HOME Matérias Entrevista Desafios numa implantação hoteleira – Entrevista com Paulo Mancio

Desafios numa implantação hoteleira – Entrevista com Paulo Mancio

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Com grande experiência na implantação e desenvolvimento de estudos para viabilidade de novos empreendimentos hoteleiros, o engenheiro civil e atual Diretor técnico adjunto de implantação da Accor para a América Latina, Paulo Mancio, acumula ao longo de sua carreira projetos bem sucedidos em todo o Brasil e América Latina. Antes de atuar no setor de hotelaria, Mancio trabalhou durante dez anos nas áreas comerciais e de planejamento de grandes construtoras e na implantação de redes hoteleiras internacionais do País, o que proporcionou o amadurecimento em gerir e comprar ideias na hora certa e saber empregá-las no momento exato.

 

A determinação, a disciplina, muita energia positiva e uma enorme dose de trabalho, são também para o executivo a base para a condução desse espetacular desafio de conduzir os projetos do grupo Accor nesse momento único pelo qual passa o Brasil.

 

Confira a seguir mais detalhes desta entrevista exclusiva com Mancio, que além de sua trajetória no setor da construção civil, dá uma verdadeira aula sobre implantação hoteleira, e fala também como é o sistema de homologação de um fornecedor de produtos para a Accor, e os desafios do setor hoteleiro para os próximos anos na construção e implantação de novos hotéis, tendo em vista a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Revista Hotéis – Como e quando você entrou na rede Accor?
Paulo Mancio – Foi um convite que não pude recusar. Há cerca de dez anos, eu trabalhava em uma grande empresa de gerenciamento de empreendimentos e, nesse momento, eu cuidava das obras hoteleiras. Estávamos realizando importantes projetos para as principais redes internacionais, dentre elas a Accor. Os resultados alcançados foram tão expressivos e a empatia com os valores Accor foi tão forte, desde as primeiras reuniões, que quando surgiu o convite para trabalhar diretamente na empresa, à época, como gerente de implantação, eu não hesitei.

Revista Hotéis – Qual a bagagem e experiência profissional que você apresenta para trabalhar na diretoria técnica adjunta de implantação da Accor na América Latina?
Paulo Mancio – Não obstante a formação como engenheiro civil, realizei pós-graduação em administração de empresas, além de várias extensões ligadas a gestão de projetos, gestão de pessoas e, há cerca de dois anos, fiz um intenso treinamento de coaching que me proporcionou profundo conhecimento para conduzir equipes, sejam elas internas ou externas.
Antes de entrar na Accor, tive a oportunidade de trabalhar nas áreas comerciais e de planejamento de grandes construtoras. Essas credenciais são fundamentais para argumentar e gerir, saber comprar ideias na hora certa e saber empregá-las no momento exato.
Além disso, a determinação, a disciplina, muita energia positiva e uma enorme dose de trabalho, são a base para a condução desse espetacular desafio de conduzir os projetos Accor nesse momento tão especial pelo qual passa o Brasil, País que mais tem se destacado na América Latina.

Revista Hotéis – Quais os principais desafios que este cargo exige?
Paulo Mancio – Os principais desafios que o cargo de gestor demanda atualmente são: encontrar o ponto de equilíbrio entre manter a equipe motivada e performando os projetos hoteleiros em alto nível; saber absorver e gerenciar a grande pressão que os parceiros e clientes internos e externos exercem, além de atender à eterna equação: maximização de resultados, adoção de inovações tecnológicas e, obviamente, busca por redução nos investimentos. Na atualidade a Accor possui um pipeline de desenvolvimento de novos hotéis bastante agressivo, com atuais 86 projetos em carteira, em diversas regiões do País e do continente, portanto, acima de tudo, precisa ter uma base técnica muito sólida e uma equipe qualificada para assessorar tecnicamente cada projeto. Hoje em dia, o gestor não deve realizar, apenas, as suas atividades de uma forma melhor ou mais intensa, ele deve se diferenciar. Sou um apaixonado pela profissão, pelo que faço. Busco intensamente a melhoria, como posso resolver um problema de uma forma mais interessante, com mais qualidade, usando a energia na dose exata.

