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A pandemia do coronavírus fez o turismo no Brasil retroceder 16 anos

Artigo de Melisa Murialdo*

O turismo tem sido uma das atividades econômicas mais afetadas pela pandemia do Coronavírus. Esperava-se a chegada de 1,8 bilhão de viajantes internacionais em 2030, porém esta estimativa pode ser afetada pela pandemia da COVID-19 que provocou uma queda histórica dos dados dos viajantes em 2020, que é, até este momento, o pior ano registrado na história do turismo.

No País, os brasileiros que decidiram sair de férias escolheram o local a último momento. Com algumas fronteiras ainda fechadas pela pandemia da COVID-19 e o dólar que subiu para cima dos R$ 5,00 os destinos nacionais ganharam popularidade.

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Os brasileiros sempre preferem o Brasil

Entre todos os lugares do globo terráqueo, mais de 85% dos brasileiros preferem o Brasil para tirar férias. Devido a situação de pandemia, essa escolha foi muito mais marcada. Segundo o Ministério de Turismo, a região Nordeste tem seis dos dez destinos mais escolhidos nesta temporada, fato que não chama a atenção ao considerar que quase a metade (46,4%) das buscas feitas pelos viajantes foram sobre destinos de sol e praia, e que as da região são tradicionalmente escolhidas por sua grande beleza e atrativo turístico. A segunda posição no ranking de busca está muito atrás, com 13,8% das consultas, e correspondem aos destinos culturais e patrimoniais. Em terceiro lugar estão as opções de ecoturismo e natureza com 9,9% das buscas. Fica claro que a pandemia despertou o interesse por lugares abertos, onde se pode curtir o ar livre e garantir as condições para manter o distanciamento social e evitar possíveis contágios.

A pandemia do coronavírus fez o turismo no Brasil retroceder 16 anos

Natal é o destino mais escolhido da temporada, tendo Pipa uma das suas praias estrelas. Na lista dos dez destinos mais escolhidos seguem Foz do Iguaçu, Fortaleza, Rio de Janeiro, Maceió, Gramado, Ipojuca, São Paulo, Porto Seguro e Salvador. A ABIH/RN – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte estima que a ocupação durante janeiro de 2021 será de 55%, uma queda de 28 pontos percentuais ao comparar com janeiro de 2020 que alcançou 83% da ocupação hoteleira da região.

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Piores Receitas de Turismo dos últimos 16 anos

A passagem do ano passado para este foi atípica para o país, porque muitos brasileiros decidiram ficar em casa e deixar as viagens em um segundo plano, atividade tradicional e difundida na sociedade nesta época do ano, mas que esta vez terá que esperar que as vacinas alcancem uma proporção maior da sociedade.

A crise no turismo começou a ver-se logo no início de 2020, muito antes dos impactos da pandemia. Ainda que com isso, a queda nos gastos de turismo e o ingresso de divisas pela atividade foram acentuadas profundamente, chegando ao seu mínimo em abril do ano passado. Naquele mês os brasileiros gastaram US$ 200 milhões no exterior, 86,4% menos que no mesmo mês do ano anterior. Por outra parte, os gastos dos estrangeiros no Brasil também registraram uma queda dramática de 76% no mesmo mês.

A pandemia do coronavírus fez o turismo no Brasil retroceder 16 anos

O turismo no Brasil está enfrentando a pior crise dos últimos 16 anos: para encontrar um valor baixo, semelhante ao atual, é preciso voltar a 2004, onde a receita cambial esteve abaixo do registrado em 2020. O acumulado dos primeiros 9 meses de 2020 mostram um gasto de US$ 2.382 milhões no Brasil, a metade do que ingressou em 2019 no mesmo período. Os dados surgem do Setor Externo, divulgados pelo Banco Central e não só foi provocado pela pandemia do coronavírus, mas também pela alta do dólar que hoje supera os R$ 5 e impacta no bolso dos brasileiros.

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Projeção Esperançosa

Durante o ano de 2020, a atividade turística mundial retrocedeu 30 anos, se colocando em níveis de 1990 com quedas de mais de 70% na chegada dos visitantes: os destinos receberam cerca de 1 bilhão a menos de turistas internacionais.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, 37 países são os que estão melhor preparados para a recuperação e para a transformação econômica futura. No caso da América Latina destacam-se Argentina, Brasil, Chile e México.

A boa notícia é que, de acordo com especialistas da área, a maioria dos viajantes brasileiros (+60%) pretendem fazer alguma viagem entre março e dezembro deste ano. A novidade é que a preferência está em fazer viagens longas para recuperar a falta de aventura e o tempo perdido de 2020, embora 2 de cada 3 brasileiros preferem viajar quando haja uma vacina ou tratamento eficaz para combater o Coronavírus.

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Novo Modelo de Política Turística

Neste primeiro momento de recuperação, há um consenso na indústria do turismo sobre que os brasileiros darão maior prioridade do que nunca aos destinos nacionais. Não só pela crise agravada pela pandemia, mas também devido à queda do real, ao desemprego e às restrições impostas por outros países para a entrada de brasileiros.

De acordo com o nosso estudo, em termos gerais, surgiu um novo modelo de política turística: com promoção do turismo doméstico, prioridade na preservação do meio ambiente, interesse pela assessoria digital, flexibilidade para cancelar voos como requerimento excludente dos viageiros, preferência de destinos turísticos com base em políticas sanitárias e seguimento de protocolos. Por isto, uma das chaves para este 2021 será a promoção nacional de estadias curtas, como finais de semana ao ar livre. Assim se consolida uma tendência onde a escolha dos turistas está muito influenciada pela possibilidade de ter contato com a natureza e manter o distanciamento seguro para evitar o contágio, pontos que são uma vantagem para o Brasil, por possuir uma grande quantidade de atrativos naturais, parques nacionais e uma sólida combinação de recursos naturais e culturais.

Além do desafio de recuperar os turistas perdidos, o Brasil enfrenta a tarefa de aumentar o gasto médio dos viajantes estrangeiros que tinha caído antes da crise e que agora é exacerbado pelo fato de os novos turistas internacionais gastaram, em média, 48% menos segundo a empresa comparadora on-line O Melhor Trato.

As hipóteses ampliadas da OMT para 2021-2024 indicam uma recuperação do turismo na segunda metade de 2021. No entanto, pode levar entre dois anos e meio e quatro para voltar aos níveis de 2019.

*Melisa Murialdo – Redatora / Editora de Conteúdos – Contadora Analista Região da América Latina

Esclarecimento no contexto da autora: todas as previsões a respeito dos impactos do Coronavírus contêm um alto grau de incerteza por que ainda não se conhece quanto mais durará a crise sanitária nem quais seriam as consequências finais na economia mundial.

Fontes: Ministério de Turismo; OMT – Organização Mundial do Turismo; Banco Central do Brasil; Fórum Econômico Mundial; ONU – Organização das Nações Unidas, IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, O Melhor Trato, Subsecretaria de Gestão Estratégica – SGE; IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

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