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O Rio de Janeiro tem que acordar!

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Rafael Guaspari*

 

Ao longo dos últimos anos temos assistido a uma interminável sucessão de manifestações dos setores mais conservadores da ABIH Nacional se opondo ao modelo de negócios e formatação jurídico-financeira de desenvolvimento hoteleiro que mais resultados produziu no Brasil. No final dos anos 90, com diárias médias ao redor de R$ 300, ocupações muito altas, consumidores insatisfeitos e nenhum movimento dos hoteleiros de então para aumento da oferta, investidores muito mais criativos e arrojados voltaram seus olhos para o setor e passaram a desenvolver empreendimentos que vieram substituir os antigos e defasados hotéis, rejuvenescendo a indústria e ampliando a oferta.
Utilizando a plataforma jurídica do condomínio, empreendimentos modernos, tecnologicamente equipados, contemporâneos e competitivos foram construídos com recursos da iniciativa privada e deram uma nova face ao parque hoteleiro nacional. As cidades de Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, Manaus e Brasília, apenas para citar algumas, se beneficiaram com os apart-hotéis, recepcionando de braços abertos tais empreendimentos, que em nada se equiparam, salvo poucas exceções, aos hotéis defasados, ineficientes e caros, que formavam a oferta nacional no final dos anos 90 e ainda comuns no Rio de Janeiro, cidade que não permite este tipo de formatação. E quem diz isto não sou eu e sim os hóspedes que lá se hospedam.
Hoje não podemos mais aceitar a visão que o presidente da ABIH Nacional, tradicional hoteleiro carioca, tem dos apart-hotéis, quando os define como “apartamentos no estilo quarto e sala” ou os qualifica, pejorativamente, como “verdadeiras cabeças-de-porco no meio de bairros nobres das cidades”, e “sem suficientes vagas para estacionamento”. Esta manifestação, além de desqualificar os apart-hotéis administrados por ele através de sua empresa, desrespeita também todos os investidores em apart-hotéis e as redes hoteleiras que os administram, muitas delas com seus empreendimentos afiliados a ABIH.
Apenas a título de comparação, o número de vagas médio em meios de hospedagem em São Paulo é de 0,67 vagas por apartamento, em Goiânia, 0,55, em Fortaleza 0,28 enquanto que no Rio de Janeiro observamos que a disponibilidade média de vagas é de apenas 0,16 por apartamento.
O que pude apreender de tais manifestações é que nenhuma tem como objetivo o bem comum, a diversificação de ofertas aos consumidores, o incremento do turismo brasileiro, a circulação de riquezas, a geração de empregos e a melhoria da qualidade de vida no Brasil. Ao que parece, o objetivo de referidas declarações é dificultar a entrada no mercado de novos players, criando uma espécie de reserva de mercado.
Apesar de não ter a natural vocação turística da Cidade Maravilhosa, São Paulo tem uma nova e moderna oferta de hospedagem, que conta com 44 mil quartos, dos quais 30 mil têm formatação apart-hoteleira. Só um parque assim poderia dar o suporte para os 600 mil m² de espaços destinados a feiras, eventos e convenções que têm a capital paulista, o que possibilitou que a mesma se firmasse como uma das capitais mundiais de eventos. Tal transformação só foi possível em razão de um eficiente trabalho conjunto feito pela Prefeitura e Câmara Municipal, SPTuris, SPCV&B, associações de classe, empresas hoteleiras e empreendedores. Atualmente São Paulo recebe 90 mil eventos por ano, que representam 75% do mercado nacional, movimentando quase R$ 3 bilhões, com empreendimentos convenientemente espalhados pela cidade e com uma diversificada gama de categorias e preços. O Rio de Janeiro, mantendo sua postura conservadora, conta com uma oferta de apenas 19 mil quartos, concentrada em poucas regiões, com preços altos e em sua maioria formada de empreendimentos defasados e ineficientes.
Com uma oferta hoteleira tão grande e diversificada, São Paulo consegue explorar todo o seu potencial turístico, pois além de feiras, eventos e convenções, a cidade se beneficia dos turistas que a visitam em busca de negócios, lazer, gastronomia, museus, teatros, compras, religião, esportes e saúde.
Como economista, aprendi que o mercado tem suas próprias regras e que individualmente pouco podemos fazer para mudá-las. Como empresário, aprendi que os momentos de boom devem ser aproveitados, senão por nós, seguramente por outros mais empreendedores. Como hoteleiro, vejo os enormes benefícios que os apart-hotéis trouxeram para a indústria do turismo, investidores, colaboradores, hóspedes, redes hoteleiras e cidades por todo o Brasil. E como brasileiro, que hoje vive num regime de liberdade e de livre concorrência amparada constitucionalmente, aprendi que as oportunidades existem para todos, basta saber aproveitá-las.  
Espero que o Rio de Janeiro, uma das cidades escolhidas como sede dos jogos da Copa do Mundo de 2014 e candidata a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, democratize seu parque hoteleiro o quanto antes e modernizando-o também por meio de apart-hotéis empreendidos desenvolvidos sem qualquer recurso público, evitando, assim, sujeitar os visitantes e torcedores que vierem para tão importante evento, a uma hospedagem cara e defasada.

 

*Rafael Guaspari é Carioca, Presidente do FOHB – Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil  Vice-Presidente Sênior da Atlantica Hotels International.

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