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Case de adaptação para acessibilidade no Renaissance SP é apresentado em Fórum

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Os palestrantes Julio César Morassi e Murillo Arakaki - Crédito: Renato Hazan

O Fórum ‘Prática da Acessibilidade na Hotelaria’, evento promovido pela Revista Hotéis que acontece hoje (21) no hotel Nobile Paulista Prime, segue sua programação com a palestra “Disposições práticas da Sinalização + Mobilidade”, ministrada por Júlio César Morassi. Ele é Diretor de engenharia da Marriott International – Renaissance São Paulo Hotel e é pós-graduado em Engenharia de Segurança do Trabalho pela FAAP.

Ele apresentou o processo de adaptação do hotel Renaissance São Paulo, destacando a importância de realizar as obras com a unidade em operação sem incomodar os hóspedes. Segundo ele, para que isso fosse alcançado, todos os membros da equipe do hotel precisavam estar em sinergia. Foram investidos 2,25 milhões para adaptação completa do hotel. “Conseguimos remover paredes de três apartamentos por dia. Isso foi possível com muito planejamento para uma operação quase perfeita. Hoje, temos 22 apartamentos adaptados, mas antes tínhamos quartos um pouco ultrapassados, até com banheira. Os quartos adaptados estão localizados na parte central do prédio, para facilitar o acesso”, contou Morassi.

O Fórum foi aberto para preguntas e esclarecimentos de dúvidas – Crédito: Renato Hazan

No Renaissance, pisos de madeira foram trocados por piso frio; a porta teve sua abertura invertida para fora; foram instaladas portas de correr; bancadas de madeira; barras de acesso; a banheira foi removida e foram inseridos duas duchas para melhor aproveitamento do espaço e conforto de todos os hóspedes – deficientes ou não.

“O hóspede que demanda 98% do nosso inventário, que não é cadeirante por exemplo, não vai perceber a mudança no posicionamento da pia. São alguns detalhes que você tecnicamente precisa olhar e que sirvam para o cadeirante e para todas as outras pessoas”, comentou Julio.

Morassi lembra ainda que é importante definir quais apartamentos serão adaptados, para que os arredores sejam preparados para as reformas. Nos sanitários do hotel paulistano, foram inseridos botões de pânico, barras de apoio, e a pia foi reposicionada. “Não adianta colocar um sensor e não explicar ao hóspede para que serve. Foi feita uma adaptação com um suporte para chamada gerido pela própria governança. É o tipo de detalhe que vai auxiliar o deficiente e não vai atrapalhar a rotina de outro hóspede sem necessidades especiais”.

Diretor de engenharia da Marriott International – Renaissance São Paulo Hotel, Júlio César Morassi – Crédito: Renato Hazan

Além disso, o hotel aumentou a porta de acesso ao quarto; instalou lavatório no local onde existia closet; acrescentou ponto de luminária spot sobre o lavatório; o rodameio (entorno em mármore) do banheiro foi rebaixado para que o espelho pudesse atender 0,90m de altura; o vaso sanitário foi substituído por um que atendia NBR 9050 e as bancadas antigas foram reaproveitadas. “O grande desafio em todos os casos é vender o apartamento. Quando se tem alta ocupação, não tem como não colocar um hóspede nos quartos adaptados. Então, no caso de a pia estar mais baixa, não vai incomodar o hóspede que não é cadeirante. O apartamento ficou mais convidativo do que era antes”, completou.

Todas as adaptações seguem uma normativa padrão da rede Marriott, que dispõe características para todos os hotéis junto às regulamentações locais. Mundialmente, os hotéis seguem estes padrões, mas nem todos são iguais por não terem as mesmas legislações.

Julio César Morassi e Murillo Arakaki – Crédito: Renato Hazan

Gargalos no setor

Ao final da palestra, foi levantada a questão dos hotéis não serem apresentados online como acessíveis, impedindo que o hóspede que precisa destas exigências encontre um hotel adaptado. Presente no encontro, o especialista no tema Ricardo Shimosakai, do Turismo Adaptado, comentou que este é um dos grandes gargalos que ainda existem na hotelaria, como apresentação mais clara de informações e maior apelo para aproximar-se deste público.

Julio afirmou que existem casos de pessoas que não são cadeirantes, por exemplo, demandarem maior conforto por alguma dificuldade de mobilidade e pedem por apartamentos adaptados. “Se você quer prestar esse tipo de serviço, mas não tem uma equipe treinada para receber este hóspede, existe uma consequência na estadia do cliente”, acrescentou.

O Fórum está acontecendo no Nobile Paulista Prime e recebe mais de 100 participantes – Crédito: Renato Hazan

No caso de algum acidente como incêndios, que necessite a evacuação completa do empreendimento, Julio explicou que mesmo havendo apartamentos adaptados até o décimo andar, toda equipe foi treinada para auxiliar hóspedes PNE e todos que estiverem no hotel a sair em rotas de emergência acessíveis. “A norma existe e precisamos seguir. Mas cabe a cada um saber o que é melhor para o seu empreendimento”, disse Julio.

O advogado Murillo Arakaki levantou também a questão de que a lei foi aplicada sem que os hotéis tenham qualquer incentivo fiscal ou conhecimento para adaptar seus empreendimentos. “Por isso estamos discutindo e esclarecendo este assunto neste Fórum”, pontuou o jurista.

Escrito por Raiza O. Santos