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Atrio Hotéis, há 25 anos influenciando o crescimento da hotelaria

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Fundada há 25 anos por um construtor e um hoteleiro, a Atrio Hotéis alcança hoje a marca da principal franqueadora da rede francesa Accor no Brasil, com 23 hotéis em operação, o que representa 3 mil apartamentos. E essa parceria surgiu muito antes da rede chegar ao Brasil, onde a Atrio iniciou com três unidades Parthernon no Brasil, sendo a primeira o Parthernon Prinz, em Joinville (SC), e que logo depois iria se fortalecer com a chegada da bandeira ibis no País.
A frente de todo desenvolvimento da principal franqueadora de hotéis do Brasil está Paulo Roberto Caputo, Diretor geral da Atrio Hotéis, que comenta nessa entrevista os desafios de continuar o processo de crescimento da empresa mesmo em tempos de crise econômica. O executivo dará detalhes sobre a construção de novos empreendimentos e também sobre o processo de internacionalização da empresa, que está analisando projetos junto à Accor na Argentina e Uruguai.

Revista Hotéis – Como e quando surgiu a Atrio Hotéis? Ela foi fundada com quais objetivos?
Paulo Roberto Caputo – A Atrio foi fundada há 25 anos por um construtor e um hoteleiro. O projeto foi incorporar e operar flat-hotéis, mantendo parte da propriedade na empresa. Desde o início os fundadores decidiram se associar a uma marca internacional, e assim nasceu o Parthenon Prinz em Joinville. A ideia foi muito inovadora para a época.

Revista Hotéis – Hoje, quais são os controladores da Átrio Hotéis e qual é o montante de patrimônio que vocês administram?
Paulo Roberto Caputo – A Atrio tem hoje quatro sócios principais, todos empresários de diferentes segmentos da região sul. Hoje administramos um patrimônio de mais de quinhentos milhões de reais, sendo que cerca de 20% deste patrimônio pertence a empresa e/ou seus sócios.

Revista Hotéis – Como surgiu a parceria com a rede Accor? No início vocês já se imaginavam serem os maiores franqueados da Accor no Brasil?
Paulo Roberto Caputo – A parceria com a Accor começou com o licenciamento da marca Parthenon, antes mesmo da chegada da franquia hoteleira ao Brasil. Iniciamos com três unidades Parthenon, mas foi com a chegada da Marca Ibis que identificamos a oportunidade de desenvolvimento em várias cidades. Assim inauguramos em 2003 o Ibis Blumenau, o primeiro Ibis franqueado do Brasil. Nesta época também surgiu o condo-hotel, uma evolução do antigo flat-hotel, que deu segurança jurídica para os investidores e resolveu os conflitos que existiam nos antigos flats. Tínhamos sempre como objetivos desenvolver bons projetos e administrar de maneira eficiente, o que nos levou a posição de maior franqueado da Accor no Brasil.

Revista Hotéis – Como se dá esta relação com a Accor para administrar novos empreendimentos? Quantos vocês já administram e quais são?
Paulo Roberto Caputo – Temos uma ótima relação com a Accor. Na realidade desenvolvemos os hotéis em conjunto. Os incorporadores em sua maioria preferem contratar uma administradora profissional ao invés de montar uma. Assim muitas vezes a própria Accor nos indica, em uma parceria ganha-ganha. Atualmente a Atrio administra 23 hotéis e cerca de 3 mil quartos, com as marcas Novotel, Mercure, Ibis, Ibis Styles e Ibis Budget. Nossos hotéis estão localizados em capitais, como Porto Alegre e Curitiba, e mercados secundários. Atuamos nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Todos esses hotéis estão estruturados na modalidade condo-hotel e franquia.

Revista Hotéis – Esta parceria de administração com a Accor é exclusiva com a rede ou podem ou pretendem administrar empreendimentos de outras redes ou marcas, ou mesmo hotéis independentes, tendo em vista que eles respondem por mais de 80% dos meios de hospedagens no Brasil?
Paulo Roberto Caputo – A Atrio é uma “hotel management company”, um conceito ainda novo no Brasil, mas muito comum no exterior. Essas empresas, por definição, operam hotéis de diversas marcas hoteleiras. O ideal sempre será escolher a melhor marca para cada propriedade, levando em conta as necessidades do mercado e o posicionamento do produto hoteleiro.

