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Ameris cresce diante das oportunidades da hotelaria independente

Visando dar competitividade a hotelaria independente no Brasil, a Ameris iniciou as atividades em 2018. Utilizando o conceito soft brand e agregando o poder de vendas, de compra, padrões, procedimentos e tecnologia, hoje a Ameris já tem 350 hotéis afiliados com mais de 20.000 quartos. Está presente em todos os estados e em mais de 200 cidades brasileiras e presença no Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina.

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Ameris

Presença nos Estados Unidos e Europa também estão nos planos da Ameris que pretende consolidar ainda mais presença, tendo em vista que a hotelaria independente corresponde a 86% do mercado no Brasil. E quem está no comando da Ameris é Nuno Jesus, um português apaixonado por hotelaria. Ele está residente no Brasil desde 2014 e tem muita experiência profissional em seu curriculum já tendo atuado em todas as áreas de um hotel. Somado a isso, está a gestão de hotéis importantes em empresas nacionais e internacionais por onde passou, como: BHG, San Diego Hotéis e por último, na Nobile Hotels & Resorts onde atuou como Gerente Geral do Nobile Inn Pampulha. Confira nessa entrevista exclusivo com Nuno Jesus, CEO da Ameris, essas e muitas outras informações relevantes. 

Revista Hotéis — A Ameris foi apresentada ao mercado em 2018 com o slogan a versatilidade de um hotel independente com a força de uma rede. Esse mesmo foco se mantém ou ele foi aprimorado?

Nuno Jesus — A Ameris – rede de hotéis independentes, nasceu em 2018 e atualmente é a 3ª maior cadeia de hotéis do País, segundo o Relatório “Hotelaria em Números – Brasil 2022” da JLL. Segue se consolidando como a maior rede de hotéis independentes do Brasil, aumentando em 2022 o seu portfólio para 350 hotéis afiliados com mais de 20.000 quartos. Está presente em todos os estados e em mais de 200 cidades brasileiras. Isso permite maior alcance e abrangência de atendimento às demandas dos hóspedes, seja no B2B seja no B2C. A Ameris Hotéis também está presente no Uruguay, Paraguay, Chile e Argentina, seguindo seu plano de expansão e se consolidando como uma empresa internacional.

O conceito de soft brand da Ameris visa agregar vantagens competitivas aos hotéis independentes, entregando-lhes os pilares do sucesso do negócio hoteleiro: poder de vendas, poder de compra, padrões, procedimentos e tecnologia. Portanto, a Ameris segue com o mesmo foco e sempre inovando, a exemplo do lançamento em 2020 do seu braço tecnológico, lançando o Ameris Connect – solução tecnológica integrada, envolvendo PMS (front e Back), Channel Manager e Booking Engine, atrelado a criação de site para o hotel.

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R.H — Uma das principais ferramentas que a Ameris apresentava ao mercado no início de suas atividades era o GDS de distribuição das reservas do Sabre. Quais as vantagens dessa ferramenta? E quais são as vantagens de um hotel independente fazer parte da Ameris?

N.J — Uma das principais atividades da Ameris é o GDS (Global Distribuction Systems), um canal corporativo acessado por mais de 450 mil agências de viagens ao redor do mundo. Nós somos o único reseller do Sabre no Brasil, por isso, conseguimos oferecer o GDS para hotéis independentes, de pequeno, médio e grande porte, sem custos fixos e com comissões menores do que os praticados pelas OTAs, por exemplo. Nosso diferencial inclui toda a tecnologia do canal, envolvendo desde a equipe de implantação, distribuição e suporte. Importante salientar que um dos diferenciais da Ameris é que temos executivos de vendas realizando um trabalho focado em aumentar a visibilidade do nosso GDS junto as grandes agências de viagens corporativas, captando RFPs de empresas com demanda diversificada e fortalecendo o relacionamento comercial com os grandes players corporativos do mercado.

R.H — O que o levou a aceitar o desafio de assumir o comando da Ameris? Que bagagem profissional e acadêmica trouxe e quais mudanças implementou com sua chegada ao cargo de CEO?

