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Sustentabilidade está chegando as cozinhas dos hotéis

O Dia e horário dessa postagem está no final, assim como nome do autor. O tempo estimado de leitura é de 17 minutos

Fazer o descarte correto das sobras de alimentos produzidos nas cozinhas, deixados nos pratos pelos hóspedes e o gerenciamento de resíduos orgânicos são preocupações cada vez mais constantes, mas a maioria dos hotéis no Brasil ainda não faz

A sustentabilidade é uma ‘palavrinha mágica’ que ganhou muita notoriedade nos últimos anos e a grandiosa maioria dos meios de hospedagem gostam de mencionar que possuem e usam como uma ferramenta de marketing. Pelo simples fato de dar a opção ao hóspede de usar novamente a toalha que usou para enxugar após o banho, o hotel se vangloria que economiza um bem precioso que é a água. Mas essa tática na maioria das vezes nunca funciona, pois independente se a toalha estiver jogada no chão ou pendurada para ser usada depois, a camareira acaba levando para a lavagem. Usar economizadores de energia nos apartamentos para evitar que o hóspede deixe algo ligado ao sair, ou sensores de presença nos corredores que apaga ou acende as luzes, são consideradas grandes ações sustentáveis por muitos hotéis. No fundo não deixa de ser, mas na verdade muitos hotéis estão mais preocupados é com reduzir custos operacionais do que serem sustentáveis. E algo que a grandiosa maioria dos hotéis não falam para os hóspedes, é o que fazem com os resíduos que sobra da alimentação servida ou que ficou nas panelas e nem foram servidas. Em hotéis ou resorts all inclusive as sobras nos pratos são grandes e muitos especialistas afirmam que isso aumenta em 30% o valor das diárias.

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21 anos Revista Hotéis

Milhões de refeições são servidas diariamente, e cozinhas profissionais tem um constante desafio rumo à eficiência operacional como: Destinar corretamente seus descartes e quantificar seus resíduos alimentares para reduzir o desperdício. Comida no lixo é prejuízo econômico, social, e ambiental, com inúmeras causas, e historicamente 1/3 dos alimentos produzidos nunca foram consumidos. Cada dia que passa, o cerco aperta e muitas cidades já baniram o uso de aterros para destinar resíduos orgânicos, como Florianópolis que foi a pioneira. A capital catarinense aprovou em 8 de abril de 2019 a Lei 10.501, conhecida como a primeira Lei de Compostagem no Brasil. Ela se aplica a pessoas jurídicas como condomínios residenciais ou comerciais, restaurantes, supermercados e entes jurídicos públicos. Ficou definido um cronograma que estabelece metas crescentes para destinação dos resíduos orgânicos à compostagem: até 5 de junho de 2020, 25%; até 5 de junho de 2021, 50%; e assim progressivamente até junho de 2030, quando 100% dos resíduos orgânicos devem obrigatoriamente ser destinados à compostagem.

Regulamentação municipal

Outra capital que dá o exemplo é Goiânia, que teve aprovada a Lei 223, em 2019, de autoria do Vereador Divino Rodrigues. Com isso a capital goiana passou a reciclar o lixo orgânico por meio da compostagem. Além disso, ficou proibido o depósito desse tipo resíduo no aterro sanitário ou sua incineração. A capital paulista é a cidade que mais produz resíduos no Brasil com cerca de 20 mil toneladas todos os dias, sendo 12 mil de coleta domiciliar e 8 mil de varrição. O lixo da cidade vai para dois aterros sanitários, um na Zona Leste e outro na Zona Sul. Mas diante do esgotamento de terrenos para aterros e dos transtornos ambientais ocasionados, já existe um parecer de Projeto Lei que trata da reciclagem progressiva de resíduos sólidos orgânicos compostáveis na capital que foi aprovado pela Comissão de Política Urbana – Câmara Municipal de São Paulo. Segundo o PL, fica vedada a destinação desses resíduos a aterros sanitários sem o tratamento ambientalmente responsável, excluindo dessa vedação os resíduos que requeiram tratamento especial, como o lixo hospitalar e os resíduos classe 1, classificados como perigosos de acordo com norma da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas).” Mas independente dessas regulamentações municipais, existe no âmbito do Governo Federal desde 2010 a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ela regulamenta e exige que setores públicos e privados realizem o gerenciamento dos seus resíduos a fiscalização nem sempre funciona.

