Hotelaria se une contra aumento abusivo da Decolar.com

Hotelaria se une contra aumento abusivo da Decolar.com

192
0
SHARE
O objetivo destas medidas da ANAC é reduzir os custos das passagens aéreas Crédito da foto - Divulgação

Alta na taxa de comissionamento de reserva on line chega aos 23% e prejudica hoteleiros de todo País

Além de algumas quedas acentuadas na taxa de ocupação em razão do atual momento político econômico que vive o Brasil, os hoteleiros estão com mais um motivo para se preocupar: o aumento da taxa de comissionamento da Decolar.com de 19% para 23%. Os meios de hospedagens discordam deste aumento, pois no ponto de vista deles, isto afetará a saúde financeira do negócio e se mobilizam em diversas ações para não perder a rentabilidade. A agência online de viagens Decolar tem sido reticente em relação a fazer acordo para reduzir este aumento. Com isto, hotéis de diversos estados e cidades brasileiras estão se unindo contra essa alta, promovendo um boicote a empresa, logo após a ABIH Nacional – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis sugerir que todas as regionais agissem dessa forma. Recentemente, o presidente da FBHA – Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação Alexandre Sampaio e seu Vice-presidente, Manoel Cardoso Linhares, estiveram em Brasília (DF), em reunião com a Decolar para tratar sobre o aumento da taxa de comissionamento.

A proposta apresentada pela Decolar era de um fracionamento no aumento do comissionamento, até da diminuição das taxas. Isso se daria em duas etapas de três meses cada, de modo que no final de seis meses o aumento já teria sido repassado aos hoteleiros. “Não aceitamos esta negociação que no nosso ponto de vista é uma imposição. Propusemos então a suspensão do aumento com a posterior retomada da negociação em janeiro. Também propusemos a diminuição das taxas para o patamar de 10%, e o consequente aumento das taxas dos usuários de economia compartilhada. Fomos incisivos quanto ao atual momento econômico e quanto a impossibilidade de repassarmos esses aumentos para o consumidor, reiterando a eles que o conceito de parceria precisa prevalecer nos momentos de crise e esperamos deles essa reciprocidade. Invocamos a palavra razoabilidade para deixar claro que a hotelaria não aceitará imposições que aumentem nossos custos”, destacou o Vice-presidente da FBHA, Manoel Cardoso Linhares que também é Vice-presidente da ABIH Nacional – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis.

Segundo Linhares, a posição da entidade é de uma negociação que seja razoável para não afeitar ainda mais os negócios hoteleiros. Para o presidente da FBHA, Alexandre Sampaio, o cenário atual impõe cautela nas decisões empresariais, principalmente quando relacionadas a um aumento tão expressivo no custo de operação. “A Decolar.com é um importante elo entre o turista e a cadeia hoteleira, mas a saúde financeira dos hotéis também interessa diretamente à Decolar. Os meios de hospedagem não podem aceitar este aumento imposto de forma unilateral, sob pena de afastarem seus hóspedes e agravarem ainda mais a crise no setor”, salienta Sampaio.

Alexandre Sampaio: “Os meios de hospedagem não podem aceitar este aumento imposto de forma unilateral”
Alexandre Sampaio:
“Os meios de hospedagem não podem aceitar este aumento imposto de forma unilateral”

Segundo ele, a alta representará a redução dos resultados dos empreendimentos, já afetados pela queda das taxas de ocupação, aumento de custos fixos, reajustes das tarifas públicas e alta da inflação e do desemprego. E afetará também os consumidores, já que a impossibilidade de absorção dos novos percentuais levará ou à saída dos hotéis da parceria, diminuindo a quantidade de opções aos clientes, ou ao repasse do aumento, com consequente elevação de preços ao consumidor.

Hotelaria Carioca

Logo após uma longa reunião da ABIH-RJ – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro, que contou com a participação de diretores e gestores de 80 grupos hoteleiros que operam na capital fluminense, os empresários decidiram por unanimidade romper com a Decolar.com. Com esta decisão, mais de 90% da oferta de leitos da cidade do Rio de Janeiro (RJ) deixou de ser comercializada pela agência online.

O boicote à Decolar teve início no dia 6 de julho, quando dezenas de hotéis fecharam seus canais de vendas com a Decolar após a empresa aumentar o comissionamento para margens que ultrapassam 20%. Houve algumas tentativas lideradas pela ABIH/RJ com o objetivo de negociar alternativas ao reajuste imposto unilateralmente. Como não houve posição favorável a redução do aumento por parte da Decolar, o rompimento foi a alternativa encontrada.

