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Gestão de recursos hídricos orientam ações sustentáveis de hotéis

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Os hotéis estariam preparados para uma possível escassez de água? - Crédito da foto para FreeImages/Maripepa M.

O aviso aos hóspedes de troca ou não de toalhas, deixou de ser ação sustentável. Mas sim, o melhor aproveitamento, a captação e armazenamento de água para a utilização em áreas comuns. Quantos hotéis fazem isso no Brasil?

A água é um bem natural necessário a todo o ser humano. Não apenas ao corpo, é também fundamental para o funcionamento de diversos segmentos da indústria, como a agropecuária, automobilística, e inclusive o setor hoteleiro. Seja em favor do meio ambiente ou para atrair clientes, muitos empreendimentos já exercem ações sustentáveis que incluem economia de água e energia, como a inserção de mensagens para a troca de toalhas nos apartamentos. Porém, esta informação a qual solicita a conscientização dos hóspedes no reuso das toalhas de banho, por vezes, tem apenas o intuito de redução de custos operacionais dos hotéis. Algumas redes insistem em utilizar isto como ferramenta de marketing para dizer que são sustentáveis, mas na maioria das vezes a sustentabilidade se resume apenas a isto.

Há pelo menos dois anos figura nos principais noticiários a crise hídrica que abalou diversas regiões brasileiras — a pior em 84 anos, segundo declarou a Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira no início de 2015 — e que vai levar tempo para se recuperar totalmente. Por conta deste cenário, muitas empresas ainda estão se preocupando com a crise de abastecimento e estão reforçando ainda mais as ações de economia e implantando novos hábitos para não deixar que as torneiras sequem. A gestão de nossos cursos d’água e mananciais é regida pela Lei Federal nº 9.433/1997- Política Nacional de Recursos Hídricos, que introduziu no território nacional um conceito de inspiração francesa, de administração por Bacia Hidrográfica, sendo cada bacia considerada uma unidade de planejamento relativamente autônoma. Três anos após sua entrada em vigor, contudo, o marco foi alterado pela Lei Federal nº 9.984/2000- que criou uma agência reguladora de âmbito nacional para todo o sistema, a ANA – Agência Nacional de Águas. As autoridades públicas confiaram na sorte que não seria investir na captação de água de novos mananciais e acabaram jogando a culpa em “São Pedro”.

Para não ver as torneiras secarem, os hotéis passaram a reutilizar sua água para outros fins - Crédito da foto para FreeImages/Michal Mojek
Para não ver as torneiras secarem, os hotéis passaram a reutilizar sua água para outros fins – Crédito da foto para FreeImages/Michal Mojek

No caso dos hotéis, a situação chega a ser muito preocupante, pois, como seria receber um hóspede sem água? Soluções existem, o que não existe é a vontade de muitos hoteleiros fazerem investimentos na captação de água. É comum andar na cidade de São Paulo e ver milhares de litros de água do lençol freático que ficam embaixo da fundação da edificação ser bombeado e jogado fora. Esta água poderia ser perfeitamente utilizada para limpeza de áreas externas ou mesmo para dar descarga nos vasos sanitários. Ou, que tal a captação da água que cai na cobertura da edificação através de calhas para armazená-la? Soluções existem, mas enquanto vários hotéis não se preocupam com isto e fazem a famosa economia burra, são afetados em suas despesas com o gasto excessivo de água por alguns hóspedes.  Muitos acham que, por não estarem em sua casa, “não pagam pela conta”, e demoram até quatro vezes mais tempo no banho, sem se dar conta que trata-se de um recurso natural limitado.

Uma recente pesquisa chamada  “O uso e o consumo da água no Estado de São Paulo”, realizada pelo CPDEC – Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Educação Continuada, aponta que 78% do volume de água consumido por hotéis provém da companhia de abastecimento regional; 17% de poços artesianos e 5% de caminhões pipa. Foram entrevistados 16 representantes de hotéis, de pequeno, médio e grande porte, de 13 a 340 apartamentos. Cerca de 56% dos hotéis afirmaram ter um plano de contingência, que contempla apenas recorrer ao abastecimento por caminhão pipa. Já 81,25% dos estabelecimentos não têm sistema de reuso. Entre os que reutilizam água (18,75%), apenas 6,25% souberam informar o volume reutilizado. Com todos estes dados, paira no ar a dúvida: Será que os hotéis estariam de fato preparados para uma possível escassez de água?

Mário Cezar Nogales - “As medidas que podem ser aplicadas na prática vão desde a formação de mão de obra local até mesmo consumo consciente” - Crédito da foto - Divulgação
Mário Cezar Nogales – “As medidas que podem ser aplicadas na prática vão desde a formação de mão de obra local até mesmo consumo consciente” – Crédito da foto – Divulgação

Empresa sustentável?

Quando começamos a abordar o assunto ‘sustentabilidade’, logo nos vem à mente ações ligadas ao meio ambiente. Porém, o conceito de sustentabilidade vai muito mais a fundo, englobando não somente o meio ambiente, mas a administração de determinado negócio, de maneira que ele tenha sustento, ou, seja sustentável. Este conceito engloba três pilares, sendo o ambiental, sociocultural e econômico. Ações sustentáveis em um empreendimento hoteleiro vão desde manter o bairro em condições para atrair turistas, cobrar segurança pública, entre outras, até mesmo ter e manter fornecedores de qualidade e o ambiente de trabalho adequado.

