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Belo Horizonte poderá ter super oferta hoteleira

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No próximo dia 31 de julho termina o prazo concedido pela prefeitura da cidade de Belo Horizonte para que os novos projetos hoteleiros sejam protocolados e possam receber o incentivo da Lei 9.952 de 5 de julho de 2010.  O prazo inicialmente previsto terminava no próximo dia 30 de abril, mas foi postergado em razão da grande procura. Segundo a prefeitura de Belo Horizonte, já deram entrada 30 projetos de hotéis que estão em obras e licenciamento na capital, com previsão de construção de 6,8 mil apartamentos até a Copa de 2014, mas consultores e especialistas imobiliários asseguram que há ainda mais 11 hotéis em negociação, com um total de 2,59 mil apartamentos e expectativa de que sejam investidos R$ 1,57 bilhão até 2014.
Entre as principais vantagens da nova legislação, está  a chance de o investidor poder aumentar a área construída no terreno. O CA – Coeficiente de Aproveitamento de área que hoje fica entre 0,5 e 3 passa a ser 5. Isso significa que em um terreno de 1 mil m², será possível construir até 5 mil m². Os benefícios são válidos não só para os hotéis novos, como também para os antigos. Mas para isto é necessário obedecer algumas regras como: Apresentação de cronograma de execução de obra, com previsão de conclusão da mesma até 28 de fevereiro de 2014; Garantia de início do funcionamento do estabelecimento até 30 de março de 2014; Garantia de manutenção das atividades hoteleiras por um prazo mínimo de dez anos, contados da data da emissão do Alvará de Localização e Funcionamento da atividade, entre outros.
Isto preocupa em muito a empresária Silvania Capanema(Foto) que até o último dia 07 de abril era presidente da ABIH / MG — Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado de Minas Gerais. Segundo ela, esta medida fez com que muitos proprietários de lotes dessem entrada na Prefeitura de Belo Horizonte com uma pseudo planta de um hotel somente para garantir o prazo e depois vão correr atrás de incorporadora, construtora, administradora e principalmente de investidores. “O incentivo à construção de novos empreendimentos gerou uma grande especulação no mercado de Belo Horizonte. É necessário, portanto, muita cautela, pois a Copa do Mundo só garante a hospedagem de 12 dias em Belo Horizonte e quem investir em hotéis de forma especulativa, se dará muito mal, pois a cidade só comportará estes novos empreendimentos se o Centro de Eventos do Expominas for ampliado, assim como a segunda pista do Aeroporto de Confins. Se a Copa do Mundo fosse hoje teríamos totais condições de receber os turistas com o que temos”, assegura Silvania.
Segundo ela, Belo Horizonte possui hoje 103 meios de hospedagem que totalizam 18 mil leitos e se forem utilizados os meios de hospedagens no entorno da região Metropolitana, este número passa para 38 mil leitos que são mais do que suficientes para atender a demanda da Copa do Mundo de 2014. Com relação ao fato de muitos consultores alegarem que a hotelaria de Belo Horizonte está saturada, Silvania apresenta dados que provam que não. “Temos um software chamado cesta competitiva que monitora diariamente como se encontra a taxa de hospedagem que fechou o ano de 2010 em 69%. O que estava acontecendo em Belo Horizonte até dois anos atrás, era uma superposição de eventos. O calendário de eventos da cidade era completamente desorganizado e as entidades não se entendiam, sendo comum numa mesma semana três grandes eventos sendo realizados de forma simultânea, o que sobrecarregava a oferta de leitos. Hoje já estamos iniciando o calendário de eventos para 2012 e esta distribuição uniforme assegura leitos o ano inteiro”, destaca Silvania.
Ela deixa claro que não é contra os novos hotéis que deverão ser construídos até 2014, mas que dos 30 que deram entrada na Prefeitura, muitos foram para não perder o prazo e que dificilmente sairão do papel. “Enfatizo que Belo Horizonte só poderá receber novos hotéis se criar outros espaços para captar novos eventos, pois o Minascentro e o Expominas já estão com agendas esgotadas nos próximos dois anos, e o Aeroporto de Confins necessita ser ampliado. Se isto acontecer, que venham novos hotéis e certamente teremos a melhor capital do Brasil para sediar eventos”, conclui Capanema.

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