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Uma aula de Consultoria Hoteleira

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Com grande experiência na criação e desenvolvimento de estudos para viabilidade de novos empreendimentos, ou consultoria hoteleira, a atual Vice-presidente sênior da Jones Lang LaSalle Hotels, Manuela Gorni, acumula ao longo de sua carreira projetos bem sucedidos em todo o Brasil. Antes de atuar no setor de consultoria, Manuela atuou nos setores de hospitalidade e gestão pública com passagens pelos grupos hoteleiros Holiday Inn e Accor e pela assessoria da Embratur.
Sua imersão na área de consultoria se deu após um convite da divisão de hotelaria da Soteconti Horwath, em que desenvolveu estudos para o desenvolvimento de novos produtos hoteleiros.
Em 2001, a executiva abriu a HIA — Hotel Investment Advisors, em conjunto com Ricardo Mader Rodrigues, criando diversos projetos de relevância como InterContinental São Paulo, Sofitel Jequitimar, Grand Hyatt São Paulo e Meliá WTC. A empresa sofreu um processo de fusão com a Jones Lang LaSalle Hotels em junho de 2008, possibilitando a expansão do alcance de novos projetos para ambas empresas.
Confira nas próximas a entrevista com a executiva Manuela Gorni, que além de sua trajetória no setor de consultoria, falará sobre as principais tendências do setor, expectativas na atual conjuntura econômica, Oportunidades na Copa do Mundo de 2014 e como a Jones Lang LaSalle Hotels está posicionada no mercado.

 

Revista Hotéis – Antes de entrar na área de consultoria você atuou na área de turismo e hotelaria, passando pela e assessorando a Embratur. Como foi esta experiência e o que ela agregou em sua formação profissional?
Manuela Gorni – A assessoria à Embratur me proporcionou a oportunidade de participar da gestão pública, já na Holiday Inn houve o primeiro contato com a indústria da hospitalidade. Na Accor o meu horizonte foi ampliado com a oportunidade de atuar na gestão de unidades hoteleiras, além do desenvolvimento e implantação do produto Flat Service. Estas atuações me possibilitaram conhecimento, profissionalização e experiência em lidar com diferentes setores da cadeia da indústria.

Revista Hotéis – Quais os motivos que a levaram a atuar na área de consultoria e como surgiu a HIA — Hotel Investment Advisors. A empresa nasceu com quais objetivos?
Manuela Gorni – O meu início na área de consultoria se deu através de convite da Soteconti Horwath, na divisão de hotelaria, primeiramente em tempo parcial e em seguida a tempo pleno à medida que empreendedores absorveram a necessidade de analisar e estudar o mercado para o desenvolvimento de novos produtos hoteleiros. Em 2001, Ricardo Mader Rodrigues e eu iniciamos a HIA – Hotel Investment Advisors, a qual teve como escopo prestar serviços como estudos de mercado, concepção de produto, viabilidade econômica e avaliação econômica do valor, planejamento estratégico para grupos hoteleiros, asset management, enfim toda a gama de serviços para avaliar a necessidade e objetivo do nosso cliente relativos a indústria do turismo.

Revista Hotéis – Quais foram os projetos mais relevantes de consultoria que prestou a frente da HIA — Hotel Investment Advisors?
Manuela Gorni – A estabilidade econômica derivada do Plano Real proporcionou a expansão da nossa indústria e, portanto a oportunidade de participarmos da formatação de projetos desde hotéis econômicos, pousadas e hotéis de luxo, Condohotéis e resorts. Alguns empreendimentos urbanos significativos valem ser citados: em São Paulo, InterContinental, Sofitel, Hyatt, Gran Mercure, Ibis Expo, Marriott Aeroporto; em Porto Alegre, citamos os principais hotéis em operação, como o Sheraton, o Deville, os BlueTree; em Belo Horizonte além do Ibis e F1, o centro de Exposições Expominas, e Sauípe entre outros. A experiência obtida no acompanhamento da implantação do Meliá WTC foi significativa, pois era um trabalho inédito num projeto desse porte.
Posteriormente essa experiência foi importante na implantação do Sofitel Jequitimar.
Participei também do grupo de trabalho do IPO da Investur e outros; estudos estratégicos para cadeias hoteleiras não atuantes no Brasil; transação da venda de algumas propriedades como o atual Windsor Barra, o Intercity Florianópolis e alguns projetos de centro de convenções e resorts que apesar de não terem sido desenvolvidos, tiveram pesquisa de viabilidade e produto realizadas juntamente a equipes de arquitetos e engenheiros, o que me proporcionou novos conhecimentos e trabalho em equipe.