Revista Hotéis – Como você analisa a figura do implantador hoteleiro no Brasil? Você acredita que já existe uma cultura própria das pessoas em reconhecer o papel deste profissional, principalmente das empresas particulares que não estão ligadas a nenhuma rede hoteleira, ou ainda existe um pré-conceito formado em relação ao trabalho destes profissionais?
Paulo Mancio – Acho que o verdadeiro e profissional “implantador” será peça importante no desenvolvimento e implantação de hotéis e renovações. Este será um dos elos da indústria hoteleira. Acredito que nos últimos anos está se criando a cultura de verdadeiras empresas “implantadoras” de hotéis. Porém, o ponto fundamental para o sucesso de uma implantação é um Projeto de Interior Design de qualidade, com profundos conhecimentos hoteleiros e um detalhado planejamento para sua execução. Sendo um projeto Accor, esse deverá ser, sempre, supervisionado, revisado e aprovado internamente.

Revista Hotéis – Mesmo dispondo de uma equipe de implantação hoteleira própria, a Accor já recorreu a implantação ou mesmo modernização de algum empreendimento de empresas de implantação tercerizada?  Como foi o resultado?
Paulo Mancio – A Accor realiza suas implantações com sua equipe interna. Em alguns projetos, novos ou reformas, com determinadas características específicas, adota a utilização de uma empresa de implantação hoteleira externa. Os resultados, uma vez partindo de um projeto hoteleiro profissional, com planejamento físico-financeiro, engajamento de detalhadas especificações técnicas, costumam ser bastante promissores.
Quando se inicia a implantação de um hotel geralmente a obra civil está terminando, os recursos estão apertados, mas é nesta fase onde se exige uma demanda maior de recursos.

Revista Hotéis – Alguns investidores querem economizar na aquisição de alguns produtos, privilegiando preço em razão de qualidade, o que pode impactar posteriormente na prestação de serviços do hotel. Como você analisa esta questão? Você já vivenciou casos assim em hotéis que seriam administrados pela Accor? 
Paulo Mancio – É verdade que esta era uma circunstância frequente. Todavia, quando apresentamos, desde o princípio da obra, uma lista detalhada de relação de pertences, baseada em projetos previamente aprovados, esta situação se torna administrável. O hotel é um edifício que, para obter resultados financeiros, deverá, além de ter tarifas equilibradas, ter uma taxa de ocupação alta, operando muitas vezes a 100% das suas unidades hoteleiras. Portanto, economizar em produtos e equipamentos que são sensíveis aos olhos dos hóspedes é um grande erro. Nossa equipe, formada por experts em implantação hoteleira, deve usar, sempre, argumentações consistentes para recomendarmos e adotarmos os produtos e materiais corretos.

Revista Hotéis – Existe algum segredo ou receita de sucesso para se fazer a implantação de um hotel? Quais os principais cuidados que se deve levar em consideração para atender cronogramas e prazos de entrega e assegurar a qualidade e o padrão solicitado?
Paulo Mancio – Além de muita transpiração e planejamento, devemos acompanhar de perto todas as etapas da obra civil e da implantação, tais como testes de comissionamento, processo de compras, questões logísticas, execução física propriamente, estoque dos equipamentos, check-list por ambientes e aprovações dos conceitos e, sobretudo, manter uma boa comunicação e interface entre fornecedores, instaladores, equipe de operações e investidor do empreendimento.

