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Hotéis investem em retrofit para se manterem competitivos

Modernização, revitalização de espaços, troca de enxovais e mobiliário, além de investimento em internet e tecnologia estão entre os principais aspectos dos hotéis para atrair hóspedes

Depois do boom do turismo de lazer no último ano, que teve bom retorno e rápida recuperação devido a demanda reprimida no período de pandemia, o ano de 2023 tem tudo para ser o ano do turismo corporativo e de negócios, que deve crescer com a volta à normalidade das reuniões e viagens de negócios e da retomada dos eventos. Segundo último levantamento da ALAGEV – Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas, o segmento de viagens corporativas cresceu 90% entre janeiro e novembro de 2022 em relação ao ano anterior. O FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil estima, para o primeiro trimestre, aumento superior a 20% na taxa de ocupação e na diária média. A partir de abril de 2023, o crescimento deve oscilar de 5% a 15%.

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Para Luiz Moura, cofundador e diretor de negócios da Voll, empresa que faz gestão de viagens, mobilidade e despesas corporativas, 2023 será definitivamente, o ano da grande retomada do turismo corporativo — e a indústria hoteleira tem demonstrado entender o que isso significa. “As reformas e incrementos de serviços têm sido percebidas pelos viajantes corporativos. Melhorias na infraestrutura e tecnologia (como acesso à Internet, segurança e informatização da jornada de reserva, check-in e check-out) eram passos esperados, há cerca de dois anos, pelos gestores de viagens corporativas, que já têm sido dados pelos hotéis das grandes capitais no Brasil”. Moura ainda destaca um ponto interessante do turismo de negócios. “Os profissionais que viajam a trabalho e para eventos empresariais circulam por destinos diversos ao longo de todo o ano e costumam ter um ticket médio maior, tanto no gasto com hospedagem quanto com alimentação”.

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Luiz Moura: “As reformas e incrementos de serviços têm sido percebidas pelos viajantes corporativos” (Foto – Divulgação)

Durante esse ano, as capitais e principais cidades do País devem ter grande movimentação de pessoas e consequentemente o aumento da ocupação nos hotéis urbanos e com foco no hóspede corporativo. Os meios de hospedagem têm então uma ótima oportunidade para consolidar de vez a recuperação e voltar a operar no azul, mas para isso é preciso se manter competitivo e em evidência para contar com a preferência dos hóspedes.

Investimentos atraem bons resultados

Durante a pandemia muitos hotéis com dificuldades financeiras deixaram de investir em manutenção e modernização de suas unidades, mas esse é um ponto de extrema importância para atrair clientes e principalmente aumentar as receitas. Uma das boas opções para se modernizar, podendo administrar melhor os custos e sem grande interferência no funcionamento da operação é o retrofit.

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O especialista em investimentos e gestão estratégica Pedro Cypriano, avalia que mantido o controle da pandemia, 2023 será o primeiro ano cheio sem impacto da COVID na hotelaria. “Como consequência, os eventos sim devem retomar com força, o que permitirá o aumento das diárias médias, mas com ocupações talvez ainda abaixo do potencial do setor”. Mas enxerga na revitalização dos hotéis uma boa aposta para se manter atrativo. “Nos últimos anos, poucos hotéis investiram em retrofit em razão do caixa debilitado durante a pandemia. Hoje, com as receitas próximas ou acima de 2019 em valores reais, mais os benefícios do Perse, reinvestir nos hotéis pode sim ser uma excelente estratégia para buscar melhores resultados. Hotéis renovados chegam a ter diárias médias entre 15% e 30% acima de concorrentes com produtos desatualizados. Logo, retrofits podem ter um grande impacto no potencial de geração de caixa dos hotéis. E, em última instância, é no mínimo uma estratégia defensiva para que o empreendimento não perca participação de mercado”, destaca.

