HOME Matérias Entrevista Marriott: crescimento competitivo no mercado brasileiro

Marriott: crescimento competitivo no mercado brasileiro

269
0
SHARE
Guilherme Cesari, Vice-Presidente de Desenvolvimento da Marriott no Brasil

Conhecida no Brasil por meio das marcas Renaissance e JW Marriott, a rede Marriott International iniciou sua atuação no mercado brasileiro há 15 anos de forma tímida, mesmo presente nas duas principais capitais do País: São Paulo e Rio de Janeiro. Hoje, após a recente compra da Starwood Hotels & Resorts Worldwide, a Marriott pode ser considerada a maior rede hoteleira do mundo com quase 6 mil hotéis e mais de 1 milhão de apartamentos em todo o planeta. Com tamanha representação mundial, o Brasil volta a ser foco de seu plano de expansão, onde 13 novos hotéis já foram desenvolvidos no País desde 2010.

Mesmo encontrando altas taxas de juros, falta de financiamento a longo prazo e outros problemas internos, até 2018, a Marriott irá inaugurar 11 novas propriedades no Brasil, incluindo a chegada das bandeiras AC by Marriott, Fairfield e Residence Inn. O foco da empresa é oferecer custo-benefício, importante para um público que começou a viajar dentro do próprio País. Confira os principais investimentos da rede no Brasil nesta entrevista com Guilherme Cesari, Vice-Presidente de Desenvolvimento da Marriott no Brasil.

Revista Hotéis – Como  a Marriott está posicionada no mundo? Quantos empreendimentos possui e o que isto representa em termos de unidades habitacionais?

Guilherme Cesari – Atualmente, com a recente compra da Starwood Hotels & Resorts Worldwide, a Marriott International pode ser considerada a maior rede hoteleira do mundo. Juntas, as empresas operam ou franqueiam mais de 5.500 hotéis com 1,1 milhão de apartamentos em todo o mundo. A receita proforma de taxas da companhia resultante para os 12 meses findos em 30 de setembro de 2015 totaliza mais de US$ 2,7 bilhões. Essa transação será efetivada nos próximos meses, mas temos muita coisa boa a caminho.

Revista Hotéis – Mesmo com este posicionamento de destaque no mundo, a Marriott, com 15 anos de atuação, só possui seis unidades no Brasil, ao contrário de outras redes que chegaram no país recentemente e cresceram muito. Na sua opinião, quais as razões deste crescimento da Marriott ter sido contido? Foi uma visão estratégica ou falta de oportunidades mercadológicas?

Guilherme Cesari – A Marriott chegou no Brasil muito bem posicionada com duas propriedades ícones, Renaissance e JW Marriott, nos dois maiores mercados do país, São Paulo e Rio de Janeiro. Nos primeiros dez anos no Brasil, a Marriott mostrou interesse em crescer mas estava focada em outros mercados prioritários. A partir de 2010 a empresa priorizou o Brasil, direcionou grandes esforços para crescer de maneira mais proativa, montou uma equipe local de brasileiros para cuidar exclusivamente dos novos negócios no país, estabeleceu estratégias, desenvolveu parcerias locais e realizou seus próprios investimentos. O resultado dessas iniciativas são os 13 novos hotéis desenvolvidos, dos quais 2 já estão abertos, 7 já estão em construção e outros 4 com projetos em desenvolvimento.

Revista Hotéis – Quais bandeiras pertencem à Marriott, como são diferenciadas as categorias e o público alvo?

Guilherme Cesari – Atualmente, no mundo, a Marriott opera e franquia hotéis e licencia resorts de férias de propriedade compartilhada sob 19 marcas, entre as quais The Ritz-Carlton, BVLGARI, EDITION, JW Marriott, Autograph Collection Hotels, Renaissance Hotels, Marriott Hotels®, Delta Hotels and Resorts, Marriott Executive Apartments, Marriott Vacation Club, Gaylord Hotels, AC Hotels by Marriott, Courtyard, Residence Inn, SpringHill Suites, Fairfield Inn & Suites, TownePlace Suites, Protea Hotels e Moxy Hotels. Todas essas marcas primam por instalações de alta qualidade e serviços de excelência. Elas se diferem pelo nível de sofisticação, pelo estilo e design. Algumas marcas são mais focadas no público que busca conveniência e previsibilidade enquanto outras (lifestyle brands) estão mais focadas no público que busca um estilo de vida diferenciado baseado em novas experiências. Há também as marcas direcionadas ao público de longa permanência, com quartos maiores que possuem cozinha e sala de estar.

Revista Hotéis – Quais os planos de crescimento da Marriott no Brasil nos próximos anos? Quais as bandeiras que pretendem trazer e qual critério vão adotar na escolha tanto das bandeiras como dos locais a ser implantados?

Guilherme Cesari – Até 2018, a Marriott irá inaugurar 11 novas propriedades no Brasil, incluindo a chegada das bandeiras AC by Marriott, Fairfield e Residence Inn – todas já consagradas no exterior e inéditas no País.

O Rio de Janeiro, que atualmente conta com o JW Marriott, localizado na praia de Copacabana, receberá quatro novos hotéis sendo dois AC by Marriott, um Courtyard e um Residence Inn. A capital do Pernambuco, que inaugurou o primeiro Courtyard by Marriott do Brasil em março deste ano (localizado na praia de Boa Viagem), receberá um Fairfield, assim como Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre receberão hotéis Fairfield e AC.

