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BWH Hotel Group enxerga grandes oportunidades no mercado brasileiro

Diante das oportunidades apresentadas pelo mercado hoteleiro no Brasil para desenvolver 18 marcas internacionais de um dos mais renomados grupos hoteleiros mundiais, Ricardo Manarini, aceitou o desafio de ser o Country Manager da BWH Hotel Group para o Brasil, onde conta atualmente com apenas sete unidades.  Ele apresenta em sua bagagem profissional 11 anos na área de desenvolvimento da rede InterContinental e vários cursos profissionais, entre eles na Cornell University.

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O plano de expansão da Best Western no Brasil compreende três pilares básicos: Conversão de hotéis independentes, parceria estratégica com operadoras hoteleiras e parceria com desenvolvedores para construção de novos hotéis.  E a flexibilidade das marcas é um dos diferenciais e apostas de Manarini nesse crescimento. Ele destaca as opções de soft-brands e brand collections e marcas com padrões bem definidos que podem atender todo o perfil de propriedades, do luxo ao econômico, de lazer ao business, do tradicional ao lifestyle. Confira a seguir nessa entrevista exclusiva.

Revista HotéisO que o levou a aceitar o desafio de ser o Country Manager da BWH Hotel Group para o Brasil?

Ricardo ManariniDois aspectos me chamaram a atenção antes de aceitar esse novo desafio, primeiro é o potencial de crescimento que enxergo para a rede no Brasil, principalmente pela flexibilidade para conversão de hotéis, marcas renomadas e estrutura para suportar estes hotéis. Segundo é o aspecto profissional, esta posição me dá a oportunidade de participar de outras áreas dentro do segmento hoteleiro, como operações, Revenue Management, vendas & distribuição e marketing & fidelidade, não só em Development onde foi a área que fiquei mais focado ao longo dos últimos 12 anos.

R.HComo a BWH Hotel Group está posicionada no mundo, quantas marcas possuem e como é a atuação no Brasil?

R.MA BWH Hotel Group é uma rede com 75 anos de história, atualmente temos mais de 4.700 hotéis, sendo em torno de 350 mil quartos no Mundo. Todos estes hotéis são representados por uma de nossas 18 marcas, posicionadas em todos os segmentos de mercado, do luxo com propriedades icônicas em locais exclusivos à hotéis econômicos que oferecem preços justos com serviços essenciais.  No Brasil contamos com sete hotéis em nosso portfólio, dentre eles: Othon Palace Rio de Janeiro – WorldHotels Distinctive; Best Western Premier em Natal; Best Western Premier em Maceió; Carpe Diem BW Premier Collection em Campos do Jordão; Best Western em Porto Seguro; Best Western em Caldas Novas; e Best Western em João Pessoa.

R.HQual a bagagem profissional que apresenta para esse desafio?

R.MAntes de entrar no mercado hoteleiro, tive a oportunidade de trabalhar em outras indústrias, sempre com o foco na área de negócios, gestão e estratégia. Já na hotelaria trabalhei ao longo de 11 anos na área de Desenvolvimento da InterContinental, onde pude mergulhar no mundo hoteleiro e ter uma visão deste mercado a nível global. Sou formado em Administração Pública pela Unesp e tenho MBA em Marketing de Serviços pela FIA. Cursei especializações em Hotel Real Estate Investments and Asset Management na Cornell University (eCornell) e Investimentos no Mercado Imobiliário pelo Insper.

R.HO que difere a BWH Hotel Group das demais redes hoteleiras mundiais?

R.MA essência da BWH Hotel Group é o foco genuíno em levar resultado para os proprietários dos hotéis da rede, isso é parte do DNA do grupo que nasceu há 75 anos de uma associação de dois hoteleiros no oeste dos Estados Unidos e segue dessa forma até hoje com mais de 4.700 hotéis. Diferentemente das outras redes, nós não temos acionistas privados ou capital aberto em bolsa de valores, nós temos um comitê formado apenas por proprietários de hotéis do grupo, que são eleitos e decidem os rumos e a estratégia que o executivo vai seguir.

Por ser uma entidade sem fins lucrativos, todo resultado positivo é reinvestido para a própria associação, seja para deixar a estrutura mais robusta, ou para aquisição de novas marcas, por exemplo como a da WorldHotels que fizemos em 2019.

