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Consuelo Jorge: a dama da arquitetura hoteleira

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“Estamos de olho nas oportunidades apresentadas pelos resorts e hotéis”

O encanto pela arquitetura surgiu cedo, ainda na adolescência, quando observava uma amiga de família multitarefas que é arquiteta e a influencia até hoje. Formada pela PUC Goiânia em 1987, a arquiteta Consuelo Jorge coordena uma equipe de profissionais para realizar projetos de interiores nas áreas residenciais, hoteleiras e imobiliárias e acumula diferentes experiências no mercado desde seu primeiro projeto em 1997: o Ibis Casa Verde, em São Paulo.
Depois do primeiro empreendimento junto à AccorHotels, chegou a projetar mais de 20 flats das bandeiras Blue Tree, Transamérica, e outras com seu escritório Consuelo Jorge Arquitetos. Já nos anos 2000, foi convidada a participar da implantação das bandeiras Pullman e Adágio, ambas da Accor, sendo estes grandes desafios na carreira. Ela também foi uma das responsáveis por trazer a bandeira Ibis Styles ao Brasil, uma das que mais crescem no segmento econômico.

Consuelo trabalhou com várias operadoras hoteleiras além da Accor, como Atlantica, Best Western e Estanconfor, além de investidores independentes. Atualmente, desenvolve projetos como Novotel Fortaleza, Adagio Salvador, ibis Styles Goiania, e muitos outros. Confira nesta entrevista exclusiva a trajetória desta arquiteta brasileira que coleciona projetos e ainda tem muito a mostrar.

Revista Hotéis — Como foi que entrou para a área de arquitetura e decidiu abrir seu escritório?
Consuelo Jorge — Minha paixão pela arquitetura surgiu desde a minha adolescência pela admiração que eu tinha por uma amiga da família que era arquiteta, musicista, professora de história da arte na universidade e colecionadora de obras de arte. Ela me encantou pelo seu conhecimento, por estar muito além da sua época. Ela me inspira até hoje na minha constante busca por coisas novas, na contemporaneidade dos meus projetos e entusiasmo pelo meu trabalho.
Formei-me em arquitetura em 1987 pela PUC de Goiânia, e hoje coordeno uma equipe de profissionais que trabalha de forma integrada para realizar projetos de arquitetura de interiores, nas áreas residenciais, hoteleiras e imobiliárias. Mas recentemente, estamos também trabalhando na implantação dos hotéis que projetamos.

Revista Hotéis — Quais foram seus primeiros trabalhos e por que resolveu focar também o segmento hoteleiro?
Consuelo Jorge — O primeiro hotel que projetei foi em 1997, o ibis Casa Verde, quando se iniciou a parceria de Antonio Setin com a Accor. Daí deu-se o início de uma longa parceria com estas duas grandes empresas e que dura até hoje. De um lado, um empresário visionário e extremamente empreendedor e de outro uma rede hoteleira de admirável renome internacional.
Depois desta primeira experiência, nos anos que se seguiram, quando o mercado imobiliário estava voltado para investimentos no setor de flats, projetamos mais de 20 flats de diferentes bandeiras: Blue Tree, Transamérica, First Class, entre outras.
Nos anos 2000, com a introdução de novas bandeiras da Accor no mercado nacional, fomos convidados para topicalizar os hotéis Pullman e o Adágio. Estes foram grandes desafios. Em 2010, Antonio Setin decidiu converter o Hotel Grand Mercure Ibirapuera, que tínhamos retrofitado em 2006, em Pullman Ibirapuera. Foram 4 anos de projeto, com muitas mudanças no meio do caminho e com forte influência da Accor francesa no desenvolvimento do projeto.
Em 2012, visitei, com um grupo de executivos da Accor, vários hotéis Adagio em Paris e região, e recebi a tarefa de tropicalizar mais esta bandeira. Os hotéis Adagio têm como objetivo oferecer ao hóspede uma experiência diferenciada para estadias de longa duração: arquitetura contemporânea em apartamentos espaçosos com equipamentos de cozinha e serviços de hotel. Nosso desafio é estimular o hóspede a socializar, mas se sentindo autônomo e respeitando seu estilo de vida. Para isso, desenhamos e desenvolvemos com os fornecedores nacionais o mobiliário específico para esta bandeira como a cama retrátil e a lixeira.

