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Hotelaria gaúcha registra queda no primeiro semestre, segundo pesquisa

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Porto Alegre (RS) - Crédito: Ivo Gonçalves / PMPA)

Em pesquisa realizada com hoteleiros de Porto Alegre, Gramado, Canela, Torres, Caxias do Sul e Bento Gonçalves, foi registrado que o primeiro semestre do ano foi difícil na região. Gerentes e diretores de hotéis na região destacaram pontos negativos como baixa ocupação e diárias e concorrência desleal.

O estudo IN=PACT, publicado pela Frontdesk Magazine, questionou sobre a ocupação, que para um dos hoteleiros, ficou 7% abaixo do mesmo período de 2016. Segundo ele, sua força de venda é prejudicada em relação às redes com concorrentes midscale.

Em compensação, a hotelaria popular da capital reagiu e os hotéis da área nova da cidade tiveram modesta melhora de indicadores, mesmo com a diária média também ainda abaixo da crítica. Nas praias, o turismo de verão garantiu algum aumento. Assim, na média estadual, a baixa no 1º semestre só não foi maior pela boa posição do turismo interno do Brasil, que garantiu índices razoáveis em Gramado e Canela, com as taxas de ocupação subindo 2% em relação ao mesmo período de 2016 e a diária média perdendo apenas 5%.

Isso significou menos ganhos líquidos para a hotelaria, pois, OTAs cobraram comissões mais altas e os hotéis não tiveram muita chance de corrigir preços em função dos custos. Segundo os hoteleiros pesquisados, o negócio ficou menos atrativo em qualquer das circunstâncias.

Taxas de Ocupação
Na comparação entre o 1º semestre de 2017 e o mesmo período de 2016, em Porto Alegre a ocupação dos hotéis populares (diárias entre 20 e 30 dólares, vendidas em forma de outlet) no período de janeiro a junho de 2017 teve ligeira alta, indicando que os hóspedes da cidade, de uma forma geral, empobreceram.

No nível imediatamente superior, as ocupações caíram, demonstrando esta migração e no nível superior, nas diárias acima de 100 dólares, o mercado praticamente não se mexeu. Da mesma forma, nenhum hotel desapareceu neste semestre. Em Caxias do Sul houve sensível recuperação do movimento, mesmo com certa resistência da diária média em se recuperar.

As cidades de Turismo, como Gramado, Bento Gonçalves, Canela e Torres viram suas diárias diminuírem na concorrência com aplicativos e pelas OTAs, que aumentaram comissões, reduziram preço e investiram na propaganda do aluguel de quartos na hospedagem distribuída, para tornar os hotéis a segunda opção da cadeia de valor do turismo.

Expectativas
No segmento corporativo, que engloba a maioria dos meios de hospedagem, o cenário não é tão claro para o período de julho a dezembro. Porem, alguns proprietários esperam melhorias e devem a continuar de portas abertas.

Safra, emprego, exportações, energia e eventos são alguns dos fatores que os hoteleiros apontam para melhorar o cenário. No turismo, o mesmo fenômeno que alimentou bons índices nos meses de janeiro e fevereiro nas praias (1/4 de todos os meios de hospedagem do estado do RS estão debruçados sobre as águas do Atlântico-sul) é o que deverá aquecer as reservas da hotelaria de inverno (Gramado e Canela bateram acima dos 90% em julho) e as reservas antecipadas para novembro e dezembro fazem a Serra passar a considerar o círculo temporal do Natal, como a melhor aposta.

Aberturas
Ainda nesse segundo semestre de 2017, estão previstas cinco aberturas, sendo quatro na serra gaúcha: três em Gramado, somando mais 280 novos quartos aos atuais 6.022, uma em Canela e outra em Guaíba, na Grande Porto Alegre.

Guaíba, na outra margem do estuário do rio, que em 2015 tinha apenas um pequeno hotel, ganhou um hotel de porte médio com gestão independente em 2016, um Super 8 no início de 2017 e neste segundo semestre inaugura uma bandeira ibis. A cidade não tem tradição hoteleira e o prefeito José Sperotto acredita que serão tempos difíceis para a cidade conseguir ocupar esta oferta que veio na esteira dos investimentos na indústria local.

Histórico
A hotelaria do Estado do Rio Grande do Sul apresenta uma lista de 2.227 empreendimentos, com uma dinâmica de aberturas média nos últimos 10 anos, de seis unidades por ano. O boom hoteleiro se deu apenas em Gramado.

Porto Alegre recebeu uma grande quantidade de hostels em 2014, com a entrada de 10 novas unidades, somando 120 quartos (550 leitos) por causa da realização de jogos da copa do mundo FIFA na cidade. Destes, apenas um permaneceu operando após a Copa do Mundo.

Para o megaevento de futebol, foram abertos cinco novos hotéis na capital. O aumento do número de endereços nas cidades de Gramado, Santa Maria, Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Passo Fundo foram ocasionados pela movimentação da riqueza do estado, que se deslocou da região metropolitana, para o interior.

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