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A importância de um projeto luminotécnico num hotel

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Matéria publicada na edição 59, setembro de 2007

 

Ele deve ser planejado para criar uma atmosfera adequada, proporcionar conforto visual, ter flexibilidade para atender às diferentes solicitações dos hóspedes, ser econômico e um complemento dos  projetos de arquitetura de interiores

 

Grande parte das sensações de conforto e desconforto sentidas por um hóspede em um hotel, está intimamente ligada a iluminação. Este elemento de vital importância é executado na fase final da obra, onde muitas vezes os recursos estão acabando, e alguns empreendedores preferem contratar eletricistas para executar o serviço. Essa economia aparente reflete diretamente na depreciação do empreendimento que não terá conforto visual proporcionado por um bom projeto luminotécnico, assim como terá altos gastos de energia elétrica. Um bom projeto luminotécnico deve ser planejado para criar uma atmosfera adequada, dar conforto visual, ter flexibilidade (atender às diferentes solicitações dos hóspedes), ser econômico e um complemento dos projetos de arquitetura e interiores.
De acordo com a Arquiteta Esther Stiller, qualquer projeto de iluminação deve atender a um extenso conjunto de condicionantes: o conforto visual, a saúde e o bem estar psicológico e estético dos usuários, o baixo consumo de energia, a longa vida útil das lâmpadas, a facilidade de manutenção dos equipamentos, a eficácia dos fachos luminosos de luz indireta nas áreas externas (que não devem ser desperdiçados inutilmente em direção à escuridão da noite), e a não interferência da iluminação do hotel nas áreas do entorno urbano e dos eventuais edifícios vizinhos. “O primeiro item engloba assuntos ligados à engenharia e à arquitetura; o segundo reflete compromissos de ordem econômica, exclusivamente ligados aos interesses do cliente; o terceiro diz respeito ao compromisso de todos os profissionais da área com a preservação dos recursos naturais do planeta, e com a comunidade e o quarto item, atende aos compromissos sociais relativos ao respeito e ao bem estar da comunidade”, cita Esther.
Num hotel, que é uma residência “temporária” para os seus hóspedes, a atenção é dobrada às necessidades de ordem estética e de bem estar psicológico dos usuários nas áreas privativas (quartos) e sociais (lobby, bares, restaurantes, lazer, spa, fitness, dentre outros). Como também é particularmente importante a viabilidade econômica do empreendimento, o que exige a opção por tecnologia de baixo consumo de energia e longa vida útil de lâmpadas e reatores (baixo custo de operação). “Por se tratar de espaços de uso temporário, é desejável a diversidade dos resultados visuais, e, portanto, as soluções mais criativas ou inusitadas podem ser adotadas, dentro da elegância e da linguagem estética requeridas pelo cliente ou empreendedor”, explica Esther.
  

Prioridade na qualidade visual
Segundo a arquiteta, o apartamento deve ser objeto da síntese entre sensação de conforto visual, abrigo, relaxamento e aconchego, e os custos de operação do sistema de iluminação. “É importante notar que o tempo de utilização dessas áreas é pequeno (duas a três horas/dia, ao contrário das áreas sociais, que ficam ligadas 24 horas/dia e 365 dias/ano). Portanto, a qualidade visual desses locais é prioridade, frente aos itens de consumo e vida útil”.
Para o Lighting Designer Plínio Godoy, algumas áreas também devem receber mais atenção. “Entendo um hotel como um sistema, que trabalha como conjunto e com seus sub-conjuntos. Temos o lobby, importante, pois é uma das primeiras impressões que o hóspede têm do hotel. Nele mostramos ao hóspede sua sofisticação, sua ambiência, um espaço de recepção e percepção visual importante. Em segundo lugar, temos os corredores, que é um sub-sistema de recepção do hóspede, pois leva-o até os aposentos, os quartos, onde há a possibilidade de uma análise mais detalhada dos serviços”, comenta. Para ele, é nesse momento que o hóspede faz sua crítica mais importante, quando ele se instala no quarto. A iluminação deve ser correta na função, e acima de tudo integrada com a decoração. A questão energética é importante, porém muito mais para o operador. O hóspede se interessa por funcionalidade e design.
O uso de lâmpadas de tecnologia halógena é ainda possível, frente á alta qualidade dos fluxos luminosos dessas lâmpadas. A redução da intensidade luminosa é uma alternativa para o aumento da vida útil dessas lâmpadas, o que melhora o desempenho da instalação do ponto de vista da economia do sistema. As áreas sociais devem ser tratadas com grande variedade de efeitos luminosos, para garantir a riqueza visual desejada para essas áreas, com tecnologia de alta qualidade visual – halógena ou, em certos casos, lâmpadas refletoras a vapor metálico -, que consomem menos energia e duram algumas vezes mais do que as halógenas. As áreas técnicas e de serviço devem utilizar tecnologia de alta eficácia luminosa – baixo consumo e longa vida útil – que é oferecida pelas lâmpadas fluorescentes, especialmente as lâmpadas do tipo T-5, em 28 e 54W.
Segundo a Arqª Esther, nos jardins e nas áreas de lazer de uso externo as lâmpadas refletoras a vapor metálico representam uma excelente alternativa para pisos e para a valorização da vegetação, principalmente neste último caso, onde os fachos muito bem definidos dessas lâmpadas garantem máximo aproveitamento do fluxo luminoso, evitando o desperdício dos fachos que são dirigidos do piso para a copa das árvores ou para as fachadas. “No caso da iluminação das fachadas, deve ser estudada de forma diferente para cada fachada, e a solução de cada uma depende da sua volumetria e dos detalhes que oferece para criar um desenho harmonioso no conjunto, durante a noite. O respeito ao descanso dos hóspedes é um item obrigatório, o que implica em não jogar luz sobre as janelas dos quartos”, explica Esther.

