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Hplus Hotelaria, comprometida com serviços aos clientes e resultados aos investidores

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Francisco Calvo“A carga tributária faz do Governo sócio majoritário de 90% dos hotéis no Brasil” - Crédito: Gabriel Pelaquim Photography

Após uma passagem bem sucedida de oito anos na Bourbon Hotéis & Resorts e com um curriculum de lideranças de equipes em diversas regiões do Brasil e do exterior, Francisco Calvo assumiu em 2015 o comando da rede Hplus. O desafio foi o projeto de implantar e desenvolver um sistema de Governança Corporativa na rede que completou no último mês de maio, 15 anos de atividades.

E motivos não faltam para comemorar. A Hplus lidera o Centro-Oeste como a maior rede hoteleira e entrega a melhor performance de resultados, administrando mais de 4.500 apartamentos em Brasília.

De olho na expansão, a Hplus está de olho nas oportunidades em mercados como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e capitais da região Nordeste. E um dos segredos do sucesso é entregar o que promete ao cliente em sua missão da empresa: a hospitalidade. Confira nesta entrevista exclusiva com o CEO da Hplus Hotelaria, Francisco Calvo.

Revista Hotéis — No final de 2015 você deixou a Vice-presidência de Estratégia e Relações com os Investidores da rede de hotéis Bourbon para assumir a posição de CEO da rede Hplus. O que te levou a enfrentar este novo desafio?

Francisco Calvo
— O que me motivou foi o irrecusável desafio do projeto de implantar e desenvolver um sistema de Governança Corporativa, frente a uma empresa tão importante como a Hplus Hotelaria e com uma história de 15 anos, durante os quais consolidou a sua liderança absoluta no setor de hospedagem no Centro-Oeste. Não foi uma decisão fácil, pois foram oito anos bem sucedidos de trajetória na Bourbon Hotéis & Resorts, onde eu havia participado de forma direta na administração dos seus dois principais empreendimentos, Bourbon Atibaia e Bourbon Cataratas e, da bem sucedida internacionalização da rede, com a abertura das unidades em Assunção e Buenos Aires.
Mas Ana Paula Faure e Otto Sarkis, sócios fundadores e executivos da Hplus, me ofereceram total liberdade para estabelecer esta nova estrutura, com todo o programa de trabalho, estratégias e a contratação de profissionais experientes, como por exemplo, a de Ricardo Aly para a Direção de Vendas e Marketing. A partir desta base, o foco estratégico da empresa é ampliar a sua presença no cenário nacional, atuando em outras regiões do Brasil, especificamente nas regiões do Sudeste e Nordeste.

Otto Sarkis e Ana Paula Faure, os fundadores da rede Hplus Hotelaria – Foto – Divulgação

Revista Hotéis — O que sua experiência de mais de 20 anos lhe ajudou a traçar as metas e ações frente ao novo cargo? Quais as conquistas já obtidas?

Francisco Calvo — Quando você tem a responsabilidade de assumir uma empresa do porte da Hplus, que administra mais de 4.500 apartamentos em Brasília, levando em conta o que isso representa para a arrecadação de impostos para o estado, geração de valor e criação de empregos, você tem que obrigatoriamente equilibrar no seu perfil a inovação e a experiência.

Ao longo desses 20 anos tive a oportunidade de liderar equipes e gerenciar empreendimentos em diversas regiões do Brasil e do exterior, passando pelas experiências das mais diversas e enriquecedoras como os furacões em Cuba, as implantações em Cancun, a abertura do primeiro All Inclusive do Brasil em Sauipe ou a crise sem precedentes no setor turístico e imobiliário da Espanha ao final da primeira década deste século.

Todas estas vivências a frente de equipes com as diversidades culturais que possam existir entre cubanos, europeus, mexicanos e brasileiros, ou as diferenças dos cenários econômicos onde tivemos que gerenciar, nos marcam na formação profissional, trazendo hoje, fortes referências nos momentos de tomada de decisão, definições de estratégias e coordenação dos processos em momentos tão singulares como este na história do nosso país, e numa empresa tão inovadora e aberta às necessidades dos seus clientes como a Hplus.

Revista Hotéis — Como a rede Hplus está posicionada hoje no mercado?

Francisco Calvo — A Hplus Hotelaria, por ser uma empresa jovem, esta muito bem inserida no mercado hoteleiro nacional. Lidera o Centro-Oeste como a maior rede hoteleira bem como entrega a melhor performance de resultados. Muito bem conceituada a Hplus navega hoje no oceano azul, mesmo em tempos difíceis. Oferece um diverso inventario de Hotéis Upscale a Express, além de apart-hotéis, atendendo a todas as necessidades e orçamento. Entrega o que promete ao cliente em sua missão da empresa: a hospitalidade

Revista Hotéis — A Hplus completou 15 anos de atividades no último mês de maio. O que teve para comemorar?

Francisco Calvo — Esta empresa, criada por Ana Paula Faure e Otto Sarkis, apresenta hoje indicadores representativos, que a posicionam como referência no segmento de hospitalidade em Brasília. Nossos cinco hotéis de diárias estão posicionados entre os 15 melhores da cidade, de acordo com a opinião dos clientes refletida nas redes sociais de viagem e nos rankings dos principais canais eletrônicos de distribuição.

