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28º Fórum dos Empresários de Turismo debateu conjuntura econômica no Brasil

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Cerca de 50 profissionais do trade estiveram participando do evento

O SINDETUR /SP — Sindicato das Empresas de Turismo no Estado de São Paulo promoveu agora há pouco o 28º Fórum dos Empresários de Turismo para discutir os atuais problemas que atingem o setor turístico no Brasil.  O evento aconteceu no Espaço Trivento, na Vila Olímpia, na capital paulista e reuniu três grandes nomes da inteligência brasileira para debater o cenário de crise que o País está mergulhado e mostrar os caminhos para superá-las. As palestras foram ministradas pelo professor titular da USP e consultor político Gaudêncio Torquato, do economista e jornalista da Globo News, Ricardo Amorim e do especialista em mercado, Marcos Gouvêa de Souza.

Gaudêncio Torquato: " A velha política que está chegando ao seu final"
Gaudêncio Torquato: ” A velha política está chegando ao seu final”

O Consultor político Torquato iniciou o debate considerando o atual momento como o pior cenário vivido pelo Brasil nos últimos anos e comparou o quadro institucional, político e social, como um carro atolado em época de chuva, mas esta chuva era previsível e ninguém pensou em pavimentar a estrada. Esta foi uma alusão ao governo da Presidente Dilma Roussef que na opinião de Torquato, faz uma velha política que está chegando ao seu final. “A equação que o Lula montou de maneira intuitiva para acertar a economia e o desenvolvimento brasileiro com ganhos na classe C, começou a se esvair. O desemprego está aumentando, assim como a inflação já atinge a casa de dois dígitos. O pacote fiscal que o Ministro Joaquim Levy projetou ainda não começou a ser sentido pela população, pois muitas medidas ainda não foram implementadas. A hora que isto acontecer, minha visão é que o quadro político econômico vai se agravar ainda mais”, avalia Torquato.

Animosidade social

Segundo ele, esta situação cria uma animosidade social, pois as classes de menor renda que eram beneficiadas pelos projetos sociais do governo já sente os efeitos perversos da atual situação.  “O PT – Partido dos Trabalhadores não possui um projeto de governo para o Brasil. Estamos numa nau sem rumo e sem comandante e a relação do governo com o Congresso é extremamente precária, mesmo com o balcão de negócios feitos pela Presidente Dilma com as mudanças ministeriais que aconteceram na semana passada. O cenário inspira cuidado e o pior, é que nenhum outro partido tem uma proposta para melhorar o atual cenário”, assegura Torquato.

Ele assegura que o Lula gostaria que a Dilma saísse da presidência com um argumento de doença pela porta da frente. “O Lula gostaria também de levar o Partido dos Trabalhadores para a esquerda e é contra as medidas econômicas austeras que o Joaquim Levy implantou e assim ganhar mais respeito da população, mas enfrenta muitas resistências internas partidárias. Outra preocupação é que rumo tomará a economia se o TCU- Tribunal de Contas da União rejeitar as contas do governo Dilma, e isto é certo que vai acontecer”, previu Torquato, finalizando sua palestra.

Ricardo Amorim: "A Dilma é o presidente mais impopular desde a implantação da república no Brasil"
Ricardo Amorim: “A Dilma é o presidente mais impopular desde a implantação da república no Brasil”

Poço da recessão

Em seguida Ricardo Amorim começou sua palestra destacando que cerca de 75% do crescimento da economia mundial foi nos países emergentes, mas segundo ele, no caminho do crescimento tinha uma Dilma. “O poço da recessão econômica já estava sendo cavado nos dois últimos anos do governo Lula e se agravou no governo Dilma. E o pior foi o tratamento dado. Nossas contas já estavam desiliquilibradas, pois era caro produzir no Brasil e a população começou a comprar no exterior. Com isto, acentuou o desiquilíbrio e o remédio dado é amargo. Aumentou a taxa de juros para segurar a inflação, mas deprimiu a economia”, avaliou Amorim.

Ele destacou que enquanto a taxa selic no Brasil está em 14,5%, enquanto a taxa média no mundo é de apenas 0,4%. Com isto se cria um reflexo em toda cadeia produtiva. “Nunca a economia mundial cresceu tanto como nos últimos anos, mas o Brasil conseguiu crescer menos de 1/3 dos países emergentes, ficando atrás de El Salvador, Guatemala e até mesmo a Argentina. Bons tempos aqueles que 46% das compras dos shopping centers na Flórida eram feitos por brasileiros”, lembrou.

Amorim se mostrou cético em relação ao processo de impeachment e lembrou que isto é uma prerrogativa a ser votada no Congresso. A Dilma é o presidente mais impopular desde a implantação da república no Brasil. Os próprios membros do PT, como o fundador Hélio Bicudo, tem interesse na queda da Dilma, pois haverá muitos respingos nos palanque e vai ser complicado um candidato pedir voto dizendo que é do PT. Na minha opinião, a Dilma está com a corda no pescoço e ela só não caiu ainda, por que o PMDB não montou um pacto de governabilidade”, destacou Amorim que deixou um alento aos participantes do segmento turístico. “A valorização do dólar aqueceu o consumo interno e a hotelaria brasileira, principalmente a do Nordeste, está com uma boa ocupação. Em toda crise existem as oportunidades e é isto que vocês devem ter em mente. Nunca desperdicem uma crise para criar”, concluiu Amorim.

Natureza transformadora

O especialista em mercado, Marcos Gouvêa de Souza começou sua palestra enfatizando que embasamento do crescimento da economia se baseia na confiança, emprego, crédito e renda. Mesmo o Brasil tendo sérios problemas nestes quesitos, nossa situação ainda não é calamitosa, se comparada a países como a Espanha, que tenta se reerguer e está com 23% da população desempregada. Para ele o que preocupa é o baixo índice de confiança do consumidor que caiu muito nos últimos seis meses, provocado pelo rumo econômico.

Marcos Souza: ". Mesmo o Brasil tendo sérios problemas econômicos, nossa situação ainda não é calamitosa, se comparada a países como a Espanha"
Marcos Souza: “. Mesmo o Brasil tendo sérios problemas econômicos, nossa situação ainda não é calamitosa, se comparada a países como a Espanha”

Souza apresentou vários dados que ele chamou de natureza transformadora do mercado e que isto é muito benéfico para o Brasil. “Os ambientes digitais estão afetando marcas e produtos de várias formas possíveis. Cada dia cresce mais o uso da tecnologia para atender as novas gerações e o Brasil por ter uma sociedade com idade média de 30 anos, muito vai ganhar. Esta geração é mais aberta ao novo, a experimentação de incorporar as tecnologias e experimentar o novo.  Segundo pesquisas mercadológicas,  pessoas de 18 a 25 anos, ficam no mínimo seis horas conectadas por dia. Além de estarem se relacionando, elas estão buscando oportunidades de compras como passagens áreas, hospedagens, entre outros. E é isto que vocês da indústria do turismo devem ficar atentos para poder aproveitar as oportunidades. Desintermediar o negócio é uma tendência mundial e vocês devem encontrar modelos alternativos para reposicionar o seu negócio. A concorrência deverá mais acirrada ainda mais e cada vez o consumo será influenciado pela internet”, avaliou Souza.

Confira na galeria de imagem alguns dos participantes do evento. 

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