Revista Hotéis— Quais foram os projetos desenvolvidos para a hotelaria? Algum em especial se destacou e que você possui um carinho especial?
Consuelo Jorge — Trabalhamos com várias operadoras hoteleiras além da Accor, como Atlantica, Best Western e Estanconfor, além de investidores independentes. Atualmente, estamos em desenvolvimento de vários projetos, entre eles: Novotel Fortaleza, Adagio Salvador, Adagio Alphaville, Adagio Olga, Adagio São Bernardo, Adagio Goiânia, ibis Styles Goiânia, ibis Styles Guarulhos, Best Western Arpoador, Estanconfor Santos, Radisson Alphaville, Clarion Faria Lima, Mercure Recife, Comfort São Bernardo, Comfort Campinas, e Pousada Brisa do Espelho.
Os hotéis que entregamos recentemente são: Pullman Ibirapuera, Pullman Vila Olímpia, ibis Styles Minas Centro, ibis Styles Anhembi, Comfort Suites Flamboyant, Mercure Brasília Eixo, entre outros.
Cada projeto apresenta o seu desafio, suas individualidades que me faz brilhar os olhos: o ibis Styles e Adagio Goiania, são hotéis que estão sendo implantados em Goiania, minha cidade natal, onde foi muito fácil criar o tema para o hotel; o Pullman Vila Olimpia tinha um espaço maravilhoso para trabalharmos e uma grande visibilidade; o Pullman Ibirapuera uma liberdade muito grande para criarmos; a Pousada Brisas do Espelho é onde costumo passar férias com a família; o Estanconfor Santos é um grande empreendimento que será entregue em 2016 e que oferece ao mercado um conceito inovador de hotelaria de longa estadia; e, mais recentemente, o Radisson Alphaville que estamos implantando as áreas comuns até o final do ano, é um dos hotéis de maior prestígio da operadora e nos esmeramos muito no projeto. Aguarde para ver!

Revista Hotéis — Onde você busca inspiração para compor seus projetos? Existe alguma marca pessoal que os identifica?
Consuelo Jorge — Vivência é minha palavra-chave para inspiração: sair da rotina, viajar, ver coisas novas, falar com pessoas diferentes, ter novas experiências, visitar lugares distantes, participar de tribos variadas… de cada uma dessas coisas, guardo um pedacinho que fará parte de um todo que vou construir lá na frente.
Além disso, aproveito o que a tecnologia nos proporciona. A internet como instrumento de pesquisa nos ajuda muito na busca de tendências, de soluções, e inspirações. Sempre crio com meu cliente uma pasta no Pinterest para que possamos juntos “pinar” ideias para nosso projeto.
Minha marca pessoal é a contemporaneidade, a integração dos espaços que estimula a integração das pessoas, as linhas retas, a funcionalidade e a praticidade. Tento sempre inovar, criar projetos personalizados usando cores neutras e misturas de materiais e texturas.

Revista Hotéis — Quais as principais preocupações que possui ao desenvolver um projeto hoteleiro, o que eles buscam contemplar e como lida com a expectativa do cliente?
Consuelo Jorge — Costumo dizer que trabalhar com hotelaria é criar em cima de planilhas de custo. Nosso trabalho é sempre desafiador, pois queremos sempre dar as melhores soluções arquitetônicas e criativas respeitando as limitações financeiras.
Quando minha equipe está criando e desenvolvendo o projeto de interiores, estamos sempre interagindo com a rede hoteleira, mas também sempre muito preocupados com o local em que o hotel será implantado, das peculiaridades de cada cidade e do público que irá frequentá-lo. Além disso, estamos sempre atentos na escolha certa dos materiais e revestimentos no que se refere a sua durabilidade e manutenção, para facilitar ao máximo a operação hoteleira.
E por último, mas não sem a mesma importância, pensamos sempre em alternativas de utilização de tecnologia adequada com reaproveitamento de recursos naturais e preservação ambiental, utilizando iluminação led, aproveitando a luz natural sempre que possível, e usando materiais certificados e reciclados.

Revista Hotéis — Que mudanças mais visíveis você pode identificar de quando começou seus projetos no segmento hoteleiro até os dias de hoje?
Consuelo Jorge — O mercado globalizado permitiu que os operadores hoteleiros se profissionalizassem, criando melhorias nas suas operações através da tecnologia e do desenvolvimento de procedimentos mais adequados.Valorizando mais o conceito arquitetônico e personalização.

