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Hotéis ressurgem no Centro da cidade de São Paulo

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São Paulo, 1900. O número de habitantes na cidade, que era de 65 mil em 1890, cresce para 240 mil em dez anos. Os limites da cidade se situavam no triângulo formado pelas linhas que ligavam as igrejas do Carmo, de São Bento e de São Francisco, e o centro da cidade se localizava em outro triângulo composto pelas ruas São Bento, Direita e XV de Novembro (antiga Rua do Rosário), onde se concentravam residências, instituições públicas, comércio, bancos, cinemas, teatros, restaurantes, bares e hotéis.
A mão de obra escrava negra foi substituída pelo trabalho assalariado imigrante nas lavouras agrícolas, nas primeiras unidades industriais, no comércio e nos serviços; o café se consolidava como principal produto brasileiro para exportação, provocando uma onda de inédito crescimento econômico no Brasil. São destaques hoteleiros da época: o Grande Hotel na Rua São Bento – então considerado o melhor do Brasil – e o Hotel d’Oeste no Largo São Bento.
São Paulo, 1930. O número de habitantes sobe para 900 mil. A quebra da bolsa de Nova Iorque levava o mundo à maior crise econômica da história e nossa principal riqueza, o café, sofria enorme desvalorização. Vargas assumiu, implantou a ditadura e instalou o Estado Novo. Surgem os luxuosos hotéis, com novo perfil construtivo e arquitetônico, para abrigar os barões do café e os emergentes industriais, como o Esplanada – que assume o posto de melhor da cidade –, o São Bento no Edifício Martinelli e o Términus na Rua Brigadeiro Tobias.
São Paulo, 1954. Ano do quarto centenário de fundação da cidade, que já se apresentava como a mais pujante metrópole brasileira. A população chegava a 2,5 milhões de habitantes. Na década anterior, o Plano de Avenidas do Prefeito Prestes Maia induziu o escoamento de um sistema viário saturado e ampliou os limites da cidade. A Cinelândia é criada no novo centro; novos hotéis acompanham o processo de verticalização dos edifícios e os mais destacados da cidade eram o Excelsior e o Marabá na avenida Ipiranga, o Othon Palace na Praça do Patriarca, o Danúbio na avenida Brigadeiro Luís Antonio e o Jaraguá, na rua Martins Fontes, que assume o posto de melhor hotel de São Paulo.
São Paulo, 1970. A população chegava a seis milhões de habitantes. Na década anterior foram construídos alguns dos mais emblemáticos hotéis da cidade, como o Ca’d’Oro, Vila Rica e Normandie. Nesta década surgiram os últimos hotéis de luxo do centro e, entre eles, um ícone, São Paulo Hilton Hotel. Enquanto o eixo comercial, corporativo, financeiro e empresarial da cidade deslocava-se para a Avenida Paulista, os hotéis acompanhavam esta migração, iniciando um grande processo de degradação do centro paulistano.
São Paulo, 2000. Com mais de 10,5 milhões de habitantes e ações do meio público e empresarial, o centro da cidade começa a renascer, com a instalação da sede da prefeitura no Banespinha, a recuperação e a reutilização de vários edifícios históricos como o Teatro Municipal, as estações da Luz e Júlio Prestes, o Mercado Central e a Pinacoteca do Estado.
O planejamento urbano incentivado pela reocupação da área central proporciona a retomada da hotelaria do centro de São Paulo, com destaque para o retrofit de alguns hotéis como Jaraguá, Normandie, Marabá, Pergamon, Bourbon, o futuro Ca’d’Oro e a construção de outros, como o Formule 1 e o Comfort, entre outros, planejados para os próximos anos. Sem dúvida, isso traz um novo alento para o setor hoteleiro no centro da cidade.

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