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Hotéis temáticos uma solução competitiva no mercado

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A tematização de hotéis no Brasil é muito pouco explorado pelos investidores, mas é uma ótima ferramenta para posicionar um hotel independente de maneira competitiva frente ao poder das grandes redes nacionais e internacionais

Diante da acirrada competitividade da hotelaria nos últimos anos, a fidelização dos hóspedes exige muita criatividade de hotéis considerados independentes para fazer frente a poderio das grandes redes nacionais e internacionais que possuem fortes canais de comercialização e distribuição. A tematização está sendo um recurso adotado com sucesso por vários hotéis no Brasil para oferecer um “plus” a mais a seus clientes e ficar a frente da concorrência. Pode ser um filme, desenho animado, ritmo musical, sustentabilidade, modalidade esportiva ou outro tema característico ao local do hotel. O que leva é a criatividade e os hotéis temáticos oferecem toda sua infraestrutura e serviços baseados no tema central escolhido. Alguns empreendimentos chegam a ser exóticos e procuram proporcionar ao hóspede uma experiência única, seja pela decoração ou implantação de um novo conceito no cardápio.
Os hoteleiros recorrem também a tematização de seus empreendimentos, como uma alternativa para aumentar a taxa de ocupação nos períodos de baixa temporada, e consequentemente alavancar a rentabilidade, por sua grande potencialidade na atração de novos hóspedes. Estes atributos são responsáveis ainda pela fidelização de um cliente simpatizante de determinado tema ou aquele sempre a procura por novidades e conhecimento.
E tematizar um hotel não é dificil, basta criatividade. Na Argentina, por exemplo, é possível encontrar hotéis que remetem temas ligados ao vinho, nos Estados Unidos ao tema country e na Europa ao uisque escocês. Então porque no Brasil não fazer um hotel que remete ao tema cachaça, produto 100% nacional, um hotel bossa nova, temático de carnaval ou mesmo no estilo sertanejo? 

Mercado promissor
Segundo o Consultor e especialista do setor hoteleiro, Luiz Arthur Medeiros, a hotelaria voltada à tematização ainda está engatinhando no Brasil. “O que tenho visto no mercado hoteleiro nacional é que, aqueles que tem capital para investir no mercado hoteleiro, em sua maioria acabam optando por investimentos de perfil mais conservador. Isso ocorre basicamente porque ainda temos um grande déficit de unidades habitacionais no País”, observa Medeiros.
Por outro lado, ele enfatiza que investir na tematização de um empreendimento hoteleiro é uma maneira de combater períodos de baixa ocupação e oferecer outros benefícios. “A preocupação que o hoteleiro deve ter é não estigmatizar profundamente o hotel, a ponto de deixá-lo ‘escravo’ de seu tema. Desta maneira você ganha argumentos para combater a sazonalidade, mas ao mesmo tempo espanta o público que não está totalmente afinado com a proposta temática do hotel”, explica.
Outra questão importante sobre os hotéis temáticos é a necessidade de constante atualização, o que exige do investidor hoteleiro a consciência de que o aporte de investimento será maior do que seria num hotel convencional. “Temas exigem inovação porque depois que são assimilados pelo público, caem na obsolescência”, ressalta.
Não importa se o hotel é tradicional ou temático sempre priorize prestar excelentes serviços. “Surpreender o hóspede continua sendo, e sempre será a única receita para agradar qualquer tipo de hóspede. Servir bem independe de temas, motivos ou cores diferentes. Um hotel temático pode ousar um pouco mais na proposta de surpreender o hóspede, pois está mais propenso e aberto a surpresas um pouco fora do convencional. Na verdade este cliente até a espera por isso”, frisa Medeiros.
 
Falta expertise do setor
Para o consultor, a gestão hoteleira dos empreendimentos tradicionais ainda é demasiadamente acanhada no País. “Temos muitos degraus a percorrer no sentido de conquistar reconhecimento em qualidade hoteleira. Estamos no caminho certo. Mas somos personagens de um mercado incipiente e insuficiente para atender as necessidades básicas dos hóspedes. Imagine então atender o mercado também incipiente de produtos temáticos” observa.
Medeiros ainda destaca que os hotéis temáticos são importantes e atendem a um mercado que se mostra cada vez maior. “Mas temo que tais empreendimentos acabem por mascarar a verdadeira fotografia da hotelaria brasileira. Vamos conquistar excelência em qualidade geral de atendimento. Feito isso, teremos todo o direito de olhar atentamente para qualquer inovação nos empreendimentos”, reitera.