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Pedro Cypriano: “Hotéis renovados chegam a ter diárias médias entre 15% e 30% acima de concorrentes com produtos desatualizados” (Foto – Divulgação)

A consultora hoteleira e Gerente do Grupo Leceres, Regina Segui também avalia que os retrofits estão em alta, principalmente por causa do benefício do Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos), onde os empreendimentos de hospedagem têm isenção de alíquota de PIS, COFINS, CSLL E IRPJ. “Os empreendimentos tem aproveitado o benefício federal para fazer investimentos em capex e retrofit”, afirma.

Diferenças entre retrofit e reforma

O termo retrofit corresponde ao processo de revitalização de edifícios, envolvendo uma série de ações com o objetivo de modernização e adaptação das instalações.  A ideia é promover melhorias e modernizações em construções antigas, revitalizando aspectos ultrapassados ou deteriorados, adequando o prédio às exigências atuais e ampliando a vida útil, mas sem perder o aspecto original da edificação. As mudanças, adequações e melhorias de equipamentos e instalações, com as obras de retrofit, visam aumentar o conforto e a funcionalidade do local, proporcionando bem-estar para as pessoas. Mas qual a diferença entre o retrofit e a reforma?

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As reformas em geral são intervenções que não alteram completamente o espaço, são realizadas para atender necessidades da empresa, como um vazamento, uma infiltração, a ampliação ou construção de um novo espaço, e inclusive podem até mudar as características arquitetônicas do local. Já o retrofit tem como principal ponto a revitalização do espaço, preservando as características originais. Além disso o retrofit tem uma atuação mais ampla e pode ser entendido como um projeto que tem o objetivo de modernizar o espaço,  incluindo diversos sistemas, instalações e estruturas, como por exemplo, sistemas de telefonia e internet, ar-condicionado, iluminação, pisos e revestimentos, layout e fachada, sistema de segurança, entre outros.

Planejamento é primordial para o sucesso

Eduardo Manzano, arquiteto, vencedor do Troféu Fornecedor Destaque da Hotelaria 2022, fala dos desafios e da importância dos hotéis se manterem atualizados para atrair hóspedes. “Os hotéis acabaram ficando defasados e todos os que estavam com reformas programadas no início de 2020 tiveram que recolher suas ambições e, se tinham algum caixa para as reformas, o usou para poder sobreviver. O tempo sem manutenção ou atualização em um hotel é muito mais cruel do que em um edifício corporativo ou residencial. A depreciação é muito maior e, para cada ano de uso em um hotel, o mesmo mobiliário leva cinco para atingir o mesmo nível de desgaste”. Manzano acredita que com o retorno dos hóspedes de negócios, os empreendimentos que conseguirem fazer a renovação do ativo sairão na frente. “O hóspede não está mais atrás de uma boa cama e um bom chuveiro. Ele busca uma experiência melhor do que ele tem em seu dia-a-dia e entendeu que o trabalho remoto veio para ficar e se ele tiver que trabalhar distante de sua base, que tenha o máximo para suprir suas necessidades. Por exemplo, a questão do wi-fi gratuito e muito rápido hoje é um consenso. Um bom bar, um café da manhã com mais do que o básico faz toda a diferença. E não podemos esquecer que o hotel precisa passar uma sensação de limpo e renovado após todo o trauma da pandemia”.

Ele faz uma análise de como o retrofit pode ser uma boa opção quando o hoteleiro pensa em custos e investimentos e como o planejamento é de suma importância. “Tirar apartamentos do inventário para reformar nunca é uma tarefa prazerosa. O componente mais importante de todo o processo é o planejamento. Investir num bom time de implantação, acostumado com este tipo de situação pode ser a salvação do retrofit. Entender também se o cliente tem claro o que precisa ser feito ajuda muito, sem contar problemas ocultos que possam aparecer durante as reformas como, por exemplo, mofo escondido em mobiliário ou atrás de revestimentos de parede. E sempre tem a questão financeira. A reforma de um hotel não pode ser um “buraco negro”. Tudo tem que estar pensado e orçado muito antes da obra começar”.

