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O futuro da indústria de viagens no Brasil é debatido no Grand Palladium Imbassai

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José Ernesto Marino Neto: "A estrutura sócio política do Brasil é a mesma dos últimos 100 anos"

Direto de Mata de São João (BA) – O Consultor José Ernesto Marino Neto terminou agora há pouco uma palestra abordando o futuro da indústria de viagens no Brasil – Estatísticas, análise de cenário político econômico e previsões para os próximos anos. Esta palestra fez parte da programação do evento que o Grand Palladium Imbassai Resort & Spa está promovendo que é o Encontro com os Melhores Parceiros de 2016. Cerca de 50 agentes e operadores de viagens estão presentes, assim como vários diretores do Palladium Hotel Group. Marino Neto começou sua palestra destacando o filme o Feitiço do Tempo de Bill Murray para explicar que a estrutura sócio política do Brasil é a mesma dos últimos 100 anos. Segundo Marino Neto, o Brasil é um País ilhado. “Não existe grande integração entre os países da América do Sul em razão de grandes barreiras naturais como o pantanal brasileiro, a Amazônia e a cordilheira dos Andes. Ainda que o Brasil faça parte de um continente, ele tem autonomia própria na produção de alimentos, água abundante, energia renovável, matéria prima, auto suficiente em petróleo e parque industrial diversificado, por isto a integração praticamente não existe”, explicou Marino Neto.

Para ele, o Brasil ainda é um país em formação, mesmo tendo mais de 500 anos do descobrimento o povo ainda não é maduro para dizer que tem uma única cara e citou como fatos, a população escravatura, a imigração, o clima, a geografia, a economia e as relações de poder distintos.

Ele lembrou que o PIB do Brasil e de R$ 2,7 trilhões e os estados das regiões Sul e Sudeste representam R$ 2 trilhões deste montante. Mas a representação política é desequilibrada e citou: Para se eleger um deputado federal  em Roraima são necessários apenas 56 mil votos, mas em São Paulo são  necessários cerca de 560 mil votos. Com esta desproporção, os políticos de estados menos expressivos, acabam interferindo na distribuição de recursos e incentivos e isto também é visível na hotelaria nacional”, revelou Marino Neto.

Ciclos dos investimentos hoteleiros no Brasil
Ciclos dos investimentos hoteleiros no Brasil apresentados na palestra de Marino Neto

Ciclos da hotelaria nacional

Ele apontou os cinco ciclos que a hotelaria nacional viveu, sendo: de 1901 a 1964 com apoio de recursos governamentais, como a família Guinle na construção do Copacabana Palace. De 1964 a 1986 a hotelaria cresceu também com transferências de recursos públicos aos privados com incentivos, através da Sudene, a Sudan e a Embratur.

De 1994 a 2001 houve a onda dos investimentos em flats. Em 2011 surgiu a nova onda de investimentos que foi o condo-hotel. “Hoje esta modalidade de recursos é o grande instrumento de desenvolvimento da hotelaria nacional. Ela exige capital intenso, mas não conta com linhas de crédito público e o que existe é muito caro”, avaliou.

Ele apontou alguns dados do turismo mundial e as mudanças ocorridas a partir de 2008 com a crise mundial. “De acordo com a Organização Mundial do Turismo, esta atividade vem crescendo nas economias avançadas em razão da qualidade de produto, serviço, preço, estrutura e segurança. “O turismo cresce nos últimos anos mais que a economia global, mas no Brasil estamos estagnados. Temos pouco mais de 6 milhões de turistas ano, e estamos fechado no Feitiço do Tempo. Somente em 1995 o turismo passou a ser tratado como relevante atividade econômica pelo Governo FHC. Os diferentes governos implementaram visões diferentes, com isto o turismo passou a perder foco como no Governo Lula. O turismo passou a ser entendido como atividade doméstica chegando aos atuais 94%. O atual momento econômico do turismo no Brasil está ligado a capacidade de compras do consumidor brasileiro que caiu de forma drástica nos últimos anos. Os países vizinhos é que seguram as visitações de estrangeiros”, disse Marino Neto.

Diretores executivos do Palladium Hotel Group sentaram na fila da frente para assistir esta palestra
Diretores executivos do Palladium Hotel Group sentaram na fila da frente para assistir esta palestra

Entraves do turismo

Ele citou alguns entraves do turismo como: Estrutura ruim, alto custo dos bilhetes aéreos, sinalização monolíngue, ausência de foco no turismo e ciou alguns exemplos: “Os parques no Brasil são considerados como áreas de preservação e não de visitação, os cruzeiros marítimos são obrigados a assumir custos incomparavelmente menores em outros países. O prático por, exemplo, tem salário de R$ 300 mil mensais, assim existem elevadas taxas portuárias. O visto de turismo no Brasil deveria ser uma ferramenta para estimular as atividades e não para gerar taxas consulares”, enfatizou Marino Neto.

Para ele o turismo está atrelado 100% a economia nacional e mostrou dados do declínio que exigiu que o setor pudesse ser reiventado. “Hoje o empresariado brasileiro tem mais confiança e acredita que a economia vai começar a crescer. Lojas começam a ser reabertas, projetos saem do papel e as obras começam a ganhar os canteiros”, destacou.

O turismo colaborativo é o novo ciclo apontado por Marino Neto
O turismo colaborativo é o novo ciclo apontado por Marino Neto

Gargalos do setor

Marino Neto mostrou um estudo do Itaú que aponta um crescimento do PIB em torno de 2% em 2017 e 4% a partir de 2018. “Mas a partir de 2019 haverá uma estabilidade que vai declinar nos próximos anos. Isto se dá em razão do gargalo de infraestrutura como a aérea, pois várias companhias deixaram de voar para o Brasil e a malha aérea doméstica encolheu”.

O turismo colaborativo é uma atividade apontadas por ele que o turismo teve que ser reiventado, pois o mundo mudou. “O turismo colaborativo faz parte da tendência surgida pelo desenvolvimento tecnológico e pela relevância da geração Y, mais conhecida como millennials, a verdadeira geração globalizada. A internet para eles é essencial para manter relações próximas, mesmo distantes. Com isto, permitiu-se criar e divulgar conteúdos, se interagirem e se informarem. O turismo colaborativo tem um grande impacto nas escolhas e decisões das pessoas”, destacou Marino Neto.

E finalizando sua palestra ele lembrou que a nova tendência são os Turistas Voluntaristas. “Eles participam de ações para ajudar alguém ou ações ambientais. Estamos entrando numa nova era. O que era antes um pais de alegria, está a procura do rumo e ele vai traçar os caminhos do turismo nos próximos anos”, concluiu Marino Neto.

A reportagem da Revista Hotéis viaja ao Grand Palladium Imbassai Resort a convite do Palladium Hotel Group para cobrir este evento.

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