisco de Paula. São iniciativas de redes como a Laghetto e Plaza, assim como internacionais como Club Med, Kempinski e a Hard Rock.

O grupo Laghetto Golden Multipropriedades comanda três operações já inauguradas na Região Sul, todas em Gramado: o Laghetto Resort Gramado, o Laghetto Stilo Borges e o Laghetto Chateau. O grupo tem ainda em construção o Golden Villagio Laghetto, em Canela, e o Riserva dos Vinhedos Laghetto, localizado em Bento Gonçalves. Ambos com previsão de inauguração em 2025. Em números gerais, o grupo Laghetto Golden Multipropriedades ultrapassou em 2023 a R$ 2 bilhões de VGV em seus empreendimentos, mais de mil unidades habitacionais e 40 mil clientes que já adquiriram frações dos empreendimentos comercializados. Com isso, o Laghetto Golden já trabalha com ousadas projeções de vendas para 2024. O planejamento prevê cerca de R$ 700 milhões em vendas no ano que vem.

Expansão sustentável: Mundo Planalto transforma turismo e compromisso ESG em marcos históricos para Gramado

A década de atuação do Mundo Planalto no mercado de incorporação imobiliária e lazer no Brasil testemunhou não apenas diversificação e expansão geográfica, mas também a consolidação de uma abordagem estratégica centrada em empreendimentos temáticos e de nicho. O recente sucesso de vendas do Castelos do Vale, o primeiro resort brasileiro construído em uma vinícola, em Bento Gonçalves-RS, é um exemplo dessa estratégia.

Residence Club at the Hard Rock Hotel em Gramado - RS
Residence Club at the Hard Rock Hotel em Gramado – RS

A aposta na vertical WineCation, com três lançamentos programados para 2024, reforça o compromisso da empresa em atender a um público mais exigente, com ênfase em experiências temáticas e de enoturismo.

O investimento expressivo de R$ 1 bilhão no Residence Club at the Hard Rock Hotel Gramado, o maior empreendimento da marca internacional no país, destaca a assertividade do Mundo Planalto em parcerias estratégicas. A abertura da primeira fase em 2027 promete não apenas atrair turistas brasileiros e estrangeiros que buscam experiências mais sofisticadas em entretenimento e gastronomia, mas também gerar empregos e promover a consolidação da empresa no mercado de multipropriedade.

O projeto do Castelos do Vale Resorts, em parceria com a Vinícola Dom Cândido, não só mira a expansão nacional como sinaliza a internacionalização da marca Castelos do Vale em 2024. A prospecção de potenciais sócios em Portugal, Argentina e São Paulo reflete uma visão de longo prazo e a busca por novos mercados.

A estratégia de abrigar novos empreendimentos dentro de vinícolas, ocupando uma área mínima de dois hectares, busca não apenas oferecer atrativos  diversos, como a produção própria de bebida, clube do vinho e intercâmbio, mas também maximizar o impacto nas vendas do varejo das vinícolas parceiras. O aumento de 40% no faturamento da Dom Cândido e o incremento de 70% no número de visitantes evidenciam a conexão entre os empreendimentos e as vinícolas.

Castelos do Vale Resorts, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves - RS
Castelos do Vale Resorts, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves – RS

O compromisso do Mundo Planalto com as diretrizes ESG, no desenvolvimento das comunidades em que está inserido, reflete-se por meio de suas ações voltadas para melhorias na infraestrutura, projetos ambientais e na qualidade de vida dos cidadãos dessas comunidades. A empresa valoriza as raízes culturais e empreendedoras, criando assim experiências excepcionais e deixando um impacto positivo duradouro no cenário do turismo e incorporação imobiliária no Brasil.

Primeiro Kempinski no Brasil

As obras do projeto de revitalização e ampliação do hotel Laje de Pedra em Canela (RS) se mantém em ritmo acelerado para abrigar a primeira bandeira Kempinski no Brasil. O ambicioso retrofit mantém as características modernas do prédio esboçado pelo arquiteto gaúcho Edgar Graeff. A valorização das características naturais arquitetônicas da região, presentes no prédio histórico com fortes traços modernos é o ponto de partida do projeto de retrofit já premiado internacionalmente e que leva assinatura da Perkins & Will, com paisagismo de Sergio Santana e interiores de Patricia Anastassiadis. Com um projeto que envolve residências com serviço hoteleiro para além da hospedagem, o Kempinski Laje de Pedra já é sucesso com R$ 300 milhões em negócios fechados no primeiro ano de vendas.