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Faitec

Estima-se que aproximadamente 80 milhões de toneladas de lixo é produzida no Brasil todos os anos, o que gera um gigantesco impacto ambiental e também social e econômico. Deste total estima-se que 70% tem como destino os aterros sanitários e os outros 30% descartes incorretos em terrenos abandonados, rios, vias públicas, etc. Cerca de 50% dos resíduos que chegam aos aterros sanitários de todo o País são orgânicos, sendo que a maior parte é resto de comida. Um problema grave, tendo em vista que esse lixo produz o chorume, que misturado a resto de outros produtos contaminam o solo e a água, além disso, seu processo de decomposição produz gases que intensificam o efeito estufa. Estudos comprovam que deste total, pelo menos 30% tem potencial de ser reciclado ou reaproveitado de alguma maneira, no entanto isto acontece com apenas 3% de todo o resíduo gerado. E parte desse ‘lixo’ são sobras de alimentos nos pratos de muitos lares e restaurantes de hotéis. Isso quando não é jogada na rede de esgoto e ocasiona entupimento.

Sustentabilidade está chegando as cozinhas dos hotéis

Gustavo Corrêa: “A maioria dos hotéis, sejam eles independentes ou redes, de pequeno ou de grande porte, ainda não fazem o correto processo da gestão dos resíduos” (Foto – Divulgação)

Gerando oportunidades

Para Gustavo Corrêa, Diretor da Simbiose, empresa especializada em soluções ambientais, o gerenciamento de resíduos gera muitas oportunidades em todos os segmentos. “Independente de ser uma obrigação legal e estar passivo de fiscalização, o gerenciamento de resíduos é uma excepcional oportunidade. Garante revisão de processos, melhoria contínua e aproximação com público através da causa, neste caso, a causa da sustentabilidade, que é desejo de 96% dos brasileiros. A maioria dos hotéis, sejam eles independentes ou redes, de pequeno ou de grande porte, ainda não fazem o correto processo da gestão dos resíduos. E isto ocorre por vários motivos, no entanto podemos destacar que nossa cultura tem como premissa realizar apenas aquilo que se trata de ser uma exigência que coloca em risco um processo ou uma organização. Fazer o processo sustentável consiste em revisar e melhorar continuamente a otimização de todos os recursos, pessoas e produtos. Isto garante o desenvolvimento social, redução do impacto ambiental e aumento da capacidade financeira daquela organização”, destaca Corrêa.

Para ele, existe um longo caminho ainda a percorrer, mas aposta na pressão popular, num apelo social para que estas organizações se comprometam em ir além do mínimo exigido, e se dediquem a fazer melhor aquilo que está sendo feito. E fazer melhor está cada vez mais acessível, pois novas tecnologias e profissionais habilitados estão surgindo para fazer com que estes processos se tornem sustentáveis. “Estamos vivendo a fase da descoberta. Momento em que o tema ganha importância à partir da percepção dos benefícios que ele traz a gestão das cozinhas, que agora entendem que o ponto final do processo, não é mais a lixeira. À partir desta compreensão fica evidente a necessidade de rever processos e otimizá-los a tal ponto em que o impacto do desperdício seja transformado em grandes oportunidades. E então percebe-se a ativação do mindset da sustentabilidade”, concluiu Corrêa.

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Soluções 1

Soluções tecnológicas

No mercado existem muitas soluções tecnológicas para evitar que os resíduos orgânicos vão para os lixões e uma das soluções é o Biodigestor ECO-PRO (Processador de Resíduos Orgânicos) fabricado pela empresa Eco Circuito. Esse equipamento transforma resíduos alimentares em efluente comum. O processo é 100% natural e automatizado, com controle de procedência personalizada para reduzir o desperdício de alimentos e promover uma operação aterro zero. A tecnologia é de última geração e conta com pesagem automática e controle de procedência personalizada; operação biomecânica autônoma com monitoramento remoto; processo biológico, carbono-neutro e livre de produtos químicos. “O processo utiliza água e microrganismos como agentes transformadores dos resíduos alimentares, ao criar o ambiente adequado para a biodigestão acelerada. O processo é natural, livre de produtos químicos e traz algumas opções para destinação e reutilização do efluente – o único subproduto do processo”, explica Eduardo Prates, fundador da Eco Circuito. Segundo ele, se a operação incluir uma ETE – Estação de Tratamento de Efluentes), o efluente pode ser tratado para: Fertirrigação de áreas verdes, preferencialmente com estrutura hidráulica automatizada; Geração de água de reuso para as instalações ou para o próprio biodigestor, em ciclo fechado ou então, a destinação ao ralo, com passagem pela caixa de gordura, alternativa mais comum e conveniente. “Seja qual for a opção, os resíduos retornam para a natureza, sem impactos ambientais, onde todos se beneficiam. Edifícios com Certificação LEED ganham em sua pontuação O&M na gestão de resíduos”, lembra Prates.