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Eduardo Manzano: “Investir num bom time de implantação, acostumado com este tipo de situação pode ser a salvação do retrofit” (Foto – Divulgação)

Eduardo dá o exemplo de um case de sucesso, executado pelo seu escritório, onde o planejamento foi executado à risca. “No Marriott Executive Apartments de São Paulo onde, além de cumprir à risca o budget pré-estabelecido, entregamos religiosamente um andar reformado por semana sem atrapalhar a operação do hotel. Se considerarmos que 47% dos hóspedes eram moradores regulares, isto foi um acontecimento aplaudido até pela matriz da Marriott nos Estados Unidos”, diz. E conta sobre projetos futuros do EMDA Studio. “Do final do ano passado para cá fizemos vários orçamentos de retrofit, um deles em um hotel icônico em São Paulo, mas ainda não houve respostas, o que é normal para esta época do ano. Estamos orçando também conversões de edificações de escritórios vazias em empreendimentos hoteleiros, um deles na Av. Faria Lima”.

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A primeira impressão é a que fica?

Temos aquela máxima de que “a primeira impressão é a que fica”, assim que o visitante chega, a fachada, o lobby e a recepção são as primeiras impressões que ele terá do hotel, e claro que ter uma boa impressão é fundamental. Mas hoje em dia alguns aspectos acabam sendo mais importantes do que a “primeira impressão”. Para Cypriano nos hotéis corporativos as unidades habitacionais e o restaurante são essenciais, assim como os serviços oferecidos. “O lobby pode ter um primeiro impacto relevante na chegada do cliente, mas sem boa internet, por exemplo, a qualidade das avaliações despenca, e assim por diante. Logo, devemos pensar o hotel como um todo. Não há um excelente produto sem excelência em todas as áreas operacionais. Devemos sim priorizar investimentos, mas não nos esquecer das áreas secundárias”, afirma.

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Manzano faz uma avaliação mais ampla: “Depende muito do estado em que o hotel se encontra. Temos empreendimentos em que durante a pandemia reformaram as áreas comuns, deixando os apartamentos, que demandam maior custo, para depois. Analisando de um ponto de vista de marketing, faz um certo sentido. Você entrar em um hotel e já ter uma má impressão pode afetar a experiência. Eu acredito que se deve fazer o máximo possível para que o empreendimento passe um frescor de novidade, mesmo que leve para um segundo momento a reforma de outras áreas não vitais para o encantamento, por exemplo, eu até posso postergar a reforma do banheiro se eu apresentar um quarto modernizado e limpo, mas tudo é uma questão de estratégia e caixa”, analisa.

Regina Segui avalia que o retrofit é uma oportunidade de manter o empreendimento atualizado com novas tendências tanto no ponto de vista de arquitetura e design de interiores, mas também deve levar em conta que é preciso se adequar ao novo comportamento dos hóspedes pós-pandemia. Ela salienta alguns pontos importantes que hoje em dia são diferenciais para os hóspedes, mesmo nos hotéis urbanos. “Áreas de lazer com piscina, kid´s club, spa, fitness center, coworking integrado, restaurante integrado com lobby, loja de convenência no lobby (grab & go), rooftop, espaço e hospedagem para pets, espaços abertos e áreas de alimentação em áreas externas, internet com alta velocidade, tecnologia no apto e áreas comuns (abertura de porta pelo celular, acesso a Netflix, streaming, cardápio via QR Code, totem check in e check out, etc.), smart tv com espalhamento do celular, entre outras coisas são quesitos que fazem a diferença na escolha de um hotel pelo hóspede”.

A rede Hotéis Deville que possui nove unidades e está presente cidades como Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Salvador (BA) e Guarulhos (SP), próximo ao aeroporto internacional de São Paulo, já vem percebendo a mudança no perfil dos hóspedes. “Nosso público vem se modificando no decorrer dos últimos três anos. Mesmo em nossos hotéis urbanos, que tinham mais foco corporativo, como nas unidades de Curitiba, Cuiabá, Campo Grande, Porto Alegre, Maringá, Cascavel crescemos em média mais de 120% o número de crianças, um aumento expressivo no público de famílias e bleisures. Tivemos que nos adaptar rapidamente para atendê-los. Não sabemos como esse mix irá se acomodar em 2023, mas com certeza é um novo público que o Deville está absorvendo e terá nossa total atenção para melhoria contínua da experiência”, afirma Flavia Zülzke, Diretora de Marketing e Vendas dos Hotéis Deville.

