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Voando em céu Azul

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A aviação brasileira sofreu uma verdadeira revolução no final de 2008, com a criação da Azul linhas aéreas, que em menos de um ano de existência já ocupa a terceira posição no setor. A companhia aérea desenvolveu uma política de grandes descontos em tarifas antecipadas e voos diretos com frequências diárias. A Azul também investiu em aeroportos longe dos grandes eixos, como o de Viracopos, em Campinas. Este processo resultou no célere crescimento da empresa, que já transportou mais de um milhão de passageiros em suas 12 aeronaves.
A frente deste processo está o executivo Pedro Janot, Presidente da Azul linhas aéreas, que é um dos grandes responsáveis pelo rápido sucesso da companhia. Janot levou toda sua experiência acumulada no setor de varejo para o lançamento da Azul, preservando a preocupação e foco no cliente, que hoje é um dos lemas da empresa.
Nesta entrevista exclusiva à Revista Hotéis, Pedro Janot conta um pouco sobre a criação da Azul linhas aéreas, o posicionamento da empresa no mercado, a ascensão da companhia no primeiro ano de operação, a disputa com os concorrentes e planos da companhia para os próximos anos.   

Revista Hotéis — Quais foram as experiências profissionais que trouxe do varejo e colocou em prática ao assumir uma nova companhia aérea e no que isto lhe ajudou no início a tomar decisões sem conhecer o setor aéreo?
Pedro Janot — Minha experiência do varejo foi fundamental para os desafios propostos pelo lançamento de uma nova companhia aérea no Brasil. Eu trouxe, com todos estes anos de mercado, uma preocupação constante em manter o foco no cliente e no desenvolvimento de uma equipe orientada para um mesmo objetivo.

Revista Hotéis — A Azul Linhas Aéreas surgiu com quais propósitos e quais os diferenciais que ela apresenta para conquistar mercado e fidelizar clientes?
Pedro Janot — A Azul nasceu com um conceito novo, aeronaves brasileiras, com capacidade para 106 e 118 lugares, e ligações ponto a ponto entre as cidades. Ou seja, nosso conceito é oferecer voos diretos e com frequência entre cidades que não eram servidas pela malha aérea brasileira, Salvador – Vitória, e Navegantes – Porto Alegre são bons exemplos. Paralelamente, o conceito inclui serviço de qualidade para o cliente, maior espaço e mais conforto nas aeronaves, serviço de bordo e atendimento diferenciados. Além de tarifas competitivas, especialmente para aqueles que viajam a lazer e podem programar suas viagens, comprando com antecedência.

Revista Hotéis — A Gol nasceu com uma filosofia de trabalho de baixo custo e baixa tarifa e hoje já não pratica tarifas acessíveis para boa parte da população. Esta é a mesma filosofia de trabalho da Azul?
Pedro Janot — Na minha avaliação, a Gol, ao longo de sua trajetória, mudou o seu posicionamento ocupando um espaço que era da Transbrasil, Vasp e Varig. O que é importante ressaltar é que a   Azul não tem o conceito de baixo custo. O nosso conceito é maior qualidade pelo menor preço.

Revista Hotéis — Como é que a Azul está posicionada hoje no mercado? Quais os destinos que voa e quantas aeronaves possui?
Pedro Janot — A Azul é a terceira companhia aérea brasileira com menos de um ano de operações. Temos hoje 12 aeronaves e devemos chegar ao fim do ano com 14. Hoje a nova companhia aérea conecta 14 destinos: Campinas, Porto Alegre, Curitiba, Maringá, Navegantes, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campo Grande, Vitória, Salvador, Recife, Maceió, Fortaleza, Manaus. Com as linhas de ônibus, são 19 as cidades conectadas pela Azul.

Revista Hotéis — O atual momento econômico teve algum impacto nos planos de crescimento da Azul?
Pedro Janot — Sim, podemos dizer que a crise econômica mundial teve um impacto grande na implantação da Azul na medida em que  aumentou a dificuldade em obter financiamentos para as aeronaves.

Revista Hotéis — Hoje o Aeroporto de Viracopos é a origem das demais conexões da Azul. Viracopos continuará centralizando as origens destas conexões ou vocês pretendem ter outros Hubs?
Pedro Janot — O Aeroporto de Viracopos, em Campinas, é e vai continuar sendo o nosso maior hub (centro de distribuição). Mas a nossa estrutura, ponto a ponto, ligando várias cidades brasileiras sem conexão nos permite criar  mini-hubs. Salvador e Rio de Janeiro, por exemplo, farão parte deste conceito.

Revista Hotéis — Vocês já definiram quais os próximos destinos que a Azul irá voar?
Pedro Janot — Não temos novos destinos ainda para serem divulgados.

Revista Hotéis — A Azul pretende voar para o exterior? Quais seriam as cidades que podem ter estes voos?
Pedro Janot — Voar para o exterior não está nos nossos planos de curto prazo, embora o  Embraer 190 e o 195 sejam as melhores opções para voos na  América  do Sul.

Revista Hotéis — Vocês estão colocando em operação a Azul Cargo. O que isto agrega em termos de negócios para a Azul e a expectativa de transporte de cargas nos próximos anos? Haverá algum diferencial em relação aos demais concorrentes?
Pedro Janot — A Azul começa a operar em quatro cidades, Campinas, Salvador, Fortaleza e Recife, mas até dezembro deverá oferecer o transporte de carga expressa em todas as bases operadas pela Azul. Depois disso, a cada nova base lançada, vamos começar a operar passageiros e carga. A idéia é levar para o transporte de carga os mesmos diferenciais da nossa empresa, a pontualidade, a regularidade e o serviço de qualidade.

Revista Hotéis — A Azul está consolidando presença no mercado como a terceira companhia aérea do setor. Até que ponto isto pode ameaçar o duopólio da Tam/Gol?
Pedro Janot — A Azul não veio roubar clientes da TAM e da Gol. Nossa proposta é trazer novos clientes para a aviação e isso já vem acontecendo. Gente que não voava, ou pelo menos que não voava com tanta frequência, agora está voando com a Azul.

Revista Hotéis — Como vocês estão vendo o mercado aéreo nacional. Ainda existem muitos nichos de mercado a serem explorados, assim como passageiros a serem conquistados?
Pedro Janot — Sim, existem e muitos destes espaços já estão sendo ocupados pela Azul. O Aeroporto de Viracopos, por exemplo, tinha menos de 20 voos por dia e hoje, só da Azul são mais de 40 voos por dia.

Revista Hotéis — Quando é que vão implantar nas aeronaves o sistema  via satélite de TV ao vivo?
Pedro Janot — A televisão ao vivo vai começar a funcionar nas aeronaves da Azul em 2010.

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