Na opinião do consultor hoteleiro Mario Cezar Nogales, a empresa que pretende ser sustentável deve pensar em diversos aspectos e colocá-los em prática para ser denominada como tal. Para ele, muitos hotéis solicitam aos hóspedes para que eles reutilizem as toalhas de banho e lençóis por mais de uma vez, porém, os empreendimentos estão visando apenas a redução de custos operacionais. “Nenhum hotel se limita em solicitar aos seus hóspedes a reutilizarem as toalhas uma vez que não somente é uma questão de consumo de água e manutenção do meio ambiente, contudo, são poucos os hóspedes que de fato compreendem que não é apenas uma questão de economia de custos. Medidas ideais para a sustentabilidade são várias e enormes, mas as que podem ser aplicadas na prática vão desde a formação de mão de obra local até mesmo consumo consciente”, afirma.

Nogales acredita que os hotéis deverão investir em outras saídas para conseguirem atender toda a demanda de hóspedes sem que falte uma gota de água. Além disso, o consultor diz que o problema não esteja na falta de água, mas sim na falta de distribuição dela. “Havendo de fato a falta de distribuição de água, e não falta de água – haja visto que nossas represas estão cheias – os hotéis que não possuem poços artesianos podem investir neste se houver espaço, caso contrário, terão de comprar água de quem tem estes poços artesianos como as distribuidoras de água. Com relação a tecnologias para redução do consumo de água, a grande maioria dos hotéis já as possuem e vão desde menos fluxo de água nos vasos sanitários até mesmo redutores nos crivos das duchas”, pontuou.

Dentre as ações que o consultor acredita que sejam eficazes durante a crise de abastecimento, principalmente no estado de São Paulo, estão a diminuição do fluxo de água nas descargas dos vasos sanitários, redutor de fluxo de água para as duchas, coleta de água de chuva e seu devido tratamento para torná-la potável, tratamento dos esgotos antes de enviar ao esgoto público, utilizar os serviços de lavagem a seco que diminui em até 90% o consumo de água para esta ação, utilizar tecnologia de limpeza a seco que também diminui em até 90% o consumo de água para esta ação, não fazer troca de roupas diárias para os mesmos hóspedes, corrigir todos vazamentos e por fim, realizar manutenção preventiva no lugar de corretiva. “Eu sou partidário de que as pessoas não precisam de leis para serem éticas ou tenham moral, isto é uma questão de berço, e hotéis como meios de hospitalidade devem atender as necessidades de seus hóspedes da maneira que eles desejam, logo parte dos hóspedes o desejo e a aplicação das necessidades de economia de água”, avalia Nogales.

O grupo Privé (GO) investiu cerca de R$ 1,5 milhão em sua própria ETA – Estação de Tratamento de Água- Crédito da foto - Divulgação Grupo Privê
O grupo Privé (GO) investiu cerca de R$ 1,5 milhão em sua própria ETA – Estação de Tratamento de Água- Crédito da foto – Divulgação Grupo Privê

Investimento constante

Por conta da crise de abastecimento de água, que ocorre desde o ano passado, muitos hotéis e resorts decidiram ampliar o número de ações para minimizar o desperdício deste recurso. A Rede de Hotéis Privé, com três empreendimentos em Caldas Novas (GO), região com abundância de águas termais, decidiu investir cerca de R$ 1,5 milhão em uma nova Estação de Tratamento de Água (ETA). De acordo com o engenheiro ambiental da Rede, Glauco Tito Passarinho, após a construção desta estação, o grupo registrou uma economia de R$ 2,27 milhões. Segundo ele, o empreendimento evita o descarte da água na rede municipal de esgoto ou em qualquer corpo hídrico, minimizando o desperdício e adequando-se aos conceitos de sustentabilidade. “Desta forma, demonstramos ainda nosso respeito a esse recurso natural e garantimos às novas gerações a oportunidade de conhecer as águas termais com a mesma qualidade de hoje”, afirma.

Atualmente, o complexo hoteleiro do grupo conta com cerca de 3.080 m³ de volume de água circulando por dia, o que equivale a cerca de 3,08 milhões de litros de água, sendo que 45% deste volume passa pela estação de tratamento e é reaproveitado no próprio complexo. De acordo com Passarinho, após a instalação desta estação de tratamento, a rede deixou de gastar cerca de 504 mil m³ de água em 2014.

Para se ter uma ideia do consumo de um dos empreendimentos do Grupo Privé, citamos o exemplo do Privé Riviera Park Hotel, situado em Caldas Novas (GO): O consumo mensal de água deste hotel gira em torno de 27.500m³, proveniente de água tratada, água de poço termal e água da concessionária DAMAE. Por mais que o empreendimento esteja localizado no centro oeste brasileiro, local que não sofreu com a crise de abastecimento, o engenheiro afirma que notou redução do consumo de água neste período de crise, onde os funcionários e clientes fizeram o uso sustentável de água e energia elétrica.

A estação de tratamento de água do complexo hoteleiro realiza o reaproveitamento da água de suas piscinas. Logo após o tratamento, a água passa por um teste de qualidade em um laboratório independente e credenciado junto ao órgão ambiental do Estado de Goiás, onde são feitos testes físico/químico/bacteriológico. A estação de tratamento funciona 20 horas por dia e tem capacidade para tratar 100m³/hora de água, o que acaba resultando em um reaproveitamento de 60 milhões de litros d’água por mês, representando uma economia de R$ 64.260 ao mês, e, de acordo com Passarinho, o investimento da estação será amortizado em menos de dois anos.

