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Vírus da Gripe Suína preocupa hotelaria nacional

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Um estudo realizado pelo instituto Oxford Economics, sob encomenda do Conselho Mundial de Turismo, revela que a indústria mundial do turismo – que engloba empresas aéreas, rede hoteleira, empresas de cartões de crédito, restaurantes – deve registrar perdas de US$ 2,2 bilhões entre este ano e 2010 em razão dos efeitos da gripe A (conhecida como Gripe Suína). Como os meios de transportes são globalizados, o Brasil não teria como fugir dos efeitos do vírus (Influenza A – H1N1), que contribuiu para o registro de queda nas despesas com viagens e conseqüentemente na hotelaria nacional. Segundo levantamento do mês de julho referente a Preços ao Consumidor da FIPE — Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, o custo de viagens e excursões teve queda de 2,3% no período, gerando um impacto negativo de 5,65% no índice, que subiu 0,33%. O estudo do IPC registrou que muitas pessoas cancelaram suas viagens de férias por medo da doença e isso deve continuar no mês de agosto. Se não fosse por isso, a inflação brasileira poderia ter subido mais.
A hotelaria nacional como um todo está preocupada com os efeitos da Gripe suína (Gripe A H1N1). ABIH-RJ – Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Rio de Janeiro, distribuiu entre seus associados uma Cartilha elaborada pelo Sistema FIRJAN e dirigida a empresários, com informações sobre a doença. Os hotéis da orla da Zona Sul, como o Everest Park Hotel, em Ipanema também estão adotando medidas preventivas, como a distribuição de cartilhas de orientação aos hóspedes e o uso de álcool em gel em seus 25 quartos. “Passamos as informações divulgadas pelos órgãos de saúde e orientamos as camareiras a arrumarem os quartos apenas após a saída de hóspedes, sempre de luvas. Além disso, os clientes têm à sua disposição frascos de álcool em gel em todos os quartos”, informou o recepcionista do Everest, Wagner Sobral.
O Hotel Marina Palace no Leblon, adotou o álcool em gel em seus refeitórios. Além disso, há cartazes informativos sobre a gripe nos corredores, para orientar funcionários e hóspedes. O Sheraton Rio, na Avenida Niemeyer, também aderiu ao gel nos banheiros do hotel e distribuiu cartas aos hóspedes, no momento do check in, com as recomendações feitas pelo Ministério da Saúde. Os clientes estrangeiros são orientados a procurar a gerência se sentirem algum sintoma da gripe, mas não houve nenhuma procura.

Foco da doença
No Rio Grande do Sul que faz fronteira com a Argentina, principal foco de contágio do Continente Sulamericano, a Gripe Suína afeta também os eventos.  De acordo com o Presidente do Porto Alegre Convention & Visitors Bureau, Ricardo Ritter, o Mutirão da Comunicação América Latina e Caribe que iria acontecer em Porto Alegre, foi adiado para fevereiro de 2010. Este evento deveria reunir cinco mil representantes de igrejas em Porto Alegre durante cinco dias de evento. “Como este evento seria realizado em ambiente fechado e atrairia um grande número de pessoas dos países do Mercosul, como Argentina e Chile, onde a doença já está em situação bem mais avançada do que aqui, foi mais prudente adia-lo para 2010”, revela Ritter.
A Rede Bourbon de Hotéis & Resorts também adotou algumas medidas de prevenção e informação junto aos seus funcionários contra a Gripe Suína. As ações colocadas em prática foram desenvolvidas pelo Departamento de RH da Rede. “A Rede Bourbon optou por desenvolver um informativo a respeito do Influenza A para prestar esclarecimentos a todos os funcionários. Assim, eles estarão aptos a fornecer informações mais precisas aos hóspedes e podem adotar medidas de prevenção no trabalho e em casa. Nosso objetivo com o informativo é que o funcionário leve para sua casa as informações para que a família toda possa tomar os cuidados necessários. Desta forma, além de proteger as equipes, estamos contribuindo para minimizar os riscos na comunidade”, destaca Maria Cristina de Carvalho, Gerente de RH Corporativo da Rede.
Para desmistificar alguns tabus e amenizar os problemas que cercam a nova gripe, entidades dos setores de turismo e de saúde se reuniram no último dia 14 de julho, no Hotel Deville Rayon, em Curitiba (PR) tentando reverter a crise e desmitificar a nova gripe. O evento contou com o apoio da ABAV/PR — Associação Brasileira de Agentes de Viagens do Paraná, da ABIH-PR — Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, do CCVB — Curitiba Convention & Visitors Bureau, Hospital VITA Curitiba e Travel Clin. Entre os temas debatidos estavam: “Gripe Suína: por que não viajar?”, com o infectologista do Hospital VITA Curitiba e especialista em Medicina do Viajante, Jaime Rocha. Segundo ele, o vírus Influenza A (H1N1) não se mostrou mais agressivo ou letal que a gripe comum. “A diferença é que como se trata de um vírus novo as pessoas ainda não tem imunidade. Por isso que pacientes com imunodeficiências, gestantes, idosos, e crianças menores de 2 anos estão dentro do grupo de risco”, afirma Rocha.
Para o Gerente geral do Hotel Deville Rayon, Gilles Grimberg, o problema maior talvez não seja a falta de informações sobre o assunto, mas o excesso. “Muitas pessoas fazem uma confusão com o excesso de informações e acabam sem saber em que informação acreditar. Com isso, criam um bloqueio e desistem de viajar”, acredita. A idéia é reverter este quadro econômico do setor turístico com informações precisas e de credibilidade. A partir do evento, a Rede Deville pretende ainda produzir um manual explicativo para os turistas, que será distribuído nas agências de viagem.

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