A empresa inovou há 15 anos trazendo para Brasilia o modelo de Residencial com Serviços em sistema de Long Stay, o qual hoje ainda é uma novidade em outras cidades brasileiras e muitos investidores nos consultam pelo nosso know-how com este tipo de estrutura de serviços.

O Serviço Pay-Per-Use de hospitalidade para condomínios residenciais mistos é outra atividade na qual a Hplus Hotelaria foi precursora no Brasil, viabilizando que condôminos do residencial possam desfrutar da mesma excelência de serviço oferecida aos hóspedes do empreendimento. Somos os maiores empregadores no setor de hospitalidade em Brasília e, nestes 15 anos, construímos uma bela história atendendo a hóspedes, moradores e investidores.

E nesta data tão importante para a nossa empresa no mês de maio, foi lançada a campanha “Chegamos juntos até aqui. Hplus Hotelaria, 15 anos”, a qual faz um agradecimento a todos os clientes e colaboradores, que nos ajudaram a construir esta história no mercado brasiliense. Neste mês comemorativo, através da nossa campanha institucional divulgada em todos os empreendimentos e em nossas mídias digitais, demonstramos o quanto somos gratos e o quanto reconhecemos o valor de cada uma dessas pessoas.

Saiba que muitos dos nossos colaboradores possuem mais de 10 anos de empresa e, para nós, é uma grande alegria tê-los conosco e saber que eles também puderam construir a sua história junto com a nossa, tornando a Hplus Hotelaria referência no mercado de hospitalidade.

“Nossos cinco hotéis de diárias estão posicionados entre os 15 melhores de Brasília”

Revista Hotéis — Quais as principais características da rede Hplus e o que a difere de outras administradoras hoteleiras?

Francisco Calvo — A principal característica da Hplus é sua estrutura enxuta e atuante, a qual permite otimizar custos e oferecer as melhores condições de mercado para a formação de parcerias comerciais, beneficiando a todos os sócios participantes, cujo patrimônio, administramos mediante o sistema de SCP — Sociedades por Cotas de Participação. Não temos grandes custos estruturais das principais redes nacionais e estrangeiras, o qual beneficia não só aos investidores, como também aos nossos hóspedes. Inovação e flexibilidade jogam também um papel fundamental neste processo.

Revista Hotéis — A Hplus já está consolidada em Brasília ou pretendem administrar mais empreendimentos? Como fica a expansão para outras cidades e estados?
Francisco Calvo — Ainda que sigamos abertos a novos projetos em Brasília, nosso principal foco neste momento é a expansão nacional, principalmente para os principais mercados emissores da capital, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e capitais da região Nordeste.

Revista Hotéis — Esta expansão se dará somente através de administração ou pretendem incrementar a conversão ou franquias? Comente estes modelos.

Francisco Calvo — Nossa experiência está diretamente relacionada à administração. A Hplus Hotelaria implantou todos os estabelecimentos que hoje ostentam a sua marca. Ana Paula é com certeza uma das administradoras hoteleiras mais capacitadas do País e especialista em implantações, tendo inaugurado três empreendimentos em Brasília, antes de fundar a Hplus Hotelaria.
Mas neste momento de instabilidade no mercado hoteleiro, temos também que estar especialmente atentos às oportunidades de conversão. Nestes últimos meses, estudamos diversas possibilidades, buscando produtos que estejam no nível de qualidade, modernidade e conservação que caracterizam os empreendimentos administrados pela Hplus. Ainda neste ano devemos anunciar uma ou duas conversões para a marca Hplus.

Com relação a franquias ou representação de marcas internacionais, é um modelo de gestão que não consideramos neste momento. Entendemos que encarece a taxa de administração para os sócios investidores da SCP, sem que haja realmente uma contrapartida em termos de faturamento. Neste momento de compartilhamento da informação pelas redes sociais e canais de venda virtuais, onde a qualidade da experiência é divulgada entre os próprios usuários, o investimento mais importante é no treinamento dos recursos humanos, e não na terceirização da marca.

“O Airbnb não oferece uma experiência em hospitalidade e sim um dormitório”

Revista Hotéis — Como você analisa o atual momento da hotelaria nacional? É hora de crescer em cima das oportunidades ou de aguardar um melhor cenário?

Francisco Calvo — Com certeza este é um momento de crescer e aproveitar as oportunidades. Não podemos esperar a crise passar para buscar novos produtos, temos que criar agora estes investimentos, que rentabilizarão em dois ou três anos, quando a oferta e demanda de quartos volta a se equilibrar. Por exemplo, agora é o momento de buscar oportunidades na Barra da Tijuca ou em Belo Horizonte, e não no futuro, quando a crise tenha ficado para trás e as oportunidades se tornem mais escassas. É uma questão apenas de encontrar o produto apropriado.

Revista Hotéis — Muitos hoteleiros têm reclamado sobre a concorrência enfrentada por sites de reservas, como o Airbnb. Como você analisa esta questão? Existe mesmo concorrência desleal ou é uma tecnologia que os hotéis terão que conviver?

