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Os desafios dos resorts se reinventarem para sobreviverem à pandemia

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Marcelo Picka Van Roey assumiu recentemente a presidência da Resorts Brasil e ouvindo as necessidades dos associados, sua gestão terá três frentes de trabalho: Crescimento da associação, como forma de melhorar a representatividade do setor e fortalecer nosso papel no mercado; Disseminação de conteúdo sobre inovação no turismo e o incentivo as práticas de sustentabilidade no setor.

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E dentro da disseminação de conteúdo, está o Radar Resorts Brasil, um relatório trimestral que visa fornecer informações relevantes sobre o setor de resorts ao mercado e aos resorts associados. O conteúdo tem como objetivo contribuir para a tomada de decisão nos resorts brasileiros, ajudar no acompanhamento do desempenho dos empreendimentos e colaborar com o desenvolvimento estruturado do setor.

A busca da valorização dos profissionais do setor, diminuindo a rotatividade e trazendo continuidade e qualidade aos padrões de um hotel é uma das preocupações de Marcelo, assim como a falta de funding para desenvolvimento de projetos. Confira a seguir nessa entrevista exclusiva.

Revista Hotéis O que o motivou a assumir a Presidência da Resorts Brasil? E qual bagagem profissional apresenta para esse novo desafio profissional?

Marcelo Picka Van Roey – Assumir mais esse desafio, sobretudo após dois anos extremamente difíceis para o turismo, foi motivado pela oportunidade ímpar que os resorts tem em seguir contribuindo para o fortalecimento do setor e para desenvolvimento econômico e social nas diversas regiões do País.

Desde a sua fundação, há 20 anos, a Resorts Brasil direcionou esforços na divulgação e promoção do segmento, ao evidenciar os diferenciais dos resorts. Os resorts são produtos completos, um destino, e inseridos em área privilegiadas ao estarem em meio à natureza. Estes aspectos já eram reconhecidos e com a pandemia tornaram-se ainda mais valorizados. Assim, um grande desafio que me motiva é dar continuidade nas ações comerciais, alinhadas ao novo contexto que vivemos.

Por fim, a missão de dar continuidade ao belo trabalho realizado nos últimos anos também foi uma das molas propulsoras dessa decisão. Mesmo durante a pandemia, a Resorts Brasil mostrou-se muito atuante e hoje é sem dúvida um dos fortes representantes do setor frente ao poder público, parceiros e demais players. Participei da gestão passada como VP Institucional e pude acompanhar de perto a intensidade que o Sérgio Souza e a Ana Biselli Aidar imprimiram na associação. Por sorte, e também como ponto importante, mantivemos a mesma diretoria e a presidente executiva e pretendemos colocar em prática tudo que havíamos planejado para o biênio anterior, antes de iniciar a crise sanitária que enfrentamos. Temos muito trabalho pela frente mas sabemos que a equipe, diretoria, conselheiros e associados darão conta do recado, como sempre.

“Seguiremos lutando, junto com outras associações, em diferentes temas como forma de ajudar o setor de turismo a se fortalecer como setor produtivo”

R.H – Quais são seus planos frente a entidade e os principais pleitos que pretende defender em prol dos resorts?

M.P.V.R – Ao longo de nossos 20 anos de história, a Resorts Brasil foi muito importante para o desenvolvimento e fortalecimento do segmento de resorts e ainda há muitos planos pela frente. Meu papel será de ouvir as necessidades dos associados e tentar conduzir da melhor forma possível os projetos que fazem mais sentido nesse momento. Em nossa última assembleia, realizada em novembro de 2021, buscamos entender quais deveriam ser as prioridades dos projetos da Resorts Brasil para 2022. Os associados levantaram três frentes importantes: (1) crescimento da associação, como forma de melhorar nossa representatividade do setor e fortalecer nosso papel no mercado; (2) disseminação de conteúdo sobre inovação no turismo e (3) disseminação de conteúdo e inspiração incentivando as práticas de sustentabilidade no setor. Nós almejamos que os resorts assumam cada vez mais o papel de agentes de transformação em suas localidades. Vamos fortalecer nossa atuação nestas frentes, além de dar sequência em outros projetos que já temos trabalhado na Resorts Brasil, como, por exemplo, os projetos da área comercial.