A executiva ainda analisa que manter os hotéis sempre atualizados, é vital para a sustentabilidade dos mesmos, com retrofit como prioridade e com as instalações oferecendo sempre segurança, comodidade e serviços cada vez mais modernos e compatíveis às novas necessidades dos hóspedes. “O cliente tem mudado de comportamento e está cada vez mais atento às comodidades que podemos oferecer, fora dos serviços default da hotelaria que já é esperado. A modernização e implementação de novas tecnologias das instalações, por exemplo, é um facilitador para eles de extrema importância”.

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Flávia Zülzke: “Manter os hotéis sempre atualizados, é vital para a sustentabilidade dos mesmos” (Foto – Divulgação)

Outro ponto importante a se destacar são as tendências de design e decoração, além da qualidade dos produtos oferecidos aos hóspedes. De acordo com Regina Segui a decoração de interiores pode variar no conceito de acordo com a bandeira do empreendimento com característica que vai de um design mais jovial e arrojado um mais sofisticado e elegante. Flavia Zülzke afirma nos últimos estudos e pesquisas da Rede mostram que os principais diferenciais para os hóspedes continuam sendo excelência em serviços e atendimento, segurança, conectividade e o conforto. “O que está por traz de cada um desses pontos macro de percepção, percorre uma infinidade de itens de experiência do hóspede com o produto. Desde o primeiro impacto com design contemporâneo, cordialidade na recepção da propriedade, tanto quanto os quartos atualizados e confortáveis com enxoval impecável, A&B diferenciado até o checkout e a fidelização no pós-venda”.

Tecnologia e conforto são tendências no pós-pandemia

Para entregar excelência em serviços, produtos e conforto, os fornecedores da hotelaria tem papel importante pois também estão em constante evolução e trazendo novidades para o setor. Marcio Hoffmann, Diretor comercial da Teka, uma das principais e mais completas empresas do Brasil em termos de soluções para enxoval para hotéis, afirma que o setor hoteleiro é um ambiente que vive em constante mudança e para acompanhar o mercado, os hotéis tem investido em diversas áreas. “Os hotéis estão investindo em melhorias e, muitos têm nos procurado, solicitando um upgrade nas linhas de cama e banho, proporcionando assim um bem-estar maior aos seus clientes. Como todos os anos trazemos novidades ao mercado na linha de enxovais para o segmento hoteleiro, entregamos diversas opções para nossos clientes, ajudando-os nessa melhoria”.

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Linha Teka Profiline recebe tratamento diferenciado (Foto – Divulgação)

A Teka que foi premiada com o Troféu Fornecedor Destaque da Hotelaria 2022 como melhor da linha de enxovais de cama e banho, oferece uma linha completa de toalhas de banho, além de diversos tecidos e modelos de roupões que atendem até aos mais luxuosos hotéis. Nas coleções de cama contam com diversas opções de tecidos, que vão dos tradicionais tecidos mistos até o percal de 300 fios em 100% algodão. Além disso, todos os itens da linha Teka Profiline recebem tratamento diferenciado, resultando em solidez e alta resistência às constantes lavações industriais e, quase todos os produtos da linha podem ser personalizados, com aplicação de logomarca em alto e baixo relevo, bordado ou estampado. “Para os hóspedes, o enxoval está diretamente ligado à higiene pessoal, conforto e satisfação com a aparência do banheiro e quarto. Quando satisfeitos, sem dúvidas indicarão o hotel para conhecidos que viajarão para a mesma região e, se tornarão fiéis ao estabelecimento. A durabilidade de um enxoval depende de vários fatores, principalmente do processo de lavagem e dimensionamento correto das trocas, prevenindo danos precoces e aumentando a durabilidade da peça. Sendo assim, um enxoval bem cuidado pode chegar a três anos, podendo variar conforme a movimentação do hotel”, explica.