O engenheiro acredita que além de promover o reaproveitamento da água, é importante que seja feito um trabalho de conscientização ambiental com os hóspedes, funcionários e comunidade local. “Além de respeitar o meio ambiente e também trazer dividendos, a sustentabilidade tem a capacidade de mudar de forma positiva a imagem da empresa junto aos consumidores. As vantagens das práticas sustentáveis estão em melhoria na imagem da empresa junto aos consumidores e comunidade em geral. A economia, com redução dos custos de produção. Isto é obtido, por exemplo, por meio da reciclagem, reutilização da água e medidas de economia de energia elétrica. Em relação ao estímulo do governo para investir em ações sustentáveis, ainda não buscamos diretamente alguma linha de financiamento para investimentos, apesar de termos conhecimento da existência destes recursos na esfera federal para este fim. O que já percebemos foi o efeito positivo das campanhas que promovem o consumo consciente visando gerar economia de água e energia elétrica. Os clientes com certeza irão cobrar cada vez mais das empresas ações de sustentabilidade”, frisa.

A Rede de Hotéis está investindo aproximadamente R$ 120 mil com novas estratégias, para que os 45% de água reaproveitada atualmente dessem um salto para 100% de reaproveitamento até o segundo trimestre de 2015.

As suítes do hotel Marina Palace (RJ) contam com banheiros modernizados que promovem economia de água - Crédito da foto - Divulgação Marina Palace
As suítes do hotel Marina Palace (RJ) contam com banheiros modernizados que promovem economia de água – Crédito da foto – Divulgação Marina Palace

Banheiros econômicos

Uma das expectativas que os hóspedes mais têm no momento de fazer uma reserva num hotel é encontrar um bom chuveiro. Mas em tempos de crise hídrica, é aí que mora o perigo. Muitos hóspedes acabam demorando além da conta durante uma ducha para desfrutar de um banho revigorante e prazeroso. Por conta disso, os hotéis, além de tentarem conscientizar os hóspedes a reduzirem o tempo no banho, necessitam adotar soluções técnicas que garantem economia de água.

Pensando em reduzir os custos com desperdício de recursos hídricos, a rede BHG – Brazil Hospitality Group investiu cerca de R$ 500 mil em algumas soluções como retrofit de chuveiros e torneiras, instalação de redutores de vazão, lavagem inteligente de enxovais, programa para eliminar vazamentos, campanhas de conscientização, entre outras.

De acordo com Eder Pereira, Gerente patrimonial da BHG, em um dos hotéis da rede, o Marina Palace, situado na capital fluminense, os banheiros do empreendimento já contam com chuveiros e torneiras que propiciam a diminuição da vazão da água. “O material utilizado gera uma economia de 35 litros por minuto para 9,5 litros por minuto e isso não afeta a qualidade do banho. Podemos garantir o conforto para todos os hóspedes. Além disso as descargas de válvula de parede dos banheiros foram substituídas pelas de caixa acoplada. Essas descargas de fluxo duplo têm dois botões, para resíduo líquido ou sólido, e gastam três ou seis litros de água por descarga. Uma válvula comum gasta, no mínimo, três vezes mais: 18 litros. A troca de todos esses itens por modelos econômicos que regulam a vazão da água para padrões internacionais são investimentos simples, que tem payback rápido e refletem diretamente em um consumo de água mais responsável”, afirma.

Segundo Nilton Camilo, superintendente regional da BHG em São Paulo, processos de troca de toalhas e roupas de cama nos apartamentos se tornaram menos frequentes. “Antes, tudo era trocado diariamente, mesmo que não houvesse necessidade. Hoje, para que isso aconteça é preciso que o hóspede siga algumas regras simples. Essa foi uma das formas que priorizamos para controlar o desperdício de água na lavanderia”. Com essas medidas, a rede notou uma redução de consumo em torno de 5% a 10%. Agora, a BHG está estudando a hipótese de adaptar estações de tratamento de efluentes e reuso de água da chuva para o maiores hotéis da rede.

A Pousada Dom Capudi (SC) prioriza e explora a manutenção dos recursos naturais de seu entorno - Crédito da foto - Divulgação Pousada Dom Capudi
A Pousada Dom Capudi (SC) prioriza e explora a manutenção dos recursos naturais de seu entorno – Crédito da foto – Divulgação Pousada Dom Capudi

Da chuva ao sabonete

Localizada em Bombinhas, município litorâneo de Santa Catarina, a Pousada Dom Capudi não apenas tem uma lista de atitudes que visam a sustentabilidade local, como também segue um modelo de gestão voltado ao turismo sustentável. Este padrão tem como base indicadores da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas NBR 15401:2006, que estabelece os requisitos de sustentabilidade para os meios de hospedagem nas dimensões da sustentabilidade ambiental, sociocultural e econômica.

Algumas ações já realizadas pelo empreendimento, que não foi atingido pela crise hídrica atual, são a captação de água da chuva, que é usada para regar os jardins e lavar os panos de limpeza; o aproveitamento de energia solar para aquecimento de água, a permeabilidade do solo, uso de poucas calçadas e mais gramado, separação do lixo, compostagem com as cascas de frutas para funcionarem como adubo orgânico para horta e jardim; produtos de limpeza biodegradável, dentre outras. Uma solução recente foi a implantação de sabonete líquido para banho e mãos, evitando as sobras de sabonetes em barras e geração de embalagens.

De acordo com a proprietária da pousada, Roseli Capudi,  o modelo de gestão seguido proporciona uma base estável, coerente e consistente para o alcance do desempenho sustentável dos empreendimentos, bem como a sua manutenção e qualidade dos serviços. “O sistema seguido é parecido com as normas ISO, mas para os meios de hospedagem com foco sustentável. Por causa de nossas políticas de sustentabilidade, somos convidados para ministrar palestras em associações, escolas, entidades fora da cidade. Isso contribui para fortalecer o empreendimento e multiplicar as boas práticas. É preciso que os empreendimentos turísticos deem atenção às práticas sustentáveis, de forma a contribuir para o equilíbrio do planeta e ganhar, assim, respeito de seus hóspedes, que estão cada vez mais exigentes e conscientes. O retorno é sempre compensador”, afirma Roseli.