No que diz respeito aos pleitos junto ao Governo, seguiremos lutando, junto com outras associações, em diferentes temas como forma de ajudar o Setor de Turismo a se fortalecer como setor produtivo e consequentemente conseguir ampliar a geração de renda e emprego em nosso país. Para ajudar nessas pautas governamentais, teremos o apoio fundamental do Sérgio Souza, nosso atual Vice Presidente de Relações Institucionais, que desempenhou um importante papel como Presidente da Resorts Brasil em 2020 e 2021.

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R.H – Quais os critérios que a Resorts Brasil adota para ter um associado? E como pretende expandir?

M.P.V.R – Para ser um empreendimento associado à Resorts Brasil, existem alguns critérios que buscam uniformizar o perfil do associado. O empreendimento deve ser de fato um resort, ou seja, um produto hoteleiro completo e diversificado. Na última assembleia, buscamos modernizar o processo de afiliação de novos associados. A atualização do procedimento visa agilizar o processo de entrada de mais resorts, mas mantendo o rigor o critério estabelecido por meio da matriz de classificação da Resorts Brasil.

Seguimos como base a definição de resort estabelecida pela associação e a matriz de classificação, que é bem abrangente e leva em conta diferentes quesitos dos empreendimentos, tais como: posturas legais, segurança, saúde e higiene, atendimento ao hóspede, estrutura e qualidade de quartos, áreas sociais, áreas de alimentação, lazer, entretenimento e ações ambientais. Os resorts que tiverem interesse em conversar conosco para obter mais informações de afiliação, podem entrar em contato conosco através do e-mail pesquisa@resortsbrasil.com.br.

“Os resorts tiveram suas dificuldades e precisaram se reinventar para sobreviver a pandemia da COVID-19”

R.H – Qual foi o impacto da pandemia da COVID-19 nos resorts brasileiros ano passado? Por se tratar de um segmento essencialmente de lazer, a retomada já aconteceu plenamente e a taxa de ocupação e diária média já se recuperaram?

M.P.V.R – Nos últimos dois anos, o impacto da pandemia foi bastante significativo não só nos resorts, mas em todos os integrantes da cadeia de turismo. Entendo que todos os empreendimentos tiveram suas dificuldades e precisaram se reinventar para sobreviver. O ano de 2020 foi muito complicado para a maior parte dos resorts e, embora 2021 tenha apresentado um aquecimento do movimento, todos estão longe de recuperar as perdas do ano anterior. Como forma de ajudar o setor de resorts a obter dados mais estruturados sobre o desempenho, lançamos em dezembro o Radar Resorts Brasil – informativo trimestral que traz diferentes informações do setor, feito em parceria com as empresas: JLL, Review Pro, Senac e STR.

Na primeira edição do Radar, segundo os dados fornecidos pela STR, apuramos que, de janeiro a setembro de 2021, os resorts tiveram uma ocupação média de 43%, ainda 20% abaixo do desempenho do mesmo período de 2019. Com relação a receitas, analisando o TREVPAR de janeiro a setembro de 2021, ficamos ainda 5% abaixo do desempenho de 2019. Vale lembrar ainda que além da queda de demanda provocada pela pandemia, o país vivenciou um cenário de inflação de custos nesses últimos dois anos, o que prejudica também os resultados dos empreendimentos. Os dados dessa primeira edição do Radar, que está disponível em nosso site, mostram um retrato dos três primeiros trimestres do ano. O Radar fica disponível em nossa página, www.resortsbrasil.com.br/estatisticas.

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21 anos Revista Hotéis

R.H – Na sua opinião, o pior momento da pandemia da COVID-19 já passou ou a nova variante ômicron e a influenza preocupa? Existe risco de voltar as restrições?