Os novos hotéis foram pensados em atender às necessidades da demanda interna. Por meio de pesquisas realizadas com os clientes, identificou-se que o viajante brasileiro não é necessariamente atraído pelo contexto de que “quanto maior, melhor”, mas leva em conta, principalmente, o custo-benefício. Por isso, optou-se estrategicamente por trazer essas novas bandeiras, que aliam qualidade, uma ampla oferta de serviços, comodidade e conforto a preços extremamente competitivos.

Revista Hotéis – O atual momento econômico de alguma maneira interfere neste crescimento? Qual o montante de recursos destes novos empreendimentos? Serão de recursos captados no mercado de investidores ou haverá aporte de recursos próprios também?

Guilherme Cesari – O atual momento econômico desafiador que o Brasil está enfrentando não interfere nos planos de expansão da Marriott no País. A companhia pensa a longo prazo, o Brasil é um grande país que possui um mercado com potencial de grande crescimento no longo prazo. Além disso, os novos hotéis que serão inaugurados estão focados no mercado doméstico, nos brasileiros que pretendem fazer viagens dentro do país. Isso se mostra muito promissor, ainda mais com o momento de alta do dólar.

Revista Hotéis – As bandeiras mais luxuosas da Marriott, como Bulgari e Ritz Carlton encontram mercado no Brasil? Existe perspectivas de implantação?

Guilherme Cesari – Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro carecem de hotéis dessas categorias. Há uma grande demanda não atendida nesse segmento de luxo e a Marriott continua a buscar ativamente oportunidades nesse segmento. Esses projetos requerem um elevado nível de investimento em localizações muito especiais. Estamos atentos às oportunidades que surgirem.

Revista Hotéis – A geração Y utiliza muito a tecnologia e pesquisa bem antes de fazer a reserva de hospedagem e, em alguns casos, opta pela hospedagem compartilhada como o Airbnb. Como a Marriott analisa esta questão e como podem atender esta nova geração de hóspedes?

Guilherme Cesari – Um dos grandes diferenciais de nossa plataforma global de grande escala é que ela nos dá todas as condições para desenvolver tecnologias complexas e que requerem alto nível de investimento. Tecnologias que já nos permitem criar um relacionamento próximo com as novas gerações, que nos permitem moldar os serviços e produtos de acordo com as expectativas e necessidades desse novo público. Check-ins já são feitos via mobile e toda a comunicação com o hóspede, desde a chegada dele no aeroporto, durante todo o tempo que estiver hospedado, até o seu check-out, em breve também será totalmente feito via mobile. Nós oferecemos serviços e recebemos feedback dos clientes em tempo real na medida em que as necessidades dos hóspedes são identificadas. Constantemente inovamos com iniciativas diferentes nas mídias sociais. Nosso programa de fidelidade, o maior do setor, com mais de 50 milhões de clientes ativos, também é uma ferramenta poderosa que permite estabelecer um relacionamento muito próximo com os clientes e nos ajuda a aprimorar nossa comunicação com o hóspede, seja pelos canais mais tradicionais, seja pelos canais virtuais.

Revista Hotéis – Muitas redes hoteleiras internacionais que operam no Brasil têm crescido muito utilizando a conversão de bandeiras ou mesmo de franquias. Como a Marriott analisa estes modelos de negócios? Pretende adotá-los?

Guilherme Cesari – Nós já adotamos esses modelos. Porém, muitos dos hotéis existentes no Brasil não atendem as exigências de nossas marcas, por isso tem sido um modelo limitado de crescimento para Marriott. Atualmente, dois dos nossos hotéis em operação são franqueados, e dos 11 atualmente em desenvolvimento, 3 serão franqueados. Esperamos que a franquia seja um modelo de grande crescimento no Brasil.

Revista Hotéis – Na sua opinião, quais são os principais gargalos existentes para desenvolver novos hotéis no Brasil?

Guilherme Cesari – Os principais gargalos são a falta de financiamento de longo prazo e as altas taxas de juros. Além disso, há outros fatores como altos preços de terrenos, altos custos de construção, burocracia para aprovação dos projetos nos municípios e também a falta de infraestrutura de transporte, tanto dentro das cidades (por isso os hotéis precisam estar em áreas centrais) como os que interligam as cidades (aeroportos, rodovias e ferrovias).

Revista Hotéis – Como você analisa o mercado hoteleiro do Brasil nos próximos anos?

Guilherme Cesari – Promissor. A demanda por hotéis tem sido crescente e vai continuar crescendo nos próximos anos. Tanto de estrangeiros vindo para o Brasil quanto de brasileiros viajando internamente. Em todos os segmentos: lazer, negócios e eventos. O parque hoteleiro, apesar das dificuldades, continua se aprimorando e o hóspede é cada vez mais exigente e busca hotéis com melhores níveis de serviço, instalações e maior profissionalismo. Cada vez mais os investidores percebem a diferença de fazer parcerias com redes hoteleiras bem estruturadas, com equipe de grande experiência, com procedimentos que oferecem transparência e controle operacional eficiente, beneficiando-se dos ganhos de escala.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here


CAPTCHA Image
Reload Image