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Próxima temporada promete mar calmo para os cruzeiros marítimos

A última temporada de cruzeiros marítimos no Brasil (2019/2020) injetou R$ 2,24 bilhões para a economia nacional e gerou cerca de 34 mil empregos. Os dados da temporada de 2021/2022 (que termina dia 18 de abril) ainda não foram consolidados, mas é certo que a pandemia da COVID-19 trouxe um grande impacto negativo, pois os navios ficaram praticamente parados a maior parte do tempo. Estima-se, conforme estudo da CLIA Brasil em parceria com a FGV, que cada navio gera em torno de R$ 350 milhões de impacto para a economia brasileira. A cada 13 cruzeiristas, um emprego é gerado.

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E mesmo na pandemia, viajar de cruzeiros é seguro, desde que se tome as medidas de segurança. De um total de aproximadamente 130 mil passageiros transportados, entre 5 de novembro e 3 de janeiro de 2021, cerca de 1.100 casos foram confirmados, o que representa menos de 1% do total das pessoas atendidas (incluindo hóspedes e tripulantes). A temporada 2022/2023 já possui oito navios confirmados e as perspectivas de retomada desse setor vital para o turismo são muitos boas. Confira nessa entrevista com Marco Ferraz, Presidente da CLIA Brasil – Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos.

Revista Hotéis – Quais foram os impactos que a pandemia da COVID-19 trouxe para os cruzeiros marítimos?

Marco Ferraz – Ainda não temos esses dados consolidados do Brasil, mas os cruzeiros foram um dos setores mais afetados pela pandemia e os desafios são diários. Passamos por diversos momentos difíceis com responsabilidade, resiliência e muito trabalho focado nas pessoas, no meio ambiente, no compliance e nas comunidades. Esse foi o principal ponto de trabalho da CLIA e seus membros desde o início da pandemia da COVID 19. Com medidas respaldadas por médicos, cientistas e especialistas, sempre aptas a adaptações de acordo com o cenário e com as exigências de cada país, nossa indústria atravessou os dias desafiadores e, hoje, contabiliza mais de seis milhões de cruzeiristas embarcados em todo o mundo, desde a retomada das operações em julho de 2020.

Próxima temporada promete mar calmo para os cruzeiros marítimos

R.H – As medidas tomadas pelo Governo federal foram suficientes para amenizar os danos provocados pela pandemia ou faltou atenção ao setor?

M.F – São muitos os pleitos, mas o Ministério do Turismo tem sido grande parceiro do setor de turismo e de cruzeiros, principalmente no trabalho em prol da Temporada de Cruzeiros, tanto para que ela fosse aprovada e iniciada em novembro de 2021, quanto recentemente, no esforço conjunto para que ela continuasse seu curso, gerando milhares de empregos e trazendo impactos bilionários para a economia do Brasil. Também posso citar outros pleitos como medidas Provisórias que ampararam o trade, além da redação da MP do IRRF – uma importante pauta que está em andamento.

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R.H – O que representa o setor de cruzeiros marítimos no Brasil? Qual é o volume de negócios gerados e empregos?

M.F – No Brasil, a última temporada (2019/2020) trouxe um impacto de R$ 2,24 bilhões para a economia nacional e gerou cerca de 34 mil empregos, envolvendo uma extensa cadeia de setores, entre eles comércio, alimentação, transportes, hospedagem, serviços turísticos, agenciamento, receptivos e combustíveis, entre muitos outros. Estima-se, conforme estudo da CLIA Brasil em parceria com a FGV, que cada navio gera em torno de R$ 350 milhões de impacto para a economia brasileira. A cada 13 cruzeiristas, um emprego é gerado. Ainda não temos os dados desta temporada.

 Próxima temporada promete mar calmo para os cruzeiros marítimos

R.H – No último dia 5 de março recomeçou a temporada de cruzeiros marítimos no Brasil. Até quando vai durar essa temporada, quanto e quais serão os navios operando, os roteiros e os destinos?

M.F – A temporada acontece até 18 de abril, com quatro navios. Serão 19 roteiros que passarão por oito destinos dos Estados de Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, incluindo Balneário Camboriú, Itajaí, Porto Belo, Santos, Ilhabela, Rio de Janeiro, Angra dos Reis/Ilha Grande e Búzios, que estão totalmente alinhados para implementar rigorosos protocolos de segurança que valorizam a saúde das pessoas e garantem a alta qualidade das experiências oferecidas aos cruzeiristas.