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Marcio Hoffmann: “Para os hóspedes, o enxoval está diretamente ligado à higiene pessoal, conforto e satisfação com a aparência do banheiro e quarto” (Foto – Divulgação)

O Grupo MSA Corporativos, vencedor do Troféu Fornecedor Destaque da Hotelaria 2022 na categoria fabricante de móveis planejados e marcenaria sob medida, possui experiência em consultoria e execução de projetos de mobiliário, além de produção rápida sempre dentro do cronograma do empreendimento, entrega com transportadora própria e montagem com equipe exclusiva da fábrica.  José Vagner, Diretor comercial do Grupo MSA, entende que quando a indústria hoteleira realiza investimentos constantes na atualização da sua estrutura e na capacitação dos seus profissionais cria-se uma percepção de valor. Isso é fundamental para personalizar e adaptar o empreendimento às necessidades e preferências do viajante, principalmente nos quesitos de bem-estar e hospitalidade.

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O Grupo MSA Corporativos acredita que 2023 será um ano de grandes investimentos no setor hoteleiro. Por isso, está investindo de forma consistente na modernização do seu parque fabril e logística própria, com recursos que ultrapassam os R$ 20 milhões nos últimos dois anos. “Temos soluções completas e personalizadas de móveis para o segmento hoteleiro e corporativo. São inúmeras as possibilidades de marcenaria, pinturas especiais em laca e vidro, além de soluções em metalon, com possibilidade de atender projetos personalizados, ampliações e reformas, seja ele um empreendimento independente ou de uma rede com milhares de UHs”, afirma José Vagner.  Para ele a excelência em serviço, oferta de experiências e as instalações, incluindo o mobiliário e projeto de interiores, formam o tripé que costuma sustentar a visibilidade dos hotéis juntos aos clientes. “As tendências para hotelaria estão muito relacionadas ao emprego de tecnologia, sustentabilidade e, principalmente, à experiência do usuário e ações de bem-estar. Por isso, acreditamos que todos os setores do hotel devem passar por esse processo de avaliação e melhoria contínua, desde o serviço de recepção até as acomodações e áreas comuns. Mas, inevitavelmente, são os quartos que impactam de forma direta a percepção do cliente e estimulam a satisfação do hóspede em passar mais tempo no hotel. É ali, dentro do quarto, que o cliente toma a decisão de retornar ou não, conforme sua experiência”, avalia.

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Projeto desenvolvido pelo Grupo MSA (Foto – Divulgação)
Melhoria contínua e investimentos

José Vagner, salienta que por vezes, o retrofit das suítes, lobby, restaurante e áreas comuns é o diferencial necessário para impactar positivamente os viajantes. “Nesse sentido, a escolha do mobiliário, das soluções construtivas e dos painéis de madeira para os ambientes são importantes componentes para ter ganhos tangíveis junto aos hóspedes. O fim da pandemia também acentuou a necessidade de diferenciar-se no mercado, o que exige novas soluções de personalização, atendimento e conveniência na hospedagem”, finaliza.

Muitos hotéis querem ir além da primeira impressão, conquistando os hóspedes a cada detalhe. O Hotel Deville Prime Salvador passará por obras de revitalização e ampliação da área externa, assim que terminar a temporada de verão. Com o objetivo de trazer ainda mais conforto para a experiência das famílias que buscam o hotel, serão ampliadas a área da piscina, e criada uma área maior dedicada para a piscina infantil. Antes da pandemia, a unidade reformou completamente o 8º andar, e criou uma nova categoria de apartamentos: Premium. A ala conta com serviços diferenciados, que vão de amenities L’Occitane, passando por Cafeteira Nespresso com cápsulas cortesia, a um menu de travesseiros para os hóspedes escolherem a opção que mais se adequa a seu tipo de sono.