Perspectiva de como será a fachada do Kempinski Laje de Pedra (Foto - Divulgação)
Perspectiva de como será a fachada do Kempinski Laje de Pedra (Foto – Divulgação)

Dividido em três fases, o projeto de R$ 800 milhões e Valor Geral de Vendas previsto de R$ 1,8 bilhão está na etapa uma das obras, prevista para ser entregue em meados de 2026, sendo que as demais serão de expansão. O empreendimento vai operar no modelo sob medida, ou seja, de acordo com o tempo de uso, e será administrado 100% pela Kempinski, que oferece um pool de serviços reconhecidos internacionalmente pelo alto padrão. As residências sofisticadas permitem acesso a uma comunidade exclusiva e um hub de serviços e experiências únicas enraizadas na enogastronomia, na cultura, na história e na identidade local. As Kempinski Residences (apartamentos) com área entre 52m² a 220m², vão proporcionar uma experiência sofisticada de moradia ou lazer. Entre as atrações estão nove operações gastronômicas, amplos terraços e vistas para o Vale do Quilombo, enoteca, rooftop, teatro, piscinas, área para eventos, entre outros.

Grandes mudanças em Olímpia

A multipropriedade encontrou em Olímpia (SP) um enorme potencial para se desenvolver. Isso transformou de forma radical o pequeno município que vivia exclusivamente do agronegócio, mais especialmente do plantio de cana de açúcar. Os dados de 2023 ainda não estão fechados, mas a expectativa é que o destino supere o maior fluxo de visitantes de sua história, 3,5 milhões de pessoas, registrados em 2022. A cidade que conta com apenas 55 mil habitantes, é hoje a quinta cidade do Brasil em capacidade hoteleira, com cerca de 34 mil leitos, atrás apenas de Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Seguro e Salvador. E uma das empresas que mais contribuíram para esses índices é o Grupo Ferrasa, que é genuíno da cidade e ajudou a atrair outros players como o Grupo Natos e o GR Group. Sérgio Ney Padilha, CEO do Hot Beach Parques e Resorts, pertencente ao Grupo Ferrasa, lembra que este modelo de negócio já se tornou um grande peso no crescimento e exposição de mercado para a cidade de Olímpia, uma vez que ela ajuda a resolver o grande problema da sazonalidade, que é bem forte no destino. “Se faz necessário o acompanhamento de seu desenvolvimento local e posicionamento no Brasil assim como também é preciso acompanhar as tendências da multipropriedade e o que se esperar para um futuro próximo. Entendemos que a ascensão da multipropriedade no Brasil, requer que sejamos ainda mais criativos na programação e nas experiências que entregamos aos proprietários de modo que este se torne um diferencial competitivo. A exemplo disso, destaco o Hot Beach You, um projeto que contempla um rooftop e sem precisar sair da sua casa de férias, o proprietário e sua família terão a sua disposição uma galeria a céu aberto com várias lojas para curtir à noite. Vale destacar também que, um ponto superimportante que estamos sentindo é sobre maior flexibilidade nos modelos de contratos e regras de utilização das suas semanas, e nós estamos trabalhando nisso”, revela Sérgio Ney.

Sergio Ney Padilha: “O grande diferencial do grupo é a credibilidade que temos no mercado pois somos responsáveis por todas as etapas” (Foto - Divulgação)
Sergio Ney Padilha: “O grande diferencial do grupo é a credibilidade que temos no mercado pois somos responsáveis por todas as etapas” (Foto – Divulgação)

Ele se mostra muito otimista e com uma expectativa promissora em relação ao Hot Beach Residence Club, devendo fechar o ano com 15% acima do orçamento de 2023. “O grande diferencial do grupo é a credibilidade que temos no mercado pois somos responsáveis por todas as etapas: projetamos, incorporamos, construímos, administramos e focamos muito na experiência dos nossos clientes. Vale destacar a consolidação do nosso time comercial que através de muito treinamento e desenvolvimento entrega um resultado tão constante e sólido. Estamos investindo em ações, estratégias e eventos que proporcionem aos multiproprietários maior exclusividade em nossos espaços bem como agregando uma experiência ainda mais completa com a evolução e inovações nos nossos empreendimentos. Temos um VGV realizado de R$ 797 milhões agregando 14.400 frações. É a soma, até o momento, de dois empreendimentos, sendo o primeiro já performado e o segundo em início de vendas. Tendo ultrapassado o inesquecível período da pandemia, temos conseguido fortes reduções na inadimplência e nos distratos. Isso como resultado de intensos e constantes contatos com nossos clientes, com resultados expressivos também nas reservas de suas respectivas semanas de uso”, finalizou Sérgio Ney.