“Os cruzeiros marítimos seguem rigorosos protocolos de segurança sanitária para evitar contaminação”

R.H – A temporada já havia começado, mas em razão de alguns casos detectados de COVID-19 a bordo de alguns navios, as operações foram suspensas e gerou transtornos aos passageiros. Como foi equacionado isso? 

M.F – Dada o alto nível dos protocolos e a taxa excepcionalmente alta de vacinação exigida a bordo, a incidência de doenças graves é drasticamente menor do que em terra, e as hospitalizações têm sido raras. De um total de aproximadamente 130 mil passageiros transportados, entre 5 de novembro e 3 de janeiro de 2021, cerca de 1.100 casos foram confirmados, o que representa menos de 1% do total das pessoas atendidas (incluindo hóspedes e tripulantes).

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R.H – Quais são as medidas de segurança sanitária que estão sendo tomadas para evitar novamente a contaminação dos passageiros e o risco de ter que parar a operação novamente?

M.F – Os cruzeiros são o único segmento do turismo que exige uma abordagem robusta em várias camadas aos protocolos de saúde e segurança que abrangem toda a experiência – incluindo testes negativos antes do embarque; testes regulares da tripulação; um ambiente onde quase todas as pessoas são vacinadas; limpeza contínua de todos os espaços públicos e quartos de hóspedes/tripulação; uso de máscaras, distanciamento social, ventilação e outras medidas que especialistas em saúde pública de todo o mundo endossaram. Como resultado, a incidência de COVID-19 a bordo de navios de cruzeiro é uma fração do que ocorre em terra e as hospitalizações são extremamente raras. Nas excepcionais ocasiões em que é necessário tratamento médico para passageiros ou tripulantes, os navios de cruzeiro têm instalações médicas, de isolamento e quarentena no local e planos de resposta abrangentes usando recursos privados em terra para evitar qualquer ônus para os portos ou comunidades.

Próxima temporada promete mar calmo para os cruzeiros marítimos

Protocolos vigentes no Brasil
  • Vacinação completa obrigatória para hóspedes e tripulantes (elegíveis dentro do Plano Nacional de Imunização).
  • Testagem pré-embarque (PCR até três dias antes ou Antígeno até um dia antes da viagem).
  • Testagem frequente de, pelo menos, 10% dos hóspedes e tripulantes.
  • Capacidade reduzida a bordo para facilitar o distanciamento social de 1,5m entre grupos e permitir a distribuição de cabines reservadas para isolar casos potenciais.
  • Uso obrigatório de máscaras.
  • Preenchimento de formulário de saúde pessoal (DSV – Declaração de Saúde do Viajante).
  • Ar fresco sem recirculação, desinfecção e higienização constantes.
  • Plano de contingência com equipe médica especialmente treinada e estrutura com recursos modernos para atendimento de hóspedes e tripulantes.
  • Medidas de rastreabilidade e comunicação diária com a ANVISA, Municípios e Estados.
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“A temporada 2022/2023 já possui oito navios confirmados e com isso, ultrapassaremos os níveis de 2019 com embarcações maiores e navegando por mais tempo”

R.H –Como essa temporada está começando somente no mês de março, o que se pode esperar? Já será um alento para o setor iniciar a recuperação? E o que espera a temporada de 2023?

M.F – Até o dia 18 de abril, esperamos embarcar muitos cruzeiristas. Teremos os dados oficiais no estudo da Temporada, que lançamos em agosto. A temporada 2022/2023 já possui oito navios confirmados. Com isso, ultrapassaremos os níveis de 2019 – com embarcações maiores e navegando por mais tempo – apenas uma temporada depois da pandemia. A MSC confirmou cinco navios e a Costa terá três embarcações dedicadas ao Brasil e outros dois navios farão rotas de longo curso que passarão por aqui.

Próxima temporada promete mar calmo para os cruzeiros marítimos
O MSC Seaside é um dos navios cruzeiros que estão participando da temporada 2021/2022 no Brasil (Foto: Divulgação)

R.H – Quais são os principais gargalos enfrentados pelos cruzeiros marítimos para crescer ainda mais no Brasil? A infraestrutura é compatível? E quais são os pleitos da CLIA Abremar juntos as autoridades?