Revista Hotéis – Como se deu a fusão da HIA — Hotel Investment Advisors com a Jones Lang LaSalle Hotels e o que isto agregou em termos de representação?
Manuela Gorni – A fusão com a Jones Lang LaSalle Hotels ocorreu em julho de 2008, em um momento significativo da indústria do turismo e especialmente da hospitalidade no cenário nacional e mundial.Integrar a equipe mundial da Jones Lang LaSalle Hotels que compreende mais de 220especialistas hoteleiros operando em 32 escritórios em 19 países com área de consultoria apoiada por um dedicado grupo de pesquisadores, possibilitou a ampliação de nossos modelos de negócios e intercâmbio de informações e oportunidades.

Revista Hotéis – O atual momento econômico mundial dificulta ou facilita o trabalho de consultoria?
Manuela Gorni – A atual conjuntura econômica brasileira em relação à mundial deverá criar oportunidades de investimentos (fundos imobiliários, equity funds) tanto internacionais quanto nacionais. Também possibilitará planos de crescimento ou consolidação para redes hoteleiras internacionais, em mercados estratégicos ou diferenciados, expandindo assim a nossa possibilidade de atuação no setor. No entanto, dado a maior sofisticação desse investidor atual, exige-se da consultoria um melhor preparo em decorrência dos novos mecanismos de análise.

Revista Hotéis – Vocês registraram muita queda ou cancelamento de investimentos estrangeiros na hotelaria nacional em razão do atual momento econômico?
Manuela Gorni – Podemos dizer que não houve queda ou cancelamento e sim os fundos de investimentos estrangeiros postergaram ou redirecionaram as prioridades.

Revista Hotéis – No seu ponto de vista o capital estrangeiro ainda continuará a financiar a expansão da hotelaria no Brasil ou os investidores nacionais irão prevalecer?
Manuela Gorni – As duas modalidades deverão acontecer caso se concretize o início da recuperação econômica prevista para o 2º. Semestre, a contínua queda da taxa de juros, e a estabilização do Risco Brasil, que possam promover um ciclo de desenvolvimento de novos hotéis e produtos.

Revista Hotéis – Quais são os projetos de consultoria que estão prestando no momento?
Manuela Gorni – Estamos trabalhando em projetos de diferentes modalidades para grupos nacionais e internacionais com diferentes perfis, em diversas regiões do país.

Revista Hotéis – O Nordeste brasileiro ainda continuará sendo o grande alvo de investimentos na expansão da hotelaria nacional ou existem outras regiões de grande potencial que estão sendo descobertas?
Manuela Gorni- Outras regiões do país como norte, central e sul apresentam possibilidade de novo ciclo hoteleiro, também em decorrência do PAC e do surgimento e ampliação de parques industriais, bem como de serviços em geral.
 

Revista Hotéis – Hotelaria econômica ainda é o melhor produto a ser desenvolvido no Brasil ou você acredita que existem nichos de mercado carentes de hotelaria superior ou de luxo?
Manuela Gorni – Pela dimensão do nosso país a hotelaria econômica é a que apresenta potencial de maior desenvolvimento, contudo em determinadas cidades nichos de mercado como hotéis de categoria midscale, luxo e boutique hotéis surgem como opções de investimento.

Revista Hotéis – A cidade de São Paulo está com um crescimento contínuo na taxa de ocupação e recuperando a diária média. Você acredita que os investimentos em novos hotéis podem voltar em breve? E quem serão estes novos investidores?
Manuela Gorni – Estudos de novos empreendimentos estão acontecendo nas diferentes categorias, no entanto a dificuldade de se encontrar áreas disponíveis a preço viável é um importante limitador do setor. Os modelos, como fundo imobiliário e condohotel voltam como estrutura de investimento.

Revista Hotéis – A hotelaria nacional está bem estruturada e capacitada para receber a Copa do Mundo de 2014 ou ainda faltam muitos investimentos na ampliação e modernização do parque hoteleiro nacional?
Manuela Gorni – Dado o tamanho e as peculiaridades de nosso país a hotelaria também não pode ser tratada de modo único, pois cada região possui desafios próprios. No entanto, a dimensão hoteleira nas principais capitais do país, em um raio de 150 km, está capacitada para receber a Copa do Mundo, em termos de quantidade de apartamentos disponíveis ou em projetos existentes a curto prazo, ou ainda, alternativas à hotelaria tradicional. Vale lembrar que a construção de novos hotéis se não sustentados por uma demanda independente do evento, voltará a ocasionar uma super oferta como ocorrido em décadas passadas, num momento em que a hotelaria está recuperando suas diárias médias e ocupação. Esta situação será agravada nas cidades sede onde além da dimensão hoteleira há deficiências em outros setores relacionados a infra-estrutura.

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