M.P.V.R – Temos acompanhado aqui no Brasil e em outros países, essa variante parece ter uma disseminação mais rápida, porém com efeitos mais leves. Entendo que as restrições podem voltar a acontecer pontualmente, caso haja sobrecarga no sistema de saúde de algumas localidades, mas é algo que é difícil de afirmar, pois cada prefeitura pode tomar suas decisões. O Brasil está avançado em vacinação, mas não estamos ainda imunes ao contágio, então, temos visto impactos na cadeia de turismo com clientes e profissionais do setor se infectando. Por isso, até o momento, temos visto nos resorts um impacto em reagendamentos de eventos e hospedagens, mas não em cancelamentos como vimos no início da pandemia. A procura permanece em bons níveis. Dentro dos resorts, seguimos mantendo os protocolos de higiene e segurança para atender os hóspedes.

Os desafios dos resorts de se reinventarem para sobreviverem à pandemia

O Radar será um importante ferramenta para análise do setor de resorts no Brasil (Foto – Divulgação)

R.H – Voltando a questão do lançamento do “Radar Resorts Brasil”. O que objetiva esse relatório? Esse é um passo para a partir de agora termos dados seguros e confiáveis do setor?

M.P.V.R – Ficamos muito felizes com o lançamento do Radar Resorts Brasil. Trata-se de um relatório trimestral que visa fornecer informações relevantes sobre o setor de resorts ao mercado e aos resorts associados. O conteúdo tem como objetivo contribuir para a tomada de decisão nos resorts brasileiros, ajudar no acompanhamento do desempenho dos empreendimentos e colaborar com o desenvolvimento estruturado do setor. No Radar, reunimos dados e informações sobre temas como economia, aviação e atualizações sobre a situação da pandemia de COVID-19. Além disso, traz um panorama completo sobre os resorts brasileiros, além de dados sobre a reputação online e o desempenho dos empreendimentos por trimestre. Este relatório é feito em parceria com instituições renomadas que nos ajudam fornecendo dados confiáveis de cada tema. Contamos atualmente com a JLL, Review Pro, Senac e STR.

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Clima ao Vivo

O Radar está dividido em quatro seções. Na primeira parte, feita em parceria com o Senac, o relatório apresenta um painel de dados econômicos, dados de fluxo aéreo de passageiros nacionais e internacionais, além de um painel de viagens internacionais, mostrando as restrições para brasileiros em outros países devido à pandemia de COVID-19 e indicadores sobre o andamento da vacinação no Brasil.

A segunda parte, que conta com a colaboração da JLL, visa apresentar um panorama geral da oferta atual e futura de resorts no Brasil, por região. Em seguida, feita em parceria com a Review Pro, a terceira parte do Radar apresenta um olhar sobre a reputação online de uma amostra de resorts brasileiros em diferentes quesitos de análise. Nesta primeira edição, os dados de reputação referem-se a uma amostra de 48 resorts associados à Resorts Brasil. Por fim, o relatório apresenta os dados de desempenho de um grupo de resorts associados nos três primeiros trimestres do ano, em comparação com os mesmos períodos de 2020 e de 2019.

R.H – Muitos meios de hospedagem reclamam da escassez de mão de obra nessa retomada. Como Diretor geral dos Hotéis-escola Senac como você analisa essa questão? Existe risco de apagão de mão de obra na hotelaria? Ou as escolas de hotelaria conseguem suprir?

M.P.V.R –A escassez de mão de obra é uma situação antiga em nosso segmento, que vem antes da pandemia. Ela é real e foi agravada pela pandemia e isso acontece no mundo todo. Temos no Brasil excelentes escolas e cursos reconhecidos no mundo todo. O gargalo não parece estar na formação e qualificação para atuar neste segmento.

Atualmente, a maior dificuldade é fazer com que as pessoas, sobretudo as mais jovens, interessem-se pela área de serviços em especial, quando há necessidade de trabalhar em períodos especiais como Carnaval, Natal e Reveillon. Também é necessário buscar a valorização frequente desses profissionais, diminuindo a rotatividade e trazendo continuidade e qualidade aos padrões de um hotel. Não é uma tarefa fácil, mas os resorts tem mecanismos para atrair e desenvolver as pessoas das comunidades e região onde estão inseridos e isso será um dos grandes focos desse biênio.