De acordo com Alfredo Lopes, Presidente da entidade, o momento é mais do que impróprio para o setor, que batalha para manter os índices de ocupação num cenário pós-Olímpico de crise econômica. “Lamentamos que a Decolar, já ciente desta posição, continue a insistir de forma agressiva para que os hotéis assinem o termo de concordância do reajuste. É importante ficar claro o papel de cada um nesta relação, que deveria ser parceira. O cliente, quando efetua uma reserva, busca facilidade ao navegar pelas OTAs (agência travel on line), mas o compromisso com o produto, a estrutura e os serviços prestados é assumido pelo hotel, a custos altíssimos. Não podemos ficar reféns de taxas elevadas que inviabilizam esta relação comercial”, declarou.

Página inicial do site de reservas da decolar.com
Página inicial do
site de reservas da
decolar.com

Balneário Camboriú

Empresários da hotelaria de Balneário Camboriú (SC) também decidiram se unir contra a alta imposta pela agência. Em reunião realizada no Sindicato Patronal dos Hotéis, Bares e Restaurantes de Balneário Camboriú e Região, entre os Hoteleiros com os representantes da Decolar.com, em junho, não se chegou a nenhum acordo e a empresa se mostrou irredutível em qualquer negociação.

Para o empresário e associado do Balneário Camboriú Convention Bureau, Rodrigo Vieira, do Hotel Vieira’s, os hotéis não podem mais absorver este aumento no custo. “Se aceitarmos estes aumentos, a Decolar.com estaria lucrando muito mais do que os próprios hotéis nas vendas, tendo em vista que os hotéis oferecem os produtos e serviços e pagam os custos dos mesmos. Para a Decolar é somente a venda na internet, não tendo nenhuma diferenciação dos outros canais em relação a serviços prestados. É muito diferente do serviço prestado por uma agência de viagem e operadoras, por exemplo, que dão um suporte muito maior ao cliente e não possuem estes altos índices de comissionamento”, diz Vieira.

Como resposta ao que eles consideram abusivo, os hoteleiros da cidade estão zerando as disponibilidades dos hotéis no site, como forma de boicote. “O estopim da nossa manifestação foi esse aumento. Esse valor é abusivo e não podemos ceder”, diz. Para Dirce Fistarol, Vice- Presidente de Hotelaria do Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau, é muito importante essa união entre o trade hoteleiro. “Essas ações em conjunto sempre trazem vantagens e esse questionamento é extremamente benéfico, não só por conta do aumento em si da Decolar, mas pelos valores também, que estão se tornando acima da capacidade de muitos”, finaliza.

Patrícia Coutinho: “A postura da Decolar demonstra total descompasso com a atual situação da hotelaria”. Crédito da foto - Divulgação
Patrícia Coutinho:
“A postura da Decolar demonstra total
descompasso com a atual situação da hotelaria”. Crédito da foto – Divulgação

Bloqueio parcial

A Presidente da ABIH/MG — Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Minas Gerais, Patrícia Coutinho, está sugerindo aos associados da entidade que comanda, o fechamento da disponibilidade da comercialização dos hotéis por meio do site Decolar. Segundo Patrícia, existe uma negativa da Decolar.com em rever o reajuste, realizado sem nenhum diálogo com os hotéis. “Estamos vivendo um momento delicado da economia associado a uma superoferta hoteleira com a queda real da diária média. O aumento da porcentagem de comissionamento – de 19 para 23% – nas vendas pós-pagas inviabilizará a comercialização de hospedagens dos hotéis por meio do site. As OTAS deveriam ser parceiras dos hotéis na comercialização de hospedagens, afinal quem disponibiliza o produto somos nós. No entanto, a postura da Decolar demonstra total descompasso com a atual situação da hotelaria e com a grave situação econômica que passamos no Brasil. Trata-se de uma postura indelicada e inoportuna que demonstra total desacerto com a situação da hotelaria”, afirma.

A hotelaria da cidade de Salvador (BA) também resolveu impor boicote a Decolar e a decisão saiu de uma reunião dos associados da ABIH/BA – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis da Bahia. De acordo com o presidente da entidade, Glicério Lemos, o mercado hoteleiro de Salvador está vivendo momentos muito difíceis com baixa ocupação o que já levou muitos meios de hospedagens a fecharem as portas em definitivo. Ele considera 23% de taxa de comissionamento para uma reserva num site um absurdo e entende que o boicote é a única solução para resolver o impasse.

Procurada para se posicionar a respeito deste aumento no comissionamento, a Decolar.com preferiu não se manifestar sobre o assunto.

APP
SHARE

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA


CAPTCHA Image
Reload Image