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Minor Hotel Group quer crescer no Brasil

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Marco Amaral, Vice-presidente de operações e desenvolvimento da Minor Hotel Group no Brasil

O Minor Hotel Group, através do acionista Mint – Minor International Public Company Limited investiu € 294,2 milhões para adquirir  a rede portuguesa Tivoli Hotels & Resorts em seu portfólio. Com sede em Bangequoque, na Tailândia, a Mint gerencia cerca de 145 hotéis de dez marcas diferentes, entre elas, Marriott, Four Seasons, e agora, a rede portuguesa.

Esta compra permitirá o grupo tailandês a entrar na Europa e expandir na América Latina, elevando a marca Tivoli a uma escala global em continentes como Oriente Médio, Ásia e África. Nos últimos dois anos, o grupo chegou a investir US$ 500 milhões em projetos hoteleiros, entre eles, joint ventures na África Austral e Oriental.

No Brasil, o grupo tem pretensão de expandir suas marcas luxuosas Anantara, Avani, Oaks e PerAQUUM, além do crescimento e reformulação da própria Tivoli, já presente em São Paulo e na Bahia, bem como na América do Sul. Confira nesta entrevista com Marco Amaral, Vice-presidente de operações e desenvolvimento da Minor Hotel Group no Brasil, seus ambiciosos planos de expansão e investimentos do grupo.

Revista Hotéis — Como o Minor Hotel Group está  posicionado e atua no mercado internacional?

Marco Amaral — O novo acionista da Tivoli Hotels & Resorts é a Mint – Minor International Public Company Limited, uma companhia de escala global, com sede em Bangequoque, na Tailândia, focada nos negócios da hotelaria e da restauração. A Mint gerencia cerca de 145 hotéis de 10 marcas diferentes (entre elas Anantara, Avani, Oaks, PerAQUUM, Elewana, Marriott, Four Seasons, Tivoli, entre outras) em 25 países diferentes na Ásia e África. Tem ainda 1.700 restaurantes a operar em 20 países.

Revista Hotéis — Como foi a aquisição da rede portuguesa Tivoli, que aconteceu recentemente, e o que levou o Minor Hotel Group a fazer este investimento?

Marco Amaral — O Minor Hotel Group finalizou a compra dos hotéis Tivoli por mais de € 294,2 milhões. Este investimento permitirá a entrada do grupo tailandês na Europa e América Latina, sendo que um dos objetivos será transformar a marca Tivoli numa marca global, levando-a até regiões como América Latina, África, Ásia e Oriente Médio.

A aquisição da Tivoli é o último de uma série de investimentos internacionais da Mint que faz parte da estratégia de diversificação a longo prazo, que nos últimos dois anos levou a empresa a dirigir mais de US$ 550 milhões em projetos hoteleiros. Estes investimentos incluem ainda uma joint venture com a Sun International na África Austral, projetos para novos hotéis na Austrália e na Malásia e investimentos com parceiros de joint venture existentes como a Rani Investment e a Elewana Collection na África Austral e Oriental.

Revista Hotéis — Quantas e quais as bandeiras o Minor Hotel Group possui e como elas estão divididas?

Marco Amaral — O Minor Hotel Group opera nos segmentos de Luxo e Upperscale, através das suas marcas Anantara, Avani, Oaks, PerAQUUM e Elawana. Com a aquisição dos hotéis Tivoli, o grupo passou a contar com 145 hotéis em 25 países.

Revista Hotéis — Você já trabalhou em grandes redes hoteleiras mundiais, como Belmond e Hyatt, que não se expandiram no Brasil. O que o faz pensar que o Minor Hotel Group pode expandir?

Marco Amaral — A aquisição da Tivoli Brasil é estratégica justamente para ter uma base que permita a sua expansão no Brasil e América do Sul. Atualmente passamos por um bom momento em relação a novos investimentos. Trata-se de uma oportunidade em relação à vantagem cambial, em casos de investimentos internacionais.

Revista Hotéis — A Tivoli possui dois empreendimentos no Brasil, sendo um na Praia do Forte (BA) que é de recursos próprios e outro na capital paulista, sob administração. Existe diferença em trabalhar nestes dois modelos distintos de hotéis?

Marco Amaral— Acho que sabemos ser proprietários, no caso dos hotéis propriedade da Minor, e sabemos ser bons “inquilinos” no caso dos hotéis sob administração. Em ambos os casos estamos a gerir uma operação hoteleira e a cuidar e valorizar o ativo imobiliário. Na minha opinião, não existe diferença em trabalhar nos dois distintos modelos.

Revista Hotéis — Quais os planos para estes dois hotéis da marca Tivoli no Brasil? Pretendem investir em reforma, ou reposicionamento de marca?

Marco Amaral — A Minor Hotel Group pretende expandir a rede Tivoli e as suas outras marcas (Anantara, Avani, Oaks, PerAQUUM) no Brasil e na América do Sul, a partir da plataforma agora adquirida. Além disso, pretende investir em recursos para renovar alguns produtos no Tivoli São Paulo – Mofarrej e Tivoli Ecoresort Praia do Forte, como upgrade de quartos, áreas públicas, rebranding de outlets, etc. O objetivo é trazer “know how” e “best practices” Minor aos hotéis Tivoli.

Revista Hotéis — Como o Minor Hotel Group analisa as oportunidades apresentadas pelo mercado hoteleiro brasileiro? Vocês pretendem adquirir ou construir alguma unidade ou mesmo ampliar a atuação através de administração e ou franquias das marcas que possuem?

Marco Amaral — O Brasil possui uma dimensão de mercado única, assim como ainda há falta de ofertas qualificadas na hotelaria, sendo a chegada da Minor um ponto de partida para expansão na América do Sul.

Revista Hotéis — Quais as bandeiras que o Minor Hotel Group possui e que você acredita que podem ser implantadas no Brasil? Por que motivo?

Marco Amaral— A Minor Hotel Group  pretende expandir a rede Tivoli e as suas outras marcas (Anantara, Avani, Oaks, PerAQUUM) no Brasil e na América do Sul, a partir da plataforma agora adquirida, com objetivo em grandes centros urbanos. Cada marca hoteleira da Minor Hotel Group tem o seu posicionamento, o que será mantido na futura expansão.

Revista Hotéis — O fato do dólar estar em alta favorece os planos de crescimento do Minor Hotel Group no Brasil? Como você analisa esta questão?

Marco Amaral— O dólar em alta e a conjuntura atual favorecem os planos de crescimento. No geral também é possível ter negociações mais sensatas e chegar em valores razoáveis que permitem viabilizar uma transação.

Revista Hotéis — Na sua opinião, quais são os principais problemas que a hotelaria no Brasil enfrenta atualmente e como enxerga o setor nos próximos anos?

Marco Amaral — Para hotelaria corporativa a conjuntura econômica e crise política tem implicações negativas na atividade. Para a hotelaria de “resort”, os principais problemas estão relacionados com infraestrutura tal como aeroportos que não estão dimensionados para receber ou aumentar a frequência de voos internacionais. O Brasil é um país ainda com pouca tradição no setor hoteleiro e cerca de 90% da oferta hoteleira no Brasil é independente ou não qualificada. Tal como para os outros setores existem restrições e condições pouco “atrativas” para obter financiamento.  Considero que existe um “gap” de oferta de hotéis qualificados o que apresenta uma oportunidade nos próximos anos.

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