Geração Y carece de hotel especializado
Além disso, os hotéis temáticos podem ser um atrativo para jovens da geração Y, não somente pela boa localização, qualidade da cama, o preço, a qualidade do chuveiro e da conexão de internet. Mas sim, pelo design arrojado, com ampla disponibilidade de internet wi-fi, amenities de qualidade nos quartos, opções de refeições saudáveis e experiências únicas.  Esse hóspede quer também um lobby integrado ao restaurante, um bar de renome, aplicativos (Apps) online disponíveis para reservas e check in, itens automáticos nos apartamentos, atendimento nformal e um espaço com videogames de última geração.
De acordo com o CIA World Factbook, mais de 1,7 bilhão de pessoas no mundo ocupam a faixa etária que vai dos 15 aos 30 anos, dentro de uma média de 28 anos, que pertencem a Geração Y. O seu poder de compra é maior do que qualquer outra geração que os precedeu, com gastos anuais que somam R$ 32 milhões. Este público desconhece o mundo sem redes sociais, jogos eletrônicos e internet.
Este mercado é pouco explorado no Brasil, principalmente no que se refere à hotelaria.“Será beneficiado quem for pioneiro e largar na frente. As vantagens de implementar um produto que atendam as necessidades destes hóspedes é a antecipação, pois este público será o mais relevante em questão de 5 a 10 anos”, frisa a Sócia-diretora da Mapie, Carolina Sass de Haro.  Na Europa, se observa o crescimento e desenvolvimento de várias marcas hoteleiras focadas neste novo segmento, que em breve, será o principal em poucos anos. “O importante aqui é que estes hotéis não sejam tematizados. O foco é em entender a necessidade de um novo perfil de hóspedes. Em breve, um hotel pensado para estas necessidades será o padrão e não o contrário”, explica a executiva.

Falta conhecimento sobre a Geração Y
Segundo ela os hoteleiros não investem nesta geração, pois muitos são membros de outras gerações. Isto acaba ocasionando incompreensão ou desconhecimento das novas necessidades deste perfil de hóspede. “O contexto global mudou. Não há mais separação entre vida on e offline, clientes são extremamente conectados, com mais referências e interativos”, observa Carolina. Estas características implicam em novo
s comportamentos e, por sua vez, em novos anseios e necessidades. É preciso adaptar os produtos e serviços para atendê-los. “Afinal, somos da indústria da hospitalidade e servir hóspedes de forma personalizada sempre foi o nosso negócio. O importante é entender que o hóspede mudou”, pontua Carolina.

Burocratização emperra crescimento do setor
A indústria hoteleira é ainda bastante burocratizada no Brasil, principalmente no que diz a investimento em novos padrões de serviços, e para a Geração Y. “É preciso rever drasticamente os processos operacionais, simplificando-os e tornando-os mais ágeis com apoio da tecnologia e também de urgentes e necessárias alterações na nossa legislação vigente. E é preciso entender que a velocidade de mudança é maior e que reformas e melhorias devem ser uma constante. Os fundos de reservas para investimentos devem ser usados com mais foco e inteligência”, destaca Carolina. A executiva reitera que esta geração tem alcançado postos relevantes no mercado de trabalho neste momento. Em mais alguns anos, este grupo será a principal força de trabalho do País e consequemente o maior número de hóspedes em hotéis. “Estes são fatos e não perspectivas”, conclui a diretora.