Sustentabilidade está chegando as cozinhas dos hotéis

Esse biodigestor é compacto e não demanda grandes espaços ou adequações de infraestrutura, o equipamento é plug and play e pronto para uso. Qualquer alimento, seja cru ou cozido, incluindo frutas, folhas, legumes, proteínas, farináceos, entre outros, podem ser descartados no biodigestor. Como o processo é aeróbio, a presença de oxigênio inibe a geração de gases e odores fortes. Isso possibilita a instalação do equipamento na área de lavagem das cozinhas ou central de resíduos. Com ciclo operacional contínuo sem interrupções, atende a necessidade constante do descarte no empreendimento, e assim elimina a armazenagem temporária de resíduos em outros recipientes ou câmaras frias.

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Eduardo Prates: “O biodigestor Eco Pro é uma eficiente solução para reduzir o desperdício de alimentos e promover uma operação aterro zero” (Foto – Divulgação)

Além de trazer ganhos de higienização e redução de pontos críticos no processo, a automação libera a mão de obra para outras atividades e reduz o consumo e reposição de lixeiras, sacos de lixo ou materiais de limpeza. O impacto na operação é imediato, pois traz a conscientização e engajamento dos profissionais de facilities e usuários sobre como destinar seus resíduos de forma adequada. “É importante que durante o fluxo de destinação dos resíduos, não sejam misturados recicláveis e orgânicos, para evitar contaminação. Em edificações com múltiplos usuários, a solução é uma ferramenta de gestão e controle de descartes, consolidando relatórios em tempo real no próprio equipamento ou na Eco-Pro Cloud, plataforma de inteligência da solução”, concluiu Prates.

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Harus 1

Recicladora de resíduos orgânicos

A Topema, um dos mais tradicionais fabricantes de equipamentos de cozinha do Brasil, conta no seu portfólio de produtos com a Terraform. O equipamento faz parte da linha de recicladoras de resíduos orgânicos da Topema Innovations. As máquinas foram criadas para reciclar lixos orgânicos como sobras de refeições, folhas, legumes, cascas de frutas e carnes. Diferente de outras soluções disponíveis no mercado, a decomposição dessas recicladoras é 100% livre de aditivos químicos, água e serragem e possui ciclos curtos que variam de 6 a 15 horas. Ou seja, basta colocar os resíduos e aguardar que eles sejam transformados em adubo. A não utilização de insumo, enzimas e água nas máquinas faz com que o retorno de investimento se dê, em média, em 15 meses.

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Compactas, fáceis de manusear e de limpar, as máquinas reduzem em até 90% o lixo orgânico. Por conta do processo natural dessas recicladoras, os resíduos iniciais voltam à natureza independente do destino dado ao adubo e à água de reuso gerada, sem impactos ambientais. Além de diminuir os custos com a água e a energia, a Terraform auxilia as empresas em suas metas de responsabilidade ambiental e de sustentabilidade.

As recicladoras da Terraform são 100% nacionais e estão disponíveis no mercado com preços a partir de R$4.000,00 e em duas versões: a residencial ou comercial que é fácil de transportar e se acomoda perfeitamente em qualquer espaço da cozinha (2kg ou 5kg), e a industrial, que é ideal para a redução do lixo orgânico de cozinhas industriais, restaurantes, hotéis, hospitais, indústrias e empreendimentos (30kg ou 100kg).