N.J — Sou natural do Porto – Portugal e residente no Brasil desde 2014. Sou apaixonado pela hotelaria e em minha trajetória profissional, atuei em todas as áreas de um hotel o que me agregou ampla experiência para a gestão de hotéis importantes em empresas nacionais e internacionais pelas quais passei, como: BHG, San Diego Hotéis e por último, na Nobile Hotels & Resorts onde atuei como Gerente Geral do Nobile Inn Pampulha. Tenho formação em processos gerenciais com MBA em gestão empresarial.

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O que me levou a aceitar o desafio de assumir o comando da Ameris foi além do crescimento pessoal e profissional, o objetivo do projeto de fortalecer a hotelaria independente, com oportunidade de realmente fazermos a diferença e da conquista de novos horizontes a este importante segmento. A hotelaria independente corresponde a 86% do mercado hoteleiro no Brasil e é muito empolgante e enriquecedor para mim poder contribuir com estes parceiros, entregando poder de vendas, poder de compras, padrões e procedimentos e tecnologia. Junto ao meu time, daremos continuidade ao processo de expansão da companhia, consolidando a marca não apenas no mercado brasileiro, como também na América Latina.

“A pandemia da COVID-19 criou condições favoráveis para nosso crescimento, pois muitos hotéis estavam no negativo ou fechado e apresentamos proposta sem custos fixos de implantação e sem fidelização” 

R.H — Por ser uma rede de hotéis independentes foi mais fácil absorver os impactos da pandemia da COVID-19? Como tiveram que superar as adversidades e que lições a Ameris tirou da pandemia?

N.J — A pandemia acabou criando oportunidades e ajudando na afiliação de mais hotéis para nosso portfólio, justo porque nós agregamos soluções e canais de distribuição aos hotéis potencializando receitas através de prateleiras onde não estavam presentes. Era o que os hotéis mais estavam precisando naquele momento. Os hotéis estavam no negativo, muitos fechando. E a nossa proposta foi apresentada sem custos fixos, de implantação e sem fidelização. O hotel poderia entrar e, se acontecesse alguma coisa, não tinha o risco de ficar amarrado a um contrato duro, como é o caso das redes hoteleiras tradicionais.

Juntos, a Ameris e os hoteleiros, superamos as adversidades ficando ainda mais próximos e com o relacionamento fortalecido. Vimos outras grandes empresas hoteleiras e fornecedores sendo intransigentes na negociação e como a Ameris oferece uma solução completa em um único plug, ganhamos terreno e ficamos ainda mais perto dos nossos parceiros. Nós dependemos do hotel independente e o hotel independente confia na Ameris. É uma parceria.

Sempre consideramos que o afiliado é um parceiro, nós só ganhamos depois que ele ganha. Nós entregamos a tecnologia, assumimos esse custo e fazemos com que o hotel seja realmente visto, vendido, para assim nós sermos remunerados. Então, a pandemia diminuiu a receita dos hotéis, o que os fez simpáticos a propostas de empresas que pudessem agregar mais receita sem impactá-los em custos fixos. Portanto, para nós, a pandemia reforçou ainda mais a importância da relação ganha-ganha que sempre foi um dos nossos baluartes. 

R.H — Quais são os principais desafios para se manter competitivo, tendo em vista que o pós-pandemia acirrou ainda mais a concorrência no setor hoteleiro.

N.J — Procuramos vender a melhor solução com o melhor custo e eficiência aos hotéis independentes. Nossa qualidade é elevada e os resultados sempre são percebidos pelos hotéis. A solução ideal depende da especificidade do hotel. Você não vai vender a mesma solução para um resort, para um condo-hotel ou para uma pequena pousada. Temos sensibilidade para entendermos as reais necessidades do hoteleiro. Queremos manter bons relacionamentos e isto se evidencia na renovação dos contratos em 98% dos hotéis que se associaram à Ameris.

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Precisamos sempre manter os nossos compromissos com nossos parceiros, dentre eles, agregar receitas para o hotel, qualidade do suporte, distribuição dos canais com integração e conectividade, sistemas de tecnologia atualizados e equipe bem treinada e pronta para atender o cliente. 

R.H — Quantos hotéis independentes vocês já têm associados? E quais são os critérios que adotam para um meio de hospedagem se tornar associado?

