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3º Encontro Nacional de Gestão e Hospitalidade debateu mão-de-obra

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Maria José Dantas: "A terceirização pode ser boa na hotelaria, mas ela deve ser implantada com muito cuidado e planejamento"

Direto do Rio de Janeiro – A presidente da ABG Nacional – Associação Brasileira de Governantas e Profissionais de Hotelaria, Maria José Dantas, terminou uma palestra agora há pouco abordando três importantes temas: A falta de mão-de-obra x falta de qualificação. Este painel faz parte da programação da terceira edição do Encontro Nacional de Gestão e Hospitalidade que te teve início hoje no hotel Belmond Copacabana Palace, no Rio de janeiro. Maria José começou sua palestra destacando que a terceirização sempre foi vista como uma oportunidade maravilhosa de reduzir custos, mas isto é um engodo em sua visão. “O novo cenário hoteleiro exige desafios, mas muitas empresas enfrentam com o enxugamento de custos e com isto, menos pessoas em todas as áreas. A terceirização pode ser uma opção, mas deve ser feita utilizando profissionais qualificados para não comprometer os serviços. Não se pode trocar todo um staff operacional de uma empresa de um hora para outra, pois a hotelaria é uma atividade humana que prescinde da mão-de-obra em mais de 90% dos processos”, lembrou Maria José, citando um livro de Gisele Jakociuk Barbieri publicado em 2016 que tratou do enxugamento e a demissão para redução de custo operacional.

Segundo ela, este enxugamento num hotel em tempos de crise deve ser bem estudado, pois é necessário criar uma cultura de desenvolvimento contínuo e fazer com que as equipes se tornem mais eficientes. “Se o hotel não tiver gestão e não souber onde cortar os custos operacionais, de nada adianta querer implantar a terceirização. E não existe uma área num hotel que gera mais desperdício do que a governança. Gastos excessivos na utilização de produtos de limpeza e lavagem excessiva do enxoval podem ser evitados. Para isto, é imprescindível que a governança tenha números, indicadores de consumo, da demanda de trabalho e isto significa ter gestão. A empresa de mão-de-obra terceirizada pode desconhecer completamente estes números e os custos serão maiores”, revela Maria José.

Maurício Gangara: “A mão-de-obra impacta em 29% nas operações dos hotéis”

E para saber como a nova legislação de terceirização e o impacto que isto pode ter na governança, Maria José convidou Maurício Gangara, Diretor da RH 10, uma empresa com muito know how em terceirização para várias redes hoteleiras.  E ele começou destacando a superoferta da hotelaria carioca visando atender a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. “Isto criou um grande impacto na redução da taxa de ocupação que registrou apenas 39% em julho passado. A expectativa de melhora deste quadro é de curto médio e a solução que os hotéis estão adotando é a redução drástica de custos. E o maior deles é a depreciação dos equipamentos que corresponde por 39% e isto não tem como cortar. Então os hoteleiros cortam no segundo maior custo que é a mão-de-obra que impacta em 29% nas operações dos hotéis”, revela Gangara.

Ele destacou os desafios de convivência que as empresas possuem com os terceirizados e citou que existe: Tratamento diferenciado, atribuições de carga de trabalho, impaciência e  indisponibilidade para orientar, insatisfação pelo extra receber  um salário/dia maior que , exigir o mesmo extra repetidamente. “Os mesmos custos que tem um hotel, a empresa de terceirização também, mas ela bem planejada pode oferecer ganhos de custos, qualidade produtividade e de resultados. A nova reforma trabalhista 13.467 que vigora a partir do dia 11 de novembro pode ser uma solução para os trabalhos temporários e a terceirização de serviços”, acredita Gangara que enquanto não tiver um modelo de operação bem definido, não se pode entregar nada de experiência aos hóspedes.

Marcos Valério Rocha: “A partir do próximo dia 11 de novembro as relações de trabalho do Brasil vão mudar com esta nova legislação”

Marcos Valério Rocha, Diretor da FBHA – Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação de Minas gerais estava presente no evento e aproveitou para destacar: “A partir do próximo dia 11 de novembro as relações de trabalho do Brasil vão mudar com esta nova legislação. Isto vai tornar o mercado mais dinâmico, gerar melhor condições para o trabalhador e o setor hoteleiro vai se atualizar e ser mais competitivo”, acredita Rocha citando que a legislação é bem flexível e será muito boa para combater a sazonalidade do setor.

A reportagem da Revista Hotéis viaja ao Rio de Janeiro a convite da ABG Nacional para cobrir este evento.

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