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Polite and Kind: Dois lados de uma mesma face

Artigo de Rhaxwell Santos*

As pessoas se diferenciam pela sua índole, isso é fato. Quem vale a pena de verdade não tem preço. Segregar pessoas por estereótipos é pobre e criminoso, achar que alguém vale mais do que outro pelo que tem é imoral. Qualquer um pode ter dinheiro, isso realmente não faz de ninguém uma pessoa melhor, apesar de todos os acessos que o dinheiro pode proporcionar. Porém a construção da representação do individuo junto a sociedade se dá por ações que refletem pensamentos, valores e crenças, e essas são dificilmente mudadas, mas podem muito bem ser medidas.

Por isso, é importante entender que palavras, discursos ou frases feitas não definem o ser. O “copiar e colar” largamente adotado por muitos nas redes sociais, pode até sustentar temporariamente um perfil “fake” no Facebook ou até mesmo no Linkedin, mas não tem efeito pratico e tampouco funciona na vida real. Assim sendo, o profissional, seja ele empresário ou funcionário de qualquer nível hierárquico, se mostrará nos detalhes, uma hora ou outra. E, ao contrário do que alguns podem pensar, educação não é gentileza e competência não quer dizer solicitude, existe uma grande diferença entre saber fazer e querer fazer.

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Na língua inglesa existem dois termos que fazem muito bem tal distinção, são eles “polite e kind”. O primeiro tem por definição o indivíduo “educado”, mas a educação é técnica, ou seja, são os códigos de conduta aprendidos em família, nas escolas, no convívio, na vida. São fundamentais e têm alto valor, já que nos diferencia dos aculturados, ignorantes e afins. Mas a outra categoria refere-se ao que transcende a educação e vai além da técnica aprendida, é algo nato, que denota a natureza da pessoa, é dar mais do que se espera, é colocar-se no lugar, é preocupar-se com o outro, querer fazer melhor para proporcionar o bem-estar, é a diferença em ser atendido com um automático “pois não” e com um verdadeiro “posso ajudar?” É sutil, mas apesar de ser um encontro fugaz, momentâneo, pode tornar essa rápida relação em algo verdadeiro.

Abrindo um parêntese pessoal nessa narrativa, lembro um ensinamento de um competente cientista, que também é um sentimental poeta e músico, meu sogro Brandão, quando me disse há algumas décadas, ao pedir que ele me desse aulas de violão, ouvi direta e assertivamente: “violão não se ensina, violão se aprende”. Reconheci naquele momento minhas limitações e guardei comigo as frustrações de quem ainda hoje desafina até batendo palma. Embora não tenha aprendido a tocar, admiro profundamente e reconheço o valor de quem o faz (sem, no entanto, invejar). Esse exemplo mostra que, com empenho, poderia aprender a técnica, mas não carrego em minha natureza o dom.

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Voltando ao cerne da questão, podemos perceber que o real sentido do “kind”, a despretensiosa gentileza, a natural e espontânea solicitude solidária venha de berço, ou pode-se dizer que está “gravada no DNA”. Alguns povos e sociedades parecem trazer isso mais aflorado, agem assim de forma natural, espontaneamente.

Acredito que o brasileiro tenha essa veia, corre em seu sangue a intenção de ser “legal” (talvez isso justifique o enorme número de brasileiros bem adaptados e de sucesso nos quatro cantos do mundo), no entanto deve-se ter o máximo cuidado ao traçar esse caminho, pois atravessar essa fronteira e se tornar piegas não é algo raro. É o ponto que difere um atendimento solícito do forçado excesso de intimidade, com os “meu amor” e “minha querida”, quando não ao extremo dos toques e aproximações demasiadas.

Percebam que esse comportamento independe de classe social ou condição intelectual, mas quando instrumentalizamos esse “cara”, aliamos essa natureza gentil e o tornamos também “polite” (pois, como já dissemos, a educação técnica é fundamental e está disponível a quem quiser buscá-la, até mesmo gratuitamente e de forma on-line). Temos então um individuo fora da curva, que pode ser um encantador de clientes, aquele tipo que faz o consumidor voltar não apenas pelo produto, e sim pela personificação do bom atendimento, onde esse momento se torna uma “experiência”. Quando identificado, essa “joia” deve a todo o custo ser retida pela empresa.

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Por mais que se esforcem algumas pessoas, mesmo sendo altamente capacitadas, treinadas e preparadas, dificilmente sustentarão tais características sem definitivamente tê-las. Não que a educação não seja fundamental e a simpatia (que difere da empatia) não tenha seu valor. Se você consegue perceber essa sutil diferença, entendeu bem o que dissemos.

Mas, como estamos falando em pessoas, esse tipo de comportamento se reflete na vida pessoal de cada um. Nesse caso, “ser” é um patrimônio muito maior que apenas o “ter”. Não pretendo fazer uma ode à humildade, apesar de valorizar sua importância, tampouco quero exaltar a submissão, o que ressalto é que a dignidade é imprescindível em todas as relações humanas. Sugiro prestar atenção naqueles que o rodeiam, sobretudo em corriqueiros detalhes, como por exemplo a forma com que o outro trata o garçom que lhe serve. É um momento decisivo: já presenciei várias “máscaras” caírem em situações assim. Esse é um bom termômetro para se perceber quem vale a pena ter ao lado ou não.

*Rhaxwell Santos é CEO da Estrela do Sucesso, Fundador da Constellation Story, Developer em fundos de investimentos no Brasil e Portugal, Gestor, Hoteleiro, Professor universitário e formador de equipes vencedoras.  Contato – rhaxwell@estreladosucesso.com

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