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ADIT Share 2017 aponta tendências do mercado de multipropriedades no Brasil

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Os painelistas mostraram muito conhecimento técnico sobre os assuntos debatidos neste painel

Direto de Rio Quente (GO) – A série de painéis do primeiro dia do ADIT Share 2017 continua no Hotel Turismo, parte do Complexo Rio Quente Resorts, em Goiás. Foi finalizado agora há pouco o debate do tema “Visão 360º do mercado de Multipropriedades (Fractional) no Brasil”, sob a moderação de Maria Carolina Pinheiro, Diretora da RCI Brasil. O evento promovido pela ADIT Brasil – Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil conta com a Revista Hotéis como Media Sponsor. Neste painel, falaram Ênio Almeida, da W Palmerston; Rafael Almeida, do Grupo Natos; Gustavo Rezende, do Grupo GR; Fernando Martinelli, da Interval International; Ricardo Assunção, do Grupo Rmex e Adriana Chaud da New Time.

Ricardo Assunção do Grupo Rmex, apresentou alguns dados do mercado de multipropriedades, que gerou em 2016 um valor de R$ 11 bilhões em VGV (Valor geral de vendas), com expectativa de crescimento de 30% nos próximos 10 anos. Atualmente, existem 56 empreendimentos de fractional no Brasil, sendo 19 inaugurados e 37 em construção, com 14.511 unidades residenciais fracionadas.

Segundo ele, algumas das vantagens deste negócio é a presença da intercambiadora de férias; a valorização do imóvel; gestão profissional; imóvel com bandeira de marcas hoteleiras conhecidas; hotel montado e equipado; imóvel sempre conservado; prestação de contas e participação no condomínio.

Como desvantagens, ele mencionou as recessões econômicas, que podem reduzir, interromper ou levar a substituição dos serviços por outros concorrentes de menor preço; crise política e falta de regulamentação do setor. “A implantação do condomínio é o primeiro passo, e ter um departamento comercial. O gerenciamento de allotment e próxima do condômino também são essenciais”, pontuou.

Maria Carolina Pinheiro, Diretora geral da RCI Brasl foi a moderadora deste painel

Logo após, Adriana Chaud da New Time – comercializadora de frações imobiliárias – frisou o desenvolvimento da equipe de vendas da empresa em abril, que bateu recordes. “Vender não é tão fácil, e em 19 salas houve mais de 90 milhões em vendas. Estamos muito orgulhosos, pois estamos há 20 anos no mercado”, destacou.

Gustavo Rezende, do Grupo GR falou que “a preocupação hoje passou de VGV, em alta entre os anos 2013 e 2015, para back e pós, um planejamento a longo prazo. Estamos atentos aos processos após a venda, em solidificar o negócio a partir do relacionamento com o cliente. A onda de pegar o máximo de projetos pra commpetir com A, B ou C passou, agora trabalhamos unidos para a melhoria desta indústria como um todo”, mencionou. A empresa tem cases em Barretos, Olímpia, Rio Quente e outros.

Representando a empresa W Palmerston Holding, detentora do Grupo Privê, a intercambiadora WAM Brasil e outras marcas, Ênio Almeida apresentou alguns tópicos importantes para o negócio de fractional. “A localização ou o destino é de suma importância, pois deve ter vocação turística e estrutura adequada para receber o empreendimento. É fundamental também ter estudo e pesquisa de mercado para avaliar a viabilidade”, mencionou.

Almeida prosseguiu falando sobre estruturação jurídica, importante para a concepção até o momento da entrega; a gerenciadora do projeto, também importante para viabilizá-lo; comercialização, que deve ser comprometida com os resultados que vão ser apresentados; Pós-venda, que segundo ele, deve ser encarada como uma extensão da venda; Gestão da SPE; bandeira hoteleira, que faz o link da gestão com o cliente e administração condominal.

Maria Carolina Pinheiro destacou que a Multipropriedade ainda não tem legislação específica, mas é baseada na lei do condomínio. “De um ano para cá, o Secovi-SP identificou uma oportunidade de estudar um pouco mais a fundo o que era o fracionado, para fazer uma lei específica para este negócio. Nosso objetivo é juntar todos os players da indústria –investidores, comercializadores, advogados – para elaborar um PL (Projeto de Lei) com as melhores práticas do mercado”, esclareceu a Diretora da RCI no Brasil.

Para falar sobre a situação deste PL, Rafael Almeida, do Grupo Natos explicou que foram formulados dois projetos de lei que foram protocolados pelo Senado Federal (54/2017). “Estes projetos estão sendo importantes para o desenvolvimento do negócio, dando maior visibilidade. Estamos trabalhando nesta questão em Brasilia, e queremos chegar ao final deste ano com o projeto encaminhado para a sanção. Mas tudo pode acontecer. Temos o apoio do setor de hotelaria, turismo e associação. Existe um arcabouço jurídico que dá base ao PL”, descreveu.

Em seguida, Fernando Martinelli, Diretor Executivo da Interval International no Brasil, que conta com 3.000 hotéis no portfólio da rede, como Sheraton e Hyatt, mencionou os problemas encontrados no Brasil, como falta de financiamento de projetos hoteleiros, burocracias em torno dos hotéis urbanos. “O mercado brasileiro de lazer tem dificuldades para se desenvolver. Estamos muito aquém da nossa capacidade de recepção de turistas estrangeiros: enquanto recebemos 6 milhões por ano em todo o País, cidades como Orlando recebem cerca de 54 milhões no mesmo período”, exemplificou.

Fernando Martinelli, Diretor geral da Interval no Brasil foi um dos participantes deste painel

Nos EUA, o mercado foi líder e acabou se defasando. O timeshare é uma semana de direito real de uso e o fractional tem mais de uma semana. Já no México, tem um prazo determinado, sem qualquer registro imobiliário. “A Colômbia, por exemplo, regulamentou o timeshare como um produto turístico com propriedade. Aqui no Brasil, o timeshare foi classificado na Lei Geral do Turismo e o fractional como propriedade refletida, e uso compartilhado. Todos os empreendimentos inaugurados foram entregues em menos de dois anos, então é um negócio novo para todos. São negócios criados por investidores hoteleiros, mas é um problema para a indústria”, alertou Martinelli.

No mercado americano, são 4 milhões de usuários, onde uma propriedade tem 150 mil proprietários. Naquele país, foi criada uma Associação de Proprietários (HOA), a qual associa-se logo que se adquire uma cota. “Esta representação dos condôminos foi uma forma de evitar que todos os proprietários se rebelassem contra um empreendimento. É um modelo de negócio atrativo do ponto de vista do desenvolvedor e do usuário. Mas existem uma série de desafios. E reuniões como essa são a única forma de compartilhar informações para o desenvolvimento correto do negócio”, destacou.

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