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Hotéis utilizam criatividade para se adaptar a lei seca

Matéria publicada na edição 69, agosto de 2008

 

Desconto em até 50% nas diárias para quem consumir bebidas alcoólicas, traslado de taxi até as residências e opção de drinks sem álcool são algumas das sugestões adotadas

 

A Lei 11.705/08,  alterando o Código de Trânsito Brasileiro, que entrou em vigor no último dia 19 de junho e mais conhecida como Lei Seca, está provocando uma série de discussões no âmbito jurídico. Esta lei considera falta gravíssima dirigir veículos automotores depois da ingestão de qualquer quantidade de álcool, com penas que vão desde multas que chegam a R$950,00, a apreensão do veículo, da carteira de habilitação do condutor por um ano e até mesmo prisão. Se por um lado existem defensores que apresentam dados que os 30 hospitais públicos estaduais da região metropolitana de São Paulo contabilizaram uma economia de aproximadamente R$ 4,5 milhões no primeiro mês de vigência da lei seca, existem os radicalmente contrários a nova Lei. Ela aproxima o Brasil de países como Jordânia, Qatar e Emirados Árabes Unidos, que não permitem nenhuma concentração de álcool no sangue dos motoristas, com punições que vão de multas à prisão. A maioria dos países da União Européia, assim como os Estados Unidos e Canadá, tem uma legislação mais flexível em relação ao tema. Algumas nações islâmicas, como Arábia Saudita e Irã, proíbem a venda de bebidas alcoólicas no País. Contudo, a intenção desta lei não é a proibição de vez do consumo do álcool, e sim diminuir os acidentes de trânsito causados pelo excesso de álcool no sangue.
Discussões a parte, a hotelaria não poderia passar despercebida sobre o assunto, tendo em vista que alimentos e bebidas representam uma grande fatia do faturamento de vários hotéis. De acordo com o Presidente da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, Norton Luiz Lenhart a Lei Seca nada mais é do que medidas paliativas, sem maior profundidade ou consistência, que pretendem demonstrar a preocupação das autoridades com a segurança da coletividade, mas, em realidade revelam o total fracasso das políticas de segurança pública. “As restrições impostas pela nova lei precisam ser interpretadas ou regulamentadas procedimentalmente, sob contornos razoáveis, bem como de forma compatível com as normas adotadas em outros países com sucesso reconhecido no combate à violência do transito. Em países como Argentina, Chile, Uruguai, EUA, Inglaterra, França onde o limite legal de concentração de álcool no sangue varia de 0,5 decigramas por litro a 0,8 dg/l. Vê-se, dessa forma, que a Lei brasileira é de total incompatibilidade com exigências e costumes internacionais”, garante Lenhart. Segundo ele, a lei seca do jeito que está concebida, cria sérias restrições ao turismo e altos prejuízos diários aos hotéis, bares e restaurantes e isto já tem gerado acentuado desemprego e vultosos prejuízos ao setor.

 

Criatividade para enfrentar os efeitos da Lei Seca

Algumas mudanças de hábito começam a ganhar forma e em alguns bares e restaurantes de hotéis já é possível ver muitos casais em que as mulheres estão bebendo e os homens consumindo refrigerantes ou água de coco. Outra opção é a mulher dirigir o veículo após sair do estabelecimento. Para amenizar os efeitos da Lei Seca, alguns hotéis estão utilizando a criatividade para atrair os hóspedes e garantir o retorno deles as residências com total conforto e segurança. O Ipanema Plaza Hotel, no Rio de Janeiro, adotou uma opção de incentivar o lazer sem a preocupação com a volta para casa. O cliente terá desconto de 30% na tarifa balcão, caso consuma bebidas alcoólicas no restaurante asiático Opium. Já para quem não quer correr o risco, o hotel preparou também à degustação do drink Fusion, feito a base de morango, hortelã e energético.
De acordo com a Gerente geral do Ipanema Plaza, Mônica Paixão, ainda não foi sentido os impactos da lei no hotel e que o movimento do restaurante permanece o mesmo, mas mesmo assim adotou o desconto balcão. “As pessoas, normalmente, acabam achando alternativas para sair de casa e se divertir. Estamos muito confiantes com relação ao movimento do restaurante, que com a Lei Seca pode até aumentar”, comenta Mônica. O Sheraton Barra, também localizado na cidade do Rio de Janeiro, também optou pela promoção da tarifa balcão, mas oferece 50% de desconto na diária para quem beber em seus bares e restaurantes. Esta iniciativa é valida somente para quem reside na cidade do Rio de Janeiro.

Volta para casa garantida

Muitos hotéis para manter a clientela resolveram optar por serviços de táxi gratuito ou opções de drinks sem álcool. O Marolinda Cult hotel, localizado em Boa Viagem, no Recife, criou opções e descontos para incentivar o lazer sem a preocupação com a volta para a casa dos moradores da cidade. O cliente pode consumir bebidas alcoólicas no restaurante Chateau Brillant, e terá desconto de 50% na tarifa de balcão. Outra opção sugerida é a degustação de drinks especiais feitos de frutas e energéticos à prova de bafômetro. Já o Holz Hotel, de Joinville, Santa Catarina, oferece aos seus clientes que consumirem bebidas alcoólicas o serviço de taxi com toda a comodidade até suas residências. Para isto, o hotel fechou uma parceria com serviço de táxi. Para usufruir do serviço, basta que o cliente avise, com meia hora de antecedência, que deseja deixar o restaurante. A corrida é por conta do hotel.
Segundo Juliana Saúde, Gerente de A&B do restaurante Portilho, empresa que comanda dez restaurantes localizados em alguns dos principais hotéis de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, no restaurante que fica no Mercure Apartaments Vila da Serra, em Belo Horizonte, ainda não foi possível sentir o impacto da lei, pois ainda estão em fase de adaptação, mas observa queda no movimento de bares e restaurantes em diversas partes da capital mineira. “Locais que eram antes lotados, agora perdem espaço para outras opções de entretenimento. Em geral, todos os bares estão com a demanda bem menor, principalmente durante a semana. No hotel, a lei afetou, de maneira ainda bem discreta, somente a venda no bar para o nosso público externo”, comenta.
Para a diretora de marketing e vendas do hotel Holiday Inn Parque Anhembi, em São Paulo, Renata Segalla Formenti, o impacto da lei será de forma positiva, uma vez que o hotel dispõe de unidades habitacionais oferecendo aos clientes tranqüilidade para o consumo de bebidas alcoólicas e ainda não foi registrada queda de consumo, no restaurante Camauê e no Lobby Bar. “Por definição, entendo que os hotéis enfrentam menores dificuldades que os bares em si. Não tomamos nenhuma medida em relação à lei. Ao contrário, visualizamos uma oportunidade, pois os nossos apartamentos são a melhor alternativa para os clientes que tem a intenção em consumir bebida alcoólica”, comenta Renata.

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