Francisco Calvo — Com o advento da tecnologia e das startups recebemos hoje muita influência de tendências. O Airbnb assim como outros apps ainda são novidades, e com o tempo, podem cair no desuso ou sofrerem implicações legais e do fisco, o que inviabilizam sua existência. O ponto principal que devemos discutir é que o Airbnb não oferece uma experiência em hospitalidade e sim como dormitório, o que são coisas bem diferentes. É como você pegar carona sem pagar o combustível e as despesas do proprietário do carro.

A questão de concorrência de fato existe, mas é apenas mais uma. O problema crucial com a concorrência predatória, a meu ver é, na desigualdade tributaria, desvio de impostos e na garantia da qualidade do delivery, sem falar da ilusão que o dono imóvel tem quando disponibiliza seu bem em um aplicativo. A conta chegará com certeza, quando o imóvel precisar do retrofit. Em termos de posicionamento da marca, realmente atrapalha. Isso acontece quando um cliente do Airbnb não tem a promessa cumprida nem pelo aplicativo e nem pelo dono do apartamento que está localizado dentro de um empreendimento hoteleiro e acaba enviando reviews negativos condenando o hotel injustamente. Consideramos de fato o Airbnb como uma imobiliária digital!

Revista Hotéis — No seu ponto de vista, quais são os grandes entraves para a hotelaria nacional?

Francisco Calvo — Os grandes entraves para a hotelaria nacional não vêm da crise da atividade econômica, mas sim da falta de empatia dos diferentes governos brasileiros com este setor. A hotelaria não conta nem com incentivos fiscais, nem com legislação trabalhista diferenciada. Representamos o setor econômico que mais emprega recursos humanos com relação ao faturamento gerado.

Se em um hotel Express sem serviço de alimentos e bebidas temos em média um funcionário para cada quatro quartos disponíveis, num hotel de 5 estrelas o número pode até superar o de um funcionário por quarto. Se consideramos quartos vendidos, a uma taxa de ocupação média de 60%, veremos que nenhum outro setor tem que empregar tanta gente para vender tão pouco, mantendo o seu negócio aberto 24 horas por dia e sete dias por semana. Isto sem contar toda a cadeia produtiva que tem que atender ao hotel, a valorização imobiliária do entorno, e o fomento ao intercâmbio cultural que tanto enriquece uma sociedade.

Os incentivos fiscais acabam sendo direcionados não a quem mais emprega, mas a quem mais produz, pensando diretamente na proporcionalidade de impostos. No entanto, nos tempos atuais de mecanização da força de trabalho, o estado deve apoiar prioritariamente a política de pleno emprego, incentivando os setores que mais empregam, tanto com uma política fiscal adequada, como com uma legislação trabalhista semelhante à de países com forte impacto do setor de serviços sobre o PIB, como a Espanha.

A alta carga de impostos faz do governo o sócio majoritário de 90% dos empreendimentos hoteleiros em funcionamento no Brasil. Apenas algumas exceções muito bem localizadas e posicionadas comercialmente podem atestar que obtêm uma porcentagem de lucro superior ao que é pago ao governo a título de impostos. Isto não ocorre em países onde o turismo é visto como prioridade na geração de emprego.

“A carga tributária faz do Governo sócio majoritário de 90% dos  hotéis no Brasil”

Revista Hotéis — Como você analisa a hotelaria no Brasil nos próximos anos?
Francisco Calvo — O crescimento da hotelaria brasileira nos últimos 30 anos se deu basicamente por meio de uma inovação brasileira no setor de hospedagem, qual seja a formação de SCP — Sociedades por Cotas de Participação. Este modelo democratizou o acesso de investidores ao setor, existindo em um mesmo hotel vários proprietários com um ou mais quartos e fazendo da assembleia de Poolistas ou até da assembleia condominial, o ponto de discussões e definições da estratégia empresarial do setor.

Em cada hotel administrado pela Hplus Hotelaria participam em média 100 sócios, cujos interesses representamos investidores que confiaram em nossa empresa à administração do seu patrimônio. Também nestes mesmos empreendimentos devemos trabalhar para a satisfação e valorização do imóvel daqueles condôminos que decidiram não participar do pool, mas que contam com nossa administração para lhes proporcionar mais conforto e valor agregado ao seu patrimônio.

Neste sentido entendemos que no Brasil, neste modelo de SCP, a Hplus Hotelaria trabalha para quatro clientes: O hóspede, razão de ser da hotelaria; O funcionário, cliente interno, sem o qual não existe encantamento; O investidor, neste caso, um número enorme de sócios participantes que não necessariamente tem experiência com a hotelaria, e que participam do negócio pelo modelo de SCP, confiando no know-how da administradora. E para finalizar, o investidor condômino fora do pool, cujo patrimônio também se valoriza sem a nossa administração, mas que no futuro pode se converter em poolista ou em nosso hóspede em outro empreendimento. Se fora do Brasil falamos em três clientes, nós na Hplus Hotelaria entendemos que trabalhamos com quatro.

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