Refúgio em plena floresta Amazônica
Além dos hotéis com temas criativos, existem aqueles construídos em lugares bastante inusitados e exóticos. Um deles é o Juma Amazon Lodge, localizado em plena selva Amazônica, que foi construído há mais de dez anos, em terra firme sobre palafitas em função do período de cheias do rio que ocorrem na região, onde os mesmos podem subir até 15 metros.
O hotel é totalmente integrado à selva, respeitando as limitações do meio ambiente. Todos os materiais utilizados na construção dos 20 bangalôs foram criteriosamente extraídos da própria floresta, como as madeiras: o angelim, a itaúba, a aquariquara, a tintarana e a jacareúba foram  usadas nas paredes, passarelas e palafitas. Enquanto as folhas de babaçu fazem a cobertura, no mesmo processo utilizado pelas populações da floresta em suas casas. Esta extração criteriosa evita que se introduzam elementos estranhos à selva.
A construção do hotel na copa das árvores oferece uma realidade completamente diferente dos outros hotéis.  Todos os bangalôs estão a mais de 10 m de altura, fazendo com que os turistas tenham uma sensação de estarem dormindo em árvores.  “O investimento foi significativo, mas por outro lado o turista está disposto a pagar mais caro para obter uma experiência diferenciada”, assegura Caio Fonseca, Diretor do hotel.
Segundo ele os hotéis de selva também sofrem com a sazonalidade. “Diria  que até mais do que os outros hotéis, pois, principalmente no caso do Juma, trabalhamos apenas com lazer (não há o corporativo para equilibrar os meses de baixa no lazer)”, afirma.
Para atrair mais hóspedes, o hotel está constantemente incluindo novos passeios a sua programação.  “Em 2013, todos os turistas que irão ao Juma terão a oportunidade de encontrar o Pirarucú, o peixe mais pesado da Amazônia.  Há, no caminho para o hotel, um flutuante especializado na preservação dessa espécie”, finaliza.

Hotel arte
Já a proposta do Cult Hotel, em Recife (PE), é instigar os cinco sentidos dos hóspedes. Cada um de seus seis andares é voltado para a cultura da arte.  Com mais de 400 obras de arte autorais no acervo, algumas delas de renomados artistas como Romero de Andrade Lima, Ana Veloso, Maurício Arraes, Farfan e Delano.
Segundo José Otávio Meira Lins, Proprietário da rede Marolinda Hotéis, a iniciativa de criar um hotel temático partiu de uma linha de trabalho que sempre esteve presente na Rede. “A segmentação sempre foi o caminho para diferenciação em um mercado onde aparentemente todos fazem as coisas iguais – hospedar”, afirma.
O hotel já havia passado por um primeiro processo de segmentação quando durante 12 anos foi o primeiro hotel a investir forte na área de eventos e convenções  com a operação – desde 1990 – de sete salões para eventos e reuniões nas mais diversas capacidades. “Quando todo o mercado acordou para esse segmento de eventos, procuramos uma segunda segmentação e a escolha foi para o hotel-galeria de arte, o hotel focado na cultura”, explica.
Além de 600 obras de arte originais, espalhadas por apartamentos, corredores, lobby, e entre ouros ambientes. O hotel oferece ainda mais de 50 roteiros culturais, que podem ser consultados em seu site. Um suporte diário aos seus hóspedes e seguidores do Facebook, oferecendo toda programação de uma cidade multicultural como o Recife (PE), que tem de 10 a 30 eventos culturais por dia.
Entre os benefícios trazidos ao hotel tematizado mencionado por Meira Lins foi a clientela que se sedimentou baseada na oferta de cultura e novos nichos de mercado. “Atendemos outros segmentos como o LGBT, que tem profundo interesse na cena cultural do destino para onde viaja”, revela.
A diferenciação é outra vantagem apontada pelo executivo, dos hotéis temáticos. “Diferenciar-se é uma forma de potencializar a ocupação. Mesmo com o foco total na cultura não nos descuidados do que o mercado consumidor exige hoje para hotelaria. Como internet wi-fi sem custo e boa conexão, salas de computadores para uso gratuito pelos hóspedes, oferta de bicicletas para fitness ou para passeios culturais, farto café da manhã, e entre outros”, enaltece.
Outro dado revelado por Meira Lins, com tematização foi o incremento da diária média em mais de 60%. “Para elevar ainda mais essas receitas. Estamos iniciando processo de incentivo para que agências operadoras de turismo passem a operar roteiros culturais com guias culturalmente preparados”, conclui.