Revista Hotéis — O grau de dificuldade em projetar um hotel padrão econômico é o mesmo que um hotel de luxo? Como lida com esta questão?
Consuelo Jorge — Um bom briefing. Este é o início de um trabalho prazeroso e assertivo. O grau de dificuldade no desenvolvimento de um projeto depende das expectativas do operador hoteleiro e de quanto ele sabe identificar suas necessidades e prioridades. Dentro desta perspectiva, o hotel econômico é mais desafiador, uma vez que temos que usar muito mais de criatividade para desenvolver um projeto bacana dentro do budget estabelecido.

Revista Hotéis — Você foi uma das arquitetas escolhidas pela rede Accor para ajudar a desenvolver os projetos da bandeira Style no Brasil. Quais foram os empreendimentos que já concebeu e os desafios para esta bandeira?
Consuelo Jorge — Ibis Styles é um hotel temático e tem como objetivo proporcionar ao hóspede a oportunidade de vivenciar uma experiência lúdica envolta por design, em um ambiente criativo, descontraído e confortável. Para nós arquitetos é um prazer desenvolver projetos para esta bandeira: começamos por estudar a região em que o hotel está inserido e buscar um “tema” que faça sentido no contexto, e que ao mesmo tempo, seja divertido. Gostamos tanto de desenvolver a etapa da criação destes projetos, que nenhum tema que propusemos até hoje foi recusado pela Accor ou pelo investidor. É um grande desafio criar ambientes inovadores que surpreendam o hóspede, tenham uma manutenção e operação econômica, além é claro, estar dentro do orçamento do investidor hoteleiro. Em maio de 2014, entregamos primeiro hotel desta bandeira em Belo Horizonte, o ibis Styles Minas Centro, cujo tema é Carlos Drummond de Andrade. Seguindo os conceitos gerais do hotel: design colorido e pop, energia, personalidade, dinamismo e alegria, usamos detalhes da literatura do poeta mineiro na parede do quarto, no cabideiro em forma de lápis e ainda na mesa de cabeceira com seus livros.
Em setembro de 2014, entregamos o ibis Styles Anhembi em São Paulo, que por sua proximidade ao aeroporto Campo de Marte serviu de inspiração para o desenvolvimento do tema de decoração que é a invenção da aviação. Ao entrar no empreendimento, o hóspede é convidado a decolar numa viagem rumo aos primeiros passos da aviação. Os ambientes contam com referências históricas sobre o tema, citando grandes momentos de nomes da aviação, como Santos Dumont, que em 1906 fez o seu famoso 14bis voar 60 metros no ar em Paris, e de Amelia Mary Earhart, a primeira mulher a voar sozinha pelo Oceano Atlântico. A temática também está presente nos elevadores, nos quartos e no lobby do hotel com a réplica de uma pista de decolagem desenhada no piso. Nos quartos, a intenção foi a de levar o hóspede ao céu, através de uma cabeceira em formato de nuvem e cores que remetem ao tema, criando assim um ambiente de relaxamento com muito humor e um toque pop, onde a personalidade original se mistura à atmosfera acolhedora da marca.

Revista Hotéis — Quantos projetos possui em construção na hotelaria?
Consuelo Jorge — Atualmente, estão em fase de construção os seguintes hotéis: Adagio Salvador, Adagio Alphaville, Adagio Olga, Adagio São Bernardo, Estanconfor Santos, Best Western Arpoador, Adagio e ibis Styles Goiania, Comfort São Bernardo, Comfort Campinas, entre outros.
Estão em fase de retrofit os seguintes hotéis: Radisson Alphaville, Novotel Fortaleza, Clarion Faria Lima, Mercure Recife, Pousada Brisas do Espelho.

Revista Hotéis — Como você analisa o segmento hoteleiro no Brasil nos próximos anos?
Consuelo Jorge — Acho que o segmento hoteleiro poderá sentir a crise econômica nos próximos anos como todo o mercado. Porém, acredito que com a moeda desvalorizada, o turismo de lazer nacional irá se beneficiar. O mercado de resorts, parques temáticos, e hotéis em cidades turísticas deverão receber novos investimentos. Estamos apostando neste novo nicho.
Além disso, os retrofits irão continuar, uma vez que os novos investimentos hoteleiros vão sendo implantados, a competição irá exigir que os hotéis mais antigos se renovem.

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