“Diferentemente das outras redes, nós não temos acionistas privados ou capital aberto em bolsa de valores”

Na minha visão, hoje em dia a diferença entre as redes hoteleiras estão cada vez menores em relação a tecnologia, marcas e distribuição, todas oferecem opções muito semelhantes com pequenas variações entre elas, atualmente o cliente final tem dificuldade em distinguir a diferença entre elas. No sentido de nos aproximar do cliente final, temos nosso premiado programa de fidelidade Best Western Rewards, que recebeu no ano passado três prêmios da Loyalty360, principalmente por proporcionar aos nossos hospedes a melhor relação qualidade-preço da indústria.

Além disso, a meu ver a grande diferença entre as redes também se dá no engajamento dos proprietários com a marca, serviços de suporte prestado pela rede e no comprometimento da rede com o resultado da propriedade, e não só na sua rentabilidade em si. No final das contas todos tem que ganhar para que a relação permaneça equilibrada entre proprietário, rede e operador.

R.HQuais são seus planos para a expansão da BWH Hotel Group no Brasil e qual será o modelo adotado?

R.MO nosso plano de expansão compreende tem três pilares básicos, são eles: Conversão de hotéis independentes; Parceria estratégica com operadoras hoteleiras; e Parceria com desenvolvedores para construção de novos hotéis.  O modelo jurídico que será adotado é o de sublicença de marca, neste caso o proprietário pode gerenciar seu próprio hotel ou contratar um operador terceiro para administrar a propriedade com todo o suporte da BWH. Essa é a modalidade de negócios que utilizamos em 100% dos nossos hotéis no mundo.

Uma de nossas vantagens é ter um olhar diferente para cada caso, respeitamos as características de cada mercado e a identidade de cada propriedade, buscamos o alinhamento de valores e interesses comuns com os proprietários de cada hotel. Por isso, tenho tranquilidade em afirmar que temos condições para oferecer uma solução adequada de marca e termos comerciais customizado para cada caso.

R.HA flexibilidade das marcas da BWH Hotel Group será um fator decisivo nessa expansão? Que marcas são mais flexíveis e adequadas para o cenário brasileiro?

R.MSem dúvidas, do ponto de vista da expansão, a flexibilidade das nossas marcas é um dos nossos diferenciais. Não só porque temos excelentes opções de soft-brands e brand collections, mas também porque temos marcas com padrões bem definidos que podem atender todo o perfil de propriedades, do luxo ao econômico, de lazer ao business, do tradicional ao lifestyle.

Acredito muito no potencial de expansão da WorldHotels com propriedades exclusivas e de luxo, na família de marcas da Best Western e nas nossas soft brands, BW Signature a BW Premier Collection.

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R.HComo você enxerga o potencial do mercado hoteleiro brasileiro? Tem destinos preferenciais para crescer?

R.MAcredito muito na retomado do segmento business neste ano. Com o fim das restrições da pandemia e com a volta dos eventos, o mercado de negócios em cidades com esta vocação deve atingir ou superar os números de 2019.

O segmento de Lazer apresentou resultados satisfatórios com a permanência do turista brasileiro aqui no país e com o trabalho e as aulas remotas. Devemos continuar atuando neste segmento até pela vocação e localização de alguns dos hotéis da rede, porém desde o ano passado temos atuado no estreitamento de relacionamento com operadores parceiros, clientes corporativos e grupos. Todos os nossos hotéis aqui no Brasil tem estrutura para atender tanto o turista a lazer quanto a negócios, com espaços adequados para eventos de pequeno a grande porte.

Temos recebido uma demanda muito forte de nossos clientes para destinos de negócio, por isso estamos buscando parceiros para avançar em cidades como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia e Belo Horizonte. Enxergamos um alto potencial de contribuição dos nossos canais nestas praças.

“O segmento de Lazer apresentou resultados satisfatórios com a permanência do turista brasileiro aqui no país e com o trabalho e as aulas remotas”

R.HQuais são as marcas da BWH Hotel Group presentes no Brasil e quais outras acredita que podem ser implantadas para serem bem competitivas?

R.MAqui no Brasil temos a WorldHotels Distinctive, Best Western Premier, BW Premier Collection e a Best Western.

Acredito muito na expansão das marcas que já temos aqui, principalmente da família Best Western que já tem um nome reconhecido e forte no mercado brasileiro, mas enxergo um enorme potencial para as nossas marcas Upper-upscale e de luxo da WorldHotels Collection (marca alemã adquirida pelo grupo em 2019).

Queremos trazer para o Brasil a nossa família de marcas econômicas, SureStay, e nossas família de marcas lifestyle, como GLO, Vib, Aiden e Sadie, já presentes na Europa e nos Estados Unidos.

Anunciamos recentemente a inauguração de um hotel da marca Vib em Tempe, Arizona (EUA), que tem um posicionamento lifestyle com uma pegada mais tecnológica, já são mais de 10 hotéis no Pipeline global em destinos como Cidade do Cabo na Africa do Sul, Denver no Colorado (EUA) e na ilha grega de Creta. Vejo cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba como destinos potenciais para essa marca.