São 26 habitações que além da estrutura, tiveram decoração renovada. Além desta unidade o Hotel Deville Business Maringá recentemente fez investimentos para um upgrade em 27 acomodações de categoria Luxo que agora contam com Smart TV 50” 4K, decoração diferenciada com arandelas e almofadas de cama novas e renovação dos quadros, cafeteira Nespresso, entre outros equipamentos e amenities. O hotel ainda investiu em iluminação diferenciada, melhorias na fachada e marquise, e nesse ano pretende renovar os enxovais de cama e banho. O hotel da categoria de luxo do Grupo, Deville Prime Cuiabá, em 2022, ampliou a capacidade e investiu em acomodações PCD. Além disso, recentemente todo o ambiente da piscina foi reformado e foi inaugurado um novo Espaço Gourmet com estrutura completa para atender eventos sociais e empresariais.

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José Vagner: “As tendências para hotelaria estão muito relacionadas ao emprego de tecnologia, sustentabilidade e, principalmente, à experiência do usuário e ações de bem-estar” (Foto – Divulgação)

Assim como os Hotéis Deville, muitos empreendimentos estão atentos as demandas dos hóspedes e já entenderam que o cuidado com a manutenção e a preocupação em manter o empreendimento atualizado devem ser constantes. A Rede Vitória Hotéis que possui cinco unidades, sendo três em Campinas, uma em Paulínia e uma em Indaiatuba, entende que retrofit e modernização são diferenciais para que todos os anos, os hotéis possam se manter atualizados, e a atenção em quesitos como instalações e tecnologia têm sido fundamentais. Eduardo Porto, Diretor de Marketing e Comercial da Rede Vitória Hotéis, fala sobre o planejamento da rede. “Voltamos à normalidade em 2022. E a partir do segundo semestre começamos a fazer os investimentos previstos e devidos em modernização e manutenção. Começamos a colocar em prática no final do ano passado e continuaremos em 2023 fazendo algumas modernizações. Em 2022, achamos que recuperaríamos as perdas com a pandemia em três anos, mas já no ano passamos conseguimos uma ótima recuperação, fundamental para fazer os investimentos necessários”.

De acordo com Porto, no último ano a rede investiu nas acomodações PCD para o Vitória Hotel Concept, na região do Cambuí, em Campinas (SP), que conta agora com três apartamentos desenhados e reformulados para atender as necessidades dos visitantes. Eles são equipados de maneira completa, seguindo orientações da ABNT e se juntam aos outros seis apartamentos adaptados do Express Dom Pedro, em Campinas e aos três do Vitória Hotel Paulínia. O Newport Hotel, também de Campinas, está finalizando a adaptação de um quarto, assim como melhorias de acessibilidade na área comum. Ainda em 2023 será executado a pintura da fachada das cinco unidades. Também haverá troca de TVs, troca e inspeção dos aparelhos de ar condicionado e investimento em acessibilidade nas áreas comuns e cabeamento para internet.

Já o Royal Tulip Brasília Alvorada, da Rede Louvre Hotels Group-Brazil, vai reinaugurar sua suíte presidencial, que passará a contar com hall de entrada com acesso aos outros cômodos, sala de estar com dois ambientes, TV de 85 polegadas, espaço de leitura, lavabo e bar, sala de jantar com mesa de 10 lugares, ampla área de serviço com copa, banheiro e área de apoio e escritório de trabalho. A suíte master também passou por modernização e contará com hall, sala com TV de 75 polegadas, cama super king size, dois closets, banheiro com banheira de hidromassagem, chuveiro com duas duchas, mesa de cabeceira, ampla bancada, amenities especiais, ampla varanda, conjunto de mobília de sofás, poltronas, chaise longue e privilegiada vista para o Lago Paranoá. O apartamento contará, ainda, com segurança ou acesso privativo direto na garagem ao elevador. “Nosso ponto principal é a modernização. O piso de madeira da sala principal foi revitalizado e o papel de parede renovado. Temos um novo projeto luminotécnico, trazendo mais aconchego, com a utilização de iluminação indireta e destaque para os principais pontos que compõem a decoração da suíte”, explica a Gerente comercial Centro Oeste do Louvre Hotels Group – Brazil, Aryane Borges.