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“O investidor que busca desenvolver um resort tradicional para obter renda da exploração hoteleira é muito mais raro”

R.H – Na sua opinião, qual é o principal gargalo para se desenvolver resorts no Brasil? A multipropriedade é uma boa solução?

M.P.V.R – No Brasil, a hotelaria como um todo sofre com a falta de funding para desenvolvimento de projetos. Quando se trata do desenvolvimento de um resort, que normalmente envolve investimentos bem superiores a um hotel urbano tradicional, as limitações de funding são ainda maiores. Ao comparar o investimento hoteleiro com outras opções disponíveis, muitos investidores ainda não enxergam a atividade hoteleira como algo rentável e estável e acabam optando por investir em outros segmentos. Ainda temos desafios em nosso setor para ajudar a tornar o negócio mais atrativo. No entanto, o turismo de lazer tem se mostrado muito promissor e pode futuramente contribuir para melhorar a atratividade de investimentos em resorts.

Com relação ao desenvolvimento de multipropriedade, vale ressaltar que nem sempre estamos falando de empreendimentos com características de resorts. Há diferentes perfis, alguns que realmente parecem resorts e outros que são pequenos e/ou que se equiparam mais a condomínios com área de lazer. Assim como os flats e condo-hotéis foram as formas de funding encontradas no passado para o desenvolvimento de hotéis urbanos, a multipropriedade tem sido uma forma de funding para empreendimentos imobiliários turísticos de lazer.

Os investidores que olham para o desenvolvimento de multipropriedade são, em sua maioria, incorporadores e investidores do setor imobiliário, que buscam a rentabilidade vinda da venda imobiliária (frações/cotas) e não a rentabilidade da atividade hoteleira. O investidor que busca desenvolver um resort tradicional para obter renda da exploração hoteleira é muito mais raro. Novamente, vale citar o nosso relatório Radar Resorts Brasil. Em nossa última edição, divulgamos que, de acordo com o levantamento da JLL, havia cerca de sete resorts tradicionais em desenvolvimento no País. É pouco perto do número de empreendimentos de multipropriedade em desenvolvimento, que devem ser mais de 100 atualmente.

R.H – Antigamente a Resorts Brasil acampava a bandeira de luta que seus grandes concorrentes eram os cruzeiros marítimos, mas depois percebeu que na verdade era o Caribe, por ser mais competitivo se hospedar lá do que num resort no Nordeste brasileiro. Como analisa essa equação, ela ainda é atual?

M.P.V.R – Essa “disputa” é algo que ficou no passado.  Temos a plena convicção que existe espaço para todos no mercado e que cada um possui características tão peculiares que acabam se tornando produtos bem diferentes e muitas vezes até complementares.

Como mencionado anteriormente, nossos resorts estão em um importante momento, de representar e estar à frente da recuperação do nosso setor. Continuaremos demonstrando que somos capazes de encantar e fidelizar os brasileiros que sempre estiveram conosco, os que estão aproveitando a pandemia para conhecer mais o Brasil e em breve os estrangeiros que adoram os produtos, a cultura, a gastronomia e a história do nosso país. Temas estes muito ricos e muito explorados pelos resorts.

R.H – Quais as perspectivas que você enxerga para o segmento de resorts no Brasil nos próximos anos?

M.P.V.R – Acredito que o turismo de lazer como um todo vive um momento promissor, repleto de desafios e oportunidades. Acredito que precisamos cada vez mais nos fortalecer como segmento e nos manter sempre no radar dos hóspedes como opções interessantes de viagem. Nosso papel, como associação, será de ajudar os empreendimentos a enfrentar os desafios, a inovar e a se reinventar para que possam continuar sendo agentes de transformação em suas localidades. Precisamos estar atentos às transformações do mundo, ao comportamento do cliente e rapidamente agir diante de ações de inovação e sustentabilidade.

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