Hotelaria Fluminense ganha novo representante

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Alfredo Lopes - "Já temos mais de 80 hotéis afiliados e vamos aumentar rápido"

A poucos meses de receber os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, a capital fluminense está a pleno vapor nos preparativos para que o evento seja um marco na cidade. Muitos hotéis estão sendo construídos e para representá-los foi criado o SindHotéis Rio de Janeiro.

A fundação da entidade surgiu devido a necessidade de a categoria hoteleira ter um sindicato próprio, que representasse a classe como um todo junto aos órgãos municipais estaduais e federais. Dentre os pleitos do SindHotéis/RJ estão o investimento na capacitação de mão de obra, atuação mais regional no estado, além da criação de estratégias específicas para posicionar a classe hoteleira sobre os compromissos legais assumidos em função dos Jogos Olímpicos.

Confira nessa entrevista exclusiva com Alfredo Lopes, presidente da entidade, como foi o processo de criação do Sindicato Patronal, quais são os principais gargalos do setor e como a entidade irá contribuir para o desenvolvimento da hotelaria no estado do Rio de Janeiro.

Revista Hotéis – Recentemente o Sindhotéis/RJ promoveu uma assembleia com seus associados, onde reafirmou-se como a entidade representativa da hotelaria na cidade do Rio de Janeiro. Como você analisou este momento, tendo em vista as dificuldades que teve de enfrentar para se criar o Sindicato Patronal próprio da categoria?

Alfredo Lopes – Dentre várias reuniões que fizemos ao longo desses 6 anos, a última assembleia foi prestigiada por mais 120 meios de hospedagem do município. Isso mostra a seriedade, força e a legitimidade do nosso pleito, que é ter um sindicato que representasse exclusivamente todos os Meios de hospedem, não sendo ele mais genérico. Hoje, mais de 70% dos empreendimentos já se desassociaram do SindRio e estão filiados ao SindHotéis. Reunimos hotéis, apart-hotéis, motéis, pousadas, hostels e albergues, entre outros meios de hospedagem que tem a confiança de que as demandas da categoria serão melhores representadas e atendidas num momento tão importante para o setor.

Revista Hotéis – Por que razão o setor hoteleiro do Rio de Janeiro sentiu necessidade de criar um sindicato próprio que não estivesse atrelado ao SindRio que representa bares e restaurantes?

Alfredo Lopes – Por muito tempo, a categoria hoteleira esteve representada por um sindicato genérico, ou seja, junto aos Bares, Restaurantes, Botequim  e Similares em Geral. Muitos interesses, antes convergentes, se apresentam hoje de forma diferenciada. Por todas as particularidades, desde reivindicações salariais, índices para acordos coletivos até singularidades da formação de mão de obra, identificamos que chegou o momento de caminharmos individualmente em busca da melhor representatividade para cada um dos segmentos empresariais. A criação surgiu da necessidade da categoria hoteleira em ter um sindicato próprio representando a classe junto aos órgãos municipais, estaduais e federal e podendo negociar os acordos coletivos junto ao Sindicato dos Trabalhadores. A partir da criação do SindHotéis-RJ, as operações hoteleiras passam a ter uma entidade pensando exclusivamente na realidade de seus negócios e suas demandas.

Revista Hotéis – Como e quando o SindHotéis/RJ entrou em operação e quais são as atribuições? Ele se tornou o único representante do setor na cidade do Rio de Janeiro?

Alfredo Lopes – O SindHotéis-RJ – Sindicato Patronal da Classe Hoteleira da cidade do Rio de Janeiro foi fundado oficialmente em 29 de novembro de 2010, quando teve início o processo de criação e regulamentação do novo sindicato. A aprovação no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª região, TRT/RJ, veio em julho de 2013. Desde então, correm os trâmites internos e judiciais da formalização do registro sindical. A expectativa é de que o registro saia até as Olimpíadas, uma vez que todos os requisitos exigidos foram preenchidos, mas desde então a entidade já atua como entidade representativa da classe.

Revista Hotéis – Quantos associados tem hoje o Sindhotéis /RJ e quais são os benefícios oferecidos ao setor em detrimento ao que era oferecido pelo Sindrio?

Alfredo Lopes – Atualmente já temos mais de 80 empreendimentos hoteleiros afiliados. O principal benefício é a representatividade exclusiva, focada especificamente na demanda do segmento de hospedagens.