R.HComo está a formação da equipe que vai te auxiliar nessa expansão e onde será a sede da empresa?

R.M A sede do grupo fica em Phoenix, estado do Arizona nos EUA, temos escritórios regionais espalhados nos principais continentes/regiões do mundo. O nosso escritório na América Latina está baseado na Cidade do México, porém temos uma equipe dedicada para vendas, suporte, qualidade e desenvolvimento aqui no Brasil e em outros países da América do Sul. Por conta da pandemia adotamos o modelo de trabalho remoto, estamos estudando a adoção do modelo híbrido para 2023 com um escritório aqui em São Paulo.

R.HNa sua opinião, quais são os principais gargalos para se desenvolver novos hotéis no Brasil? E como é feito isso em outros países?

R.MVejo como principal gargalo para desenvolvimento de novos hotéis no Brasil a falta de previsibilidade do segmento para o investidor. Sem um mínimo de segurança, desde o aspecto do modelo econômico-financeiro até sob o aspecto de legislação e regras, o investidor qualificado ou institucional não se sente atraído a investir aqui, ainda mais quando ele tem em seu leque de opções outros países com regras e modelos mais claros. Para usar um exemplo de desenvolvimento hoteleiro mais próximos da realidade brasileira, em países como o México e Colômbia existe a estruturação através do Fideicomiso. Esta modalidade se tornou um veículo de desenvolvimento hoteleiro robusto e transparente, com regras claras e regulação através de órgãos de controle destes países. No final das contas existe um comprometimento com a viabilidade do negócio e com a rentabilidade final dos participantes.

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R.H A pandemia mudou toda a economia mundial e novos destinos estão em alta. Isso de algum modo pode beneficiar o turismo no Brasil?

R.MExiste um espaço muito grande para o desenvolvimento sustentável do mercado de turismo no Brasil. Existem boas iniciativas de alguns grupos e associações neste sentido, porém ainda falta o comprometimento e políticas públicas adequadas para um crescimento de longo prazo do setor. O Brasil é um País que não enxerga o turismo e a hotelaria em si de forma estratégica, como é pensado em países como o México, somente para citar um país similar ao nosso. Não se trata apenas de estar ao lado de um polo gerador como os Estados Unidos, mas ter um olhar de toda a cadeia do turismo, que começa desde a base até o topo, com boa formação de profissionais da base (educação), formas de financiamento e regras claras para atração de investidores, estrutura tributária adequada, etc.

Para usar dados de antes da pandemia, a Argentina por exemplo recebeu 7,4 milhões de turistas estrangeiros em 2019 e o Brasil apenas 6,3 milhões, no entanto a Argentina investiu em 2017 cerca de 80 milhões de dólares em promoção internacional, quatro vezes mais que Brasil no mesmo período. Isso é resultado de uma série de medidas como redução de impostos para hotelaria, maior conectividade aérea e um esforço do Governo em fortalecer a indústria do turismo. Dentro da cadeia do turismo, a hotelaria é uma das que mais gera empregos diretos e indiretos, forma e treina profissionais e paga mais impostos. É importantíssimo aproveitarmos este momento de retomada do pós-covid e de eleições para revermos a estratégia do turismo no Brasil e colocarmos o setor na agenda dos próximos governos.

BWH Hotel Group enxerga grandes oportunidades no mercado brasileiro
O Best Western Premier em Maceió (AL) é uma das unidades da BWH Hotel Group no Brasil (Foto: Divulgação)

R.H Como você enxerga a BWH Hotel Group no Brasil nos próximos anos?

R.MEu enxergo um momento de crescimento bem interessante para nós aqui no Brasil. Depois deste período mais restrito da pandemia, estamos no momento de reestruturar o grupo aqui e buscar novos parceiros. Antes da pandemia, chegamos a ter mais de 20 hotéis aqui no Brasil, por isso vejo que temos muito potencial de crescimento no mercado, já temos uma marca experimentada aqui em nosso mercado, com um modelo que se adequa muito bem aos interesses do hoteleiro aqui.

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Edgar J. Oliveira

Diretor editorial - Possui 31 anos de formação em jornalismo e já trabalhou em grandes empresas nacionais em diferentes setores da comunicação como: rádio, assessoria de imprensa, agência de publicidade e já foi Editor chefe de várias mídias como: jornal de bairro, revista voltada a construção, a telecomunicações, concessões rodoviárias, logística e atualmente na hotelaria.

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