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A recicladora consegue reduzir o volume do resíduo orgânico em até 90%. (Foto – Divulgação)

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Clima ao Vivo

Tecnologia disruptiva

A indústria de turismo e de viagens de negócios voltou a se aquecer no mesmo instante em que o conceito ESG (Ambiental, Social e Governança) se torna um imperativo para um crescimento sustentável e preservação do meio-ambiente. Com isso, o mercado exige cada vez mais soluções sustentáveis de eliminação de resíduos orgânicos alimentares e redução drástica de emissão de gases de efeito estufa na própria fonte geradora. Neste contexto, a empresa Bioconverter que fabrica biodigestores de resíduos orgânicos se alinha perfeitamente aos esforços para a melhoria ambiental e redução radical da destinação à aterros sanitários com a diminuição da contaminação do solo e geração de gases de efeito estufa. “Os resíduos orgânicos produzidos pelos restaurantes dos hotéis são eliminados na fonte geradora, eliminando armazenagem, controle de pragas, câmara fria, mão de obra e ainda contribuindo significativamente com a preservação ambiental”, afirma Carla Strafacci, Diretora de marketing da Bioconverter.

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Segundo ela, além de clientes no setor hoteleiro, a Bioconverter está presente em diversas esferas da economia incluindo hospitais, os mais variados setores da indústria, condomínios, supermercados, redes de atacado e varejo em todo Brasil.  “Contamos com um modelo de negócios baseado em locação e manutenção que incluí insumos, treinamentos, telemetria, geração de relatórios da operação e impacto em termos de sustentabilidade. Para isso, disponibilizamos de quatro modelos para melhor atender a necessidade de cada cliente. Oferecemos assistência técnica em todo o Brasil, assegurando a eficiência e a qualidade quer o setor hoteleiro exige”, concluiu Carla.

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Instalação de BC- ECO 1 para o processamento de até 150kg de resíduos por dia (Foto – Divulgação)

Cases hoteleiros

O La Torre foi o primeiro resort a usar o biodigestor como prática 100% natural para transformar os resíduos orgânicos em efluentes, por meio de uma tecnologia automatizada e inteligente. O equipamento produzido pela Eco Circuito tem capacidade diária de 300kg e gera um impacto imediato na redução de descarte no aterro. A central de monitoramento do biodigestor também faz a gestão e rastreabilidade completa dos resíduos alimentares e disponibiliza em tempo real a origem de tudo que foi descartado, processo fundamental para reduzir desperdícios. “Está comprovado que vivemos a pior crise climática da história e desde que o La Torre assumiu o compromisso de se tornar uma empresa carbono zero em 2022, adotamos uma série de medidas que realmente vão impactar em uma mudança necessária para o planeta, o uso do biodigestor é mais uma dessas ações. Somos uma empresa ESG e buscamos sempre minimizar os impactos no meio ambiente, contribuindo para a construção de um mundo mais sustentável,” destacou Luigi Rotunno, CEO do Resort La Torre. Ele lembra que essa tecnologia apresenta maior produtividade e higienização do ambiente, além de tirar a dependência de uso de sacos plásticos de lixo e todo impacto externo do descarte, evitando riscos de contaminação e emissão de gases de efeito estufa. A expectativa do La Torre é que essa tecnologia desvie mais de 100 toneladas anualmente aos aterros sanitários de Porto Seguro (BA), onde está instalado o resort.

Luigi Rotunno: “Nosso compromisso é que o La Torre se torne um resort carbono zero nesse ano ainda” (Foto – Divulgação)

O Renaissance São Paulo é outro hotel que utiliza com sucesso essa tecnologia do biodigestor e estima a redução de no mínimo 60% no volume de lixo enviado ao aterro sanitário, atualmente calculado em torno de seis a dez toneladas por mês. “Estamos muito felizes com essa conquista que preza pelos nossos pilares de sustentabilidade. Reduzir resíduos alimentares de forma que não impactasse negativamente o meio ambiente sempre foi um dos nossos maiores desafios e estamos muito satisfeitos com a solução eficaz encontrada”, afirma Vanessa Martins, Gerente Geral do Renaissance.