O Royal Tulip JP Ribeirão Preto, localizado no interior de São Paulo, também acaba de modernizar seu Espaço Criança. O objetivo é atender às necessidades das crianças menores, com um ambiente mais interativo, lúdico e uma diversidade de atividades. Para famílias com bebês o hotel oferece berços que podem ser instalados na maioria dos quartos, além de enxoval diferenciado, com lençol e toalhas para o bebê, disponíveis a qualquer hora. O Golden Tulip Goiânia Address recentemente trocou todas as camas do empreendimento para o modelo queen, sendo parte da empresa Ortobom e parte da Americanflex, todos queen. Além disso foi iniciada a reforma de cinco unidades que ganharam piso do banheiro em porcelanato, nos demais ambientes em piso vinilico, TV 50”, kit chaleira free e dois aparelhos de ar condicionado, sendo um na sala e outro no quarto. “A rede Louvre Hotels Group investe continuamente em uma infraestrutura prática e eficiente para atender ao público que busca lazer ou compromissos de negócios, oferecendo uma opção de serviço diferenciado e funcional. Nossa proposta é proporcionar, sempre, uma experiência inesquecível aos hóspedes que desejem desfrutar de um dos nossos empreendimentos”, salienta o CEO da rede no Brasil, Paulo Michel.

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Suíte Presidencial do Royal Tulip Brasília Alvorada foi totalmente reformada (Foto – Divulgação)
Fluxo de caixa e investimentos

Passado o pior momento, em razão da pandemia, os hotéis começam a reorganizar o fluxo de caixa e planejar investimentos, sabendo da necessidade de manter os empreendimentos em evidência.

Eduardo Porto ressalta da importância da manutenção e modernização estar no planejamento financeiro do empreendimento. “Administrar os investimentos para fazer modernização e cuidar da manutenção não é fácil. Para fazemos os investimentos necessários é preciso deixar uma verba separada, pois é importante que os hotéis se mantenham atualizados. E para isso, sempre procuramos ter um caixa reservado”.

Flávia Zülzke acredita que cada rede tenha sua particularidade para encontrar o equilíbrio financeiro.  “No caso do Hotéis Deville, as pesquisas e escuta atenta ao monitoramento da satisfação de nossos clientes é que acabam por priorizar os investimentos. Para ter um pipeline de investimentos de curto, médio e longo prazo bem assertivo, precisamos estar focados na expectativa que o hóspede tem dos serviços e qual sua prioridade durante a hospedagem sem esquecer também toda sua jornada de compra, e pós-venda. A atribuição de valor que eles dão a determinado serviço, muitas vezes não é o que nós hoteleiros julgamos como prioritário. Precisamos escutar o que nosso cliente tem a dizer para acertarmos os passos e termos investimentos mais assertivos”. Recentemente o Hotel Deville Business Maringá investiu cerca de R$ 3 milhões em melhorias, o Deville Prime Cuiabá, R$ 385 mil. Para este ano o Deville Prime Salvador terá um investimento que deve girar em torno de R$ 5 milhões. “Para todas as unidades temos projetos de retrofit e modernização em maior ou menor escala, isso é contínuo, mas algumas unidades terão investimentos maiores como o projeto para área externa de lazer em Salvador. Temos uma previsão orçamentária de onze milhões em 2023 para os projetos de retrofit e modernização.

O Ponta dos Ganchos Exclusive Resort, localizado em Florianópolis (SC), é referência em hotelaria de luxo no Brasil. Eleito como o Melhor Hotel do Mundo em Comprometimento com o Hóspede pela The Leading Hotels of the World, investiu recentemente mais de R$ 5 milhões em retrofit de bangalôs, restaurante e áreas comuns, dando sequência a diversas ações de aprimoramentos que começaram em 2021, quando o hotel deu início a uma série de ações comemorativas de seus 20 anos. Para Fernanda Makhoul, Diretora de Vendas e Marketing do hotel, estar atento aos detalhes é fundamental para manter-se como referência num mercado tão exigente e competitivo.