Revista Hotéis – Você acredita que o modelo de franquia hoteleira é o mais adequado para a hotelaria nacional? Como você avalia e projeta este modelo nos próximos anos?
Paulo Roberto Caputo – O modelo de franquia é um sucesso no Brasil e na hotelaria não será diferente. A grande diferença é a questão do investimento na propriedade, que é elevado. Aquele conceito americano do pequeno empresário que contrata um financiamento para construir um hotel, para depois operá-lo sob franquia, a meu ver não vai acontecer no Brasil em larga escala, principalmente pela questão de financiamento. O mais natural serão as franquias empresariais, que escolherão entre as operadoras e marcas disponíveis no mercado as melhores opções para seus projetos.
 
Revista Hotéis – Quais são os empreendimentos da rede Accor que vocês vão administrar nos próximos anos?
Paulo Roberto Caputo – Chegaremos a 40 hotéis administrados nos próximos 5 anos. Além dos 23 hotéis em operação, atualmente temos 8 hotéis em construção e mais 8 contratos assinados, cujas obras estão aguardando liberação por parte das prefeituras. Todos estes empreendimentos terão bandeiras Accor, com destaque para o segmento midscale. Dentre estes projetos gostaria de destacar o Mercure de Itajaí, em frente ao porto, o Novotel de Curitiba, no coração do Batel e o Novotel de Itu, esse nosso maior hotel, com 343 apartamentos e área de convenções para 1.800 pessoas, localizado ao lado do condomínio Terras de São José, com vista privilegiada para um dos melhores campos de golfe do Brasil. Os demais projetos são com as bandeiras Ibis, em cidades de médio porte.

Revista Hotéis – Quais os diferenciais que a Átrio possui em relação a demais administradoras hoteleiras brasileiras? Vocês pretendem também a internacionalização?
Paulo Roberto Caputo – Acredito que o grande diferencial da Atrio é sua experiência em administração e desenvolvimento de hotéis, afinal são 25 anos trabalhando exclusivamente no setor. Outro diferencial, muito importante, é nossa atuação no segmento imobiliário. Nós trabalhamos com os desenvolvedores e incorporadores desde o início do projeto. Conseguimos reduzir custos de implantação porque conhecemos profundamente as necessidades das marcas que administramos. Agora, o mais importante é a rentabilidade. Temos como meta sempre conseguir maximizar a rentabilidade em nossos hotéis, com uma operação focada em custos, qualidade de serviço e preservação do patrimônio do investidor. A internacionalização ainda não está sendo priorizada, mas temos analisado algumas oportunidades no Uruguai e na Argentina, junto com a Accor.

Revista Hotéis – Como você analisa o mercado de oportunidade na hotelaria brasileira e projeta o crescimento da Átrio nos próximos anos?
Paulo Roberto Caputo – Primeiramente acreditamos no Brasil, apesar de todas as dificuldades que enfrentamos no cenário político e econômico. Acreditamos também na hotelaria brasileira, que a cada ano fica mais competitiva e profissional, e que ainda apresenta muitas oportunidades. A Atrio tem um modelo de negócio dinâmico e de longo prazo, como deve ser a atuação no mercado hoteleiro. Nesse contexto buscamos crescer de maneira sólida, buscando nos consolidar como uma das principais administradoras hoteleiras do Brasil.

Revista Hotéis – A atual conjuntura econômica de alguma maneira atrapalha a expectativa de crescimento da Átrio ou mesmo diminui a atração do capital dos investidores? Como você avalia o momento?
Paulo Roberto Caputo – O mercado hoteleiro é muito sensível ao momento econômico. Depois de anos de crescimento contínuo esse é o ano de ajustar a operação e ser muito ágil no posicionamento de mercado. Tenho confiança que sairemos da crise melhor do que entramos, com custos mais enxutos e operações mais eficientes. O aumento da taxa de juros e a diminuição da rentabilidade dos hotéis afetam o apetite dos investidores. Agora o interessante é que os incorporadores não pararam, estamos sendo consultados como nunca para participar de novos projetos. Estão surgindo projetos inovadores, novas marcas estão chegando, enfim, os incorporadores estão ativos e buscando alternativas e nichos de mercado.

Revista Hotéis – Na sua opinião, quais são as principais dificuldades existentes no Brasil para desenvolver o parque hoteleiro?
Paulo Roberto Caputo – Muito tem se falado que é a falta de financiamento, que com certeza é um obstáculo. Cito também as dificuldades de aprovação legal de muitos projetos, além do alto custo dos terrenos. Mas ao meu ver o mais importante é termos um ambiente de negócios confiável, sem regras que mudem a toda hora.

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