 

Revista Hotéis – Como é que se dá a homologação de um fornecedor que deseja fornecer para a rede Accor e o que pode levá-lo a ser descredenciado?
Paulo Mancio – A Accor conta com critérios rigorosos para a homologação de um fornecedor de materiais ou serviços. Basicamente, além de uma análise da saúde financeira deste potencial fornecedor, verificaremos as especificações técnicas do produto, sua assistência técnica pós-venda, garantia e, sobretudo, sua experiência ou histórico em outros empreendimentos hoteleiros.
Contamos com uma área (Diretoria de Compras Compartilhadas) dedicada ao processo de avaliação e homologação de fornecedores, dada a importância deste tema para a Accor.
 

 

Revista Hotéis – Uma vez homologado, como se dá o sistema de compras na rede Accor?
Paulo Mancio – Um fornecedor homologado terá os seus contatos disponibilizados aos nossos investidores para projetos hoteleiros, novos ou renovações, e estará automaticamente à disposição para realização de cotações. Nossa equipe de implantação e compras técnicas contatará este fornecedor e transmitirá, por meio de RPs (relações de pertences), as especificações técnicas de cada produto.
 

Revista Hotéis – Quais os desafios de se implantar um empreendimento fora do Brasil? A mão de obra é qualificada, os fornecedores são comprometidos e como superar as adversidades?
Paulo Mancio – Acredito que o grande desafio do Brasil, não apenas nos empreendimentos hoteleiros, será prover a quantidade de mão de obra qualificada para suprir este diferenciado desenvolvimento do País. Para tanto, e buscando encontrar soluções de desafios, estamos procurando cada dia mais tecnologias, processos e soluções que dependam, cada dia mais, da industrialização da construção civil. Um bom exemplo é que em alguns hotéis estamos usando o conceito de “banheiros prontos” com excelente relação custo X benefício, aliando velocidade de instalação, uma obra muito mais limpa, qualidade de acabamento e instalações técnicas, além de ter uma empresa responsável por sua garantia por 10 anos.
Em vários países da América Latina temos uma situação de mão de obra tão qualificada quanto o Brasil. O maior desafio é que em muitos desses países não existe um parque industrial forte e consistente, portanto, têm que importar produtos, materiais e equipamentos.
 

Revista Hotéis – No Brasil se fala muito em gargalos em diversos segmentos econômicos. Você que vivencia as obras e as implantações de hotéis sente que faltam profissionais neste mercado ou temos mão de obra preparada e qualificada para atender os desafios nos próximos anos no crescimento da hotelaria no Brasil.
Paulo Mancio – Sim, já existe uma grande escassez de mão de obra para a construção civil. Estamos buscando, cada dia mais, estar ainda mais atentos ao cronograma e planejamento das obras para que possamos, ao sinal de atrasos, adotar planos de ação corretivos.
Quanto ao profissional técnico com base de conhecimento hoteleiro, este sim, em termos de quantidade, é significativamente incipiente. Atualmente, ainda são poucos os arquitetos, engenheiros, enfim, profissionais ligados a essa indústria que, verdadeiramente, possuam experiência em hotelaria.
 

Revista Hotéis  – É mais fácil implantar um hotel ou ministrar aulas de pós-graduação em gestão de Hotelaria de Luxo? Como você analisa a questão, pois são públicos bem distintos.
Paulo Mancio – É justamente para suprir a falta de profissionais com experiência em hotelaria e hospitalidade, que acredito que cursos de pós-graduação em gestão ou arquitetura hoteleira, são ótimos caminhos para produzir a desejada qualificação. O desafio de transmitir essa experiência, por meio das aulas, me encanta. Adoro dar aulas, me sinto bastante à vontade. É o momento em que falo do que gosto, aprendo muito com os meus alunos, conheço novas pessoas e me divirto. Na realidade, isso tem tudo a ver com implantação hoteleira, pois este curso ou módulo do curso de Gestão, são justamente para qualificar esses profissionais para, futuramente, trabalharem em uma obra, implantação ou em um hotel que acaba de ser implantado ou reformado.

 

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