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Isenção de vistos e o potencial do turismo internacional no Brasil

Qual é o impacto da isenção de vistos para os mercados selecionados no turismo internacional ao Brasil?

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China deve ser o próximo País que receberá isenção de visto para viajar ao Brasil (Foto: jplenio / pixabay)

Artigo de Pedro Cypriano* 

China e Índia devem ser os novos Países que receberão isenção de visto para viajar ao Brasil. A mesma medida já foi concedida aos Estados Unidos, ao Japão, à Austrália e ao Canadá. São boas notícias? Sim, mas ainda há muito trabalho pela frente.

Entre 2014 e 2018, o turismo internacional ao Brasil cresceu apenas 3% (ou 0,7% a.a.), enquanto no mundo o crescimento foi de 24% (ou 5,5% a.a.). Continuamos recebendo próximo a 6,5 milhões de visitantes ao ano (menos de 0,5% do total de viagens internacionais pelo mundo).

Entre os destinos que receberam isenção de visto (incluindo a China e a Índia), o total de viajantes perfaz 788.687 (ou 12% do total do País). Em 2014, os mesmos Países representavam mais de 14% dos estrangeiros em viagem pelo território nacional. Em outras palavras, apesar de um câmbio hoje mais favorável, a efetivação de viagens ao Brasil por esses turistas diminuiu aproximadamente 15%. É um sinal claro de baixa competitividade do País. E ainda que esse fluxo dobre, como é a expectativa do Governo, chegaríamos a pouco mais de 7 milhões de turistas no ano.

Para um crescimento consistente da demanda internacional, precisamos resolver diversos problemas estruturais, como segurança pública, imagem do Brasil no exterior, acessibilidade aérea, promoção dos destinos, qualidade e diversidade de serviços de interesse turístico, carência de marcas globais, dificuldade em falar outros idiomas, entre outros.

Os caminhos possíveis para sanar os entraves atuais são desafiadores, não há dúvidas. Porém, um País que ambiciona fazer do turismo um grande indutor de desenvolvimento econômico e social precisa intensificar sua atenção ao setor.

Abaixo, destaco três direcionamentos que considero prioritários.

Melhoria da segurança pública e da imagem do Brasil no exterior

Um País bom para turistas começa por um País bom para os brasileiros. Além da criminalidade, a mobilidade urbana deficitária, os alertas de saúde pública e os desastres ambientais têm prejudicado ainda mais a imagem do país no exterior. Diversos países desenvolvidos desaconselham ou ao menos indicam cautela em viagens ao Brasil. No ranking do Fórum Econômico Mundial, o Brasil encontra-se na 124ª posição (entre 140 países) no quesito segurança pública.

Melhor conectividade aérea e barateamento das passagens

É verdade que a privatização dos aeroportos e a abertura do País a cias aéreas com 100% de capital estrangeiro melhoraram a infraestrutura aeroportuária. No entanto, viajar ao Brasil (e pelo território nacional) ainda é caro e as conexões desencorajam muitos a visitar o País.

Melhor e maior promoção do país no exterior

Segundo a Embratur, o orçamento previsto para o ano com promoção do Brasil no exterior perfaz US$ 8 milhões. Outros Países sul-americanos, como a Colômbia, o Peru e a Argentina investem aproximadamente US$ 100 milhões, US$ 95 milhões e US$ 80 milhões, respectivamente. Não por acaso, a Argentina, apesar dos problemas políticos e menor diversidade turística, recebe mais visitantes internacionais que o Brasil.

Vamos celebrar a isenção dos vistos sim, mas ter em mente que ainda há muito o que fazer. E se me permitem uma sugestão, apostem no crescimento da demanda internacional ao país, mas direcionem sua proposta de valor principalmente ao mercado doméstico. O risco de se investir exclusivamente no turista estrangeiro ainda é muito alto no Brasil.

Pedro Cypriano

*Pedro Cypriano é sócio-diretor da HotelInvest, consultora estratégica do fundo imobiliário mais rentável do Brasil nos últimos 3 anos (FII Maxinvest) e de uma carteira de R$ 2,5 bilhões em investimentos hoteleiros. Ao longo dos últimos 13 anos, liderou mais de 350 projetos em consultorias globais, incluindo países na América Latina, na Europa, na Ásia e na África. Como executivo da HotelInvest, assessorou diversos players nacionais e internacionais na estruturação e avaliação de hotéis urbanos, resorts e complexos turístico-imobiliários. É autor do livro “Desenvolvimento Hoteleiro no Brasil: panorama de mercado e perspectivas”, publicado pela editora Senac. Possui MBA Executivo pela escola de negócios INSPER, certificate in Hotel Real Estate Investments and Asset Management pela Cornell University, mestrado em desenvolvimento hoteleiro pela Universidad de Alicante, na Espanha, especialização em Finanças pela Saint Paul Business School e graduação pela USP.

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