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Lições da Crise Econômica de 2008/2009 para a Hotelaria Nacional

O Dia e horário dessa postagem está no final, assim como nome do autor. O tempo estimado de leitura é de 3 minutos

Gustavo Moura*

 

Á medida que a situação econômica internacional se deteriora, devido à dificuldade dos políticos europeus e americanos em solucionar os problemas de endividamento de seus governos, é importante se preparar para um cenário futuro mais instável. Cada crise econômica tem suas particularidades, mas podemos usar a recessão mais recente (creditcrunch de 2008/2009) como referência do que pode acontecer com a hotelaria nacional caso o Brasil seja afetado pela desestabilização externa.

A fase mais aguda do creditcrunch se iniciou em outubro de 2008, com a quebra do banco Lehman Brothers. O Brasil sentiu o impacto da crise já no quarto trimestre daquele ano, mas retomou o crescimento rapidamente. Isso se observa no comportamento do PIB, que registrou retração no primeiro semestre de 2009 em relação ao mesmo período do ano anterior (-1,5%), mas encerrou o ano praticamente estável (-0,2%).

A hotelaria nacional (considerando amostra de aproximadamente 20.000 UHs) apresentou comportamento semelhante. A demanda caiu significativamente no primeiro semestrede 2009 (-8,0%), mas melhorou gradualmente, encerrando o ano com queda menos acentuada (-5,0%). Assim, mesmo com pequeno aumento real de diária média, houve queda real de RevPAR (-3,5%).

Apesar do resultado anual negativo em 2009, já no final do ano, economia e hotelaria estavam em um processo de recuperação que se estendeu para 2010, ano no qual o Brasil registrou forte crescimento de PIB (7,6%), mesmo com os países desenvolvidos crescendo pouco. A hotelaria sentiu o estímulo positivo e registrou elevação de demanda (9,5%) e RevPAR real (10,1%).
A rápida recuperação brasileira havia sido antecipada por alguns economistas, com base na solidez do sistema bancário nacional e na importância da demanda doméstica e de outros países emergentes para a atividade econômica nacional. Ainda assim, diversos mercados hoteleiros urbanos reduziram preços durante a crise, buscando estimular a demanda, sem obter sucesso. A recuperação subsequente foi relacionada à melhora da economia em geral e não à política de preços dos hotéis. Contudo, houve exceções. Alguns mercados elevaram diárias mesmo durante o período de crise, pois acreditaram na recuperação rápida, e conseguiram, assim, minimizar os efeitos da queda de demanda.

A crise passada ilustra duas lições interessantes. A primeira é que a demanda hoteleira em mercados urbanos (onde tipicamente predomina o segmento de negócios) reage pouco a variações de preço. Ou seja, no geral, quando é necessário viajar a negócio, a viagem acontece independentemente do preço; e quando se está inseguro sobre o futuro, não é uma diária de hotel mais baixa que faz a viagem de negócio acontecer. A segunda é que crises de demanda na hotelaria costumam ser de curta duração (especialmente quando o fato gerador da crise não se mantém por períodos prolongados). A retração de demanda hoteleira na crise passada foi decorrente de um período de cautela que gerou paralisia. Como a dinâmica de crescimento nacional não estava tão associada aos fatores da crise, a economia brasileira se acelerou rapidamente depois do período de pausa, e a demanda hoteleira acompanhou.

Cada crise tem suas particularidades e deve-se observar com cuidado o desenrolar dos fatos antes de definir a estratégia a ser adotada. Contudo, se acreditarmos que os motores do crescimento econômico nacional permanecerão ativos mesmo com a degradação da situação externa (como ocorreu na crise passada), é razoável esperar um período de choque, seguido de rápida recuperação. Nesse cenário, valerá a pena ter firmeza e não reduzir tarifas quando a demanda arrefecer. Essa atitude pode atenuar os efeitos de uma nova recessão, mas depende da ação conjunta de todo o mercado para funcionar.

 

 

*Gustavo Moura é Consultor em investimentos hoteleiros da empresa Hotel Invest. Contato gmoura@hotelinvest.com.br

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