Revista Hotéis – Mesmo sendo uma representação sindical recente, já houve conquistas para o setor hoteleiro?

Alfredo Lopes  – O novo sindicato conduziu as formalizações dos Acordos Individuais dos hotéis perante o Sindicato Laboral Profissional, referente ao(s) exercício(s)  de 2013/2014, 2014/2015 e 2015/2016 e está à frente do Acordo Individual do exercício 2016/2017 em início de negociações. O sindicato também firmou acordo com a Superintendência Regional de Trabalho e Emprego – M.T.E para viabilizar a contratação de mais de 2 mil profissionais com deficiência, de refugiados e jovem aprendiz. O site  do Sindhoteis Rj disponibiliza, também, uma importante ferramenta a serviço dos setores de RH dos hotéis: o Mural de Oportunidades, que compartilha vagas disponíveis na hotelaria.

Revista Hotéis – Quais são as principais metas a serem alcançadas pelo  SindHotéis/RJ nos próximos anos?

Alfredo Lopes – O sindicato atuará representando a indústria hoteleira em suas demandas e particularidades. Buscamos reunir e destinar recursos oficiais específicos para investir na capacitação da mão de obra, um dos principais desafios da hotelaria. Destacamos ainda uma atuação cada vez mais regional, valorizando os diferenciais e colaborando nas demandas das diversas categorias e de cada bairro do Rio, além da criação de estratégias específicas para posicionar a classe hoteleira sobre os compromissos legais assumidos em função dos Jogos Olímpicos.

Revista Hotéis – Como você avalia o atual cenário político econômico? Ele chegou à mudar um pouco o perfil dos hóspedes da hotelaria fluminense? Houve queda na taxa de ocupação ou mesmo nas diárias?

Alfredo Lopes – A crise econômica e política, incluindo a alta do dólar, impactou no turismo internacional. Ao mesmo tempo, favoreceu as viagens internas, então o mercado nacional reagiu bem. Não registramos grandes quedas na ocupação, especialmente se for levado em conta o enorme incremento na oferta de leitos já em operação. Um dos grandes desafios da cidade é conseguir formar um calendários de eventos fixo anual da cidade, que contemple os meses de baixa temporada com eventos que gere negócios alimentando toda a cadeia produtiva do turismo.

Revista Hotéis – Muitos hotéis estão sendo construídos para atender as Olimpíadas, mas vários especialistas e consultores do mercado garantem que haverá uma super oferta na região da Barra da Tijuca, onde se concentra o grande número de novos hotéis. Que avaliação você faz deste cenário?

Alfredo Lopes – ABIH-RJ e Rio CVB já trabalham fortemente neste cenário de forma preventiva, com o intuito de posicionar a Barra da Tijuca como um destino completo de lazer e negócios. Diversos hotéis da região estão investindo em grandes centros de convenções próprios, o que promete incrementar a ocupação no segmento corporativo. O Rio CVB tem participado de diversas feiras nacionais e internacionais, além de realizar parcerias com empresas aéreas e ações de divulgação focadas no destino nacional. É o momento de trabalhar na captação e na divulgação do nosso parque hoteleiro e do nosso destino, que estão totalmente renovados.

Revista Hotéis – A hotelaria da cidade do Rio de Janeiro está preparada para atender plenamente os milhares de visitantes das Olimpíadas, principalmente no que se refere a qualificação da mão de obra?

Alfredo Lopes – Os investimentos da iniciativa privada não foram poucos nos últimos anos, tanto em infraestrutura como em capacitação. Cito como exemplos as bem-sucedidas iniciativas das escolas de hotelaria da Rede Windsor e da Carvalho Hosken, no hotel Hilton. Esperamos oferecer um serviço à altura da nossa estrutura.

Revista Hotéis – Qual é a expectativa do SindHotéis/RJ em relação a hotelaria da cidade do Rio de Janeiro nos próximos anos?

Alfredo Lopes – Podemos estimar que a realização de uma Olimpíada acelere em até 20 anos o desenvolvimento de uma cidade, o que faz desta oportunidade um acontecimento ainda mais decisivo para o setor. Os legados em infraestrutura são incontestáveis e a hotelaria, sem dúvida, é protagonista neste cenário. Teremos a rede hoteleira totalmente renovada, com o desafio de garantir que todo esse crescimento se dê de forma sustentável, adaptada à nova realidade do mercado.

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