Segundo ela, não há incentivo à prática sustentável no município por parte do governo, tendo em vista que, às vezes, o custo para a implantação de sistemas que visam a sustentabilidade são caros. “O retorno vem com o tempo. Incentivamos pequenos gestos de conscientização, que são ações que todos deveriam fazer no cotidiano. Uma empresa, seja ela do ramo em que atuar, deve se envolver com a comunidade, contribuir com o desenvolvimento do seu entorno”, pontuou a empresária.

O Vitória Hotel Concept Campinas (SP) aposta no reúso do enxoval, uso de lâmpadas LED, separação e coleta dos resíduos recicláveis, entre outras ações - Crédito da foto - Divulgação - Vitória Hotel Concept Campinas
O Vitória Hotel Concept Campinas (SP) aposta no reúso do enxoval, uso de lâmpadas LED, separação e coleta dos resíduos recicláveis, entre outras ações – Crédito da foto – Divulgação – Vitória Hotel Concept Campinas

Gestão da Sustentabilidade

Listado entre um dos dez hotéis que possuem certificação ambiental da ABNT, o Vitória Hotel Concept Campinas, localizado em Campinas (SP), está investindo constantemente em ações de sustentabilidade. O hotel recebeu a certificação da norma ABNT NBR 15.401:2006 Meios de Hospedagem – Sistema de gestão da Sustentabilidade ainda em 2014. Em agosto de 2015, o empreendimento conseguiu a manutenção da certificação que está vigente até outubro de 2017.

De acordo com a Analista Ambiental do Vitória Hotel Concept Campinas, Tathiane de Jesus Oliveira, o hotel investiu desde 2012 na implantação da norma, a qual é específica para meios de hospedagem. “Após um ano da certificação, em agosto de 2015, passamos pela manutenção que durou dois dias. Alguns itens da norma foram auditados e solicitados evidências. A manutenção da certificação serve para garantir que o nosso sistema de gestão da sustentabilidade não apenas permaneça em conformidade, mas melhore continuamente”, explica a analista.

Para ela, a sustentabilidade tornou-se um fator de suma importância na administração de um empreendimento, já que a sociedade pede por práticas empresariais que sejam transparentes e socioambientalmente responsáveis. “Nesse contexto, buscamos atender aos nossos clientes da melhor forma possível. A certificação favorece o desenvolvimento cultural dos nossos colaboradores com relação à preocupação por práticas sustentáveis. Sendo assim, a certificação contribuiu significantemente no fortalecimento do conceito, e vem contribuindo com o desenvolvimento sustentável assegurando eficiência, eficácia e melhoria contínua dos nossos produtos e serviços”, conta Tathiane.

Ações como o reúso do enxoval, trocas por lâmpadas LED, substituição de aparelhos de ar condicionados pelos mais econômicos, separação e coleta dos resíduos recicláveis, redução no desperdício de alimentos, divulgação e conscientização junto aos hóspedes e colaboradores, entre outras, são algumas das ações praticadas na rede Vitória. Ainda em 2015, foram criados dois projetos, um para a criação de uma horta orgânica que permite que as hortaliças cultivadas sejam usadas na cozinha do Esquinica Natural, e a reutilização de cascas de frutas e vegetais nas cozinhas, ambos que iniciam neste ano de 2016. “No ano de 2015, até a presente data, tivemos uma redução de 3,3% na energia, em comparação ao ano de 2014. Temos uma meta de 4% de redução para esse ano, e acreditamos que até o final nossa meta será batida com êxito neste hotel. Além das ações já vigentes, conscientização junto aos colaboradores e hóspedes são constantemente realizadas para um resultado mais efetivo”, comemora a Analista ambiental.

O hotel SPaventura Ecolodge (SP) possui um poço semi-artesiano para utilizar nos meses de estiagem - Crédito da foto - Divulgação - Spaventura
O hotel SPaventura Ecolodge (SP) possui um poço semi-artesiano para utilizar nos meses de estiagem – Crédito da foto – Divulgação – Spaventura

Planejamento que fez a diferença

Antes mesmo de ser concebido, o Hotel SPaventura Ecolodge, situado em Ibiúna (SP), já caminhava para ser 100% sustentável. Antes do início da construção do hotel, os empresários responsáveis pela administração ficaram observando durante um ano o clima, vegetação, solo, relevo e ciclos naturais do local para entender como poderia ser construída uma edificação inteligente e sustentável.

Após terem concebido todas essas informações, nasceu o Hotel SPaventura Ecolodge, com um conceito de sustentabilidade bem amplo. O empreendimento está localizado no alto da Serra de Paranapiacaba, um local com muitas nascentes e altíssimos índices de chuva. A primeira preocupação do hotel foi evitar a contaminação da água por esgoto doméstico, já que rio abaixo se encontram inúmeras famílias de agricultores orgânicos. Foram construídos então sistemas biológicos que tratam a água com a ajuda de microrganismos e plantas, além de produzir gás, de acordo com o sócio e um dos diretores do hotel, Alexandre Haberkorn.

Alexandre Haberkorn, sócio e diretor do SPaventura Ecolodge - Crédito da foto - Divulgação
Alexandre Haberkorn, sócio e diretor do SPaventura Ecolodge – Crédito da foto – Divulgação

Já na concepção do projeto do empreendimento, foi pensado na captação e reaproveitamento da água da chuva. Para isso foram instaladas calhas em todos os telhados dos chalés, e a água então foi direcionada para cisternas. Depois, ela passa por um grande filtro de areia e é então bombeada para as caixas d’água. Antes de ser consumida, a água passa por um processo de ozonização, para garantir a sua potabilidade.