Primeiro hotel lixo zero no Brasil

O Ilha de Toque Toque Eco Boutique Hotel em São Sebastião (SP) é outro case de sucesso quando o assunto é sustentabilidade. O empreendimento se tornou no início de 2020 o primeiro do Brasil a receber uma certificação internacional de lixo zero (Zero Waste International Alliance). O certificado é um “Selo Oficial” concedido por uma entidade isenta, que realiza as auditorias para constatar se as medidas adotadas reduzem a quantidade de lixo produzida e se a reciclagem consegue atuar de forma eficaz na produção de benefícios para o meio ambiente, desviando a quantidade de resíduos que vai para o aterro.  Todos os resíduos orgânicos gerados no hotel produzem o adubo usado na horta orgânica. O Sócio fundador do hotel, Edson Pavão elenca outras ações sustentáveis adotadas no empreendimento. “Total eliminação de produtos descartáveis (copos, canudos, entre outros); Substituição das embalagens individuais de ketchup, mostarda e maionese por potinhos de cerâmica; Cada quarto agora tem uma lixeira exclusiva para lixo orgânico;  Não existe mais garrafas pet no frigobar e a água é oferecida gratuitamente por meio dos filtros instalados nos apartamentos; Extinção do uso de saquinhos plásticos em todas as lixeiras; Criação da “Estação Lixo Zero”, mas para isso, há todo um fluxo logístico que se inicia em cada setor como os quartos, cozinha, recepção. Então mandamos todos os resíduos produzidos no hotel para esta estação, onde são separados e destinados à diferentes empresas de logística reversa e ainda temos aquecimento de água por meio da instalação de painéis solares. Vamos continuar aprimorando todas as formas de reutilização e reciclagem possíveis, tornando nossa economia cada vez mais circular. Investir em novas tecnologias e desenvolvimento de programas de reaproveitamento de alimentos na cozinha. Além disso, hoje entregamos boa parte dos recicláveis para a coleta seletiva municipal. Temos a intenção de armazenar esse material para futuramente gerar renda que pode ser utilizada para o benefício dos colaboradores e para aprimorar ainda mais o projeto. Para isso teremos que ter espaço de armazenamento e uma estação lixo zero bem maior. É um desafio para o qual estamos atualmente buscando soluções”, afirmou Pavão.

Messias Fernandes: “Nosso objetivo é tornar a cozinha cada vez mais sustentável e chegarmos ao lixo zero” (Foto – Divulgação)

Transformar um problema em uma oportunidade

A Pousada Morada dos Canyons foi implantada numa região de muita beleza natural na Serra do Faxinal, em Praia Grande (SC), por isso, a sustentabilidade é uma das grandes preocupações. A pousada de charme já investiu em energia limpa, tratamento de água e esgoto e agora o próximo passo é investir em tecnologias para alcançar objetivos de lixo zero. “Atualmente realizamos a compostagem como solução para nossos resíduos orgânicos. No entanto, neste caminho de evolução no qual estamos, nos faz estar sempre atentos ao surgimento de novos processos e tecnologias que possam contribuir ainda mais com nosso desejo de conservar, preservar, cuidar e minimizar ao máximo o impacto de nossas atividades. Nosso objetivo é tornar a cozinha cada vez mais sustentável e chegarmos ao lixo zero, através da cozinha inteligente, reaproveitando e reciclando o máximo possível. Quando começamos a olhar para os resíduos que iremos descartar, percebemos como estão nossos processos de produção e isto nos permite melhorá-los a ponto de evitarmos muitos desperdícios, gerando grande impacto nas pessoas”, definiu Messias Fernandes, Gerente administrativo da pousada Morada dos Canyons.

Para ele, a consultora da empresa Simbiose foi de fundamental importância para transformar um problema, em uma oportunidade. “A Simbiose nos ajudou a olhar para algo que antes não enxergávamos, que é transformar um problema, em uma oportunidade e ressignificar nossas ações. Essas ações passaram a fazer sentido para nossos colaboradores e fornecedores chegando aos nossos clientes em forma de cuidado com o sentimento de que podemos entregar sempre mais. Isso proporciona entregas que garantam a preservação do nosso lugar, e que este sentimento faça deste lugar, um lugar exclusivo, único. Agora que compreendemos o tamanho do significado dessas ações que implementamos, estamos elaborando com todo cuidado um plano de comunicação sólida. O objetivo é levar aos nossos clientes informações importantes sobre tudo aquilo que fazemos e que também é apoiado pelo comportamento deles.

Podemos afirmar que eles adoram ser parte da transformação e por isso também se envolvem de diversas formas. Temos um perfil institucional das redes em que divulgamos as ações tomadas e as experiências dos colaboradores, e tem tido uma ótima aceitação e participação dos hóspedes”, concluiu Fernandes.

