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Como está a higiene do seu hotel?

Necessária e obrigatória, a qualidade da limpeza do empreendimento interfere na experiência do hóspede e no desempenho dos funcionários

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Limpeza num hotel é mais do que uma obrigação para uma boa hospedagem Crédito da foto para: Pascalhelmer Pixabay

Falar sobre higiene e limpeza é uma necessidade constante quando se trata da prestação direta de serviços. Além disso, é um dos principais pontos mencionados pelos turistas como mais importante na hora de escolher um meio de hospedagem.

Dada sua importância, este quesito é previsto por legislações e regulamentações do setor e também no Código de Defesa do Consumidor, que garante como direitos básicos a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos.

Obrigatória para preservação da saúde de todos, sejam hóspedes ou colaboradores, a higienização adequada no meio de hospedagem interfere diretamente na imagem do empreendimento, que depende muito de sua reputação para sobreviver na voraz concorrência no setor.

Ainda que pareça corriqueiro, o processo de higienização precisa ser feito com atenção e ter suas etapas reforçadas e recicladas sempre, envolvendo desde a escolha de produtos registrados, equipamentos de segurança e uniformes adequados até a capacitação contínua de camareiras e profissionais de manutenção.

Cada área do hotel tem um procedimento e produto específicos de assepsia, visando a segurança e saúde de todos os envolvidos na operação, passando por pisos, cortinas, janelas e carpetes até louças, metais e utensílios.

Além disso, é importante ressaltar que a higienização também faz parte da receita do hotel, já que tem o poder de aumentar – ou diminuir, se feita equivocadamente – a vida útil da estrutura de um empreendimento. O prolongamento do uso de um piso, enxoval ou louça também depende da forma que eles são higienizados diariamente, demandando sua troca em períodos programados. Isso também impacta no uso consciente de água e energia, uma visão que cada vez mais empresas têm adotado para auxiliar no cuidado com o meio ambiente e garantir economia.

Panorama do setor

Constantemente o setor investe para expansão e ampliação de presença em mais cidades e, junto a esta grande demanda, vem uma exigência igual por fornecedores que acompanhem as peculiaridades do segmento. O setor hoteleiro consome uma vasta gama de químicos, acessórios e máquinas de limpeza profissional, o que cria oportunidades para empresas especializadas do setor.

Paulo Peres: “Garantir privacidade, conforto e rigor na limpeza passam a ser fatores imprescindíveis neste ambiente”

De acordo com o último levantamento da ABRALIMP — Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional acerca do setor, elaborado em 2013, havia no período 16,5 mil fabricantes de máquinas, descartáveis, equipamentos e acessórios, produtos químicos e dosadores, empresas distribuidoras e prestadoras de serviços. Estima-se que entre 2011 e 2012 o segmento de limpeza profi­ssional movimentou anualmente entre R$ 17,1 e R$ 17,8 bilhões.

“Esse é um mercado em franca ascensão, uma vez que um espaço limpo e higienizado é uma premissa básica. A limpeza profissional é cada vez mais demandada por empresas e condomínios dos mais diversos segmentos e tem criado inovações para atender aos clientes com eficiência e sustentabilidade”, apontou o presidente da Associação, Paulo Gonçalves Peres.

O setor hoteleiro consome uma vasta gama de químicos, acessórios e máquinas de Limpeza Profissional. Ao caminhar pelos corredores de um hotel, é comum ver carros repletos de detergentes, desinfetantes, pulverizadores, panos, luvas, baldes, ceras, mini sabonetes, papéis higiênicos e toalhas, entre outros insumos consumidos.

O setor não recebe apenas turistas de férias, mas também, viajantes a negócios. Por isso, Peres lembra que um quarto de hotel precisa funcionar como uma extensão da casa ou do escritório do cliente – só que melhor. “Garantir privacidade, conforto e rigor na limpeza passam a ser fatores imprescindíveis neste ambiente. A escolha de produtos de limpeza para essas estações deve visar, principalmente, o bem-estar. O profissional de limpeza deve estar munido com os produtos e equipamentos adequados”, acrescenta o presidente da entidade.

A Abralimp firmou em 2016 uma parceria com a ABNT — Associação Brasileira de Normas Técnicas, com o intuito de desenvolver e estabelecer padrões de qualidade para a limpeza profissional. Atualmente existem dois selos ambientais que são formalmente apoiados pela entidade, sendo o PE-344, que tem seu foco nas empresas e equipes prestadoras de serviços, com o objetivo de validar os processos e insumos utilizados na execução dos trabalhos, e o PE-311, com foco na certificação de produtos químicos.

Para auxiliar os diversos segmentos aos quais as empresas associadas atendem, incluindo o hoteleiro, a Abralimp debate assuntos relevantes para o setor reunindo, periodicamente, as Câmaras Setoriais em sua sede. Por meio de sua Unidade Nacional de Formação Profissional (UniAbralimp), também oferece cursos para a capacitação de equipes. Outra maneira de informar as empresas associadas sobre os assuntos mais importantes em pauta na Associação e no mercado de limpeza profissional como um todo são as comunicações como Newsletter, canais nas redes sociais e a Revista HigiPlus, que traz conteúdos relevantes e aprofundados sobre esse segmento.

A Associação também produz publicações, por meio de suas Câmaras Setoriais, assim como cartilhas, manuais de processos e o Tempos Padrão, que informa o tempo que se leva para executar as atividades de limpeza. Além disso, a associação organiza a HigiExpo, feira que expõe produtos, serviços, máquinas e equipamentos de limpeza de países de toda América Latina com data marcada para os dias 20, 21 e 22 de agosto de 2019.  Outro evento relevante da entidade com a finalidade de promover, discutir e dialogar sobre as tendências do setor é o Congresso Internacional do Mercado de Limpeza Profissional (Higicon).

Gestão de processos

Por mais que a limpeza e manutenção diária, semanal ou mensal de um ambiente ou item seja uma função da equipe operacional, todos os envolvidos na atividade hoteleira precisam estar em sintonia. A gestão e o planejamento nos processos, desde a gerência geral até os funcionários terceirizados, devem perseguir a perfeição, pois todo cuidado é pouco quando se trata deste assunto.

Carla Trindade: ““Infelizmente tem hotéis que ainda usam produtos caseiros na sua higienização e equipamentos”

Para Carla Trindade, atuante na consultoria operacional de governança e lavanderia, formada em processos gerenciais e na hotelaria desde 2005, são três os aspectos que envolvem a higienização do hotel: Fator humano, técnico e estrutural. O fator humano compreende treinamento e ter o quadro de colaboradores suficiente para aquela estrutura hoteleira. Já o técnico abrange o tipo de produto. “Infelizmente tem hotéis que ainda usam produtos caseiros na sua higienização e equipamentos. Por exemplo, um hotel que tem muito vidro e a camareira não tem rodo suficiente para fazer a limpeza. A aparência para o hóspede não fica agradável”, explicou Carla.

Em estrutura, trata-se da conservação em si do imóvel, com a manutenção. “Existem hotéis que são extremamente limpos mas têm uma configuração antiga, com móveis escuros, situação de colchas e cortinas mais ultrapassadas – se for pensar no dia de hoje. Isso não traz um aspecto de limpeza. O hóspede acaba percebendo o cheiro de mofo, e isso atrapalha”, alerta a especialista.

Escrito por Raiza O. Santos

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