Jazz embala hotel no Sul
Fãs do Jazz, estilo musical criado nos EUA nos anos 20, tem o lugar certo para se hospedarem, no emblemático Slaviero Full Jazz, localizado no bairro nobre do Batel, em Curitiba (PR). Todos os ambientes do hotel possuem uma decoração voltada ao jazz, em pôsteres, painéis, cores mais escuras para oferecer uma atmosfera mais intimista, mobiliário e entre outros. Os hóspedes ainda contam com um bar que apresenta atrações regionais e festivais durante todo o ano com renomados artistas do estilo.
De acordo com Suzi Almeida, Gerente regional da rede Slaviero Hotéis, a ideia de se criar este tipo de hotel, partiu do princípio de oferecer ao hóspede uma experiência diferente na sua hospedagem, sem abrir mão do conforto, apenas agregando valor em forma de conceitualização. “A tematização vende a ideia de glamour e boa parte do nosso público busca isso”, ressalta a executiva.
Entre os diferenciais oferecidos pelo hotel aos hóspedes aficionados ao
estilo, está a experiência agradável de assistir um show de jazz no bar, ou no apartamento através de DVDs, sem pagar a mais por esse serviço. Além da decoração intimista dos ambientes do hotel.
Com a tematização do empreendimento, Suzi comenta também que tem ajudado a elevar a receita, tornando a rentabilidade mais interessante. “Pois acima de um determinado patamar de custos, quanto maior a diária, maior a rentabilidade. Neste caso, o hotel temático tem uma vantagem, consegue valores melhores de diária, desde que o tema seja bem trabalhado e gere nos hóspedes uma curiosidade ou necessidade de estar no hotel”, frisa.
Para Suzi a tematização deve considerar ainda os aspectos culturais e sociais da cidade onde o empreendimento estará localizado. “É importante que haja certa consonância entre estes aspectos, para que a cidade entenda a proposta do produto e a aceitação seja mais ampla. Em determinados períodos a geração de movimento pela própria população local é muito importante na receita do empreendimento”, conclui. 

Futebol é inspiração de Hostel
O Hostel Gol Backpackers Paulista, localizado em São Paulo, é todo inspirado no futebol. É um dos poucos hostels temáticos no Brasil. A decoração do empreendimento inclui bandeiras, camisas, colchas e travesseiros com emblemas de times paulistas como Palmeiras, São Paulo, Santos e Corinthians.
De acordo com o Sócio-Diretor da unidade de São Paulo, Alan Nicoliche, a ideia de desenvolver um hostel temático partiu da possibilidade de inserirmos uma marca diferente no mercado. “O tema de futebol nasceu por dois motivos: primeiramente por gostarmos muito de futebol, e, também por sabermos que o Brasil é conhecido e admirado pelo esporte. O que poderia atrair hóspedes brasileiros e estrangeiros”, frisa Nicoliche.
Além da decoração tematizada, o hostel traz o clima do futebol e de eventos esportivos, exibindo partidas de diferentes campeonatos nacionais e internacionais. Como de rúgbi, futebol americano, vôlei, e entre outros. “Promovemos eventos em nosso bar voltados ao tema. Incentivamos os hóspedes a irem ao estádio e ao museu do futebol. Até mesmo, levando-os às partidas”, acrescenta, o diretor.
Nicoliche enfatiza que é importante e necessário o hoteleiro fazer um trabalho constante para oferecer diversão e opções de turismo e lazer aos hóspedes. “Pois, não acredito que a simples tematização seja suficiente para manter uma taxa de ocupação e rentabilidade elevada. Além dos eventos promovidos pelo próprio hostel, é importante que eles percebam que a cidade tem muito a oferecer, como eventos esportivos e culturais, diversas salas de teatro e cinema, bares e baladas, parques e um ótimo circuito gastronômico”, pontua o executivo.
Para tanto o hostel está investindo em festas e happy hours para grupos fechados com o objetivo de uma maior interação entre paulistas e turistas. “A ideia é tornar isso constante. Acreditamos que dessa forma, facilitaremos um dos maiores anseios do público de hostels, que é conhecer novas pessoas e divertir-se”, afirma Nicoliche.
Por outro lado Nicoliche pondera que abrir e manter um hostel seja temático ou não, não é algo simples e fácil de administrar. “São necessários muita dedicação, trabalho e paciência. Do contrário, corre-se o risco de ter um mau desempenho e até prejuízos. Há uma onda de crescimento no setor, principalmente na cidade de São Paulo. O que nos preocupa, não pela concorrência, mas pela qualidade de serviços oferecidos, que, se não for adequada, poderá afugentar os turistas”, conclui. 

 

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