GAV Resorts

Essa que é uma das maiores empresas de multipropriedade do País enxerga muitas oportunidades para continuar crescendo em 2024. E para garantir a entrega com excelência dos serviços e produtos de hotelaria e entretenimento aos multiproprietários, contratou no final do ano Luiz Fernando Mathia, especialista em gestão de turismo, Diretoria de Operações de Hospitalidade.  “A criação dessa diretoria vai ao encontro da nossa proposta de fortalecer a governança corporativa da GAV Resorts e sustentar o planejamento estratégico de crescimento para os próximos cinco anos. O Luiz chegou com sua expertise para proporcionar experiências cada vez mais únicas para os nossos clientes” explica Alexandre Pedreira, sócio diretor da GAV Resorts.

Os dados ainda não foram apurados, mas ele espera finalizar 2023 com VGV – Valor Geral de Vendas de R$ 5 bilhões, com novos lançamentos, estreia no estado de Alagoas, e expansão de sua presença em Gramado (Rio Grande do Sul), onde já lançou empreendimentos em 2022. Os lançamentos previstos para 2023 representam mais de 1.000 apartamentos, que correspondem a cerca de R$ 2,5 bilhões em VGV. A empresa, que iniciou sua operação no Pará em 2014, já está presente no Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sul do Brasil, com um modelo de negócio que contempla a construção e comercialização de apartamentos em resorts de alto padrão no formato de multipropriedade, onde o cliente adquire frações do imóvel.

Perspectiva do Oikos Maragogi, o novo resort que a GAV pretende construir na praia do Camacho em Alagoas (Foto – Divulgação)

Com oito anos de experiência, o grupo já alcançou a marca de mais de 100 mil frações imobiliárias. Para sustentar esse alto volume de novos empreendimentos, a GAV estima contratar cerca de quatro mil colaboradores até 2025, chegando a sete mil pessoas no total. Hoje, a empresa tem mais de três mil funcionários. Além da expansão dos resorts, o grupo também vem reforçando sua operação comercial com o lançamento de novas salas de venda. Para 2024, a previsão é inaugurar mais um resort, marcando presença com a operação da hotelaria chegando ao Nordeste.

Tudo Consultoria

Adriana Chaud, Diretora executiva da Tudo Consultoria (Foto - Divulgação)
Adriana Chaud, Diretora executiva da Tudo Consultoria (Foto – Divulgação)

Outra empresa que se mostra muito satisfeita com os resultados obtidos em 2023 é a Tudo Consultoria e Gestão de Multipropriedade e Vacation Club. De acordo com a Diretora executiva Adriana Chaud, o ano de 2023 finalizou de forma excelente, com aprendizados e grandes resultados muito importantes nos projetos. “Nosso foco continua em sala de vendas, mas com formato já bastante modificado do trivial apresentado no mercado além de termos desenvolvido bastante as vendas por relacionamento e incrementado as vendas online. Com as vendas praticamente totais do Ipioca Beach Residence, em seguida teremos o lançamento de novo produto Ipioca Home Collection. Esse é um produto extremamente personalizado, modificado e que apresenta bastante experiência para o cliente vivenciar nas suas férias. Em 2024 nossa expectativa com o grupo MME continua crescente com a previsão de novo empreendimento também em Maceió com aproximadamente o triplo de unidades em relação ao já consolidado Ipioca Beach Residence”, assegura Adriana.

Ela lembra que 2023 marcou também a entrada da Tudo, no segmento de vendas de imóveis de alto padrão e luxo de primeira residência da Consciente Construtora e Incorporadora de Goiânia. “Enxergamos total sincronia entre os dois segmentos, um completa o outro, inclusive para desenvolvimento de produtos híbridos que decidam ter multipropriedade e apartamentos integrais em um mesmo complexo. Continuamos ainda em tratativa com novos clientes para os próximos meses, sempre muito motivados com o potencial do mercado que temos pela frente em 2024”, concluiu Adriana.

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Edgar J. Oliveira

Diretor editorial - Possui 31 anos de formação em jornalismo e já trabalhou em grandes empresas nacionais em diferentes setores da comunicação como: rádio, assessoria de imprensa, agência de publicidade e já foi Editor chefe de várias mídias como: jornal de bairro, revista voltada a construção, a telecomunicações, concessões rodoviárias, logística e atualmente na hotelaria.

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