O custo para a implantação do sistema de captação de água da chuva foi de aproximadamente R$ 5 mil/uh. Os itens mais caros na implementação do sistema foram as cisternas e o sistema de ozônio. Atualmente, o empreendimento utiliza em média 80% da água proveniente do sistema de captação de água da chuva, além disso, o hotel mantém um poço semi-artesiano para utilizar nos meses de estiagem.

Dentre as principais medidas para economia de recursos hídricos estão a instalação de chuveiros com baixa vasão, que consomem três vezes menos água, além das descargas econômicas. De acordo com o executivo, a maior economia vem da parte agrícola, já que esta é responsável por 70% do consumo da água. Na fazenda Morros Verdes, o cultivo de frutas e hortaliças é feito com cobertura de palha no solo, o que garante maior umidade e menor evaporação da água do solo. A irrigação é feita preferencialmente com gotejamento, reduzindo a quantidade de água utilizada. Para se proteger dos efeitos climáticos extremos que virão, o empreendimento criou uma infraestrutura capaz de aproveitar ao máximo os recursos disponíveis (água, sol, vento) da forma mais integrada com o ambiente. Construções de baixo impacto foram planejadas, aproveitando a água da chuva, a energia solar, utilizando materiais com baixo impacto ambiental. Além disso, o SPaventura se preocupou em recuperar o ambiente degradado através do plantio de árvores nativas. As árvores possuem papel fundamental na manutenção da qualidade e da quantidade de água disponível. Para Alexandre, a sustentabilidade não é opção, e sim o único caminho a ser adotado. “Não dá para conceber a ideia de implantar um hotel que não seja inteligente no consumo de recursos naturais. Como apresentamos a um hóspede, um hotel que é perdulário no consumo de água, desatento no uso de energia elétrica e pouco preocupado no destino de seu esgoto? Essa irresponsabilidade é inaceitável nos dias de hoje”, alerta.

Com construção ecológica, o hotel Nau Royal (SP) tem iluminação artificial e reutiliza sua água - Crédito da foto - Divulgação Nau Royal
Com construção ecológica, o hotel Nau Royal (SP) tem iluminação artificial e reutiliza sua água – Crédito da foto – Divulgação Nau Royal

Arquitetura verde

Com um projeto arquitetônico desenvolvido pela GCP Arquitetos, o hotel Nau Royal, localizado na Praia de Camburi, em São Sebastião (SP), conta com 15 suítes e possui soluções eco eficientes na área de economia de recursos naturais.  De acordo com o proprietário do hotel, Roberto Ibrahim, a ideia de investir em soluções sustentáveis no empreendimento vieram desde o início de sua concepção. O empreendimento não conta com o abastecimento de água pela Sabesp, assim como outros estabelecimentos da Praia de Camburi, por conta disso, o hotel possui poços artesianos para o abastecimento. “Neste projeto, foi contemplada a captação de água das chuvas e o reuso de águas cinzas. Foram investidos três vezes mais em tubulações do que o normal, para separar as águas e reutilizá-las. Também investimos em economizadores e arejadores em todos os pontos, e o reuso das águas para rega de jardim e lavagem de áreas comuns. Na minha opinião, a importância de se investir em medidas sustentáveis está para as futuras gerações e manutenção do equilíbrio da Terra, mas não temos incentivos do governo e nem redução de impostos”, comentou.

Como parte das ações sustentáveis do projeto arquitetônico, com o objetivo de demandar menos ar condicionado, ventiladores e iluminação artificial, a construção foi orientada de modo a aproveitar de maneira coerente o sol e a corrente de vento. De acordo com Alessandra Araújo, Diretora executiva e responsável pelas ações de sustentabilidade da GCP Arquitetos, “A prática da arquitetura responsável é realizada através de entendimentos holísticos e de equipes multidisciplinares orientadas pelo objetivo de criar projetos eficientes no uso dos recursos naturais e na promoção do bem-estar”, afirma.

Durante a construção foram utilizadas tintas com base de terra ou água, as quais causam menor impacto ambiental. Além disso, o hotel conta com iluminação predominantemente composta por lâmpadas LED e o aquecimento da água é solar.

“Na área de legislação, devemos preparar os laudos e o Prontuário de Instalações, que é uma pasta contendo projeto Civil, Estrutural, Hidráulico e Gás, Incêndio e Pânico” - Crédito da foto - Divulgação
“Na área de legislação, devemos preparar os laudos e o Prontuário de Instalações, que é uma pasta contendo projeto Civil, Estrutural, Hidráulico e Gás, Incêndio e Pânico” – Crédito da foto – Divulgação

Leis e Certificações Ambientais

A preocupação com o meio ambiente é importante e louvável, mas para colocá-la em prática é necessário mais do que boa vontade. Ter conhecimento de determinadas medidas e normas específicas é fundamental para que a sustentabilidade aconteça, de fato. As Certificações Ambientais visam orientar o consumidor a optar por produtos que respeitam a natureza e contribuem para o desenvolvimento social e econômico, já que seguem um padrão pré-estabelecido por entidades competentes. Uma das certificações mais confiáveis são da ABNT e as Internacionais, que possuem um conjunto de medidas para este fim.

Partindo do princípio de que a certificação é fundamental para o bem do empreendimento e de seu entorno, foi criado em Belo Horizonte, capital mineira, o “Selo BH Sustentável”, uma certificação de desempenho para incentivar a redução do consumo de água, de energia, de emissões de gases de efeito estufa e para a gestão dos resíduos sólidos (redução e reciclagem). Os empreendimentos com o selo chegam a reduzir o consumo de água em até 30%; de energia elétrica em 25% e em 70% dos resíduos sólidos passíveis de reciclagem ou compostagem.