Soluções integradas com a arquitetura
Para Godoy, em relação à iluminação de fachadas, uma das questões mais importantes é o desenvolvimento de soluções integradas com a arquitetura. Quanto mais uma solução for desenvolvida em conjunto, melhor serão os resultados, pois significam muito para o resultado do hotel. “Estamos desenvolvendo um sistema de iluminação de fachadas para um grupo internacional importante, no Brasil, o grupo Accor, que solicitou um sistema inédito, que fosse facilmente instalado em hotéis novos e existentes, para criar uma assinatura de suas unidades. Utilizamos a tecnologia LED, que se mostra interessante pelos aspectos da manutenção, consumo energético, confiabilidade e custo”, cita.
Para Esther e Godoy, a demanda de produtos de iluminação no mercado nacional está crescendo cada vez mais e a indústria nacional está plenamente capacitada para atender. “Nossos fabricantes atendem a todas as necessidades da iluminação funcional (luminárias destinadas a iluminação técnica) e decorativa (luminárias sobrepostas, abajures, arandelas, etc). Haverá necessidades decorativas de cada autor de projeto que exigirão modelos com design mais sofisticado e original (luminárias decorativas) e importadas. Mas, de modo geral, até nesse item é possível encontrar alternativas nacionais que podem implicar em menores custos de implantação inicial”, garante o Arqº Godoy. Segundo ele, temos no Brasil bons fabricantes, que permitem o desenvolvimento de soluções integradas, flexíveis e de muito boa qualidade. “A questão Design é um aspecto que ainda os produtos importados são predominantes, porém não descartando os produtos nacionais, que atingem níveis de qualidade e design muito satisfatórios”, fala.
No mercado existem diversas luminárias que atendem bem as necessidades de um bom projeto luminotécnico, e a escolha correta é um item de grande relevância, pois resulta em conforto visual, segurança e economia de energia e são fundamentais à decoração, pois atuam como apliques nas paredes e tetos. As luminárias são concebidas para determinados tipos de lâmpadas, portanto, a escolha do modelo vincula-se a uma série de especificações técnicas, pois efeitos luminosos diferentes são criados, conforme o modelo e o material com o qual são fabricadas. Quando as luminárias são cobertas com material translúcido, como vidro fosco, a luz é difusa; se o vidro é opalino, a claridade é maior.

A escolha correta das luminárias é imprescindível
Aspectos como esses são observados nos projetos luminotécnicos. As luminárias com lâmpadas fluorescentes compactas com baixo consumo de energia são utilizadas na maior parte dos ambientes por serem pequenas e estarem disponíveis em duas tonalidades de cor. Essas lâmpadas podem ser utilizadas em plafoniers, luminárias de embutir geralmente com vidros foscos para reduzir o ofuscamento, arandelas etc.  As luminárias de embutir ou spots para lâmpadas halógenas também são muito utilizadas para dar destaque, principalmente no lobby, restaurantes e bares. A iluminação indireta com luminárias específicas ou com sancas também é muita bem aceitas graças ao conforto que proporcionam.
As principais reclamações dos hóspedes brasileiros em relação à iluminação estão nos quartos e muitas vezes estão ligadas a fatores culturais. Muitos hotéis pertencem a cadeias internacionais e a concepção de luminosidade na Europa e nos Estados Unidos é diferente da existente em um país tropical. Entretanto, as redes hoteleiras já estão se preocupando com isso e se adequando à realidade brasileira. O quarto de hotel deve permitir que o hóspede relaxe, se sinta em casa. A iluminação deve ser suave, com plafoniers e arandelas. Uma iluminação mais direcionada deve ser prevista caso o hóspede deseje ler. A dimerização é interessante para que o hóspede regule a intensidade de luz que lhe for mais conveniente.

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