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O poder do uniforme na hotelaria

Os prossionais da hotelaria são como um cartão de visitas do hotel, e para isso, uniformes que passam o conceito da marca devem ser cuidadosamente escolhidos. Aliar conforto e estilo pode parecer fácil, mas exige cuidados

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Uniformes da empresa Office Collection apresentados na feira Equipotel 2016 - Foto - Divulgação

Há ditados populares que nem sempre se aplicam na prática. Mas na hotelaria, o conhecido dizer “A primeira impressão é a que fica”, é real. Antes mesmo de entrar no empreendimento, o hóspede geralmente é recebido por um capitão porteiro, com quem troca poucas palavras, mas interage gestualmente. Em seguida, já vê recepcionistas e os identifica visualmente. Estes são os primeiros contatos do cliente com o produto e que podem definir sua primeira impressão. A identificação visual é o que pode levar o hóspede a criar uma afeição inicial com o hotel, e os uniformes são imprescindíveis para esta função.

Para a criação dos uniformes dos colaboradores de um hotel, uma série de etapas são cumpridas. Após análise de segmento e do target que o hotel se posiciona, é feito um diagnóstico do que a empresa quer e precisa para sua funcionalidade e comunicação com o mercado. É o que explica Izabella Sieler Branco, Fashion Design, que já criou linhas de uniformes para hotelaria comum e hospitalar. Segundo ela, geralmente os departamentos de Recursos Humanos e Marketing fazem este briefing de necessidades para iniciar a elaboração de um estudo estético e funcional dos uniformes.

Os primeiros aspectos analisados são: Posicionamento do hotel, estrutura e quais departamentos serão atendidos, a logística, o armazenamento/estoque e a praticidade de uso e manutenção destes uniformes. Após estas informações serem compiladas, é apresentado um  layout deste estudo para análise destes departamentos para aprovação e, assim, é encaminhado o desenvolvimento de protótipos para novamente serem apresentadas e postas em teste de uso. Só assim, são colocadas em produção de escala.

Com todas estas etapas, os hotéis ainda precisam considerar as características criativas e estar à frente das tendências da moda. “Quando um projeto de uniforme é criado e não apenas adaptado ao que já existe disponível e pronto no mercado, permite-nos imprimir toda identidade, características, cultura e imagem do hotel. Neste contexto, as tendências representam uma excelente ferramenta de apoio para a contemporaneidade do projeto”, afirmou Izabella Branco.

 Izabella Branco: “Um bom planejamento e estudo completo da empresa tem alto significado na percepção do mercado e no resultado final” - Foto - Divulgação
Izabella Branco: “Um bom planejamento e estudo completo da empresa tem alto significado na percepção do mercado e no resultado final” – Foto – Divulgação

Estética x Conforto

Para a Fashion Design Izabella Branco, além de imprimir a personalidade da empresa, o projeto previamente planejado e produzido deve levar em consideração o bem estar e a autoestima do funcionário, objetivando uma percepção de excelência e modernidade do hotel ao hóspede. “A cada dia novos materiais são lançados e disponibilizados, matérias primas de tecidos inteligentes com alta performance, com mais conforto, fácil manutenção e maior durabilidade.  Cada caso é pensado de forma única, de acordo com a estrutura e interesse da cada empresa”, explicou.

Há três anos, a estilista produziu o uniforme da Rede Intercity, que foi desenvolvido em um momento de transição de posicionamento da empresa, quando estava ampliando sua rede e modernizando sua comunicação com seu target de hotelaria executiva. Junto à rede, a profissional pensou no público que viaja muito, tem muitas referências, exige mais qualidade estética clássica e contemporânea, sem ser exageradamente formal nos trajes, interagindo com este cliente mais moderno.

Outro case que a estilista atuou foi o Grupo de Hospitais da Santa Casa de Porto Alegre, considerado complexo por existir mais departamentos e setores e se comunicar com cliente que está doente. “Deve-se pensar em soluções técnicas e funcionais lembrando sempre da forma humana de amenizar a dor, neste caso e as cores utilizadas são muito importantes na aplicação de uma estética de formas mais orgânicas e menos formais. A solução é diferenciada para cada empresa, em todas é pensado na necessidade, custos e o resultado a longo prazo, já que um projeto de uniforme no Brasil deve durar no mínimo 4 anos. Na maioria do casos em que atuei já ultrapassaram sete anos”, contou.