M.F – Tivemos e temos muitos desafios para tornar o Brasil atrativo para diversas companhias do mundo. A infraestrutura é um dos principais focos do trabalho da CLIA, para que o Brasil seja cada vez mais atrativo para os cruzeiristas e para as companhias marítimas. Continuamos nossos esforços neste sentido e, também, na busca por novos destinos com boa infraestrutura – Penha e Ilha do Mel são alguns que estão em estágio avançado nas tratativas.

Sabemos que existe um longo caminho pela frente, mas já contabilizamos recentes avanços. Por exemplo, nesta temporada vigente, já pudemos contar com cinco portos de embarque: Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Itajaí e Maceió (este último com um terminal recém-inaugurado). Queremos mais e sabemos do nosso enorme potencial a ser explorado. Temos 42 Companhias Marítimas e todas estão aptas para vir para cá. Até 2027, entrarão em operação 93 novos navios e eles precisarão de destinos. Estamos fazendo nosso trabalho que o Brasil seja um candidato para recebê-los, se possível, e assim ampliar a oferta para os cruzeiristas brasileiros.

R.H – Os cruzeiros marítimos eram muito ligados a glamour e só viajava a classe alta, mas se popularizou no Brasil e hoje uma gama grande de pessoas podem desfrutar desse que muitas vezes é um sonho. Com foi essa “virada de chave” e como o setor se prepara para reinventar agora diante do receio que muitas pessoas ainda têm de aglomerações por causa da pandemia?

“Nossa indústria atravessou os dias desafiadores e, hoje, contabiliza mais de seis milhões de cruzeiristas embarcados em todo o mundo”
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M.F – Os Cruzeiros, além de serem uma viagem segura, continuam com a vantagem de aliar custo, benefício, segurança e muito entretenimento em um mesmo produto.

Eles englobam, de uma só vez, transporte, hospedagem, entretenimento, alimentação e uma vista diferente a cada dia, tudo em um mesmo pacote. É a garantia de uma viagem tranquila e completa, e a certeza de todos – famílias, solteiros, casais e amigos – tenham momentos de diversão, independente do perfil. Além disso, caminhamos todos juntos. Nossos estudos revelam que quase 92% dos cruzeiristas deseja realizar uma nova viagem de cruzeiro, e 87% querem retornar ao destino de escala, índice que reforça o papel da viagem de cruzeiro como uma vitrine para os viajantes conhecerem diversos destinos de maneira dinâmica e voltarem em um outro momento. Sobre uma possível insegurança por parte das pessoas, os embarques que estão acontecendo com sucesso são um exemplo.

Com medidas respaldadas por médicos, cientistas e especialistas, sempre aptas a adaptações de acordo com o cenário e com as exigências de cada país, nossa indústria atravessou os dias desafiadores e, hoje, contabiliza mais de seis milhões de cruzeiristas embarcados em todo o mundo, desde a retomada das operações em julho de 2020. Seguimos reforçando o alto grau de segurança das viagens, que é comprovado a cada novo embarque realizado com sucesso pelos quatro cantos do mundo e, inclusive, no Brasil. Além disso, nosso trabalho segue com muito critério para que as experiências que oferecemos continuem sendo memoráveis.

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R.H – Qual futuro você enxerga para os cruzeiros marítimos em relação a sustentabilidade?

M.F – Nosso presente e nosso futuro também são pautados pela responsabilidade ambiental. Embora os cruzeiros tenham sido um dos setores mais afetados pela pandemia, as Companhias continuam se destacando no desafio de desenvolver novas tecnologias ambientais que beneficiem toda a indústria de navegação e mais de 23,5 bilhões de dólares estão sendo investidos nisso. De acordo com um recente estudo lançado pela CLIA Global, os membros da entidade têm a meta de reduzir as emissões de carbono em 40%, até 2030, e zerá-las até o ano de 2050. Além disso, quatro navios movidos a GNL (gás natural liquefeito) foram lançados recentemente e outras 22 embarcações foram pedidas ou estão em construção.

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Edgar J. Oliveira

Diretor editorial - Possui 31 anos de formação em jornalismo e já trabalhou em grandes empresas nacionais em diferentes setores da comunicação como: rádio, assessoria de imprensa, agência de publicidade e já foi Editor chefe de várias mídias como: jornal de bairro, revista voltada a construção, a telecomunicações, concessões rodoviárias, logística e atualmente na hotelaria.

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