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Diretor global de construção e design deseja mudar a face da AccorHotels

Diretor global de Design e Serviços da AccorHotels aposta na experiência como tendência que baseia os próximos projetos da rede pelo mundo

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Kingsley Amose, Diretor Global de Design e Serviços Técnicos da AccorHotels - Foto: Raiza Santos

Em entrevista exclusiva concedida na tarde desta terça-feira (05), no restaurante Chez Oscar, em São Paulo, o Diretor global de Design e Serviços Técnicos da AccorHotels, Kingsley Amose falou sobre o desempenho do grupo na construção de hotéis pelo mundo e os principais projetos para os próximos anos. O executivo destacou que a experiência é o principal foco da empresa na concepção de novos hotéis.

Amose iniciou no grupo como Gerente de Renovação em 1993, onde fazia diversas manutenções necessárias no Novotel em Riyadh, no Oriente Médio. Depois, se mudou para o Vietnã onde foi Site Manager de um Sofitel, um Novotel e um Mercure naquele país. Em seguida, foi Diretor técnico para o sudeste da Ásia, de onde foi promovido para assumir todo o continente mais tarde. Foi assim que chegou à Austrália em 2004 como Diretor de Design e Construção, fazendo propriedades na Austrália, Nova Zelândia Fiji e Tahiti por cinco anos.

Em 2009, Amose assumiu o setor de Design e Construção para Ásia-Pacífico, e neste período, fez uma joint venture na China, Índia e na Austrália. “Estava cuidando de tudo isso por cinco anos, ou talvez mais. Fiquei à frente da Ásia Pacífico até 2016, foram sete anos. Depois disso, assumi o segmento em âmbito global em 2016”, contou. “É um grande desafio liderar duas companhias, dois times, criando sinergias, e certificando que o melhor das boas práticas estão sendo executadas. Eu tenho um time de Design e Serviços acertado, e meu objetivo é mudar a cara dos produtos da AccorHotels. É o que todo o meu time quer”, declarou.

Kingsley conta que passou por diversos desafios neste período, como na China, onde liderou uma equipe de construção para abrir 50 hotéis por ano. “Terminamos abrindo 10 por ano e a companhia garantiu 200 por ano. Foi uma grande pressão. Também fizemos investimentos na Índia que foram muito difíceis para finalizá-los a tempo, com muita pressão – especialmente o Sofitel em Mumbai, o qual a Accor é Share Holder. Mas conseguimos e o abrimos. Nossos desafios eu chamaria de oportunidades, porque na Asia-Pacífico tivemos um grande crescimento, abrindo um hotel por semana. Foi muita pressão, mas com ótimos resultados”, disse o Diretor.

O executivo diz ainda que sua grande inspiração são pessoas. “Eu amo trazer o que há de melhor nas pessoas. Sinto que todos são especiais, são ótimos. Alguém tem de dizer a eles: ‘Você tem esse desafio, e posso ajudá-lo a concluí-lo’. Essa é minha primeira inspiração. Minha segunda motivação é que eu aprendo muito. Todo lugar que vou, eu aprendo. Aprendo com as pessoas, com as cidades e culturas. A terceira é que estou em uma missão de mudar a face das marcas da AccorHotels globalmente em produtos muito dinâmicos. E é claro, há também o lado financeiro, que não posso ignorar”, pontuou Kingsley.

Paulo Mancio, VP de Design e Construção da AccorHotels e Kingsley Amose, Presidente do departamento – Foto: Raiza Santos

Segmentação de público
Um grande desafio da hotelaria é oferecer um mesmo produto de qualidade para públicos diferentes. Mas de acordo com o Diretor, é possível receber a todos da mesma forma. “Há muitos segmentos, como os chamados Millenials que são um segmento forte, mas eles não tem muito dinheiro, por exemplo. E há um segundo segmento, chamado “Geração Prateada” — os ‘Baby Boomers’ (geração que explodiu recentemente entre nascidos nas décadas de 1950 e 1960). Essas são as pessoas que são dedicadas, inteligentes e têm dinheiro para experiências”, explicou.

Hoje, para fazer o design de um hotel, a rede usa uma terminologia chamada “Market-Driven Products”, que não se trata de um produto que atenda a todos – tem que ser à cara da marca. “Pegamos qualquer uma das marcas, mantemos a essência dela, e desenhamos um produto que se encaixe com o mercado que aquele empreendimento em particular ou hotel será designado. É o que nos leva aos espaços públicos de A&B. Aquele espaço será direcionado por Millenials, Famílias, ou gerações mais velhas. Esse é o talento que estamos cultivando em todo o nosso time para lidar com esse multi-mercado e a linha entre categorias econômicas, midscale, luxo que está desaparecendo. Tudo é bom! Todos querem boas experiências”.

Próximos projetos
A AccorHotels tem 900 projetos pelo mundo no momento, sendo 150 na América do Sul. São 350 unidades em andamento na Asia, 100 na Europa, e os demais no Oriente Médio e África, além de outros na América. São 30% de luxo, 30% Upscale e 30% Econômico. “Projetamos a abertura de 300 hotéis em um ano – 41.000 apartamentos. Isso é o que nos mantém trabalhando. Temos 900 projetos, 300 para abrir, e mudar a face dos produtos do grupo e fazer muitas pessoas felizes”, reiterou Kingsley.

Eficiência Energética
O diretor disse ainda que a AccorHotels conta com uma ferramenta de monitoramento global de energia, chamada de OPEN. “O que é medido, é gerenciado. Isso é muito simples. Termos essa ferramenta de medição em nossos hotéis em operação, e conseguimos saber qual hotel está com bom ou mau desempenho. Assim, enviamos um painel de indicadores para o hotel, pois esse programa é ligado a realidade de cada cidade, que e diz se o consumo está bom ou ruim em comparação com os hotéis vizinhos. E quando sabemos isso, a equipe local adota um plano de ação”, contou.

Um novo hotel demanda um guia de zona que configura um sistema de ventilação para aquecimento, sistema de iluminação e sistema de água. Kingsley conta que aconselha a todos os investidores durante o desenvolvimento dos hotéis que para tornar o empreendimento mais eficiente, é necessário investir. “Os incentivamos a escolher o tipo certo de janelas, de piso, a isolação correta no topo do prédio. Temos uma estratégia muito clara sobre o que devemos investir para ter um prédio energeticamente eficiente”, declarou o Diretor.

Espaços públicos
Global e regionalmente, os espaços públicos nos hotéis estão conectando comunidades, que estão se tornando lugares que oferecem mais experiência do que apenas serviços. As pessoas querem mais, e a indústria da hospitalidade precisa se tornar uma provedora de experiências, não apenas uma provedora de serviços. Esse é o grande foco da AccorHotels na concepção de seus hotéis daqui para frente. “Temos mais trabalho a fazer, e queremos transformar espaços públicos em experiências prazerosas, com A&B, tecnologia e outros serviços em um lobby. Isso é o que sentimos que está acontecendo e estamos abertos para isso”, concluiu Kingsley Amose.

Paulo Mancio, Vice Presidente de Design e Serviços Técnicos para América do Sul, acrescentou que em todos os produtos em operação e desenvolvimento na região, a rede tenta trazer novas experiências. “Estamos sempre aprendendo com outras empresas e outros players do setor apresentando a verdadeira experiência nos nossos produtos. Isso é muito importante para a indústria da hospitalidade. Queremos aprimorar os projetos Life Style e segmentos de luxo”.

Equipe de Design e Serviços Técnicos da AccorHotels junto ao Diretor global do departamento – Foto: Raiza Santos

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