Os uniformes que trazem elegância propiciam também a confiança do hóspede no profissional - Foto - Divulgação
Os uniformes que trazem elegância propiciam também a confiança do hóspede no profissional – Foto – Divulgação

Segundo Izabella, normalmente as consultas iniciam com o intuito de resolver os problemas de uniformes com pequenas intervenções, mas invariavelmente, acaba tomando outro rumo, já que reformar se torna muitas vezes tão oneroso e ineficiente que uma repaginação completa é bem mais indicada com resultados excelentes e perceptíveis. “Houveram casos que a empresa pedia uma análise no setor receptivo e no estudo  diagnosticado se percebeu que o setor de alimentos (restaurante / bar) estava completamente obsoleto, e que não adiantaria mudar uma parte se outro setor tão importante quanto a linha de frente estava comunicando o contrário. Assim, entendo que um bom planejamento e estudo completo da empresa e sua visão na implantação dos uniformes tem alto significado na percepção do mercado e no resultado final obtido”, concluiu a Fashion Design.

Da sala de aula para o hotel

Anualmente, alunos do curso de Design de Moda do Centro Europeu participam de concursos para escolher o novo uniforme dos colaboradores de empresas, entre elas, hotéis. Os alunos desenvolvem o croqui do uniforme com a proposta de inovar e oferecer roupas mais jovens e contemporâneas aos funcionários. A produção depende da região que o hotel ou empresa está situado, e o estudante vencedor desenvolve a coleção visando a flexibilidade e conforto dos funcionários.

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De acordo com a professora do curso, Desire de Oliveira Carlos, dentro do conteúdo educacional, os alunos passam por diversos desafios, e criar uniformes está entre eles. “Todos os anos, temos empresas que nos procuram para o design e criação de uniformes profissionais e os alunos devem criá-los. Entre eles o grupo Thá, e em fase de confecção o Ibis Centro Cívico. Eles passam por todas as etapas. Primeiro a pesquisa do público alvo, depois a pesquisa sobre a empresa contratada e o tema sugerido. Em seguida pesquisam tendências, criam, desenham, buscam os materiais próprios e necessários para adequação dos uniformes e apresentam  o trabalho em pranchas A4  representados por croquis coloridos e se for selecionado, o aluno deverá ter o desenho técnico. Se a empresa quiser, acompanham o desenvolvimento da peça piloto. É uma ótima oportunidade para os alunos aperfeiçoarem  as habilidades aprendidas no curso de design de moda”, contou a docente.

Ela explica ainda que os uniformes devem sempre manter a tradição da empresa e quanto ao design, cores, estilo e categoria profissional, representando a marca e a função com adequação e funcionalidade. “No processo de desenvolvimento dos uniformes, analisamos também a estética, buscando um design harmônico com a marca, contexto e aprovação do usuário. Além disso, os custos e a facilidade de reaproveitamento”, declarou.

A professora da instituição afirmou que o algodão garante conforto, caimento e segurança em áreas de serviços. Porém, o usual é a combinação de fibras naturais e sintéticas que facilitam o processo e acabamento. “O Oxford é muito difundido em trajes sociais, como calças e blazers. As camisas e alguns trajes de trabalho em geral são de tricoline e camisetas e polo de malha”, explicou. As tendências de moda também são importantes, e por muito tempo o modelo  europeu  e americano influenciou os uniformes na hotelaria.

O uso dos botões para identificar o guest service e as roupas que lembram trajes ferroviários e fardas militares, por exemplo, permaneceram, como galardões, lapela, botões, faixas e acessórios, como coletes, gravatas e echarpes. “Hoje existe melhor adaptação com o clima e estilo do hotel. As cores saíram dos tradicionais preto e branco,  cinzas, marinho, vermelho e outras cores quentes relacionados a luxo. Busca-se maior identidade com a marca, categoria, contexto e expectativa de  clientes externos e internos.

Para a docente Desire Carlos, o uniforme é  a materialização do conceito da empresa. Segundo ela, o desempenho e apresentação pessoal do funcionário  é essencial na formação  da imagem da organização, pois o traje identifica, comunica, protege, valoriza e fixa a marca. “Alguns meios de hospedagem como hotéis temáticos, design, resorts entre outros com características diferenciadas,  podem ter uniformes alusivos ao tema,  assinados por figurinistas e designers famosos ou relacionados ao contexto cultural e geográfico. A utilização de trajes que identifiquem eventos em andamento ou datas comemorativas também é encontrado”. O uso  de acessórios e tecidos reciclados de garrafas Pet e a certificação de origem e produção das peças afirmam práticas sustentáveis, por isso, a  participação  e consulta aos usuários é  essencial. O empregado precisa sentir-se confortável,  ter liberdade de movimentos, segurança e se sentir bem vestido.