Esta certificação visa o alcance dos resultados de eficiência estabelecidos, que são monitorados com uma periodicidade de dois anos, intervalo estabelecido para a realização das auditorias de conformidade e de performance. A primeira auditoria – a de conformidade – ocorre após aprovação da proposta e busca a verificação da implantação das medidas de eficiência sugeridas pelo empreendedor. Em seguida, quando é feita auditoria de performance, é realizada a avaliação do atendimento aos índices de eficiência estabelecidos para cada dimensão (água, energia, resíduos e Gases de efeito estufa). Essas auditorias são realizadas por instituição externa e não oneram o empreendedor, já que são custeadas pela Prefeitura de Belo Horizonte.

Sugere-se que os hotéis, como líderes de um segmento importante da sociedade, devam assumir compromissos com sua região, com gestão e tecnologia. É o que afirma o engenheiro Gerson Sampaio, que acredita na execução de projetos que busquem a obtenção do Certificado Ambiental. “O mercado excluirá aqueles que não o fizerem.  Ações pontuais ajudam no local, mas não resolvem, como o aumento do volume de reservatórios, contratação de carros-pipas, uso de poços artesianos, e a utilização de pratos, copos e talheres descartáveis, transferindo o problema para outros”, declarou o engenheiro.

Segundo ele, o uso de máquinas eficientes, redução da pressão e aeradores em torneiras e vasos, podem ser complementados com captação de água das chuvas, hoje com tecnologias de baixo custo, reaproveitamento de águas usadas, e Estações de tratamento de esgotos. Porém, nenhum prejuízo é maior do que o hóspede perdido por falha de energia e água, pois cada hóspede perdido tem imensa repercussão pelas informações negativas ao mercado. “Na área de legislação, devemos preparar os laudos e o Prontuário de Instalações, que é uma pasta contendo projeto Civil, Estrutural, Elétrico, Hidráulico e Gás, Incêndio e Pânico. Todos os hóspedes e funcionários devem ter acesso aos dados do edifício, pois a qualquer momento podem ocorrer acidentes e incêndios, e a segurança de todos dependerá de ações eficazes”, explica. A norma de desempenho de edificações NBR 15575 estabelece parâmetros, objetivos e quantitativos que podem ser medidos. De acordo com o engenheiro, somente com medições especializadas é possível saber o nível de sustentabilidade e conforto do edifício.

Quanto ao reuso da água, Sampaio diz que esta medida é um conjunto de investimentos, podendo chegar a 70% do consumo. “Neste conjunto é necessário o LTVP – Laudo Técnico de Vistoria Predial, assinado por profissional de Engenharia, avaliando o estado do prédio e as alternativas de mudanças nas instalações. Note-se que na área de segurança, esta Vistoria, pela sua importância, já é lei em muitas cidades, estabelecendo prazos máximos de cinco anos. Catástrofes recentes (Rio, Santa Maria, São Paulo, etc.) teriam sido evitadas com esta análise”, declarou.

Situada no Rio Grande do Norte, a Pousada Pedra Grande criou um coletor de água com cascos de navio e chapas de aço - Crédito da foto - Divulgação - Pedra Grande
Situada no Rio Grande do Norte, a Pousada Pedra Grande criou um coletor de água com cascos de navio e chapas de aço – Crédito da foto – Divulgação – Pedra Grande

Captação de água com reciclados

Em regiões onde a água é escassa, o empresariado precisa ter soluções criativas para lidar com a situação e reduzir custos sem perder a qualidade dos produtos e serviços. É o que ocorre na Pousada Pedra Grande, situada em Monte das Gameleiras, cidade serrana do Agreste Potiguar, há 123 quilômetros de Natal. Preocupado com a estiagem no Rio Grande do Norte, o advogado Junior Gurgel, proprietário da pousada, decidiu apostar na sustentabilidade para viabilizar o negócio. Após pesquisas, o empresário construiu um sistema que reutiliza a água usada para irrigar os jardins do empreendimento.

No equipamento montado pelo empreendedor, a água com os dejetos passam por uma unidade coletora composta por cascos de navio e chapas de aço nas cores preta e marrom, onde é feita a separação dos resíduos. Depois da filtragem, a água desce para um reservatório, que são verdadeiros tambores com filtros de carvão ativado com lâmpadas ultravioletas, responsáveis por remover pequenas impurezas, matar as bactérias, tirar o odor e mudar significativamente a cor da água.

O equipamento também utiliza brita, cascalhinho e areia de filtro de piscina, que serve para purificar a água. Após esse processo, finalmente o recurso é destinado através de mangueiras para os cuidados do jardim, ornamentado com grama e muitas plantas, responsáveis por dar ainda mais charme ao estabelecimento. As chapas de aço, os cascos de navio e os tambores de PVC usados foram todos reciclados.

Para construir o sistema de tratamento de água foi necessário investir R$ 12 mil. Com o apoio do Sebrae do Rio Grande do Norte, o empresário pretende estender a ideia para outras áreas da pousada além dos jardins, já que a quantidade de hóspedes que frequentam o estabelecimento é relativamente alta, principalmente no período de inverno. A intenção do advogado é fazer com que a água usada nos apartamentos seja reutilizada para a descarga. De acordo com o gerente de Acesso à Inovação e Tecnologia do Sebrae no estado, a instituição João Bosco Cabral, juntamente com parceiros locais, está formatando um programa específico sobre uso eficiente de água. A proposta deve ser parecida com o programa de Eficiência Energética Ligados na Economia, lançado em março de 2015. O intuito é difundir a cultura do desperdício zero de água entre os proprietários das micro e pequenas empresas. “O aumento das tarifas energéticas vem como consequência dos baixos níveis nos reservatórios de água do país. Isso é incontestável. Mas é importante que todos os empresários evitem o desperdício. Por isso, por meio do Sebraetec, programa que leva inovação e tecnologia a pequenos negócios, temos orientado os empreendedores a usar tecnologias para diminuir o volume de água consumida e principalmente desperdiçada”, afirma.

