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Discussões para nova classificação hoteleira iniciam no próximo dia 24 de fevereiro

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No próximo dia 24 de fevereiro o Ministério do Turismo começa em Porto Alegre (RS) as discussões para estabelecer as novas matrizes para a classificação dos meios de hospedagem no Brasil. O trabalho será realizado em parceria com o INMETRO — Instituto Nacional de Metrologia e a SBM — Sociedade Brasileira de Metrologia, através de uma série de oito encontros nas cinco regiões do Brasil.  Na capital gaúcha será discutida a matriz de Hotel Urbano, assim como serão realizados outros encontros definindo critérios específicos para os outros sete tipos de empreendimentos: resorts, pousadas, flats, hotéis fazenda, hotéis de selva, hotéis históricos e os chamados “cama e café”.
 De acordo com Ricardo Martini Moesch, Diretor do Departamento de Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico do Ministério do Turismo, o sistema atual de classificação hoteleira não representa o padrão de qualidade e serviços prestados nos meios de hospedagem, assim como não motiva os hoteleiros a aderirem. “A nova classificação hoteleira é uma das exigências da FIFA para a Copa do Mundo de 2014, assim como do COI para as Olimpíadas de 2016. O objetivo dessa nova classificação é que haja um controle mais rígido em relação à qualidade dos serviços prestados, dando credibilidade à hotelaria brasileira e que ela possa ser mais facilmente entendida tanto pelos brasileiros como para os estrangeiros. Para obter esta nova classificação, os meios de hospedagem deverão se adequar às normas ambientais, eficiência energética e até mesmo ações de responsabilidade social”, afirma Moesch.

Novas regras e critérios
Segundo ele, esta medida está sendo discutida com as entidades representativas do setor desde o CONOTEL 2008 — Congresso Nacional de Hotéis, assim como em demais eventos do setor e a participação das entidades públicas, privadas, acadêmicas e a sociedade civil será de extrema importância para definir regras e critérios. “Queremos promover um amplo debate sobre o assunto em nossos encontros e escolha dos locais está relacionada às características da região. Em Ouro Preto, por exemplo, serão definidos os padrões para Hotéis Históricos, em Manaus as discussões serão para a padronização da categoria Hotel de Selva e em Tibau do Sul (RN) o objeto de discussões serão as Pousadas. As cidades do Rio de Janeiro, Vitória e Cuiabá também serão sedes de outros encontros”, adianta Moesch.
A nomenclatura mais adequada para a nova classificação será debatida nestes encontros, mas Moesch acredita o sistema de estrelas é um referencial que é bem compreendido pelos brasileiros e estrangeiros e será utilizado, assim como as redes internacionais poderão continuar a adotar o sistema de classificação super econômico, econômico, superior e luxo, desde que remeta a esta nova classificação, ou seja, atendam ao sistema de classificação vigente. “Para aderir ao novo sistema, o meio de hospedagem deverá ser cadastrado no Ministério do Turismo e através do site do Cadastur poderá escolher qual é a melhor matriz para enquadrar seu empreendimento através de um processo auto declaratório. Haverá uma auditoria para conferir estas informações e confrontá-las com os critérios estabelecidos. A cada dois ou três anos os meios de hospedagens terão que renovar a classificação, mas ela poderá ser suspensa se forem constatadas irregularidades através de denúncias, fiscalizações de rotinas ou até mesmo de visitas misteriosas”, revela Moesch.
   Esta nova classificação será opcional, mas continuará prevalecendo a obrigatoriedade dos meios de hospedagens se cadastrarem no Ministério do Turismo. “Acredito que o número de seis mil estabelecimentos hoteleiros cadastrados atualmente no Ministério do Turismo, vai aumentar de forma significativa e os 28 mil estabelecimentos hoteleiros apurados pelo Código Nacional de Atividades Econômicas do Ministério da Fazenda deverão se cadastrar num breve período”, conclui Moesch.
 Classificação desatualizada
A atual classificação hoteleira feita no início dos anos 90 por estrelas caiu em descrédito e pela fiscalização ser ineficiente, alguns meios de hospedagem ainda remetem ao padrão de seus serviços a uma quantidade de estrelas sem seguir critério algum. Quando surgiu a classificação denominada estrelas, havia exigências grandes, como por exemplo, nos restaurantes dos hotéis quatro e cinco estrelas, as toalhas de mesa e os guardanapos deveriam ser de tecidos, os copos, no caso dos cinco estrelas, só do tipo cristal e só eram permitidos pratos de porcelana. Entretanto havia alguns absurdos, como por exemplo, a obrigatoriedade dos hotéis cinco estrelas implantarem carpetes nos apartamentos, não respeitando se algum hóspede sofresse de rinite alérgica ou até mesmo a obrigatoriedade do hotel ter uma piscina, mas não estava claro o tamanho desta piscina.
No final de 2001 a ABIH/Nacional — Associação Brasileira da Indústria Hoteleira empreendeu esforços junto a ENBRATUR — Instituto Brasileiro de Turismo para implantar um novo sistema de classificação hoteleira, gerido com  responsabilidade compartilhada entre  governo e iniciativa privada. A matriz procurou aprimorar o formato que estava em vigor, priorizando a qualidade de serviços, respeitando as minorias com necessidades especiais e estimulando a adoção de práticas ambientalmente responsáveis. Poucos foram os hotéis que aderiram a esta classificação, pois ela deixou de considerar as características tipológicas que distinguem as estruturas receptivas de hospedagem, resultando na marginalização da maioria absoluta dos estabelecimentos hoteleiros existentes no país. A expectativa é que o novo sistema de classificação que deverá ser discutido resgate a credibilidade e tenha uma grande adesão da hotelaria nacional.

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