O conforto do profissional também é uma consideração importante no desenvolvimento do uniforme - Foto - Divulgação
O conforto do profissional também é uma consideração importante no desenvolvimento do uniforme – Foto – Divulgação

Comunicação com o cliente

Para adequar os uniformes dos colaboradores ao perfil do público que recebe, o Ramada Encore Minascasa, localizado em Belo Horizonte (MG) procurou a estilista Valeria Lemos. Com a premissa de ser “descolado” e voltado para hospedar jovens empresários, a equipe do hotel se reuniu com Valéria para apresentar o briefing com as principais informações para o desenvolvimento dos novos uniformes, com todas as solicitações do hotel, para assim, dar início ao processo de criação.

Após a análise do público do hotel, o uniforme teria que ser feito com uma matéria-prima durável, mas nada dentro dos padrões de uniforme já utilizados em hotelaria, que são peças mais formais. “O desafio do estilista é justamente repaginar a identidade visual do cliente e mostrar um novo caminho dentro das tendências de moda, mas não descaracterizando a marca em si e o conceito de uniforme. É preciso passar uma imagem de organização, durabilidade e credibilidade, mesmo com um visual moderno. A principal função do uniforme na hotelaria é conseguir falar com o seu cliente passando a imagem correta para o público que querem atingir”, declarou Valeria.

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Para ela, o uniforme faz parte de uma estratégia de marketing. “Hoje o mundo e imagético e a roupa é um dos nossos primeiros cartões de visita. Contratar estilistas com mentes modernas e que saibam transmitir o que foi solicitado por meio da sua criatividade, faz toda a diferença para conseguir visualmente falar com o cliente”, afirmou.

Os materiais mais indicados para confecção dos uniformes são os que tenham uma resistência maior a lavagem. “No projeto do hotel Ramada, para a Recepção, utilizamos o Jeans e o tênis All Star: materiais universaise pop. Produzimos então uma jaqueta no estilo “bomber” e uma t-shirt usada por baixo como complemento, bem jovem. Para os outros funcionários, sugerimos camisas Polo, com recortes que lembravam camisas de time nas cores do Hotel. As bandanas na cabeça foram utilizadas no uniforme da cozinha, assim como os aventais em Jeans, que são duráveis e protegem o uniforme usado por baixo”, contou Valeria. Algumas das peças formuladas para este hotel foram implantadas em outras unidades do grupo.

Dólmã Grand Chef da Bragard foi desenhada junto ao Chef francês Paul Bocuse - Foto - Divulgação
Dólmã Grand Chef da Bragard foi desenhada junto ao Chef francês Paul Bocuse – Foto – Divulgação

Vestes sustentáveis

Muitas empresas que fornecem uniformes se preocupam inicialmente com a estética, que é importante, mas deixam de lado a preocupação com o meio ambiente. A empresa francesa Bragard, que produz uniformes profissionais desde 1933, preocupa-se também com a coletividade, assim todos os fornecedores seguem normas internacionais rígidas, como por exemplo, a proibição de uso de certos elementos químicos. De acordo com Priscilla Nakaya, Diretora da Bragard para a América Latina, os produtos da empresa não utilizam substâncias químicas que agridam o meio ambiente.  Além disso, a empresa mantém uma auditoria constante em todos os fornecedores, garantindo o cumprimento das regras e a qualidade dos produtos.

A Bragard seleciona produtores internacionais de tecidos e acessórios que são duráveis e resistentes à vários tipos de lavagem, inclusive a industrial, diminuindo a quantidade de trocas que o cliente precisa fazer a cada ano, reduzindo assim, o gasto anual com uniformes. “A Bragard tem fornecedores no mundo inteiro, facilitando a seleção de materiais de alta qualidade, como por exemplo, a produção exclusiva pela Bragard de uniformes com tecidos orgânicos certificados e com tratamento anti-manchas e anti-chamas para o setor de gastronomia e hotelaria. Atualmente, a empresa tem mais que 1000 modelos de uniformes. No Brasil mantemos vários produtos a pronta entrega e para todo o País, não tendo pedidos mínimos, de modo que o hotel não precisa investir na manutenção de estoque e inventário de uniformes, diminuindo os custos administrativos”, explicou a Diretora.

Sendo uma empresa francesa, a Bragard inspirou-se na moda dos grandes estilistas para modernizar e sofisticar o look do uniforme. Os Fashion Designers procuram usar detalhes especiais, nas mangas, costas e laterais para melhorar o movimento e proporcionar mais conforto para o colaborador. Uma coleção previamente produzida e a pronta entrega facilitam o planejamento de uniformes do cliente.