O recurso que é um dos itens mais importantes e o mais utilizado para a manutenção da pousada, agora está sendo utilizado de forma simplificada. Além de contribuir com a natureza, a água de reuso vem sendo considerada um alívio no bolso do empresário. Se antes eram gastos 12 mil litros de água, hoje são necessários apenas oito mil litros. Uma redução de 50% no valor da conta de água no fim do mês, o que representa cerca de R$ 1,5 mil. Segundo o inventor, a tendência é diminuir ainda mais o volume do insumo utilizado. “A necessidade nos obriga a fazer as coisas. Não tem outra saída. O jeito mesmo é economizar”, pontua o empresário.

A linha Hygen da Rubbermaid tem produtos com tecido mais espesso e, ainda, a manutenção da forma após a lavagem, sem diminuição ou deformação da peça. Crédito da foto - Divulgação - Rubbermaid
A linha Hygen da Rubbermaid tem produtos com tecido mais espesso e, ainda, a manutenção da forma após a lavagem, sem diminuição ou deformação da peça. Crédito da foto – Divulgação – Rubbermaid

Economia na lavanderia

Um dos maiores gargalos d’água em um hotel é o setor de lavanderia. Apesar das soluções já citadas que ajudam na economia, como o uso da mesma toalha por mais de um dia, por exemplo, e a opção de terceirizar o serviço, o enxoval quando mantido e lavado no empreendimento é sempre um motivo de preocupação em relação ao grande consumo de água. Para contribuir com a economia dos hotéis nesta área, a Electrolux Profissional oferece alguns produtos que utilizam menos ou pouca quantidade de água na hora da lavagem de enxovais e roupas.

A empresa tem soluções para lavanderias com funcionalidades inteligentes que asseguram o uso consciente dos recursos naturais com o menor impacto ao meio ambiente. São máquinas e equipamentos dimensionados para baixo consumo de energia, água e químicos, além de reduzidas taxas de emissão de CO2. Todas as fábricas da Electrolux são certificadas com a ISO 14001.

Para cargas parciais, que são uma constante no dia a dia das lavanderias, a economia de água é obtida graças ao dispositivo “Automatic Saving”, presente em suas lavadoras. O recurso, “AS”, faz a medição da carga exata carregada na lavadora e preenche o cesto com água proporcional. Ou seja, se uma lavadora com capacidade para 28 kg for carregada com 14kg de roupa, a quantidade de água utilizada será a requerida para 14kg e não para 28 kg de roupa. Assim, com o AS e meia carga, ela é de nada menos que 42%.

Em uma lavanderia onde mais de 50% do total da energia utilizada é consumida pelas secadoras, é preciso otimizar ao máximo o uso deste equipamento. Pensando nisso, a Electrolux criou uma outra funcionalidade exclusiva chamada “Auto Stop”, que a partir de sensores inteligentes interrompe o processo de secagem quando a carga está completamente seca, sem interferência do operador durante o processo. Segundo a empresa, este recurso é válido para grandes volumes de toalhas de banho que são diariamente processados nas lavanderias de hotéis, motéis e resorts em geral, já que além de economizar energia e aumentar a produtividade, também pode estender a vida útil e garantir a melhor qualidade do enxoval por mais tempo.

Patricia Trindade, Gerente nacional de vendas da Divisão de Lavanderia Profissional da Electrolux, afirma que são funções que permitem realizar um processo “perfeito e sem desperdícios. Uma lavanderia profissional precisa ser competitiva. E contar com soluções, máquinas e equipamentos que garantam economia de água e energia é fundamental, especialmente em momentos de crise como este, em que só se fala em poupar esses recursos. Nossos equipamentos apresentam economia de até 50% no consumo de água e de 18 a 24% no consumo de energia (gás, eletricidade ou vapor)”, explica.

De acordo com a gerente da empresa, a Electrolux presta uma consultoria a quem está interessado em adquirir as máquinas e equipamentos para lavanderia, o que vai além da venda em si. A necessidade do cliente é estudada, é montado um layout do espaço a ser ocupado pelo produto, além de serem realizados treinamentos, suporte técnico, entre outros serviços.

A água é um bem precioso e impacta nos custos operacionais de um hotel - Crédito da foto- Magda S
A água é um bem precioso e impacta nos custos operacionais de um hotel – Crédito da foto- Magda S

Higienização inteligente

Para garantir o máximo em questão de limpeza, economia de materiais e remoção de micro-organismos com utilização mínima de água, a Rubbermaid Commercial Products (RCP) lançou no mercado a linha Hygen, formada por equipamentos de microfibras para limpeza que pode ser aplicado em hotéis, hospitais e empresas do ramo de food service, por exemplo. As microfibras são constituídas por fibras sintéticas que penetram nos poros das superfícies e além disso, possuem uma carga eletroestática que atrai partículas como poeira e microrganismos. A densidade da microfibra permite que ele absorva seis vezes seu próprio peso em água.