Sustentabilidade está chegando as cozinhas dos hotéis

Eduardo Mancin: “O resíduo orgânico de nossas cozinhas é transformado em adubo e utilizado em nossos jardins” (Foto – Divulgação)

Planejamento para evitar desperdícios

O planejamento na preparação do alimento a ser servido aos hóspedes é de fundamental importância para se evitar perdas e consequentemente um volume maior de resíduos. E no grupo Royal Palm Hotels & Resorts não poderia ser diferente, como explica Eduardo Mancin, Gerente de Manutenção e Segurança. “A produção é realizada com planejamento prévio, semanalmente é analisada a ocupação para se definir a quantidade de alimento comprado e preparado. Diariamente essa análise de ocupação é revisada pois sabemos que a ocupação pode ter grandes alterações, assim temos a possibilidade de rever as quantidades e evitar grandes perdas ou mesmo controlar. Uma parte dos alimentos produzido em nossas cozinhas pode ser reaproveitada para refeitório de colaboradores, como sobremesas inteiras. Porém todo alimento que já tiver sido ofertado em buffets, não pode ser reaproveitado. 100% do resíduo orgânico é encaminhado, juntamente com outros tipos de resíduos, para uma empresa que faz todo o processo de reaproveitamento e reciclagem. O resultado desta compostagem é uma terra adubada utilizada em nossos jardins”.

Redução nos impactos ambientais

A Vila Galé, maior rede de resorts do Brasil, também é comprometida com políticas para evitar desperdícios de alimentos e busca constantemente alternativas para reduzir os impactos ambientais.  Os cuidados vão desde treinamentos com os colaboradores sobre a manipulação até a produção escalonada de alimentos de acordo com a quantidade de hóspedes no hotel. “Outra técnica que adotamos é o planejamento do cardápio pensando sempre em quais refeições são mais aceitas e quais são as formas de todos os ingredientes serem utilizados por completo. Por exemplo, sempre reaproveitamos as cascas das batatas e dos frutos para elaboração de sucos, chás e infusões, que são consumidos pelos hóspedes e pelos colaboradores. Desta forma, evitamos sobras e desperdícios”, explica o Chef, Clodoaldo Ramos e ele complementa dizendo: “Os alimentos descartados, assim como os outros lixos orgânicos, são acomodados em ambientes climatizados e posteriormente são recolhidos por empresas especialistas para o descarte correto. No Vila Galé Eco Resort do Cabo, em Pernambuco, as sobras de alimentos passam por compostagem, mas estudamos estender essa ação para as outras unidades também. Lembrando ainda que nos nove hotéis e resorts do grupo no Brasil, também são realizadas coleta seletiva, onde é realizada a segregação do material vidro, plástico, papel/cartão e o orgânico”.

Clodoaldo Ramos: “Temos uma preocupação grande no Vila Galé na redução dos impactos ambientais” (Foto – Divulgação)

O Flamboyant, tradicional meio de hospedagem em Guarapari (ES), já iniciou a implantação de um programa de gerenciamento de resíduos sólidos coordenado pela engenheira Ambiental, Nubia Rangel em parceria com a empresa Simbiose. Os equipamentos já foram adquiridos e estão sendo implantados com previsão de conclusão em maio desse ano. “Entre aquisição de material e treinamento de pessoal, está previsto um investimento total de aproximadamente R$ 50 mil. O Flamboyant é uma empresa que desde o início de sua constituição se preocupa com o meio ambiente, e com o passar dos anos, nós entendemos que com um programa de Gerenciamento de resíduos feito da forma correta poderíamos não só preservar o meio ambiente, mas também reverter isso em prol da empresa com redução de perdas na nossa cozinha. Quando reduzimos perdas, reduzimos gastos e isso reverte também em um marketing positivo. Assim que for concluído esse projeto, vamos começar a divulgar o trabalho que está sendo feito”, destacou Adriana Vasconcelos, Diretor da recursos humanos do Flamboyant Hotel.

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Edgar J. Oliveira

Edgar J. Oliveira - Diretor editorial - Tenho 30 anos de formação em jornalismo e já trabalhei em grandes empresas nacionais em diferentes setores da comunicação como: rádio, assessoria de imprensa, agência de publicidade e já fui Editor chefe de várias mídias como: jornal de bairro, revista voltada a construção, a telecomunicações, concessões rodoviárias, logística e atualmente na hotelaria.

Comments

Rosangela Raeli

Parabenizo a todos especialmente àSIMBIOSE por conhecer o trabalho excelente e serio dessa empresa.

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