No caso do Brasil, onde há uma alta rotatividade de funcionários, a coleção, a pronta entrega, simplifica as trocas e o hotel pode receber o produtos até no mesmo dia.  “O uniforme pode ser considerado como uma estratégia de marketing. Atualmente as empresas usam várias ferramentas de marketing para aumentar a visibilidade da marca ou até mesmo mudar a percepção da imagem da empresa. Há hotéis que preferem passar uma imagem mais tradicional, de modo que vão utilizar uniformes com cores mais sóbrias e modelos sofisticados enquanto, outros querem que seus clientes tenham uma experiência casual e descontraída, aderindo aos uniformes com cortes mais modernos, cores alegres e tecidos diferentes”, opinou Priscilla.

Segundo ela, a primeira impressão faz toda a diferença. Neste sentido, a Diretora acredita que o uniforme representa a imagem da empresa, devendo a marca ser visível e se destacar em todos os aspectos, mostrando também o seu nível e padrão.

É imprescindível destacar que o papel do uniforme é muito maior, já que proporciona proteção dos elementos quentes que possam espirar durante a cocção, e ao mesmo tempo dificulta que pelos ou outros contaminantes caiam durante a manipulação do alimento. Além do mais, o uniforme faz o funcionário se identificar com a empresa, com a marca, proporcionando um sentimento de igualdade, com os mesmos valores, se sentindo parte de uma equipe unificada.

Para uniformes de cozinhas, a Bragard fornece produtos 100% em algodão egípcio, algodão orgânico e convencional ou mescla de algodão com poliéster em trama leve, facilitando a transpiração da pele. Desta forma, vários tecidos são feitos exclusivamente para a empresa há anos, garantindo a qualidade do produto, bem como suas diversas vantagens.

A Bragard, com exclusividade, também traz ao mercado tecidos com tratamentos especiais, como anti-manchas e anti-chamas na confecção de  uniformes para cozinha. Para o salão, recepção ou outras funções, são usados diversos tecidos com porcentagens variadas de algodão, poliéster e de micro-fibra. “Tal diferencial facilita o uso, pois não amassam com facilidade, sendo próprios para a lavagem industrial, ressaltando sua durabilidade”, explica.

O uso de tecidos de micro-fibra garantem uma melhor transpiração da pele, evitando o aquecimento demasiado ao colaborador. Além do mais, estes produtos mantém a cor e são fáceis de lavar e passar, reduzindo o custo e o tempo despendidos pelo hotel para a manutenção do uniforme.

Priscilla conta que há 40 anos, a Bragard desenhou a famosa dólmã Grand Chef juntamente com o Chef mais renomado da França – Paul Bocuse. A jaqueta foi então adotada por Paul Bocuse para o maior evento gastronômico, conhecido como “as olimpíadas de gastronomia”, o Bocuse D’Or. Hoje, a jaqueta Grand Chef jaqueta tornou-se a dólmã oficial das mais prestigiadas competições de culinária internacionalmente. O guia Michelin, o mais respeitado do mundo e referência de hotéis e restaurantes, também premia a dólmã Grand Chef para todos os chefs do mundo que ganham estrelas.

Sejam mais sóbrios ou descolados, os uniformes devem seguir o conceito da marca do hotel, como no Ramada Lagoa Santa Internacional Aeroporto / Belo Horizonte - Foto - Divulgação
Sejam mais sóbrios ou descolados, os uniformes devem seguir o conceito da marca do hotel, como no Ramada Lagoa Santa Internacional Aeroporto / Belo Horizonte – Foto – Divulgação

Cores: uma quebra de paradigmas

Modernidade, qualidade e elegância são o DNA da Office Collection que é um dos mais tradicionais fornecedores de uniformes profissionais no Brasil. As coleções da empresa estão presentes em vários hotéis do Brasil e para facilitar o contato junto aos profissionais do setor, conta com um showroom, localizado no bairro paulistano dos Jardins.

A empresa atende pedidos de uniformes em pronta entrega para todo o Brasil e conta com um time de colaboradores altamente capacitado, sempre em busca de novidades valorizando a identidade visual de cada cliente. “Neste ano de 2016 realizamos com enorme sucesso a implantação de mais de 10 novos hotéis para as Olimpíadas Rio 2016, desenvolvendo, também, as coleções exclusivas de grandes estilistas e designers da moda mundial. Na Equipotel São Paulo 2016, o sucesso foi o lançamento de nossa linha Resort, abusando do colorido em tecidos confortáveis como linho, malhas e sarja. E para o próximo ano estaremos com ainda mais novidades”, assegurou a Diretora Luciana Stadtlander.

Escrito por Raiza O. Santos

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