O Sistema Hygen é um programa abrangente que reúne a inovadora tecnologia de limpeza úmida/seca junto às ferramentas exclusivas que ajudam a maximizar a produtividade, bem como baldes e carros projetados para aumentar o poder de higienização. Ainda são oferecidos três componentes importantes: desempenho ideal de limpeza para a prevenção de infecções; sistema integrado de produtos (carros funcionais, microfibras, equipamentos) e suporte da equipe interna de vendas com intuito de auxiliar em quaisquer ocasiões necessárias (atendimento personalizado, treinamentos em locais de implementação e aplicação das melhores práticas em relação a utilização do produto). “A linha Hygen é composta por mais de 30 produtos e tem como principal diferencial a performance de limpeza comprovada. A sua família de mops, panos e espanadores, projetados com uma exclusiva tecnologia em microfibra “explodida” são, comprovadamente, capazes de capturar e segurar 99,9% dos micro-organismos”, explica Francisco Puertas, diretor de marketing da RCP.

Com design em zigue-zag, os mops e panos oferecem mais microfibra expandida por peça frente aos produtos tracionais com material similar, o que representa uma melhora na limpeza em relação aos mops tradicionais. Além disso, os produtos da Rubbermaid Hygen são compatíveis com diversos químicos tais como: detergentes neutros, desinfetantes quat e com fenóis, peróxido de hidrogênio ou água sanitária. Traz uma tecelagem em trama torcida que possibilita uma estrutura mais forte e com melhor resistência a rasgos e esgarce. Confere também um perfil mais largo, tecido mais espesso e, ainda, a manutenção da forma após a lavagem, sem diminuição ou deformação da peça. “Somados a estes diferenciais o sistema Hygen também apresenta acessórios leves e ergonômicos, que não só propiciam uma menor exposição dos usuários a líquidos perigosos, como promovem uma diminuição de 27% no tempo de trabalho ao higienizar ambientes. Equipes mais eficazes e eficientes colaboram para uma contribuição significativa no desempenho financeiro de suas organizações. Melhorias na atividade de funcionários podem levar a um aumento das receitas, bem como o aumento da satisfação do paciente, reduzindo o tempo dedicado à limpeza”, completa Francisco.

Soluções econômicas

Encontrar soluções para reduzir os impactos ambientais é um desafio que ocupa cada vez mais as equipes de gestão das empresas. Incentivadas pela crise hídrica em várias regiões do Brasil, além da busca por maior produtividade dos colaboradores com o foco na diminuição dos gastos, a Rubbermaid testou o sistema Hygen na unidade Morumbi do Hospital Israelita Albert Einstein e atingiu resultados importantes.

Foi realizado um teste comparativo entre o andar onde houve a utilização do Hygen e outro no qual manteve-se o sistema convencional (panos descartáveis, garrafas spray, escadas). Foram observados alguns aspectos, como o uso de recurso hídrico e produtos químicos, tempo envolvido na limpeza e satisfação e bem-estar dos colaboradores e clientes. Também foi feita uma avaliação de risco ergonômico, utilizando o software REBA (Rapid Entire Body Assessment), com dados coletados durante um período de três semanas com início em julho de 2013 e término em meados do mês seguinte.

O Hygen demonstrou resultados superiores quando comparado com o sistema convencional de limpeza, atingindo performances singulares, como, por exemplo, quando compara-se a utilização de água. A redução do uso de água com o sistema Hygen no Einstein foi de 98%. Os estabelecimentos de saúde estão entre os grandes consumidores de recursos hídricos e reduzir esse consumo proporciona uma importante redução deste recurso e de custos relacionados com abastecimento e esgoto. O consumo de produtos provenientes de composições químicas agressivas foi reduzido em 47%.

A Rubbermaid espera implantar este sistema de limpeza em grandes instalações e realizará um lançamento em que apresentará acessórios leves e ergonômicos que promovem um incremento de até 27% na velocidade de trabalho ao higienizar ambientes. “É mais eficiência para os funcionários e mais seguro para os usuários, ou seja, um investimento que traz retorno muito rápido, apresentando um ótimo custo-benefício”, conta Francisco Puertas, diretor de marketing para a América Latina da empresa. “A linha Hygen garante o máximo em questão de limpeza, eficiência, economia de materiais e remoção de micro-organismos”, conclui.

 Algumas ações para minimizar o desperdício de água:

  • Inserir placas informativas para diminuir o consumo de água em banhos e torneiras
  • Invista em reúso de água. Toda água oriunda dos boxes dos banheiros, pias, e a última etapa da lavagem de roupas da lavanderia pode ser destinada a uma estação de tratamento e após tratada, a água retorna a uma caixa d’ água especial e desce para uso somente nos vasos sanitários de todo o hotel, a partir daí para o esgoto
  • Colocar mensagens junto às as toalhas (banheiro) informando o hóspede que caso ele concorde utilizar a toalha mais de uma vez, que essa seja pendurada no rack de toalhas, caso não que deixa as toalhas sobre a pia
  • Instalação de sensores nas torneiras somente ativadas quando a mão está abaixo delas
  • Acompanhar todas as contas de água, assim como, a manutenção preventiva de todas as tubulações do hotel. Tais ações poderão evitar danos maiores
  • Separação de roupa de acordo com a sujidade: roupas semi-limpas gastam menos água e produtos que as mais sujas. Isso permite aumento na vida útil da roupa
  • Otimizar o uso de água nas torneiras de pias e verificar se estão corretamente fechadas, em caso de vazamento acionar a Manutenção
  • Evitar banhos longos e atenção ao fecho completo das torneiras e chuveiros após o banho
  • Aplicação de redutores de vasão e arejadores de torneira
  • Revisão dos procedimentos de abertura e limpeza dos quartos
  • Promover a reutilização de amenities
  • Desligar sauna e jacuzzi que não estejam em utilização
  • Efetuar descarga do sanitário somente se estiver sujo, assim como substituir as válvulas de descarga por caixas acopladas
  • Reduzir e alternar os dias para rega de plantas e limpeza de áreas públicas
  • Não molhar o piso laminado de madeira. Somente usar o pano úmido
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