O Serhs Natal Resort, visando atender a demanda crescente do turismo, deu início a um retrofit que pretende fazer reforma completa dos apartamentos, com decoração clean e troca de todo o mobiliário, seguindo as novas tendências do mercado. Além dos apartamentos, também passarão por reformulações alguns restaurantes do hotel, recepção e a transformação do restaurante de praia em um charmoso Beach Club com investimento total previsto em R$ 25 milhões.

O hotel conceito Vogue Square Fashion Hotel by Lenny Niemeyer, localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, concluiu seu retrofit no final de 2022. Com investimentos acima de R$ 6 milhões, foram revitalizados os apartamentos, áreas comuns e o centro de convenções. O hotel que vinha de um cenário deficitário, saiu de uma taxa média de ocupação de 30 % para mais de 85%, mesmo tendo aumentado sua diária média, mostrando a importância das modernizações para a rentabilidade dos empreendimentos.

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Deville Prime Salvador terá um investimento de R$ 5 milhões em retrofit (Foto – Divulgação)
Projetos devem incluir ações de sustentabilidade e ESG

Mas o retrofit não cuida apenas dos aspectos de design, reformas e modernização dos espaços, outras questões importantes estão cada vez mais em pauta são sustentabilidade e ESG (Environmental, Social and Governance). No Brasil, fundos ESG captaram R$ 2,5 bilhões em 2020 – mais da metade da captação veio de fundos criados nos últimos 12 meses. Este levantamento foi feito pela Morningstar e pela Capital Reset. Para Eduardo Manzano, a qualidade dos serviços e da governança corporativa passa a ser importante para quem pretende pontuar neste quesito. ESG é uma cadeia completa de ações (decisões) importantes para o que se pretende fazer. E os investidores quando tomarem uma decisão de investir no setor levarão isso em conta. “O entendimento e a aplicabilidade de critérios ESG pelas empresas brasileiras é, cada vez mais, uma realidade. Atuar de acordo com padrões ESG amplia a competitividade do setor empresarial, seja no mercado interno ou no exterior. No mundo atual, no qual as empresas são acompanhadas de perto pelos seus diversos stakeholders, ESG é a indicação de solidez, custos mais baixos, melhor reputação e maior resiliência em meio às incertezas e vulnerabilidades”.

Pedro Cypriano afirma que a adoção de práticas ESG é uma tendência global, não apenas em hotelaria. “Por um lado, parte das ações traz mais eficiência operacional, por outro reforça a responsabilidade social e ambiental dos nossos negócios, e devem ser buscadas. Sob uma ótica comercial, já é comum que empresas e indivíduos busquem hotéis com uma política clara de ESG”.  O tema é um dos que está em mais em evidência na atualidade segundo Regina Segui, a consultora ainda faz uma análise de que as empresas estão se preparando e já tomando ações sustentáveis que refletem no resultado financeiro a médio e longo prazo. “Algumas ações já tem economia a curto prazo o que reflete no resultado operacional do empreendimento. Os hoteleiros tem valorizado este tipo de investimento, mesmo com payback médio e longo prazo”.

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Regina Segui: “Algumas ações [de ESG] já tem economia a curto prazo o que reflete no resultado operacional do empreendimento” (Foto – Divulgação)

Flávia afirma que esse assunto mais do que importante, deve ser mandatório. “Sobre sustentabilidade, temos um programa de sustentabilidade, que vocês podem conferir na íntegra em nosso site deville.com.br/sustentabilidade, que vão de uma melhor otimização de recursos hídricos, recursos elétricos, boas práticas de reciclagem, separação de resíduos e pontos de coleta, passam pelas AAPs (áreas de preservação ambiental dos hotéis), até o trabalho social com as comunidades do entorno das nove  unidades”, conclui. Outra rede que tem se preocupado com as questões ESG é a Louvre Hotels Group-Brazil que implantou um comitê multidisciplinar para ampliar suas soluções ESG (Ambiental, Social e Governança), visando garantir condições de crescimento orgânico e um ambiente sadio para colaboradores, hóspedes e seus entornos.

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Denise Bertola

Denise Bertola - Repórter

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