N.J — Hoje a Ameris possui em seu portfólio mais de 350 hotéis, somando mais de 21.000 quartos e presente em todos os estados do Brasil e no Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina. Os critérios que adotamos para um hotel ou pousada se tornar associado, são: ter uma qualificação mínima nos requisitos básicos de um hotel, pesquisamos a região em que o hotel está situado para analisarmos se os nossos canais de vendas realmente vão agregar receitas ao hotel e verificamos a reputação online.

“Possibilitamos ao hotel estar na vitrine, disponível e integrado aos diversos canais de vendas do mercado, com um custo-benefício extraordinário”

R.H — Tendo em vista que cerca de 80% da hotelaria nacional é independente, como você analisa o crescimento da Ameris nos próximos anos?

N.J — O hoteleiro, muitas vezes, não tem acesso à tecnologia de ponta e a alguns serviços considerados de custo elevado para um hotel independente. Assim, nós fornecemos essas tecnologias. Nós fornecemos o GDS, que é um canal de distribuição. Por meio da Ameris Connect, que é um braço da Ameris, nós oferecemos uma solução tecnológica completa, com um channel manager totalmente integrado ao PMS. Nós fazemos a construção do site, oferecemos um PMS completo, com front, com back, parte contábil e fiscal, com módulo de condomínio, no caso dos apart hotéis, e assim, nós agregamos venda ao hotel e a possibilidade de uma melhor gestão. Possibilitamos ao hotel estar na vitrine, disponível e integrado aos diversos canais de vendas do mercado, com um custo-benefício extraordinário e por isso acreditamos que o potencial de crescimento da Ameris nos próximos anos é bastante promissor. 

R.H — Em 2019 a Ameris lançou um plano expansão na América Latina. Como se encontra esse plano?

N.J — Lançamos o plano de expansão na América Latina em 2019 e hoje a Ameris já está presente em cinco países, Brasil, Uruguai, Paraguai, Chile e Argentina, portanto, a pleno vapor. Temos uma equipe de desenvolvimento focada nos países Latam e temos excelentes perspectivas de crescimento para os próximos anos. Além da Latam, estamos motivados em trabalhar a expansão da Ameris nos Estados Unidos e na Europa. 

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R.H — Como você tem experiência na hotelaria de Portugal, quais as diferenças que você enxerga em relação a hotelaria do Brasil?

N.J — O Brasil é um mercado muito maior do que Portugal, referente ao número de hotéis, isso é fato. A hotelaria de Portugal é mais tradicional que a brasileira, por isso, tem mais foco nos serviços prestados ao hóspede do que a hotelaria brasileira. Atualmente o turismo em Portugal se encontra em alta e o envolvimento do poder público em conjunto com os hoteleiros para divulgação do destino é forte, e acabamos não vendo isso aqui no Brasil, num formato tão profundo. Contudo, em termos de tecnologia adotada e aplicada na hotelaria, o Brasil se encontra em minha opinião na frente do país irmão. 

R.H — Quais os principais gargalos que enxerga na hotelaria brasileira. A falta de mão de obra preocupa?

N.J — O Brasil é um dos países de maior potencial turístico do mundo, porém ainda com algumas dificuldades, por tratar-se de um país de dimensões continentais e com muita desigualdade social. Mesmo assim, nos últimos anos, muitos hoteleiros estão dispostos a investir e inovar em seus negócios usando novas tecnologias criadas para ajudar as acomodações a crescer, evoluir, atrair mais hóspedes e aumentar seus lucros. A falta de mão de obra preocupa sim, muitos profissionais da hotelaria mudaram de ramo durante a pandemia, porém, na Ameris investimos sempre nas pessoas, através de treinamentos, qualificações e avaliações de desempenho, por isso, esse fator não tem nos impactado de forma expressiva.

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Edgar J. Oliveira

Diretor editorial - Possui 31 anos de formação em jornalismo e já trabalhou em grandes empresas nacionais em diferentes setores da comunicação como: rádio, assessoria de imprensa, agência de publicidade e já foi Editor chefe de várias mídias como: jornal de bairro, revista voltada a construção, a telecomunicações, concessões rodoviárias, logística e atualmente na hotelaria.

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